Jesualdo, o sincero

Leonardo Jardim que disse que, normalmente, os três grandes saíam mais beneficiados pelas arbitragens. Hoje, na conferência de imprensa que antecede o jogo de amanhã, Jesualdo Ferreira afirmou que Leonardo se «esqueceu de falar em quatro grandes».

Jesualdo, os meus parabéns pela sinceridade. Efectivamente, no que toca a colinho esta época, o Braga tem sido o maior…

Ponto final, parágrafo

Não queria deixar de encerrar o capítulo Jesualdo, sem recordar a conferência de imprensa que confirmou a sua não renovação contratual. Este é, quanto a mim, o modelo de como as coisas devem acontecer: com respeito. Tanto do treinador pela instituição, como da instituição pelo homem que desempenha o papel de treinador. Conversou-se, conversou-se, voltou a conversar-se. Não se chegou a um total acordo, mas manteve-se o respeito (e pensar que, ainda há meia dúzia de meses, andava um belga por Lisboa a comprar um cartão novo para o telemóvel…). Ponto final.

p.s. – a forma como se fez parágrafo é, também ela, muito interessante. Sem perdas de tempo e avançando para a solução que, dentro das nossas limitações actuais, se afigurava como quase lógica.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=3-a3dmorsn0

Bem, parece que vamos ter que falar sobre isto

BdC no banco

Creio que estará para breve, o anúncio da não renovação com Jesualdo Ferreira. Mais do que as notícias que se vão sucedendo, o não anúncio da continuidade representa esse final de ligação. Ora portanto, e mesmo correndo o risco de um golpe de teatro ao minuto 92, a minha primeira reacção é: era o que me faltava, fazer disto um drama! Ou, se preferirem, era o que me faltava achar que Jesualdo é uma garrafa de Ty Nant servida no deserto.
Jesualdo fez melhor do que Sá Pinto, do que Oceano, do que Franky Ve? Fez, claro. Mais não seja, devolveu o conceito de arrumação táctica à equipa e restituiu os níveis de confiança (apesar dos tremeliques quando marcamos um golo e nos apanhamos em vantagem). Depois, e parece-me ter sido essa a sua grande conquista, conseguiu estabelecer uma boa relação com os jogadores, algo a que não será alheio o facto de ser um treinador com o nick de professor (resultou bem, numa equipa de miúdos).
Resumidamente, e já o disse, não me incomodava se Jesualdo ficasse. E, muito provavelmente, era mais do que suficiente para conseguir o que vai ser exigido na próxima época. A questão que se coloca é se, num projecto a médio prazo, seria (será) capaz de nos conduzir a um degrau mais acima?

Entramos, então, na roda dos nomes.
Fala-se em Rui Vitória. No seu percurso, bom trabalho ao serviço do Fátima, ao serviço do Paços e, agora, ao serviço de um Guimarães que começou a época em cacos. Em qualquer um destes clubes, com maior relevo para o actual, trabalhou com gente nova. É visto como um treinador metódico e organizado. Grande dúvida: será um novo Paulo Sérgio?
Fala-se em Leonardo Jardim. Sportinguista de gema, disse, quando era puto e apontando para a televisão, “um dia vou treinar aquele clube”. Esse clube era o Sporting. Deu nas vistas no Beira-Mar, altura em que, até aqui no Cacifo, alguns defenderam o seu nome em Alvalade (enquanto outros garantiam que estava a caminho do Dragão). Acabou em Braga, onde voltou a fazer um bom trabalho e de onde partiu para o Olympiakos. Foi despedido quando seguia em primeiro lugar. Tem imagem de um treinador virado para o ataque e com um feitio lixado. Grande dúvida: o que fará com uma equipa em formação, longe de estar consolidada?
Fala-se em Marco Silva. O brilharete do Estoril catapultou-o para as luzes da ribalta. É apologista de um futebol atractivo, de ataque, onde a equipa raramente se encolhe. Tem tudo a provar e quer prová-lo Grande dúvida: treinar o Estoril nunca será como treinar o Sporting, mesmo que seja um Sporting a reaprender a rugir. E terá ele voz de comando para um balneário de jovens craques em potência?

Podíamos alongar a lista, mas, a ser um português, não me parece que não seja um destes três.
Depois, claro, há os sonhos. Como Bielsa. Ou, mais megalómano ainda, como Jupp Heynckes.
São nomes que se sobrepõe a qualquer teoria estilo «deve ser alguém que conheça o nosso campeonato». São nomes que nada têm a aprender, apenas a ensinar. São nomes que se encaixam num projecto a médio prazo. São nomes que me fazem pensar que, imaginando que o nosso orçamento para a próxima época são 15 milhões, eu reservaria esse dinheiro, em primeiro lugar, para um treinador e um avançado que valessem pontos.

Seja como for, e independentemente dos nomes, há uma questão à qual teremos que ser nós a responder. Teremos paciência para perceber que, para o ano, não jogaremos para o título?

Epá…

«Sai Fito, entra o Adrien. Menos um problema para vocês [jornalistas]. Podiam puxar o Ilori para seis, por exemplo, mas escusam de inventar», Jesualdo Ferreira, citado pelo MaisFutebol.

Adrien a seis?!? Giro. Voltamos ao tempo do Paulo Bento. É que a última vez que vi o Adrien a seis, foi naqueles 5-3 ao Benfica. Adrien saiu ao fim da primeira meia-hora…

Novelas

Olha-se para as capas dos diários desportivos e, rapidamente, percebe-se a necessidade de escrever qualquer coisa. Um diz que Jesualdo está mais perto, outros dois colocam-no mais perto da porta de saída. Tivemos uma novela parecida, há coisa de um ano, com Adrien. E, volta não volta, temos tido algo semelhante com Bruma.

Ora, tendo em conta a mudança dos tempos e de paradigma, há uma grande diferença: a Adrien, e o seu empresário, foi dada total abertura para esticarem a corda até atingirem um ordenado que, à semelhança de tantos outros, é demasiado pesado para a capacidade financeira do clube. No que toca a Jesualdo e a Bruma, creio ser relativamente simples perceber que as divergências são a nível financeiro. E que aceitar exigências que coloquem em causa o rumo traçado, será subverter aquele “modelo a la Dortmund” que tanto temos defendido.

Já que começámos o dia a falar de avançados…

«Não me parece que seja uma alternativa ao Ricky. O Sporting tem de encontrar um ponta de lança de nível para os seus objetivos. O Sporting é um clube grande, tem de ter uma equipa grande e que jogue para os objetivos máximos, pelo menos para aqueles que são possíveis lá chegar. Tem de ter um ponta de lança ao nível de uma equipa grande. Tem de ter alguém que tenha apetência pelo golo […] Não é fácil encontrar esses jogadores. Não foi fácil encontrar uma alternativa. O Viola não é esse jogador. O Viola é um avançado. O Viola parece-me tem uma boa imagem de progressão, é um jogador muito potente, muito forte. Tecnicamente tem de se preparar para ser um avançado. Não é a mesma coisa jogar no corredor e depois passar para a zona central», Jesualdo Ferreira in Maisfutebol.