Dia de entrevista

Bruno de Carvalho dá, hoje, uma entrevista nos três diários desportivos. Por aquilo que percebo, trata-se de uma entrevista conjunta, dada no Canadá, que, depois, cada um dos jornais aproveitou à sua maneira. Ao que parece, e tal como tinha acontecido aqui, há um ponto destacado em todas elas, a questão dos empresários, mas vou dar o pontapé de saída com algo que tinha ficado no ouvido aquando da conferência de imprensa de despedida, do Jesualdo.

(só tenho acesso à versão online do Record, por isso vou fazer dessa a minha base para os próximos posts. Que quiser ir confrontando com os outros jornais, esteja à vontade)

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Sportinguismo, cinzentismo e anti-benfiquismo

Vamos directos ao assunto: dizerem-me que não posso rir de tristezas alheias quando estou triste, é o mesmo que, depois de eu ter caído, de forma patética, no meio da rua, não posso rir-me de outra pessoa que se espalhe ao comprido. É o mesmo que dizerem a um velhote (não me lixem, eu gosto da palavra, bem melhor do que cota ou sénior ou idoso. Troquem por antigo, se preferirem) que teve o azar de mijar-se nas calças, que não pode rir-se do vizinho quando este se borra pelas pernas abaixo.

Os exemplos poderiam continuar, conduzindo-nos a uma constatação: dizerem-me que não me posso rir ou fazer piadas com uma derrota do Benfica, só porque o Sporting está na merda, é estúpido. Eu diria mais, é cultivar um estado de alma mais melancólico que o fado; é cultivar um cinzentismo doentio que assenta, em minha opinião, na incapacidade de rirmos de nós mesmos. E sem essa capacidade, meus caros, esta vida é bem mais insípida.

Mais irritante, ainda, é ver supostos iluminados da blogosfera, misturarem essa capacidade de continuar a rir nos momentos dolorosos, com o tantas vezes falado “anti-benfiquismo”. Vou ser o mais sincero possível: não vi o jogo. Ou, se preferirem, vi 15 minutos, algures a meio da primeira parte. Senti que não tinha nada a ver com aquele filme, sendo que o meu único desejo, irrealizável, era que perdessem os dois. Até porque, cada vez menos, se consegues distinguir os meios utilizados para atingir os fins. Entretanto, estava eu sossegado a ver um filme (Detachment, vejam que vale a pena), começo a ouvir gritos na rua. «Olha, acho que o Benfica marcou», disse à minha mulher, acreditando ser o meu vizinho o autor do descontrolo. Vamos à net, confirmar quem marcou, e, entretanto, chega um sms de um Sportinguista. “Golo do Porto”, dizia a mensagem. «Esse gajo preocupa-se mais com o Benfica do que com o Sporting. Acho isso triste», digo eu. «Mas isto tem piada», responde-me ela. «Obviamente que tem piada, principalmente depois de todo o carnaval das últimas semanas», completei eu.

Parece-me que este pequeno exemplo espelha bem o que pretendo dizer: não me peçam para festejar golos, marcados por qualquer um destes clubes. Mas não me venham com conversinhas de merda, dizendo-me que rir-me dos outros é não conseguir ser superior. Isto é futebol, caralho. E, ao contrário do que o tal iluminado escreveu, é uma das coisas que, ao longo da vida, nos permite «apontar o dedo e gozar como um menino traquinas da primária»
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Coisas que merecem o meu aplauso

Quase 14 mil pessoas, para assistirem ao jogo que podia trazer o Farense de volta à II Liga. Prova de vitalidade, de um clube que, tal como o Académico de Viseu e o Chaves, faz parte do meu imaginário futebolístico. Querem lá ver que ainda vou voltar a ver uma caderneta de cromos, onde estes clubes partilham as páginas com o Sporting?

p.s. – a FPF chumbou a proposta de alargamento da Primeira Liga. Mais palmas.

O estranho mundo de Lion

Achar que uma vitória de porto e de benfica é a coisa que mais jeito nos dá. E, depois, quase não sentir o facto do primeiro lugar ser ocupado pelo nosso maior rival, pelo reconforto que tráz pensar que determinados profissionais, que venderam a alma ao bufas, podem terminar a época a xuxar no dedo. Ele há coisas…

… e os artistas (parte 2)

Não assumiria o que diz a Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS), segundo a qual o Sporting é o 10º melhor clube do mundo (Benfica em 36.º, Braga em 73.º e Porto em 101.º), mas é incontornável que uma das notas mais positivas da última época foi o ter-se conseguido voltar a construir um plantel capaz de ser a base de uma equipa que lute por vitórias. E isso fica bem vincado no facto da maioria dos adeptos leoninos ser da opinião que precisamos apenas de retoques. Segue-se, então, a minha opinião sobre o plantel à nossa disposição.

Baliza
Temos o melhor guarda-redes português, com o extra de ser um homem da casa. Acho que faz todo o sentido a ideia de renovar com Rui Patrício e aumentar-lhe o ordenado. Creio que a sua saída dependerá do que acontecer no Europeu, mas seria óptimo poder contar com ele por mais uma época. Caso saia, sinto-me perfeitamente seguro com o lugar entregue a Boeck, o brasileiro que me podia dizer ser do Sporting desde pequenino que eu acreditaria. Continuaremos a ter qualidade entre os postes, passando a questão a centrar-se na forma como se aumentará a competitividade pelo lugar. Caso Patrício saia, com Tiago reformado e com a quase certa a chamada de Vitor Golas (que até poderá jogar pela B), parece-me que teremos que encontrar alguém que faça Boeck sentir que o lugar não são favas contadas. Aliás, estou em crer que esse pormenor também contribuiu para o amadurecimento de Rui Patrício.

Defesa
Polga já está do outro lado do Atlântico, João Pereira rumará a Valência. Assim, se uma assentada, saem dois jogadores responsável por uma (demasiado) elevada percentagem dos golos que sofremos. E se à direita o problema parece mais do que resolvido (Cedric, Árias e Pereirinha até são demasiados para um lugar), continuamos a ter que encontrar soluções para o centro. Rodriguez devia ir apanhar na peida para o Peru e como acho que Carriço é trinco e não central, sobram Onyewu e Xandão. Eu gostava de ver chegar um grande central para jogar ao lado do Capitão América. E de ver Nuno Reis ou Pedro Mendes assumirem-se como o quarto nome. Falta falar da esquerda. Ínsua é titular, Turan deverá seguir para a equipa B, falta-nos alguém para morder os calcanhares ao argentino. E esse alguém não é Evaldo.

Centro
Não vejo necessidade de mexermos muito a meio campo. No centro do terreno, mais precisamente. A base Rinaudo / Carriço; Schaars / Elias; André Martins / Adrien; Matias / Labyad, parecem-me garantia para toda a época. Mas não resisto a questionar a continuidade de um jogador que, a espaços, me encanta, e que gostaria de ter como verdadeiro ídolo: Matias. O que podemos esperar de Matias? Eu ando há três anos à espera de magia, à espera do gajo que joga na seleção do Chile, à espera do gajo que fez aquela primeira parte em Inglaterra, frente ao City. Mas, na maioria das vezes, o que tenho é um gajo lesionado, fisicamente debilitado, cansado para jogar 90 minutos, incapaz de tirar um coelho da cartola. Podemos guardá-lo para grandes jogos? Sim, podemos. Mas com que cara se tiraria um outro jogador que estivesse a desempenhar o lugar na perfeição?

Alas
Já o disse e repito: para mim, Carrillo jogaria sempre. À direita. O que levantaria o problema de sobrar um lugar para Capel, Izmailov e Jeffren (desculpem, mas Pereirinha não pode ser extremo nem no Covilhã, quanto mais no SCP). Mas, também aqui, há outro problema: será que vamos ter Jeffren?!? Mais, será que vamos ter Izmailov (ou que Izmailov teremos depois da dureza de um europeu onde é visto como figura central da sua seleção)?!?
Relativamente a Jeffren, e por muito bom que seja, se o gajo não se aguentasse sem lesões até Outubro, mandava-o pastar para Espanha. Quanto a Izmailov, é algo que me deixa angustiado. Adoro o jogador, acho-o o melhor jogador do plantel, mas andamos há três anos a acreditar que “quando o Izmailov recuperar é que vai ser”. Tal como acontece com Matias, poderíamos guardá-lo para grandes jogos, mas, e é uma facada que dou em mim mesmo, aceitaria vendê-lo caso surgisse uma boa proposta após o Euro.
Portanto, e mesmo acreditando que Labyad até pode jogar numa das alas (tal como eu preferiria Izmailov no meio), fico com a ideia de que são necessárias mais soluções para as alas. Trazer Salomão para fazer a pré-época pode ser um primeiro passo na procura dessas mesmas soluções.

Ataque
Já todos sabemos que precisamos de mais soluções atacantes. Há Wolfswinkel e há Rubio, sendo que, cheira-me, este último passará bastante tempo a fazer companhia a Betinho, na B. Wilson Eduardo deverá fazer a pré-época, mas Wilson é um segundo avançado, um gajo para jogar solto e podendo embalar de trás. E nada garante que fique. É preciso alguém que marque pelo menos tantos golos quantos os que Wolfs marcou. E se tiver que ser um goleador em final de carreira, que seja. E, muito sinceramente, creio que precisamos de um jogador “a la palserge”: um pinheiro. Situações como a que tiveram lugar na final da Taça, com Onyewu a avançado, mostraram que teremos que jogar assim várias vezes (bastou o americano começar a ganhar as bolas de cabeça para a defesa abrir e os avançados poderem entrar nos espaços). E se Ribas parece carta fora do baralho, então que se procure um jogador semelhante.