Chamada para Liverpool

Ian Ayre?
Sim!
Ouvi dizer que querem contratar o Tiago Ilori. É verdade?
Oh, sim! Absolutamente! É um enorme talento!
Sem dúvida que é. E acha que um enorme talento só vale 4,5 milhões de euros?
Bem… também não sabemos se ele virá a ser o craque que esperamos, certo?
É verdade. Mas, foda-se, o rapaz tem uma cláusula de 30 milhões!
Nós emprestamos um craque marroquino!
Já temos um, bem melhor do que o vosso…
Mas este é extremo!
Temos melhores.
Então, o que é que propõe?
15 milhões é uma boa base para começarmos a falar…
Está louco?!?
Não.
15 milhões, por um jogador que só tem mais um ano de contrato?!?
Porra, pensava que estava a falar com o Godinho…
What?!?
Nada, nada. Estava a pensar alto. Bem, vamos lá falar a sério.
Por esses valores não dá para falar… Ainda por cima, o Tiago já nos disse que quer vir para Liverpool.
Foi?!? Nem sabia que ele gostava dos Beatles… Mas sabe que não basta ele querer, certo? Pelo menos, enquanto tiver contrato…
Então prefere que ele venha daqui por um ano, a custo zero?
Não sei se daqui por um ano vocês ainda vão lembrar-se de um reserva da nossa equipa B…
Era capaz de fazer isso ao miúdo?
Tanto quanto vocês e o Zahavi são capazes de manipulá-lo…
Se calhar é melhor desligar…
Espere, tenho uma nova proposta.
Diga.
5 milhões mais o Sebastián Coates!
Fuck!
You!

 

Zahavi. Pini Zahavi (só para decorarmos o nome)

Começou aqui: «A SAD, entretanto, continua a trabalhar em vários dossiers e um dos mais exigentes passa pela renovação de Bruma. Como o Maisfutebol já noticiou, o Sporting considera a renovação do extremo prioritária e tem acordo com Bruma relativamente ao salário do jovem: falta acertar o prémio. O Sporting considera que as exigências de Zahavi são muito altas e não está disposto a recuar, enquanto o agente continua a também não ceder. Para tentar chegar a um acordo, a próxima semana deve incluir Catio Baldé nas negociações entre as partes»

Continua aqui: «As posições entre direção do Sporting e a empresa que está a fazer a gestão do processo do Bruma estão extremadas. Não há um acordo de entendimento entre o que o Sporting quer e o que empresa acha que é o melhor para o jogador. É essa a situação em que estamos», disse Cátio Baldé, em declarações à Antena 1, sustentando que a intenção do jovem que trouxe da Guiné-Bissau é continuar em Alvalade. «Isso sempre foi a vontade dele. É um jogador jovem, sabe que ainda não fez nada está a iniciar a carreira e mudar de ares não fazia sentido nenhum.»

p.s. – ao que parece, o Sporting oferece 5 anos de contrato, tanto a Bruma como a Ilori, evoluindo até atingir os 700 mil euros brutos (mais prémios por objectivos). O Pini, o tal que tem o nome associado “à fuga do Moutinho”, quer  um milhão por ano. 

É uma chatice estes gajos quererem cumprir promessas eleitorais

«[…] Estamos, também, a ultimar a auditoria de gestão. Ela já está definida nos seus termos gerais, mas, nos últimos dias, temos vindo a afinar pormenores dessa auditoria que vai abranger os últimos vinte anos da actividade do clube, incluindo todos os mandatos passados e incluindo os aspectos mais nevrálgicos da gestão dos últimos anos, tais como  património, aprovisionamento, fornecimento e contratações», Bacelar Gouveia, Presidente do Conselho Fiscal, em entrevista à Rádio Renascença.

 

Mas, afinal, temos medo de quê?

É a pergunta que não consigo deixar de colocar a mim mesmo, depois do presidente do Marítimo ter tido a decência de colocar preto no branco o assunto Kleber.

Portanto, sabemos que oferecemos mais do que o Porto. Sabemos que, ao contrário do Porto, demos conhecimento ao Marítimo da intenção de contratar o jogador. Sabemos que a nossa proposta de pagamento era exactamente igual à do Porto.
Em resposta, fomos apelidados de “ridículos” por um cabrão de um presidente brasileiro que deve estar a receber por baixo da mesa umas boas centenas de milhar de euros.

E a nossa resposta é um simples “ridículas foram as declarações do presidente do Atlético Mineiro. A proposta que apresentámos foi a que eles pediram, por isso, não vou entrar num diálogo baixo”, dito por José Couceiro?
Mas custa assim tanto apontar o dedo aos filhos da puta nortenhos, que fazem do futebol uma banca de fruta?
p.s. – espero que pelo menos um dos futuros candidatos venha com intenção de pôr um ponto final nesta vassalagem.

Cobardes

(escrever isto custa-me. Tudo o que diz respeito ao Moutinho, custa-me. A ferida ainda está aberta e demora a sarar. Por isso…)

Não vou ao jogo. Não vou porque não posso. Apenas duas coisas me impediriam de ir a este jogo. E uma delas acontece precisamente à mesma hora da partida. Ainda bem. Porque não estaria mentalmente disponível para assistir ao que se vai passar em Alvalade. A cobardia é das características de personalidade que mais desprezo nos animais humanos. E no sábado estarão em exposição muitos animais. E muito cobardes.

O cobarde instrumental. O próprio Moutinho. Não lhe perdoo a traição. Não a traição ao clube, porque disso já temos escola, mas a traição à imagem que fiz dele. Mas esse problema é meu. Ele é cobarde porque alguém com tomates, apesar de insatisfeito, perseguido, cansado, teria resistido à transferência para um rival – e logo este rival, o corrupto, o do sistema que tanto o prejudicou -, teria resistido e aguentado por respeito ao clube que lhe deu tudo, aos adeptos que o respeitaram, acarinharam, o defenderam sempre e que confiaram nele como símbolo de algo intangível. Ele é rico e bem sucedido porque o futebol não é só uma profissão instrumental. É uma paixão. A sua decisão de atacar a irracionalidade do futebol em nome da sua razão egoísta é mais uma cavadela num buraco que, no limite, acabará por destruir este fenómeno global. Não tem perdão. Mas com o tempo, a minha desilusão tem-me afastado dele, para o bem mas sobretudo para o mal. Não lhe desejo mal. É imaturo, egoísta e cobarde. Não fez por mal, fez porque, tal como no campo, é bom mas não é um génio, nem sequer alguém especial.

O grande cobarde. O Bettencourt é uma lição de cobardia. Se a cobardia fosse uma cadeira universitária, o nosso presidente dava para um semestre. Os cobardes lidam mal com a verdade. Fogem dela para se esconderem. Foi o que ele fez, foi cobarde porque não nos disse a verdade sobre o que se passou com o Moutinho. Até hoje. Foi cobarde porque não teve a coragem de resolver o problema que envolvia o maior símbolo moderno do clube. O capitão do clube. Foi cobarde porque responsabilizou a maçã e não falou da árvore, podre e seca. Foi fraco perante o forte. Submisso. E cobarde, perante o evidente e ilegal assédio dos ventos corruptos do Norte. Foi sendo cobarde ao longo dos meses até que na iminência do incêndio que ele próprio ateou, há meses, faz outra intervenção absolutamente cobarde sobre o caso. E corre a tentar apagar um fogo que já está completamente fora do seu alcance. Duplamente cobarde, faz lembrar os putos que atiram uma pedra, fogem e, quando são apanhados, dizem que foi o colega do lado. Triste, num homem desta idade, pai de filhos. E será cobarde quando receber o amigo corrupto em Alvalade como se fosse alguém respeitável. E cobarde será quando levar com as labaredas e disser que foi o colega do lado. A propósito…

O pequeno cobarde. De tão pequeno que aparenta ser, Costinha foi outro dos cobardes desta história. Não vale muito, portanto, poupo nas palavras. Mas fico curioso para ver como acabará este seu ciclo no Sporting… alguém vai atirar várias pedras e fugir…

Os cobardes perigosos. As claques, pagas e organizadas para atacarem o alvo errado. São cobardes porque vão fazer o Moutinho passar por algo que nenhum deles, individualmente, conseguiria suportar. E vão fazê-lo em grupo. São cobardes porque desde o triste dia em que isto começou, calaram-se perante os euros que jorram do Visconde de Alvalade. Calaram-se perante a incompetência, a cegueira, a burrice e talvez a má fé de uma direcção, de um presidente, que não está à altura dos valores que eles próprios cantam para o clube. São cobardes porque em vez de montarem uma contestação e oposição coerente a esta gestão danosa, calam-se. Preferem atacar os fracos e baixar as calças perante os fortes. São cobardes porque não lutam e, por omissão, são co-responsáveis da destruição em curso. São perigosos porque não atiram só pedras. E são cobardes porque quando tudo arder, serão os primeiros a fugir.

O Sporting não terá equipa para limpar esta minha mágoa, a mágoa que vai incendiar Alvalade. A vida corre mal para a maioria do povo anónimo e magoado que irá encher as bancadas, incendiando ainda mais a revolta. Os cobardes perigosos vão adicionar gasolina. O grande cobarde não terá pulso na coisa. O pequeno cobarde vai desaparecer. E o cobarde instrumental vai fazer aquilo que faz melhor: lembrar a todos porque é que me custará tanto vê-lo a jogar com aquela camisola em Alvalade. Não vou. E ainda bem.

(só tenho pena de não ir por uma razão: não vou estar neste jogo histórico da vida do Sporting ao lado do outro soldado que me acompanha sempre nestas batalhas leoninas. Já passámos por muito os dois, nas várias bancadas do Sporting, por emoções inesquecíveis, por desilusões inacreditáveis. Este jogo não é mais um jogo e, por isso, não queria deixar de estar ali ao lado. Com os dentes cerrados. Desculpa, Jordão, mas és o único remorso com que fico por não ir a este jogo).

Estórias de Viseu

Noite gelada. Rua cheia de chuva, sem pessoas nem carros. Um único café. Com uma TV. “Vão dar o jogo do Sporting?”, pergunto com a garganta cheia de frio. Abre-se um sorriso no dono do café: “sim”. Enquanto me sento e peço uma cerveja, pergunto-me “mas ri de quê, este gajo?”. Começo logo à defesa. No entanto, o ataque vem de outro lado. O dono muda de canal e já se sente o ambiente deprimente do estádio do Leiria. Na mesa, à minha frente, um grupo de jovens animados, solta a primeira ofensiva: “olha, vai dar o jogo do Sporting, ahahah”. Nem o respeito têm para nos chamar lagartos. Ignoro. Concentro-me nos preliminares. Joga o Valdés. E a 10, parece. “Olha lá, ó Vítor, tu hoje não te safas, ahahah”. O dono riu-se porque é do Sporting. E riu-se porque deixou de estar sozinho. Todos os frequentadores do café são do FC Porto. São tripeiros, retintos. Novos, entre os 20 e os 30. Vários grupos, diferentes fornadas… mas só falam do FCP. “Estes gajos perderam o Varela, como é possível, ahahah?”. O Vítor vem logo em socorro da sanidade e tapa-me a visão da TV para explicar toda a questão administrativa dos contratos do Varela com o Sporting. Valeu a pena perder 30 segundos do jogo para defender a honra do Paulo Bento.

“O Pena? O Pena ainda foi o melhor marcador do campeonato”; “Tu não sabes as alcunhas dos jogadores, carago? O “cabeças” agora treina o Covilhã”; “Ó Vítor, olhó Maniche… ahaha, só dá pau, já devia estar na rua”. Tento focar-me no jogo. Não consigo. “O que é que eles inventaram agora? Que o Leiria jogou sem os titulares contra nós? Ahahah”; “Tenho a camisola do Conceição e do McCarthy. Adoro o Conceição. Mas ainda não houve um jogador do FCP que me enchesse as medidas como o Paulinho Santos”. Pimba. Golo! Toma, caralho!, penso, ainda anestesiado pela conversa à minha frente. Atrás de mim, um velho também grita golo. Afinal, eu e o Vítor não estamos sozinhos. Fixe. Comida não há. É só beber. O grupo de tripeiros roda, saem 10, vão para um jantar, entram outros oito. Na mesa mais perto da TV joga-se às cartas e ri-se muito quando o Leiria marca. “Ahahah, este Sporting nunca falha!”, goza-se. Eu distraio-me em abstracções sobre os defesas centrais leoninos.

O que mais perturba é a total falta de respeito pelo Sporting. E a convicção de serem os donos do mundo. O futebol começa e acaba no Dragão, o resto ou é merda ou não é relevante. E nós estamos no grupo dos irrelevantes, o que é assustador. Penso isto e toma lá um golo a sério! “Grande golo, olha vê… porra, sim senhor, ó Vítor, o Sporting até sabe marcar golos”. Chega a segunda parte e já consigo concentrar-me no jogo, deve ser da cerveja, mas provavelmente é da iminência do terceiro golo que nunca chega. Mas está perto. O meu vizinho do Sporting está tão impaciente que começa a desenvolver o sportinguês: “que merda, assim não, não conseguimos marcar, irra, tantas oportunidades falhadas vão custar caro, este Sporting assim não vai lá”. Fala sozinho. Eu não lhe respondo. Mas fala por milhares.

O café, agora tão cheio que já é impossível perceber as conversas, reage em horror à visão de uma tíbia quase exposta. E o horror ganha força com a entrada de um gajo grande, cheio de sangue, com uma faca na cabeça e a roupa rasgada. É a noite das bruxas em Viseu. Atrás de mim, o meu colega sportinguista tem um amigo que lhe trouxe uma “prenda”. Riem muito e eu deduzo que é da aguardente. Mas não é. Acaba o jogo e o “amigo” do meu colega levanta-se, puxa da “prenda” e começa a tocar o “apita o comboio” num belo e melodioso trompete. A vulgar “corneta”. Saio do café, sem perceber nada. No fundo da rua ainda se ouve a corneta, enquanto eu tento enquadrar mentalmente as minhas últimas duas horas. Não consigo, está demasiado frio. A única coisa que me passa pela cabeça é se esta noite, há 20 anos, não teria sido muito diferente? Desvalorizo a “amostra”. Afinal, é um café, no centro de Viseu. Não quer dizer nada. É uma bizarra coincidência que durante um jogo do Sporting, num grupo de 30 pessoas, um velho e dois trintões são do Sporting, e todos os outros, mais novos, são do FCP e menosprezam o Sporting.

Não, não tem importância. Afinal, estamos à distância de um clique.