Leonardo e as boas dores de cabeça

Depois do jogo de ontem, creio que Leonardo Jardim tem excelentes dores de cabeça à sua espera.
Comecemos pela defesa. Se Patrício, Maurício e Rojo estão de pedra e cal, são várias as dúvidas envolvendo as laterais. Piris, rapaz que chegou sem que quase déssemos por ele, cumpriu, primeiro, à esquerda, frente ao Vitória de Setúbal e, ontem, no seu lado natural, o direito, voltou a deixar clara ideia de ser um jogador bem acima da média. Confesso, até, que estranhei a não utilização de Cédric, dado ter sido sempre preterido nos jogos da selecção. Quererá isso dizer, que Leonardo Jardim já sabe que Jefferson estará recuperado e pondera apostar em Piris para o jogo no dragão. Terá sido uma opção unicamente para dar minutos a Magrão?

Depois, o meio-campo, onde Vítor disse presente de forma vincada. É verdade que o adversário era inferior, mas também é verdade que a entrega ao jogo e os vários pormenores apresentados fazem com que André Martins tenha concorrência apertada. E a titularidade do ex-Paços pode, inclusivamente, ser uma das surpresas reservadas para o próximo domingo.

Jardim responde à nossa troca de opiniões

Ontem, discutíamos se faria sentido prolongar a ausência competitiva dos jogadores que têm sido titulares, de forma a dar minutos aos menos utilizados.
Leonardo Jardim já deixou claro o que lhe vai na cabeça.

«A nossa ideia não é fazer uma alteração geral à equipa, mas sim manter a identidade, por isso, com uma ou outra exceção, a maioria dos que tem jogado vai jogar. Aliás, neste momento, com a paragem do campeonato não há necessidade de recuperar ninguém. Pelo contrário, se não utilizarmos os que normalmente competem, podíamos cair no erro de perder ritmo».

Fico contente por pensarmos da mesma forma Leonardo, inclusivamente quando dizes «Temos que estar focados neste jogo e se os jogadores não o fizerem, correm o risco de não jogar a a seguir. Temos de ser sérios em todas as provas, sendo que nesta temos a ambição de chegar ao Jamor […] Motivação? As motivações não podem depender do adversário. Têm de ser intrínsecas, porque trata-se do Sporting».

Sábado é já amanhã

Pela primeira vez desde a época 1994/95, o Sporting pode ascender (ainda que à condição) à liderança da Liga à passagem da 7.ª jornada, em caso de vitória sobre o V. Setúbal em Alvalade. Leonardo Jardim recusa chamar a si o protagonismo e atribui aos jogadores o sucesso do leão. «O Leonardo Jardim pertence a um grupo de trabalho que pretende que o Sporting tenha êxito em todos os jogos. Mas os principais responsáveis são os seus jogadores, são eles que jogam todos os fins de semana», salientou.

«Quando as coisas não correm bem temos de saber o que melhorar, e sabemos que contra o Rio Ave as coisas não correram como queríamos. Com o V. Setúbal vai ser diferente e acredito que vamos fazer um excelente jogo e conquistar a vitória», Rui Patrício.

Adivinha quem voltou (num registo paninhos quentes)

António Dias da Cunha, ex-presidente sportinguista, quebrou o silêncio para destacar o excelente momento desportivo dos leões com esta nova direcção e neste início de temporada. Em entrevista a Bola Branca, o ex-dirigente sublinha que Bruno de Carvalho “é um presidente muito envolvido com o futebol”. “O mérito primeiro é dele“, complementa. Dias da Cunha não apoiou a candidatura do líder eleito, mas reconhece que “na gestão do futebol tem demonstrado muito acerto“.
Para além de Bruno de Carvalho, o antigo presidente elogia também Augusto Inácio e Leonardo Jardim, mostrando não estar preocupado com o lugar que a equipa ocupará no final da temporada e preferindo destacar “a maneira como o Sporting está a jogar, tendo em conta a juventude e a equipa técnica que está no clube pela primeira vez […] Acho que é um espanto a forma como Leonardo Jardim conseguiu pôr aquele conjunto a jogar da maneira como o está a fazer“, afirma. Bruno de Carvalho tem em marcha uma auditoria às contas do Sporting, algo que agrada a Dias da Cunha: “Espero que sirva para terminar com acusações feitas sem justificação e com os insultos […]  Se isso contribuir para esclarecer a realidade unindo os sportinguistas, então acho muito bem“, concluiu.

Até fazem o homem sorrir

Andava o nosso Leonardo tão sério e compenetrado no trabalho, quando chegaram os merdas do Correio da Manhã, e o fizeram rir com a vergonhosa invenção que transformou a farpa a Jorge Jesus num raspanete a Leonardo Jardim. Hoje, durante a conferência de imprensa que antecipa a ida a Braga, o nosso treinador foi incapaz de deixar de sorrir e de dizer o que qualquer pessoa que não seja uma besta percebeu: «Se eu ouvi bem, e creio que todos os aqui presentes ouviram, o presidente do Sporting não falou uma única vez do treinador do Sporting […] Acredito que há pessoas que estão com dificuldade em perceber português».

E se o prémio de bom comportamento for apanharmos o Duarte Gomes, em Braga?

Em declarações à Antena 1, José Fontelas Gomes, presidente da Associação de Árbitros de Futebol, elogia o treinador do Sporting por ter minimizado o lance da grande penalidade não assinalada a favor dos leões no encontro com o Rio Ave. Leonardo Jardim é, diz, uma «lufada de ar fresco». […] «Não é surpresa. Do que conheço do treinador do Sporting, tem normalmente essa postura que é saudável, de quem compreende que o erro existirá sempre no futebol. Essa é a postura certa».

E se o prémio de bom comportamento for apanharmos o Duarte Gomes, em Braga?

A boa leitura

«Não é necessário perdermos dois pontos para perceber que o nosso processo está num crescimento constante. O jogo foi dividido, até ao golo fomos superiores, pressionámos e tivemos uma boa atitude. Baixámos a intensidade depois do golo e baixámos muito a intensidade na segunda parte. Quando assim acontece o adversário acaba por empatar de forma justa. Na parte final voltamos a reagir, mas não conseguimos o que queríamos que era marcar. Foi a pior reação da equipa depois de fazer um golo. Até aqui em todos os jogos depois de marcarmos continuámos a pressionar, hoje deixámos de o fazer. É um alerta para a equipa e para os jogadores. só as camisolas não ganham jogos, é necessário continuar competitivos e hoje não fizemos isso.
Por que é que a equipa baixou tanto de intensidade? A justificação que eu encontro passa pelos níveis de maturidade da equipa. Não podemos alterar os comportamentos consoante o resultado, não podemos baixar a intensidade quando estamos em vantagem e aumentar a intensidade quando estamos em desvantagem. Fica o alerta para a equipa, que tem de aprender com estes erros para não os voltar a cometer», Leonardo Jardim.