Não vales a ponta de uma pila, ó José!


Os sócios e adeptos morreriam de desgosto se o Liedson não ficasse. Acabou de casar-se com o Sporting, onde já teve uma carreira coroada de êxito e que ainda vai dar muitos frutos. Estamos, ele e nós, muito felizes. Liedson vale por cinco e, nestes casos, não existe o barato ou o caro. A rentabilidade é o que interessa. Liedson tem ambição, sente o clube e atrai os sócios, tendo demonstrado até aqui coração de leão“, José Eduardo Bettencourt, em Julho de 2009, aquando da renovação de contrato até 2012, com opção até 2013.

Em menos de dois anos, tudo isto passou a “[…] a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD vem informar, em complemento ao comunicado relativo ao acordo celebrado com o Sport Clube Corinthians Paulista para a transferência do jogador Liedson da Silva Muniz, que a mesma terá um impacto positivo nas contas da sociedade, nos exercícios de 2010/11 e de 2011/12, de €4.679.540,00, dos quais € 2.105.000 pela transferência dos direitos desportivos do jogador.”

És a página mais merdosa da história do meu clube, ó cotonete (para não fugir ao tom do teu amigo nortenho). E farei questão de dizer-to pessoalmente se um dia me cruzar contigo.

Adeus

E obrigado. Tudo o resto fica para depois.

Para já, ficam apenas as memórias boas. Especialmente aquelas que a fotografia ilustra.

Tudo o resto fica para depois.

(Actualização: em jeito de homenagem deixo este texto, de Abril de 2008, como testemunho da história que o Liedson ajudou a construir no meu imaginário leonino dos últimos anos… e onde se funda o meu agradecimento).

Respirar fundo

A mesma gente que deixou o capitão do Sportig sair para o Porto prepara-se para vender ao desbarato, quando está fragilizada institucionalmente, sem legitimidade executiva, contra a vontade do treinador e de todos os adeptos, o jogador mais importante (para o bem e o mal) do Sporting nos últimos oito anos…

Vamos acreditar que o bom senso prevalecerá. E que o Liedson ganha mais esta batalha de poder e dinheiro dentro do Sporting. Porque senão…

… respirar fundo.

E uma grande temporada é?

Bem, para mim é ser campeão, vencer, pelo menos, uma das duas taças e ficar entre as quatro últimas equipas de uma competição europeia.
Vem isto a propósito das palavras de Liedson, que se mostra confiante para o clássico e diz que ganhar ao FCPorto pode ser o ponto de partida para uma grande temporada.
Tendo em conta que o campeonato já lá vai, o que poderia ser uma grande temporada? Ganhar as duas taças e a Liga Europa, e garantir apuramento para a Champions?

O sistema

4-4-2
Foi desta forma que Paulo Sérgio pensou o Sporting 2010/11.
Sem 10. Com dois “médios elásticos”, Pedro Mendes e Maniche. E dois avançados.
Quando se pergunta o porquê do Sporting europeu ser diferente do Sporting para consumo interno, e para lá do facto de os adversários europeus não se fecharem lá atrás esperando um erro nosso para marcar e de nós só à quinta-feira parecermos perceber que o jogo começa ao apito inicial, esta história do sistema pode ajudar a perceber algumas das diferenças.
Poderá resultar, de quando em vez, de outra forma, mas é assim que sabemos jogar. Com dois médios centro, num falso lado a lado, e dois alas capazes de acelerar o jogo, de desequilibrar, procurando os dois avançados.
Por outras palavras, insistir em Valdés (ou outro do género) junto à linha, será sempre meio-caminho andando para a equipa emperrar. Aliás, se foi para ocupar essa posição que o compraram, estamos perante um erro de casting. Mas isso daria outro post…

Já tinha saudades tuas, pá!

Podem utilizar os argumentos que mais vos convier. Podem chamar-me o que quiserem (ou quase). Mas, para mim, uma vitória nossa com golos do Liedson tem sempre um sabor diferente.
Sim, eu sei que vamos tendo cada vez menos rebuçadinhos do género (foi um golo do caralho, não foi?), mas permitam-me a degustação sem reservas de mais um momento proporcionado por um jogador que, talvez mais que nenhum outro actualmente, merece o meu respeito.
E vai ser uma pena (uma injustiça, arriscaria eu), amigo Liedson, ver-te dizer adeus sem ter festejado contigo um título a sério.

O Corno Manso

“Depois de ontem [anteontem], na Figueira da Foz, teres sido mal-educado com um sócio com o dobro dos teus anos de associado, somente porque ele não votou em ti e o assume, deixa-me que te diga, José Eduardo: És inapto para a função, és mimado, és ressabiado e és o maior erro de casting do dirigismo desportivo europeu! Graças a Deus que estás de passagem”, escreveu Paulo Pereira Cristóvão na sua conta do facebook.

Desconheço a veracidade da história. Não adivinho se Bettencourt está apenas de passagem. E não tenho em posse dados estatísticos que permitam afirmar que existe na europa mais algum dirigente desportivo com tamanha inaptidão. Mas uma coisa salta à vista: Trabalha-se mal para os lados de Alvalade. E a coisa não é de agora.

Último Exemplo: O Pinheiro. Como dizia e bem o Cintra, nem um pinheiro nem um cepo para a malta rir. Concordo com a ideia. Não há dinheiro para trazer alguém que acrescente qualidade, o melhor é mesmo ficarem sossegadinhos. Mas será assim tão difícil, mesmo sabendo o contexto (poucos recursos, fraco poder apelativo para jogar num clube perdedor e campeonato sem expressão), contratar um avançado de jeito?

Passaram 7 anos desde que o Liedson aterrou em Lisboa. Corria o ano de 2003 quando pela última vez o Sporting acertou em cheio na contratação de um avançado. 7 anos. 7 anos em que tentámos de tudo para dar o devido apoio ao nosso 31. João Pinto ; Marius Niculae ; Elpídio Silva, Sá Pinto, Douala, Silvestre Varela,  Pinilla, Deivid, Carlos Bueno, Alecssandro, Purovic, Djaló, Derlei, Rodrigo Tiuí, Hélder Postiga, Saleiro, Pongolle, Mota e Koke. Nomes e mais nomes durante anos a fio. Uns melhores outros piores. Missão: Encontrar o parceiro ideal para o Liedson. Não foi possível. E 7 anos depois, partimos para a nova época com um Liedson 7 anos mais velho e alguns problemas evidentes na bagagem. Falta de velocidade e explosão e até um faro goleador que hoje estará um pouco mais entupido.

O que faz a direcção do Sporting? Gasta o que tem e o que não tem num avançado no mercado de Janeiro e dispensa-o no início da época seguinte. O pessoal aguarda impaciente o capítulo seguinte. Atiram-se nomes em barda para a imprensa e espera-se pelo santo dia 31 de Agosto. É agora, terão pensado muitos. É desta que vamos mesmo contratar um gajo decente que as meta lá dentro. Foca-se o discurso erradamente na altura do jogador quando até podia ser um pigmeu que marcasse 25 golos por época e se complementasse com o Liedson, e no final de tudo, tanto fumo dá em coisa nenhuma. Ou como diria José Nicolau de Melo, a monhanha pariu um rato. Começamos mais uma época exclusivamente dependentes de um jogador cada vez mais na curva descendente da carreira e não se tem um gesto de cortesia para com alguém que já deu tanto ao clube. Ainda não é desta que o Liedson vai ter o casamento perfeito. Prefere o Sporting depositar todas as fichas nos “mood swings” do Djaló, na prometida e patética ressurreição futebolística do Postiga e na crença imbecil que o Carlos Saleiro é que é.

7 anos. 7 anos e alguns presidentes e directores desportivos depois. Não conseguimos amealhar dinheiro suficiente, nem sequer vender a banha da cobra a alguém por esse mundo fora falando da maravilha que é jogar no Sporting. Continuamos a achar que os campeonatos se ganham com 1 único avançado que rende 15 golos por época. Santa ingenuidade.

Realmente, não sei se é predicado exclusivo do JEB ser inapto para a função, mimado, ressabiado e o maior erro de casting do dirigismo desportivo europeu como disse Paulo Pereira Cristóvão. Apenas sei que nem Pinheiro Bravo nem Manso. É apenas um Corno. Um Corno Manso!

E o culpado sou eu?!

Liedson, o homem que nos últimos quatro anos minimizou as nossas angústias vezes sem conta, está na mira dos adeptos. Tanto ou tão pouco, que há até quem escreva, em jeito de comentário ao post anterior, que “O Liedson é uma merda,deve ser vendido,ele representa tudo o que há de mau no nosso balneário, vedetismo, falta de humildade e capacidade de sofrimento em prol do conjunto”.

Não vou discutir a personalidade do “levezinho”, mas tenho a dizer-vos que, para mim, Liedson continua a ter condições mais que suficientes para ser titular, mesmo tendo em conta o peso da idade e a mira completamente desafinada. Digam-me que é do hábito, mas com ele em campo continuo a sentir-nos mais perto de marcar. Continuo a sentir as defesas adversárias menos descansadas. Continuo a sentir que qualquer distracção pode ser-lhes fatal. Continuo a sentir que temos um avançado com tomates. Continuo a sentir tudo o que não sinto com Postigas, Djalós e Saleiros (não posso falar do Pongolle enquanto o homem  não fizer, pelo menos, sete ou oito jogos seguidos).
No fundo, também sinto que precisamos de um avançado. Mas, mesmo sem resolver, continuo a sentir que o Liedson é o único com condições para ocupar essa mesma posição num clube que, nem que seja na teoria, aspira ao que aspira o Sporting!

p.s. – mesmo sem resolver, e até falhando golos feitos (Mata Real, ontem), não deixa de ser curioso que Liedson surja associado ao que de menos mau temos conseguido neste arranque: está nos dois golos ao Nordsjaelland, acordou Alvalade com dois remates frente ao Brondby, e ganhou o penalti frente ao Marítimo. É pouco? É o melhorzinho que temos feito…

As multas são só para o russo?

“Depois da partida com o Manchester City, Liedson – que estava a fazer exercícios de aquecimento, mas não entrou porque entretanto a partida terminou – recolheu aos balneários apressado. Perto do brasileiro seguia Nuno André Coelho. Paulo Sérgio chamou os jogadores para cumprimentarem os adeptos, mas Liedson seguiu em frente, sem dar ouvidos ao técnico.
Confrontado com a situação, Paulo Sérgio foi claro: “os assuntos internos debatem-se com os jogadores, mas que fique claro que o Liedson, bem como qualquer outro elemento da equipa, joga o tempo que eu quiser, não o tempo que eles querem!”

Portanto, agora que já temos a bronca do dia (nós não sabemos viver sem tropeçar, foda-se…), agora que, ainda assim e seguindo a lógica das opções de Paulo Sérgio, Liedson deverá ser titular esta tarde, permitam-me perguntar se, realmente, existem dois pesos e duas medidas ou, se se preferir, se pelas bandas de Alvalade perdoa-se mais facilmente qualquer disparate com sotaque a samba do que se esse mesmo problema tiver sabor a vodka ou for acompanhado por música dos Balcãs?

F5

(carregar na tecla refresh)

Esta é a sensação primeira à saída do jogo de apresentação. F5. Sportinguismo refrescado, uma surpreendente sensação de ruptura com o passado recente. F5. Cinco pontos, todos sobre futebol, o novo futebol do leão.

1- Fora-de-jogo
2- Bolas paradas
3- Duplo pivot
4 – Artistas
5 – Liedson

Fora-de-jogo – A filosofia da defesa assenta toda na subida dos quatro jogadores, para “empurrar” o meio campo na pressão e, mais importante, para forçar o fora-de-jogo alheio. Risco alto, a exigir máxima coordenação da defesa. Nos primeiros 15 minutos, foi o caos, com dois defesas centrais – Tonel e Torsiglieri – fortes na marcação mas lentos e pouco coordenados. Depois, mudou a táctica e começou-se a sacar fora-de-jogos, foram quase uma dezena em meia-hora. Na segunda parte, a equipa defendeu toda e a defesa foi poupada (e o adversário ajudou).

Bolas paradas – Há trabalho. Ofensiva e defensivamente. Temos finalmente alguém a marcar livres e cantos com critério e colocação, há livres directos estudados e, mais relevante, a defender houve poucos buracos na primeira parte e só alguns na segunda. Com o tempo, a tendência é melhorar. Pior que nas últimas épocas é impossível.

Duplo pivot – O treinador usou três tácticas, mudando-as a cada meia-hora. Nos primeiros 30 minutos, um 4-1-2-3, com Pedro Mendes (capitão) sozinho atrás. Não resultou, porque abria demasiados buracos a defender (Maniche e Veloso sem ninguém para marcar, ficavam muito subidos). E a atacar, o meio campo não dava linhas de passe. Paulo Sérgio mexeu e mexeu bem. Tirou Veloso (patrão a falar com os companheiros, mas completamente fora da equipa) e meteu Matias, recuando Maniche para o duplo pivot com o Mendes. A equipa melhorou instantaneamente, a defender de forma mais agressiva e coordenada e, a atacar, com dois “registas” alternados a alimentar, com futebol directo, os três artistas. Imagem que vale mil palavras: Maniche e Mendes saíram abraçados ao intervalo, a corrigir posicionamentos: são eles os novos líderes futebolísticos da equipa. Haja saúde…

Artistas – Vuk, Matias e Valdes. Durante os últimos 15 minutos da primeira parte e os primeiros cinco da segunda, o Sporting  jogou à bola. Com Maniche a dar uma dimensão nova ao futebol da equipa, a procurar jogar rápido e nos espaços vazios. E a procurar os artistas: Matigol, Vuk e Valdes, três jogadores que correm com a bola e ultrapassam adversários com facilidade. Valdes foi o melhor, mas também sem “bagagem negativa” com os adeptos. Matigol a distribuir mas ainda sem finalização. E Vuk, um renovado Vuk, pressionante, mais colectivo, sempre em diálogo com o treinador e na direita, como quer. Esta é a melhor versão do Sporting 2010-2011. É a luz ao fundo do túnel. Tem tudo para dar certo, com alternativas como Izmailov (???) e Salomão (está ali um Nani, se ele quiser e o deixarem). Tudo isto é muito giro, mas há um pormaior: Liedson

Liedson – É o herói incontestado de Alvalade. Está sozinho no coração dos adeptos. Basta entrar no relvado em direcção do banco para ser aplaudido e celebrado. Pode ser um problema. No estádio percebeu-se que não gostou de entrar a cinco minutos do fim e “obrigou” o preparador físico a confortá-lo quando Paulo Sérgio lhe disse que entraria daí a dois minutos. Mas, depois, entrou e viu-se logo. A equipa cresceu imediatamente. Mas já em 4-4-2, que tinha sido introduzido aos 60 minutos, com a saída do Matias e a entrada do Postiga e do Salomão. A grande incógnita deste Sporting é o entendimento geral entre Paulo Sérgio e o “cabeça de cartaz” da equipa. Se o treinador convencer o Liedson a jogar sozinho (precisa de trabalhar porque não sabe fazê-lo), a equipa ganha dimensão. Se for “forçado” a jogar no 4-4-2, a ladeira fica mais íngreme.

Fez-me bem ir a Alvalade. As primeiras impressões assustavam (estádio tenso, anti-clímax na apresentação, habitual ambiente de festa artificial) mas, com o tempo, a coisa foi-se compondo. A equipa ajudou. Há um novo Sporting. Ainda sobram “maçãs podres”, o Veloso, o Djaló e o Patrício parecem estar a mais. Involuntariamente, mas são os rostos de um passado que está a ser rapidamente enterrado. Polga sobrevive, Liedson é Liedson e o Vuk pode voltar a ser o Vuk. Falta outro médio centro, outro “artista” e um gajo que marque golos (o Pongole parece mais fresco, mas não rematou…). E um guarda-redes, se a Juve Leo continuar a assobiar o Patrício (outra sintonia com a direcção?).

“O Maniche, o Maniche. Que se foda o Moutinho, nós ficámos com o Maniche”. É o novo cântico da época. Um exagero emocional e claramente em sintonia com a direcção, mas ficou-me na cabeça. Como símbolo do novo Sporting, assente na rodagem de jogadores experientes em detrimento das bandeiras de jovens-velhos. F5. Refresh, o novo Sporting vem já a seguir, para o bem ou para o… costume.