Dedicatória da Semana

Ao Sporting porque sim. Ao Sporting por ter ido buscar o Rochemback.

A um clubezeco qualquer por levar o Tiuí um dia destes. Aos pontinhos de avanço.

Ao feliz sorteio da Champions. A esta vitória perfeita em Braga, por todos os motivos e mais alguns. Aos que venderam o Moutinho 37 vezes. Aos que voltaram a vender o Moutinho. A todos os que despacharam o Veloso e o Vukcevic e o Pereirinha e que já arranjaram um dono à pressa para o Yannick.  Às dezenas de primeiras páginas falsas que encharcaram mais este Verão. Aos que nos puseram a começar a meio da tabela. À nossa magnífica televisão: a pública por transmitir um jogo inteiro da Liga sem mostrar o tempo decorrido, com toda uma dinâmica de um Catarro sempre persistente.  À noticiosa privada que no programa “O Dia Seguinte” resolveu pôr o comentador portista em directo da sala-de-jantar da prima Deolinda. Às roulottes que servem bifanas com cebola apuradinha e imperiais com gás. A um escarro chamado João Pereira – agradecimento muito especial para ele.

O nosso grande bem-hajam.

 

 

 

Não se admite!

Depois de publicar esta imagem, com gestos provocatórios e incorrectos dirigidos a todos os leitores, o blog Cacifo do Paulinho corre o risco de ser suspenso, ficando impedido de comentar a última jornada da Liga, bem como a final da Taça.

E nós?

Sousa Cintra chamou ao jogo de Leiria “um enxovalho”. Não o Sousa Cintra do Cacifo, mas o verdadeiro. A sabedoria popular deste homem está muito para lá das SADs, pólos, charutos ou whisky. Foi um enxovalho. E o Sporting do losango, dos Tiuís, dos Abéis, o Sporting de merda esteve todo lá. As razões são tristemente conhecidas e deprimente debatidas. Mas há uma que nunca é sugerida. Ou pensada.

Onde estávamos nós? Salvo raras e semi-profissionais excepções – 3000, para aí -, onde estavam os adeptos do Sporting? Quantos levantaram as peidas dos sofás e fizeram 100 e tal quilómetros para apoiar a equipa? Quantos decidiram pagar os (ridiculamente caros) bilhetes do jogo para ajudar? Onde estava aquele sangue que jorrou das bancadas contra os lampiões? Em casa, parado, anestesiado.

Não é fácil fazer o raciocínio ao contrário. Fácil é do alto das nossas vidinhas dizer que o Paulo Bento é jovem e teimoso, que o Romagnoli é uma merda, que o Miguel Veloso tira folgas em dia de jogo, que o Abel é mau, que o Rui está verde, que o Tonel tem limitações, que o Soares Franco é muito fraco, que o Sporting está a dar dinheiro a muita gente que não é do Sporting, que o clube está a perder a alma por cartões magnéticos e SADs falidas. Tudo isso é verdade… e explica quase tudo. Mas há que reconhecer.

O que é que a gente dá? Pagamos quotas, compramos gameboxes, empurramos a equipa quando ela já está a ganhar ou quando joga contra adversários emocionais. Já é muito, dirão. É. Mas não é tudo. Porque depois, assobiamos o Nani quando remata a 25 metros, insultamos jogadores de 19 e 20 anos até eles acertarem uma, perdemos a paciência com jogadores que são mais do Sporting que nós, como o Sá Pinto, o Beto ou o Carlos Martins. Moemos o juízo a gajos que depois vão brilhar para outro lado. Queremos o Dias da Cunha fora dali, fazemos a vida negra a treinadores de ataque e ainda mais negra aos defensivistas. Oscilamos entre estados de euforia e depressão, como tão bem ilustrou o Sousa Cintra (o do Cacifo, não o verdadeiro). No limite, os mais radicais tentam agredir o melhor jogador alguma vez formado em Alvalade e impedem o clube de contratar o melhor treinador do mundo.

Os adeptos somos todos nós. E também nós somos responsáveis pelo estado a que chegou o Sporting. A nossa bipolaridade impede-nos de apoiar indiscutivelmente o clube. Estamos demasiado traumatizados, é verdade. Mas estamos longe de fazermos parte da solução e, algumas vezes, somos parte do problema. Tenho poucas dúvidas de que se o estádio do Leiria estivesse cheio de adeptos a apoiar a equipa, a merda tinha sido outra. É que estavam pouco mais de 3000 mil gajos que mandavam um urros de vez em quando! Assim é mais difícil.

Paciência

Na passada quinta-feira, a paciência do adepto sportinguista foi novamente colocada à prova. O desafio era lançado por duas paciências com responsabilidades:
a de um tal Franco, que não gosta de futebol e garante que se os adeptos leoninos gostam da formação, têm que ter paciência e saber esperar que os jovens talentos amadureçam e formem uma grande equipa (se calhar o primeiro passo passa por não os deixar sair, digo eu…)
a de um tal Paulo Bento, que anunciava que para se ganhar aos protestantes escoceses a equipa tinha que ter muita paciência

o resultado de tanta paciência já se sabe qual foi, e a paciência do adepto sportinguista levou mais um rombo assinalável.

entretanto, da terra que tem mais encanto na hora da despedida, veio um tal de Domingos Paciência, convidado para se apresentar no estádio dos passarinhos 48 horas antes do que estava inicialmente previsto. Ninguém questionou as razões de tal mudança de horário, até porque não se encontra uma razão válida a não ser ter sido solicitada por quem foi, e o tal do Paciência, o Domingos, lá teve que trazer os chamados estudantes até Lisboa, numa sexta-feira à noite, com todos os perigos inerentes à conjugação das palavras estudantes e sexta-feira à noite.
Pum, pum, pum. Três batatas no forno serviram de acompanhamento a uma águia depenada, e permitiram ao Domingos esfrangalhar a paciência dos rosinhas, garantindo que tinham sido três mas podiam ter sido quatro ou mais (o que para o “Chaloio” seria igual, pois tanto se pode perder por um como por cinco).

Assim, com a ajuda do Paciência e dos seus meninos vestidos de negro (podíamos jogar com o equipamento alternativo na pxm quarta-feira, só naquela), a moribunda paciência dos adeptos sportinguistas voltou a dar sinais de vida e a apontar o caminho de Alvalade como único destino possível no final da tarde deste domingo.

Só espero que, apesar de ser domingo, não exijam muito da nossa paciência e exijam ainda menos da vossa. Há que despachar os homens do mar com a maior rapidez possível e só então abrandar. Gerir. Pedir-nos paciência. Porque quarta-feira há mais.

Fenómeno do Entroncamento

Um fim-de-semana cheio de vegetais de dimensões anormalmente gigantescas. Uma verdadeira banca de tomates de 50 quilos:

– Ganhámos sem sofrimento cardíaco, apenas com pressão no sistema nervoso central.
– Djaló voltou aos tempos da grade de Coca-Cola e voltou a fazer-nos acreditar nele.
– Moutinho jogou a 10.
– Ninguém com responsabilidades no Sporting falou dos árbitros (porque anularam mal um golo aos outros…).
– Esta semana não entram reclamações na Liga.
– Não levámos um golo nas costas do Abel (porque foi anulado).
– Rui Patrício não falhou (porque foi anulado).
– Não falhámos penalties.
– O Benfica jogou à bola.
– O Benfica foi prejudicado pela arbitragem.
– O Benfica não teve sorte.
– Peter Jehle (deu-nos agora o que nos tinha tirado antes).
– O Chalana (ele próprio, um fenómeno do Entrocamento).

Se os primeiros oito fenómenos se repetirem muitas vezes, chegamos ao segundo lugar na boa. Se não, basta um ou outro, porque os últimos cinco dificilmente se repetem, excepto o último, que já não muda.

Obrigado Naval

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Já era hora. Um joguinho de dia, com uma temperatura morninha, uma equipa macia pela frente e um enfermeiro como António João no banco. Uma conjugação de factores para nos dar alegrias e, no caso de António João e dos cortes de Gladstone, para nos permitir rir à gargalhada. No futebol de Primavera, o Romagnoli até levanta a cabeça, o russo dá o litro e o Miguel regressa ao activo. Espero que seja para ficar. O problema é que em Glasgow chove e faz frio. E os gajos são rijos. Ai o losango outra vez… que maçada esta de não poder jogar sempre contra equipas da parte de baixo da Superliga, pensarão os nossos líderes, com uma cigarrilha nas mãos, entre um copo de scotch velho. É que a equipa precisa de convalescer durante mais um bocadinho, em paz e sossego. E os cabrões dos escoceses não nos vão deixar em paz. E o pior é que não têm o António João, para ao menos podermos rir.

PS: Ah, grande Tiuí. O Djaló jogou meia hora este ano e já marcou dois. O Djaló! E tu, Tiuí, estiveste quase a marcar. Estiveste mais uma vez isolado, Tiuí, mas foi tudo demais para ti. Ao menos partiste, literalmente, a boca ao redes dos gajos. E deste a conhecer ao país António João, o enfermeiro from hell…

A Masturbação

A premissa é simples. Como quase tudo no futebol, aliás. Simples e belo. Bater a bola com jeito e força suficientes para contornar a barreira e escolher o ângulo para morrer. 

Há muito, muito tempo que isso não acontecia no Sporting. Pelo menos, não da maneira como se imaginam os melhores pontapés. Os verdadeiramente merecedores da confiança do marcador. Onde a relação entre a bola e o jogador é um poema. Finalmente, aconteceu. E foi na Figueira da Foz.

Muita teimosia depois, e todo o tipo de absurdos e crime lesa futebol cometidos, o Paulo Bento lá decidiu dar a bola a quem a trata e acaricia como ninguém. Ao Miguel. Que por ser algo lento, canhoto e tecnicamente mais evoluído que os outros se assemelha ao André. Aquele “gentleman” brasileiro que, de tão gentil até quando roubava uma bola, pedia por favor ao adversário. Ora, o que é o Veloso senão a reencarnação divina do Cruz. Com menos quilos e mais vontade pode ser o que ele quiser. Até o Redondo. Só precisa de responsabilidade dentro e fora da equipa. O que fez e bem, mas tardiamente, o nosso treinador ao conferir-lhe a possibilidade de marcar um livre. E vejam como ele fez. E o que ele fez à bola. Alguém se lembrou do pontapé canhão do Ronny? Ou do famoso livre do João Moutinho em Munique na Champions? Porquê insistir no erro quando todos já tinham visto o essencial. A bola precisa de carinho para fazer o que lhe pedem. Até o Roberto Carlos quando a chutava, apesar de ser um brutamontes, falava directamente ao coração da bola. Porque como vocês sabem, força e tamanho não contam para nada. O que conta é a intenção.

P.S. – Confesso que estava desejoso que o Miguel Veloso me desse uma só oportunidade para falar bem dele. Porque gosto da forma como joga e do estilo “blazé” que tem em campo. Pena que ele não tenha entendido que poderia ser o que ele quisesse em Alvalade. Sorte que a sua estrela não se apague e a possamos continuar a seguir de longe.