A propósito de Izmailov

Creio ser simples entender que Izmailov, tal como Onyewu, tinha as portas abertas para sair do Sporting. E, tal como afirmei no final da época, «Quanto a Izmailov, é algo que me deixa angustiado. Adoro o jogador, acho-o o melhor jogador do plantel, mas andamos há três anos a acreditar que “quando o Izmailov recuperar é que vai ser”. Tal como acontece com Matias, poderíamos guardá-lo para grandes jogos, mas, e é uma facada que dou em mim mesmo, aceitaria vendê-lo caso surgisse uma boa proposta após o Euro».

Ora, segundo a Bola, essas propostas terão surgido por parte de Spartak Moscovo, Dínamo de Moscovo e Anzhi e, a julgar pelos intervenientes, não devem ter sido propostas de tostões. A todas elas Marat terá dito “não”, sendo um dos motivos para a recusa a vontade de ser campeão pelo Sporting, não estando colocada de parte a hipótese de terminar a carreira em Alvalade.

Eu não sei o que esperar de Izmailov. Ou melhor, sei. Sei que sempre que ele está em campo, mesmo a 70% ou 80%, o futebol do Sporting se torna diferente. Para melhor. Sei que a bola é mais redonda, as linhas de passe duplicam e os remates de meia distância ganham outro perigo. E sei que está ali alguém que sente a camisola, que está ali um artista que não tem vergonha de trabalhar mais do que qualquer operário. O que eu não sei é em que condições está o nosso 10. Nem quantos jogos aguentará. Mas a julgar pelas notícias de hoje, parece estar confiante e cheio de vontade de complicar as contas a Sá Pinto.

Assim sendo, sê bem-vindo de volta, camarada Marat! (e, já agora, sê bem-vindo de volta, camarada Fabian Rinaudo).

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Sempre grande, Izma

«Ao mais alto nível, em termos europeus, é o que acontece aos clubes mais fortes. Claro que se acumula fadiga, mas gosto de poder jogar duas ou três vezes por semana», diz Izmailov sobre o facto de se jogar ao fim-de-semana e a meio da semana. Aliás, se a ideia é entrar em todas as provas para ganhar, nada mais natural do que jogar muito mais vezes, não?

Estrela da semana: Izmailov

É, provavelmente, o jogador mais consensual do plantel do Sporting (sim, mais do que Rinaudo). Não conheço um único adepto que não aplauda as suas qualidade técnicas, o seu profissionalismo, o seu espírito de não desistir perante as adversidades. E, assim sem pensar muito, diria que quase todos os Sportinguistas que conheço o consideram o melhor jogador do plantel, opinião partilhada por inúmeros adeptos de clubes adversários.
Não fossem as lesões, Izmailov, Marat para treinadores e colegas, estaria, anualmente e sem grande esforço, entre os três melhores jogadores da nossa Liga. Com uma inteligência táctica bem acima da média, capaz de perceber, enquanto recebe uma bola de costas para o meio-campo adversário, se a melhor opção é virar-se para a linha ou seguir para terrenos mais interiores, é, ainda, dono de um toque de bola elegante que lhe permite jogar ao primeiro toque (escola russa) e de um repertório técnico que lhe dá todas as condições para apostar no lance individual. A isso alia a capacidade de remate, a inteligência para gerir ritmos de jogo e a personalidade que lhe permite não se esconder quando é necessário alguém que assuma o jogo. E, a própósito de personalidade, creio que a forma como colegas, treinadores e adeptos falam dele (e como têm vivido os infortúnios de uma carreira que tinha tudo para ser brilhante), dispensa grandes comentários.

Agora, depois de um calvário de lesões e de tentativas frustradas de regressar à competição, Izma parece estar de regresso. Como quase sempre aconteceu, bastaram alguns minutos nas pernas para começar a fazer a diferença. O golo frente ao Rio Ave, encerra em si todo o Izmailov de quem falei acima. Até a forma como «camarada Marat» caminha para a baliza, respirando como um pugilista, faz dele um jogador único. Para mim, é um privilégio poder vê-lo de Leão ao peito.

Não devias ter sido o único a falar

«É absolutamente falso que eu pretenda requerer junto do Tribunal de Trabalho uma pensão por incapacidade. Uma tal pretensão implicaria que eu abandonasse definitivamente a minha actividade profissional, o que é totalmente absurdo. Acabo de completar 29 anos de idade e penso jogar futebol como profissional durante mais alguns anos. Não tem, pois, fundamento, a notícia que alega que um eventual processo irá dar entrada no tribunal do trabalho. Tenho tido alguns problemas no meu joelho, mas espero resolvê-los rapidamente, para poder dar o meu melhor contributo à equipa», Izmailov, em comunicado.  

Muito sinceramente, penso que faltou este comunicado ser acompanhado, de viva voz, por alguém da direcção, com uma simples declaração. Qualquer coisa como “o jornal Record já mostrou, por mais do que uma vez, que tem tanta credibilidade como um zero à esquerda. A capa de hoje (ontem), onde estampam mais uma mentira é, apenas, novo exemplo da pequenez e falta de ética daquilo a que mais não pode chamar-se do que pasquim”.

No fundo, é em momento como este que o Duque e companhia têm que mostrar que “acabou o Sportinguezinho”.

ACTUALIZAÇÃO
Afinal o Sporting respondeu e eu não dei por nada. Entre apagar o post e assumir a bacorada, prefiro a segunda. Pronto, podem “biqueirar-me”.

resposta do Sporting no site oficial
A notícia publicada esta quinta-feira no Jornal “Record” com o título: “Izmailov quer pensão por incapacidade” prejudica gravemente o jogador e a estabilidade da equipa profissional de futebol da Sporting SAD. O atleta já afirmou em comunicado, que a informação é “absolutamente falsa”.
A importância e repercussões dos factos relatados exigiriam do referido órgão de comunicação um cuidado acrescido na confirmação dos factos, o que poderia ter sido facilmente alcançável contactando o jogador, o seu empresário ou a Sporting SAD, o que incompreensivelmente não foi feito.
A Sporting SAD não deixará de defender os seus profissionais e regista o momento que foi escolhido para destabilizar a equipa de futebol.

 

Saga sem fim?

Já nem há palavras para opinar sobre o que vai sendo a carreira do Izmailov, com a camisola verde e branca vestida.
Que, quando recuperados, Matías, Aguiar e Jeffren nos façam esquecer a ausência de um dos mais importantes e influentes jogadores do plantel.

Ponto de situação

Ainda não tinha tido oportunidade de despedir-me, condignamente, de Hélder Postiga e de Yannick Djaló. Nem de, fechado o mercado, comentar a forma como a dupla Freitas/Duque abordou o mesmo. Vamos por partes.

Não pude deixar de achar cómica, a reação de alguns Sportinguistas à saída de Postiga e de Djaló, lamentando a sua venda e considerando que perdemos dois bons jogadores.
De Postiga, só tenho a dizer o seguinte: marcou 12 golos em quatro épocas, uma média miserável. Aliás, contabilizando o número de minutos jogados, consegue ter uma média pior do que Purovic, do que Rodrigo Bonifácio Tiuí e do que… Koke. Estou-me completamente a cagar para o facto do gajo se julgar a “Paula Rego das quatro linhas”. Quero golos. Ele é avançado e não os marca (e ainda impede os colegas de fazê-lo). Põe-te nas putas que já vais tarde!
Quanto a Yannick, teve mais do que oportunidades para provar que era jogador para o Sporting. Como avançado, consegue disfarçar as suas deficiências técnicas com alguns golos, mas podemos ter num plantel um jogador que, em dez bolas, domina duas à primeira? Que como extremo não sabe ir à linha e cruzar? Ou partir para cima do adversário e fazer a diferença num 1×1? Não, não é jogador para o Sporting e não vamos tratá-lo como coitadinho só porque é oriundo da nossa formação. Nem vamos fazer dele um menino bem comportado, quando várias vezes o vimos não festejar golos porque estava amuado por terem gozado com o seu novo penteado. Ah, e muito menos vamos manter um jogador que nos dá motivos para aplaudir duas ou três vezes por época, só porque o gajo ainda vai parar ao Porto e ai ai ai (por favor, não me falem no Varela. Se os tripas não tivessem sido campeões o gajo já tinha sido apelidado de merdoso que, por época, passa dois ou três meses lesionado).

Quanto ao mercado, e depois de ter-se conseguido um treinador com competência, existiam várias lacunas no plantel a resolver:
– um concorrente para João Pereira
– defesas centrais que permitissem colocar um ponto final no calvário dos lances pelo ar
– um lateral esquerdo
– médios centro de qualidade
– extremos
– avançados que substituíssem Liedson (porra que ainda ontem vi o homem marcar dois ao Flamengo)

Para concorrer com João Pereira avançou-se para João Gonçalves, entretanto emprestado ao Olhanense. Ficou Pereirinha, que para mim apenas tem hipótese de jogar neste posição, e chegou Arias, que muito boas indicações deixou no mundial de sub-20. Creio que temos o problema resolvido.
No centro da defesa, um dos maiores problemas, optou-se por manter Anderson Polga e Carriço (que, por muito que me custe dizê-lo, já me pareceu bem melhor). Foi-se buscar Rodriguez, ao Braga, e chegou o gigante Onyewu, que de muito bom, contra a Juventus, passou a grande merda, contra o Valência. Bipolaridades à parte, para mim não tem muito que saber: é Rodriguez, à esquerda, e Onyewu, à direita. Não será uma dupla de sonho, pois não, mas ganhamos, força, ganhamos altura e, aposto, deixamos de sofrer golos patéticos. E, porra, duvido que não seja dupla para nos fazer lutar por títulos. Agora, é preciso é que consigam jogar juntos três ou quatro vezes para ganharem entrosamento.
Ainda na defesa, agora do lado esquerdo, penso que está mais do que visto que Evaldo é mediano. Pouco ataca e defende assim assim. Tem dias, no fundo. Mas como o Sporting precisa de alguém que tenha meses em vez de dias, foi-se buscar Insua. E era preciso o Grimi pegar-lhe a gripe para o homem não vir a transformar-se no nosso titular.

A meio-campo, onde sobravam André Santos, Matias e Izmailov da época passada, chegaram Rinaudo, Schaars, Luis Aguiar e Elias. Prefiro nem me alongar muito em comentários, deixando apenas a seguinte pergunta: olhando para estes sete gajos, e mesmo acreditando que possamos sentir a falta de um gajo que limpe tudo o que sejam bolas pelo ar, há quantos anos não tínhamos um meio-campo com esta qualidade e estas opções?  Inácio, por exemplo, foi campeão com uma rodela central onde cabiam Duscher, Vidigal, Bino, Toñito e Delfim. Temos piores opções? E o Sr. Boloni, pese o poder de fogo ao seu dispôr, tinha como médios centro Paulo Bento, Vidigal, Custódio, Bruno Caires, Diogo, Hugo Viana e o Afonso “nem pensem que me vou embora até terminar o meu contrato” Martins. Temos piores opções?

Já cheirava mal não termos extremos, não cheirava? O odor mudou radicalmente com a chegada de Capel, Jeffren e Carrillo. Há extremos, pois há, e de qualidade. Até o puto peruano, que parece ter vindo numa de estagiar durante a primeira época, mostra a cada pormenor ter imenso futebol naqueles pés.

Por último, havia que resolver um problema que se deixou arrastar: a dependência de Liedson. É inacreditável como se foi deixando passar os anos sem se antecipar a saída ou diminuição de rendimento do Levezinho. Pensar que Postiga podia ser o seu substituto não foi um acto de fé, antes de acefalia, que nos deixou entregues a um ataque sem golos. Chegaram, entretanto, Wolfswinkel, Rubio e Bojinov. Já nem discutindo qualidades e características, patético será algum deles fazer pior do que o dito artista. E dizer que qualquer um deles não presta, parece-me desonesto.

Posto isto, e muito resumidamente, há matéria prima para o Sporting estar, efectivamente, de volta. Que assim nos ajude a ausência de lesões e que, depois de ter andando a colocar jogadores a titulares para poder vendê-los, que seja capaz Domingos de se deixar de invenções parvas e de confirmar que o que de bom fez até hoje, enquanto treinador, não foi obra do acaso. A prova de fogo está marcada para amanhã, naquele que tem tudo para poder ser o primeiro jogo do resto da nossa época.

 

 

 

Jeffren

Tenho duas leituras para esta contratação.
Primeira: um bom jogador, tecnicamente acima da média, com pormenores daqueles que levam pessoas ao estádio, rápido como poucos no nosso plantel, com escola catalã (e com qualidade suficiente para frequentá-la na equipa principal). Quatro milhões, com a possibilidade do Barça o recuperar a troco de oito (o que indicia que os catalães acreditam tanto ou mais do que nós no seu potencial). Bom negócio, sem dúvida, dando-nos a possibilidade de actuar com dois alas que podem fazer toda a diferença (Capel + Jeffren).
Segunda: juntar esta contratação (apesar de Jeffren poder actuar na esquerda, pela capacidade de jogar com ambos os pés), à chegada de Carrillo e à manutenção de Pereirinha (e ainda falta Arias) leva-me a questionar o estado em que estará Izmailov, a primeira opção de Domingos para o nosso lado direito (com a renovação a comprová-lo).