É fazer as contas, já dizia o outro

«Na verdade, há uma proposta para o Insúa que pode ser muito vantajosa para o Sporting. A partir daí, temos de equacionar a situação», Jesualdo Ferreira, hoje, na conferência de imprensa.

Ora, tendo Ínsua uma cláusula de 30 milhões, e detendo o Sporting 35% do passe do argentino, o que é uma proposta vantajosa? Recebermos 10 milhões? Ou vender o gajo por um terço da cláusula e recebermos 3,5 milhões?

Actualização (17h40):O lateral-esquerdo Seejou King (Nordsjaelland) acertou esta quinta-feira a transferência para o Sporting. O jogador chega a Alvalade com contrato de empréstimo válido por 6 meses, com os leões a ficarem com opção de compra. […] Aos 20 anos, King integrará o Sporting B, com o fim de ser melhor avaliado para depois poder integrar a equipa principal” (in Record)

Lá tenho eu que fazer outra pergunta. Então… e o Atila Turan?

Nem tudo foi mau

É a minha forma de estar na vida: tentar encontrar sempre um lado positivo, principalmente quando as coisas estão mal. Ora, de sábado, para além de um resultado merdoso e uma exibição que misturou o incapaz com o tresloucado, queria, ainda destacar o seguinte:

– Betinho teve, finalmente, uma oportunidade. O jogo era péssimo para a estreia, com o puto lançado às feras como se dele dependesse a nossa capacidade para inverter a desvantagem, daí que nem tenha dado tempo para grandes brilhantismos. Ainda não consegui ter a certeza de foi dele aquela recarga ao livre final, cortada quase em cima da linha, e que, a entrar, lhe daria uma estreia de sonho, mas fica o registo num jogo que também ajuda a tornar jogadores em homens;

– Viola continua a somar pontos pela entrega, irreverência e capacidade técnica. A adaptação ao futebol europeu está a ser feita à força (várias vezes dou comigo a vê-lo ao ritmo do tango), mas arrisco dizer que temos jogador;

– Aquele movimento de Izmailov, recebendo, rodando, cruzando com sabor a golo para Wolfs e Viola ficarem a milímetros do toque final. Tudo em movimento, pensando ao ritmo a que executava. Genial. Balakov ficaria orgulhoso de ver a camisola 10 no corpo do pequeno grande czar;

– Jeffren, quase sem darmos por ele, está recuperado (ou parece). Não só fisica como, não menos importante, mentalmente. Dois jogos seguidos em que entra e onde é visível uma qualidade superior na forma como ocupa os espaços, procura o jogo de equipa ou a iniciativa individual. Uma oportunidade a titular, já!

– Wolfswinkel. Assim, de repente, o «incapaz» começou a marcar e a resolver (ou a salvar). Continuo a achar patéticas as críticas doentias ao holandês, embora perceba que alguns dos seus falhanços são de fazer arrancar os cabelos. Continuo a achar que é um bom ponta-de-lança, com margem para vir a tornar-se muito bom. E, meus amigos, neste momento, o «tartaruga» vai fazendo de Liedson, o tal sacana que ia disfarçando as misérias tácticas e exibicionais.

p.s. – acho curioso como alguns Sportinguistas vão afirmando que o Ínsua devia ir para o banco. é tão bom falar de barriga cheia, não é?

Parece-me simples

Não tenho nada contra Gelson, e até aplaudo de pé a postura do gajo, no jogo de segunda-feira.
Mas, parece-me, há algo claro como a água e Sá Pinto terá percebido à força (o, agora nosso, Ricardo, não terá culpa de terem tentado vender-lhe uma infância e adolescência azuis): jogar com um Douglas, é diferente de jogar com um André. Jogar com um Paulo Sousa ou com um Duscher, é diferente de jogar com um Paulinho Santos. Jogar com um Rinaudo, é diferente de jogar com Gelson.

p.s. – também me parece incontornável a ideia, de que Ínsua é titular sem espinhas. Aliás, não deixa de ser curioso, que a mudança tenha começado, precisamente, no regresso destes dois jogadores.

Ponto de situação

Ainda não tinha tido oportunidade de despedir-me, condignamente, de Hélder Postiga e de Yannick Djaló. Nem de, fechado o mercado, comentar a forma como a dupla Freitas/Duque abordou o mesmo. Vamos por partes.

Não pude deixar de achar cómica, a reação de alguns Sportinguistas à saída de Postiga e de Djaló, lamentando a sua venda e considerando que perdemos dois bons jogadores.
De Postiga, só tenho a dizer o seguinte: marcou 12 golos em quatro épocas, uma média miserável. Aliás, contabilizando o número de minutos jogados, consegue ter uma média pior do que Purovic, do que Rodrigo Bonifácio Tiuí e do que… Koke. Estou-me completamente a cagar para o facto do gajo se julgar a “Paula Rego das quatro linhas”. Quero golos. Ele é avançado e não os marca (e ainda impede os colegas de fazê-lo). Põe-te nas putas que já vais tarde!
Quanto a Yannick, teve mais do que oportunidades para provar que era jogador para o Sporting. Como avançado, consegue disfarçar as suas deficiências técnicas com alguns golos, mas podemos ter num plantel um jogador que, em dez bolas, domina duas à primeira? Que como extremo não sabe ir à linha e cruzar? Ou partir para cima do adversário e fazer a diferença num 1×1? Não, não é jogador para o Sporting e não vamos tratá-lo como coitadinho só porque é oriundo da nossa formação. Nem vamos fazer dele um menino bem comportado, quando várias vezes o vimos não festejar golos porque estava amuado por terem gozado com o seu novo penteado. Ah, e muito menos vamos manter um jogador que nos dá motivos para aplaudir duas ou três vezes por época, só porque o gajo ainda vai parar ao Porto e ai ai ai (por favor, não me falem no Varela. Se os tripas não tivessem sido campeões o gajo já tinha sido apelidado de merdoso que, por época, passa dois ou três meses lesionado).

Quanto ao mercado, e depois de ter-se conseguido um treinador com competência, existiam várias lacunas no plantel a resolver:
– um concorrente para João Pereira
– defesas centrais que permitissem colocar um ponto final no calvário dos lances pelo ar
– um lateral esquerdo
– médios centro de qualidade
– extremos
– avançados que substituíssem Liedson (porra que ainda ontem vi o homem marcar dois ao Flamengo)

Para concorrer com João Pereira avançou-se para João Gonçalves, entretanto emprestado ao Olhanense. Ficou Pereirinha, que para mim apenas tem hipótese de jogar neste posição, e chegou Arias, que muito boas indicações deixou no mundial de sub-20. Creio que temos o problema resolvido.
No centro da defesa, um dos maiores problemas, optou-se por manter Anderson Polga e Carriço (que, por muito que me custe dizê-lo, já me pareceu bem melhor). Foi-se buscar Rodriguez, ao Braga, e chegou o gigante Onyewu, que de muito bom, contra a Juventus, passou a grande merda, contra o Valência. Bipolaridades à parte, para mim não tem muito que saber: é Rodriguez, à esquerda, e Onyewu, à direita. Não será uma dupla de sonho, pois não, mas ganhamos, força, ganhamos altura e, aposto, deixamos de sofrer golos patéticos. E, porra, duvido que não seja dupla para nos fazer lutar por títulos. Agora, é preciso é que consigam jogar juntos três ou quatro vezes para ganharem entrosamento.
Ainda na defesa, agora do lado esquerdo, penso que está mais do que visto que Evaldo é mediano. Pouco ataca e defende assim assim. Tem dias, no fundo. Mas como o Sporting precisa de alguém que tenha meses em vez de dias, foi-se buscar Insua. E era preciso o Grimi pegar-lhe a gripe para o homem não vir a transformar-se no nosso titular.

A meio-campo, onde sobravam André Santos, Matias e Izmailov da época passada, chegaram Rinaudo, Schaars, Luis Aguiar e Elias. Prefiro nem me alongar muito em comentários, deixando apenas a seguinte pergunta: olhando para estes sete gajos, e mesmo acreditando que possamos sentir a falta de um gajo que limpe tudo o que sejam bolas pelo ar, há quantos anos não tínhamos um meio-campo com esta qualidade e estas opções?  Inácio, por exemplo, foi campeão com uma rodela central onde cabiam Duscher, Vidigal, Bino, Toñito e Delfim. Temos piores opções? E o Sr. Boloni, pese o poder de fogo ao seu dispôr, tinha como médios centro Paulo Bento, Vidigal, Custódio, Bruno Caires, Diogo, Hugo Viana e o Afonso “nem pensem que me vou embora até terminar o meu contrato” Martins. Temos piores opções?

Já cheirava mal não termos extremos, não cheirava? O odor mudou radicalmente com a chegada de Capel, Jeffren e Carrillo. Há extremos, pois há, e de qualidade. Até o puto peruano, que parece ter vindo numa de estagiar durante a primeira época, mostra a cada pormenor ter imenso futebol naqueles pés.

Por último, havia que resolver um problema que se deixou arrastar: a dependência de Liedson. É inacreditável como se foi deixando passar os anos sem se antecipar a saída ou diminuição de rendimento do Levezinho. Pensar que Postiga podia ser o seu substituto não foi um acto de fé, antes de acefalia, que nos deixou entregues a um ataque sem golos. Chegaram, entretanto, Wolfswinkel, Rubio e Bojinov. Já nem discutindo qualidades e características, patético será algum deles fazer pior do que o dito artista. E dizer que qualquer um deles não presta, parece-me desonesto.

Posto isto, e muito resumidamente, há matéria prima para o Sporting estar, efectivamente, de volta. Que assim nos ajude a ausência de lesões e que, depois de ter andando a colocar jogadores a titulares para poder vendê-los, que seja capaz Domingos de se deixar de invenções parvas e de confirmar que o que de bom fez até hoje, enquanto treinador, não foi obra do acaso. A prova de fogo está marcada para amanhã, naquele que tem tudo para poder ser o primeiro jogo do resto da nossa época.