Coisas que me “fazem espécie”

Enquanto o Titanic de Bento se afundava, um jogador teimava em não acompanhar a tendência da equipa e, ao contrário dos restantes, subia de forma. Fernandez, Matias Fernandez, marcou três em três jogos e, por alturas da saida do treinador, mostrava ser, efectivamente, uma mais valia.

Por tudo isso, existe uma pergunta que, agora, vejo-me obrigado a fazer: porque razão o craque chileno, que será a referência da sua  selecção no proximo mundial,  não tem lugar na Traineira de Carvalhal? Não consigo encontrar uma resposta que justifique tal cenário.

p.s. – tambem sou incapaz de encontrar justificação para continuar a apostar-se em Postiga, deixando Vuk no banco. Aliás, Carvalhal jogava com mais criativos em Setúbal e em Braga, do que agora que é treinador do Sporting.

O Cacifo na sala de imprensa (depois da vitória sobre o Paços)

Paulo, depois de, na antecipação ao jogo, ter afirmado que o Sporting tinha que mostrar desde o apito inicial que queria ganhá-lo, não o preocupa que, dando continuidade às exibições da época passada, os seus jogadores tenham feito, uma vez mais, figura de corpo presente durante a primeira parte? Não o preocupa que, se esquecermos os jogos com a Fiorentina, o Sporting seja incapaz de marcar golos durante a primeira parte e praticamente não crie uma única oportunidade?

Paulo, como justifica falar-se constantemente em imaturidade e ansiedade quando, olhando para o plantel, encontramos uma esmagadora maioria de jogadores que estão juntos há, pelo menos, três anos, habituados a jogar na Liga dos Campeões e responsáveis pelas conquistas de Taças de Portugal e Supertaças?

Paulo, acredito que tenha fica furioso com a forma desplicente como o João Moutinho marcou o livre directo com que terminou o desafio. Tendo o Sporting contratado um jogador especialista em lances de bola parada, Matias Fernandez, como se explica que esse mesmo jogador não tenha oportunidade de marcar um livre, um penalti ou, pelo menos, um canto, tendo em conta a produtividade nula do Sporting nesse tipo de lances?

Por último, Paulo, como explica que uma equipa que jogava em função das movimentações de Leandro Romagnoli, praticamente ignore a presença de Matias Fernandez em campo, um jogador imensamente superior ao argentino?

Stoj, Stoj, Stojkovic! Stoj, Stoj, Stojkovic!

No dia em que José Eduardo Bettencourt assumiu na totalidade a pasta do futebol leonino, parece-me pertinente abordar o primeiro caso que tem que resolver: o que fazer com Stojkovic, que ontem meteu a pata na poça no jogo contra a França?

Para lá das muitas ou poucas qualidades futebolísticas do sérvio, os factos são estes:
– Stojkovic tem um enorme ordenado, cerca de 700 mil euros/ano, o que tem impedido de ser contratado por outros clubes;
– Stojkovic aceita rescindir se lhe pagarem um ano de salários;
– Stojkovic estará, muito provavelmente, no próximo Campeonato do Mundo e será titular na baliza da selecção sérvia

Não importa agora questionar quem deu aval à contratação de um jogador com tal ordenado (sim, o Ricardo tinha saído e ganhava mais), sem ter-se dado ao trabalho de ponderar o facto de ter vários antecedentes disciplinares. Importa, isso sim, perguntar o seguinte? Damos-lhe 700 mil ou esperamos que o homem se valorize no próximo Mundial para tentarmos conseguir ter algum retorno do investimento feito?

p.s. – já que falamos em Bettencourt e em Mundial, seria bom que o nosso presidente e, agora, responsável pela pasta do futebol, pensasse em, na reabertura de mercado, ir buscar um companheiro de Matias Fernandez na selecção do Chile, o goleador Humberto Suazo (conforme já aqui defendeu o Jordão). Aos 28, perdido nos mexicanos do Monterrey, era menino para marcar 10 a 15 golos por época no nosso campeonato. E, se a defesa da selecção chilena não der barraca como deu ontem, com o Brasil (Suazo marcou dois golos), vai poder mostrar-se ao mundo no Verão de 2010.

Outro Hugo? Não, obrigado.

Eu não sei quem é o Hugo. Pronto, sei que joga no São Paulo. E também sei que trocou mais vezes de clube do que o Afonso Martins acertou na barreira quando tentava marcar livres directos. Assim de repente, não sei se pelo nome, temo que seja mais um para, no início da próxima época, estar a treinar sozinho à espera que lhe arranjem clube.

Curiosamente, este Hugo tem o mesmo empresário que Daniel Carvalho. Eu sei quem é o Daniel Carvalho. E tenho a certeza que seria jogador para fazer toda a diferença. Ao que parece, Daniel Carvalho gostava de jogar em Portugal, mas o salário que aufere na Rússia mostra-se um grande entrave à sua contratação. No fundo, regressamos a uma questão que coloquei aqui: devemos ou não investir a sério na nossa equipa de futebol?

A minha resposta é “sim”. Aliás, basta pensar que nos dois últimos títulos conquistados, teve que haver investimento em jogadores que faziam a diferença. Schmeichel, André Cruz e Jardel são apenas três dos nomes que contribuiram decisivamente para pintarmos Portugal de verde e branco e, parece-me, este foi um ponto esquecido nos últimos anos. É claro que bons jogadores custam dinheiro, mas também é verdade que com bons jogadores é mais fácil atingirmos o nosso objectivo. E, peço-vos imensa desculpa, mas acho muito pouco para o Sporting ficar orgulhoso com um segundo lugar ou, quando se fala em reforçar o meio campo, ver meia nação leonina gritar bem alto o nome de um jogador mediano como o Hugo Viana.

p.s. – por falar em jogadores que fazem a diferença, gostei de ver o Vuk partir a louça toda a jogar do lado direito (a assistência para o segundo golo da sua selecção fez-me imediatamente lembrar a assistância para o Postiga, no Restelo, em que a diagonal feita com o melhor pé faz toda a diferença) e a assistência brutal do Matigol para o primeiro golo do Chile, ele que na selecção não precisa de desgastar-se a recuperar bolas atrás de bolas. Será que existem parabólicas em Alvalade?

E porque não 4-2-3-1?

Eu sei que estamos numa fase em que devemos ser optimistas.
Acreditar que o entendimento entre o Matias e o Liedson vai ser fantástico.
Que o André Marques vai ser o defesa esquerdo com que há tanto tempo sonhamos.
Que o Abel nunca vai ser titular. E que continuar a insistir no Caneira a lateral foi só para baralhar os adversários.
Que o Vuk vai fazer uma época brutal e ser considerado a revelação da Champions depois de pregar três batatas ao Real.
Que vamos iniciar a época a dar um verdadeiro bailinho, na Choupana.
Veja-se bem, é até uma fase em que devemos acreditar que o tratamento conservador escolhido para o joelho do Izmailov foi uma excelente opção e que, daqui por uma semana, o rapaz não está a ser operado e a perder metade da época.

É com estes bonitos pensamentos que devemos encarar um dia de sol melhor que os últimos 15.
Quem estiver duas horas para conseguir chegar à praia, e outras tantas para estacionar, não pode parar de sorrir.
Porque temos que ser optimistas.
Porque ver 20 jogadores, juntos há dois anos e liderados pelo mesmo treinador, chegarem ao primeiro teste da época, frente ao “Trofense de Inglaterra”, e apresentarem-se quase sem fio de jogo e como se se conhecessem há meia dúzia de dias, não pode ser motivo para preocuparmo-nos.
Afinal, o optimismo diz-nos que o losango que, curiosamente, continuaria a manter-se em Alvalade caso o por muitos tão suspirado Jorge Jesus tivesse assinado a verde e branco, é a melhor táctica do mundo.

Peço-vos desculpa mas, talvez por não conseguir sorrir perante a hipótese de ir para a praia a um domingo, quero mudar um pouquinho desta história optimista.
Quero acreditar que o Paulo Bento vai acordar hoje, no hotel, e, por alturas do pequeno almoço, vai anunciar aos jogadores que “acabou o losango!”. Eles vão tremer, claro, até porque o losango é a melhor táctica do mundo, tão boa que qualquer treinador devia ter como máxima “losango forever!”
Mas o Paulo, homem de ideias fixas, não vai vacilar.
Vai colocar o Rui na baliza.
O Pedro Silva à direita, o Carriço e o Polga no meio e o André Marques à esquerda.
Moutinho e Veloso vão formar um duplo pivot, capaz de assegurar transições ofensivas e defensivas.
Vukcevic, Matias Fernandez e Izmailov (se o tratamento conservador se mostrar mais acertado que o losango), formarão uma linha de três, apostada em dar todo o apoio a Liedson.

E digo-vos mais. Depois de imaginar tudo isto, sinto-me capaz de ir dar um mergulho…

E porque não os putos?

leos

Para nós o ideal é ter 24 jogadores: 21 jogadores de campo mais três guarda-redes. Oito defesas, oito médios e cinco avançados. Se conseguirmos ter esses 24 jogadores, melhor. Se ficarmos só com 23 não há problema, fico satisfeito na mesma“, Paulo Bento, no final do jogo de preparação frente ao Atl. do Cacém.

As palavras do “mister” confirmam dois factos:
– estamos no mercado à procura de um avançado;
– o Paulo Bento é um porreiro e percebe melhor do que ninguém a constante crise financeira em que o Sporting parece viver;

Partamos, então, do pressuposto que não há dinheiro para trazer quem quer que seja.
Será que não faz sentido integrar Wilson Eduardo e Diogo Rosado na equipa principal?

Wilson é um avançado que quem acompanha as camadas jovens já apelidou de “Liedson dos júniores”, pela quantidade de golos que marca e o verdadeiro pânico em que deixa as defesas adversárias. No entanto, as características de Wilson Eduardo são bastante diferentes, talvez mais aproximadas das de Yannick, só que W mostra-se um pouco mais inteligente que Y. Não podemos esperar um jogador de área, antes um avançado talhado para jogar entre o central e o lateral impedindo, desde logo, que estes últimos se aventurem muito. Porquê? Porque Wilson Eduardo é bastante rápido e mostra uma característica que, quanto a mim, só encontramos em Vuk e Izmailov: diagonais capazes de desequilibrar.

Diogo Rosado, o 10 dos júniores, é craque. Não sei se será o “novo Pedro Barbosa”, se será melhor; sei que tem capacidade para fazer parte da nossa equipa principal. Médio ofensivo, talhado para jogar atrás do(s) avançado(s), Diogo Rosado estendeu o seu raio de acção ao lado direito do meio-campo, posição onde jogou praticamente toda esta última época. Visão de jogo acima da média, toque de bola que não engana, grande capacidade de passe, remate fácil e cerca de 1,85 de altura, características que, penso eu, justificam a entrada directa no nosso plantel, para além de dar-nos mais uma opção de um jogador para as alas (eu sei, eu sei, o Moutinho vai voltar a jogar como interior).

E se tivesse que escolher apenas um? Diogo Rosado, permitindo assumir de vez Vukcevic como parceiro de Liedson. Mas confesso que gostava de ver os dois na equipa principal, em vez de vê-los rumar ao Leiria ou ao Real Massamá…

p.s. – duas notas sobre o jogo/treino contra o Atl. do Cacém: foi agradável ver o André Marques de volta e ficar no ar a ideia de que o rapaz marca bem livres; fez-me sorrir a “vírgula” com que o Matias Fernandez brindou a assistência, no terceiro golo. Estou ansioso por vê-lo fazer o mesmo ao Luisão ou ao Bruno Alves.

E depois de Mat14s?

Confirmando aquilo que o Cacifo avançou em primeira mão e que algumas alminhas resolveram questionar pensando estar perante uma manchete de jornal desportivo manhoso, Matias Fernandez é confirmado como reforço do Sporting pela comunicação social.

É então altura de colocar uma pergunta: fará sentido comprarmos um avançado em vez de assumirmos, definitivamente, o Vukcevic como parceiro do Liedson? Não seria mais lógico comprarmos um médio que jogue na linha (já nem falo de reforçar a defesa, pois isso parece completamente posto de lado)?