Até que profundidade terá que ir o Titanic?

“Não me recordo de estar a 10 pontos do líder à 7ª jornada. Os jogadores são os mesmos e a equipa técnica também, por isso só devia haver melhorias. A qualidade de jogo deixa muito a desejar. Não me recordo de ver o Sporting a jogar tão mal. Já vi mandarem treinadores embora por muito menos, até quem ia em primeiro…”, Cadete, in Jogo.

Eu aplaudo as palavras do Cadete e continuo com uma pergunta semelhante a matutar-me na cabeça.
Será que termos enterrado a hipótese de sermos campeões à sétima jornada, não é motivo suficiente para mudarmos?
Ou, se preferirem, depois de termos hipotecado dois dos objectivos – apuramento para a Liga dos Campeões e campeonato nacional – estamos à espera do quê? De voltarmos a ser enxovalhados nos oitavos de final de uma competição europeia? De ganhar uma tacinha de merda para dizer que o Paulo Bento conquistou mais um troféu?

Neste Titanic de merda, temos um Almirante sem tomates para despedir quem dá o peito às balas por ele, e um Capitão sem a humildade para entregar o leme a alguém que ainda possa salvar o que houver a salvar, insistindo na estafada teoria de que ele consegue dar a volta com este grupo de marinheiros desesperados e fartos de aturar quem os orienta.

Eu, em terra, só lamento que não se aproveite quase três semanas de águas mais calmas para tentar evitar que o barco fique, definitivamente, preso no fundo do mar.

O Cacifo na sala de imprensa (depois da vitória sobre o Paços)

Paulo, depois de, na antecipação ao jogo, ter afirmado que o Sporting tinha que mostrar desde o apito inicial que queria ganhá-lo, não o preocupa que, dando continuidade às exibições da época passada, os seus jogadores tenham feito, uma vez mais, figura de corpo presente durante a primeira parte? Não o preocupa que, se esquecermos os jogos com a Fiorentina, o Sporting seja incapaz de marcar golos durante a primeira parte e praticamente não crie uma única oportunidade?

Paulo, como justifica falar-se constantemente em imaturidade e ansiedade quando, olhando para o plantel, encontramos uma esmagadora maioria de jogadores que estão juntos há, pelo menos, três anos, habituados a jogar na Liga dos Campeões e responsáveis pelas conquistas de Taças de Portugal e Supertaças?

Paulo, acredito que tenha fica furioso com a forma desplicente como o João Moutinho marcou o livre directo com que terminou o desafio. Tendo o Sporting contratado um jogador especialista em lances de bola parada, Matias Fernandez, como se explica que esse mesmo jogador não tenha oportunidade de marcar um livre, um penalti ou, pelo menos, um canto, tendo em conta a produtividade nula do Sporting nesse tipo de lances?

Por último, Paulo, como explica que uma equipa que jogava em função das movimentações de Leandro Romagnoli, praticamente ignore a presença de Matias Fernandez em campo, um jogador imensamente superior ao argentino?

Paulo, prometo que vou deixar-te em paz

Sim, Paulo, este é o último post que escrevo a criticar-te. Não, não mudei de ideias e passei a achar, como alguns Sportinguistas acham, que és o melhor treinador que passou por Alvalade nos últimos 29 (sim, ouviram bem) anos. Simplesmente, estou cansado. Tão cansado como se tivesse visto 17 primeiras partes das nossas umas a seguir às outras.
A gota de água neste cansaço chegou com a tua entrevista à SpotTv onde, confesso, tenho pena que não te tivessem colocado algumas questões às tuas respostas que mostram um discurso estafado, pequeno, por vezes a roçar o Octaviano, mas sempre com aquele sentimento de que tens as costas quentes, mais não seja por, durante a miserável presidência do cabeçudo de Torres chamado Soares Franco, teres sido pau para toda a obra e teres defendido o Sporting como outros deviam tê-lo feito.

Ainda assim, Paulo, nesta despedida, não posso deixar de colocar-te algumas perguntinhas, em função das tuas respostas durante a entrevista que o leão de alvalade tão atentamente registou no A Norte de Alvalade, e das quais eu escolho algumas para exorcizar o que me vai na alma.

O Sporting foi jogar a 1ª jornada sobre pressão depois de ter conseguido um objectivo.
Diz-me sinceramente, se tens orgulho em recordar essa filha da puta dessa eliminatória com o Twente? Fomos uns palermas em Alvalade, fomos uns montes de merda na Holanda. Passámos porque alguns dos deuses do futebol também usam risco ao meio mas, claro, para ti a equipa fez o possível e o impossível para vencer e aquela sorte foi um justo prémio.
Preocupo-me com o que tenho mas não me impede de ver que e não temos tidos as mesmas condições que os outros.
Estás a falar de quê? Do pouco dinheiro que o Sporting tem para investir em jogadores? Da arbitragem? De quê, foda-se? Só faltava dizeres “vocês sabem do que eu estou a falar”.
O Porto tem tido os seus jogadores numa montra como a CL e tem conseguido valorizar os seus jogadores.
Olha, com esta é que me lixaste. Então tu não és o homem que se orgulha de ficar sempre em segundo mas ir sempre à Champions? Oh Paulo, desculpa que te pergunte, mas quem é que desvalorizou o Miguel Veloso? E o Moutinho? Quem é que impede o Vuk de explodir definitivamente?
Andamos de travão de mão na hora de investir. Temos que fazer o mesmo que eles com menos meios.
Hum… pois. Mas tu sabias disso desde sempre, não sabias? E, já agora, porque razão temos que jogar também com o travão de mão puxado para cima em 97% dos jogos?

Diz-se que o Braga e Nacional nos ganham e tem menos orçamento mas no final ficam atrás de nós. Orçamento é para a globalidade da época. O dinheiro faz diferença em muita coisa e na competição também.
Quer dizer que, por esta ordem de ideias, não temos obrigação alguma de sermos campeões, certo? Portanto, o terceiro lugar é nosso num ranking de orçamentos, tudo o resto será uma valente festa e uma conquista maravilhosa?

Extremos? Só fui treinador de Nani, não fui treinador de Quaresma ou Ronaldo. Quando cheguei a treinador apliquei o melhor sistema que se adaptava aos jogadores disponíveis e que já tinha sido usado por Fernando Santos.
Ora bem, ora bem. Aplicaste o sistema que melhor se adaptava aos jogadores que tinhas, mas isso implica que não mostres capacidade para pensar um esquema alternativo? E, já agora, não treinaste Quaresma e Ronaldo, mas estás no melhor clube do mundo a formar extremos. Porque razão não contas com um único dos que foram e vão saindo das camadas jovens?

O ano passado sofremos 2 golos de bola parada. Este ano sofremos 2 golos assim em jogos consecutivos, Holanda e Madeira, e isso gera instabilidade. A estatura também é um problema.
Caralho, pah! Esta deixou-me com mais azia do que se tivesse comido uma dúzia de farturas. Então tu és treinador há quatro anos e só este ano é que deste por este problema nas bolas paradas? Só este ano é que percebeste que era capaz de não ter sido mal pensado investir num central que varra o jogo aéreo?
(Quando questionado sobre o mau monento de Pedro Silva e do próprio Abel) Estamos a ter problemas com a forma dos jogadores. O objectivo passa por dar confiança sem retirar exigência.
Ah, ah! Agora percebi. A renovação com o Pedro Silva foi para dar confiança! Mas, espera, então e tirá-lo três vezes seguidas para fazer entrar o Pereirinha, também faz parte do plano? Caraças, já estou a ver o gajo cheio de confiança, a dar peitadas no chuveiro, sozinho no balneário. Ah, e antes que me esqueça. É normal que existam problemas com a forma dos jogadores. Só três ou quatro fizeram 90 minutos seguidos durante a pré-época…
(Falando sobre o Polga) Tenho ideia que, às vezes, interessa massacrar. Houve infelicidade nalguns lances, mas neste momento está com bom rendimento e temos 2 jogadores mais para a posição. Tem revelado muita disponibilidade e sacrifício por jogar com limitações, sem se esconder nos momentos difíceis.
Está com bom rendimento… está, está… limitações? Psicológicas? Físicas? Pé de atleta? Chatos? Se o homem joga com limitações põe o Caneira ou o Tonel, foda-se! Ou o Caicedo, que pelo menos assusta.E ganhar, não?

Tenho desenvolvido um trabalho positivo, que seria extraordinário se tivéssemos sido campeões. Tenho o desejo de continuar a potenciar jogadores e levá-los a lutar pelo campeonato.

O Sporting tem 18 títulos mas temos que ver quando eles foram ganhos. Têm que me explicar como um clube que não ganhava e agora ganha se fala de mau futebol e de falta de militância.
Explica-me tu uma coisa: achas que jogamos bom futebol? Futebol atractivo, jogadas trabalhadas, jogadores capazes de jogar sem bola nos espaços vazios, uma equipa capaz de ir às linhas, de jogar no campo todo, de pressionar alto, de criar mais de três oportunidades de golo? É a ausência de tudo isso que explica a perda constante de adeptos no estádio.Isso significa uma de três coisas: que não tens vergonha na cara, que não és bom da cabeça ou que estás agarrado ao tacho porque sabes que tão depressa não voltas a um clube como o Sporting. Enxovalho de Munique diz-te alguma coisa? Claro que não. Até deves ter achado estranho haver pessoal a mandar bocas no aeroporto e pensaste para com o teu risco ao meio. “Foda-se, pá, lá estão estes gajos mandados pelos outros gajos que eu desconfio quem são mas não digo, a colocarem pressão nos jogadores. Oh Presidente, mande lá essa gente, que só sabe pressionar, calar a boca. Onde já se viu isto? Pressão depois de termos comido 12-1… isto… isto realmente, só no Sborden…”

Nunca me passou pela cabeça demitir-me.

Pronto, Paulo, peço desculpa por ser um impaciente de merda

O nosso treinador foi entrevistado na SportTv e, depois de lamentar novamente a ausência de Izmailov, dizer que não entendia a enorme pressão depois de eliminarmos o Twente e irmos empatar a casa do quarto classificado da época passada (Nacional) e pedir tempo para os reforços se adaptarem, disse o seguinte:

Temos de dar tempo aos jogadores. A equipa começou a competir ao fim de quatro semanas de preparação, quando antes competimos ao final de seis. […] aquilo que é prejudicial à equipa, é que há uma exigência no Sporting que obriga os jogadores a resolver ao fim de 30 dias. O jogador está a ser colocado em causa ao fim de 20 minutos de jogo. Em Portugal, temos exemplos, como o Tello, que demorou muito tempo a ver valor reconhecido, mas podemos falar noutros, como Lisandro e Mariano a quem foi dado devido tempo. No Sporting quer-se fazer tudo demasiado depressa“.

Pronto, Paulo, peço desculpa por achar que quatro anos sem ver uma evolução é motivo suficiente para ficar impaciente. Esqueci-me que a ideia é que sejas o nosso Ferguson, portanto só daqui por três anos é que vamos ser campeões, certo?
Ah, e já que falas em jogadores do Porto, gostava de dizer-te o seguinte: mais difícil do que ser campeão, é voltar a sê-lo, conseguindo mentalizar os jogadores que é preciso provar o porquê de usar-se um escudo na camisola. E, infelizmente, esse é um mérito a que estou cansado de assistir noutras paragens…

Composto de mudança

paulo-bento

Mais do que reforçar o meio-campo (onde anda Diogo Rosado?);
mais do que reforçar a defesa num misto de qualidade e poder atlético (embora quem manda continue a achar, à semelhança dos últimos três anos, que tal coisa não faz falta);
mais do que ter um esquema de jogo alternativo ao losango (que não um 4-3-3 manhoso com o Liedson a descair para a esquerda e o Yannick, que nos júniores era muitas vezes extremo esquerdo, à direita);
mais do que deixar o especialista contratado neste defeso bater uma única bola parada, nem que seja um canto;
mais do que levar a equipa toda ao psicólogo;
mais do que encontrar a fórmula milagrosa que permita recuperar os jogadores fisicamente do mau planeamento a pré-época;
mais do que deixar o Caicedo numa alcofa à porta do Man City;
mais do que cumprir promessas eleitorais e deixar de agendar jogos para Alvalade depois das nove da noite;

não seria mais urgente, e visto que o homem está agarrado que nem uma lapa ao tacho e recusa-se a colocar o lugar à disposição, trocar de treinador?

REGRESSO AO FUTURO

Apetece-me pouco falar do Sporting. Deste Sporting. Porque é sempre igual. Já estou cansado do que eu próprio penso e escrevo sobre o Sporting. É sempre a mesma coisa. Sempre os mesmo erros. Este jogo acrescentou apenas algo relativamente novo, depois do que se viu contra a Fiorentina: a incógnita sobre se a equipa não tem preparador físico ou se é um caso grave de debilidade psicológica. Eu inclino-me para a segunda, associada, como por aqui se disse já tanta vez, a evidentes problemas de incompetência, insensatez e teimosia. E à já tradicional impunidade.

Individualmente, só se destacaram a exibição de Miguel Veloso e o golo do Floribela, desejosos ambos de se pirarem daqui para fora. Arrepia a forma do Liedson e assusta a intermitência do Mati. Já o Caicedo é o que se temia… citando uma voz de bancada, “não tem categoria”.

Alguém tem dúvidas que se esta equipa fosse novamente a Munique, jogar nas mesmas circunstâncias, arriscava-se a levar as mesmas sete batatas. E nada muda? Até quando?