Enquanto se fala no irmão do cabeçudo

Eu prefiro penar que o nosso primeiro reforço para a próxima época é Matías Fernandez.
Creio que o mérito deverá ser dividido entre Couceiro e o reforço psicológico operado pelo seleccionador chileno, Claudio Borghi (que já tinha dirigido Matías no Colo colo), aquando dos jogos frente a Portugal e à Colômbia (onde Matias marcou dois golos de livre e jogou sem amarras tácticas) , num duplo trabalho que, mesmo não sendo conciliado, nos permite ver, finalmente, um pouco do craque em quem tantas esperanças depositamos.

E, seja quem for o próximo treinador do Sporting, espero que não esqueça as indicações do homem que melhor parece conhecer Matigol. «É importante saber o que dizer a Matías, como tratá-lo. É um jogador que precisa de liberdade para mostrar o futebol que tem. Conheço-o desde que ele era pequeno e, esta noite (frente à Colômbia), era o único jogador que podia andar livre pelo campo».

Olha lá, oh Paulo Sérgio

O que é preciso para tu deixares de colocar o Maniche a titular?
Para perceberes que a equipa não funciona com três médios de características idênticas?
Para assumires que o André Santos é o médio fisicamente mais disponível, logo, tem que jogar? (já para não dizer que tem sido o mais regular ao longo da época)
Para meteres na cabeça que isto é o Sporting Clube de Portugal e que jogar com dois médios de contenção (Mendes e Santos) é o máximo que os adeptos toleram?
Para te deixares de merdas e estabilizares a táctica num 4-2-3-1, onde a figura central do 3 seja sempre o Matías ou o Valdés?

No fundo, custa assim tanto dares uma imagem um bocadinho melhor da tua pessoa enquanto treinador de futebol?

F5

(carregar na tecla refresh)

Esta é a sensação primeira à saída do jogo de apresentação. F5. Sportinguismo refrescado, uma surpreendente sensação de ruptura com o passado recente. F5. Cinco pontos, todos sobre futebol, o novo futebol do leão.

1- Fora-de-jogo
2- Bolas paradas
3- Duplo pivot
4 – Artistas
5 – Liedson

Fora-de-jogo – A filosofia da defesa assenta toda na subida dos quatro jogadores, para “empurrar” o meio campo na pressão e, mais importante, para forçar o fora-de-jogo alheio. Risco alto, a exigir máxima coordenação da defesa. Nos primeiros 15 minutos, foi o caos, com dois defesas centrais – Tonel e Torsiglieri – fortes na marcação mas lentos e pouco coordenados. Depois, mudou a táctica e começou-se a sacar fora-de-jogos, foram quase uma dezena em meia-hora. Na segunda parte, a equipa defendeu toda e a defesa foi poupada (e o adversário ajudou).

Bolas paradas – Há trabalho. Ofensiva e defensivamente. Temos finalmente alguém a marcar livres e cantos com critério e colocação, há livres directos estudados e, mais relevante, a defender houve poucos buracos na primeira parte e só alguns na segunda. Com o tempo, a tendência é melhorar. Pior que nas últimas épocas é impossível.

Duplo pivot – O treinador usou três tácticas, mudando-as a cada meia-hora. Nos primeiros 30 minutos, um 4-1-2-3, com Pedro Mendes (capitão) sozinho atrás. Não resultou, porque abria demasiados buracos a defender (Maniche e Veloso sem ninguém para marcar, ficavam muito subidos). E a atacar, o meio campo não dava linhas de passe. Paulo Sérgio mexeu e mexeu bem. Tirou Veloso (patrão a falar com os companheiros, mas completamente fora da equipa) e meteu Matias, recuando Maniche para o duplo pivot com o Mendes. A equipa melhorou instantaneamente, a defender de forma mais agressiva e coordenada e, a atacar, com dois “registas” alternados a alimentar, com futebol directo, os três artistas. Imagem que vale mil palavras: Maniche e Mendes saíram abraçados ao intervalo, a corrigir posicionamentos: são eles os novos líderes futebolísticos da equipa. Haja saúde…

Artistas – Vuk, Matias e Valdes. Durante os últimos 15 minutos da primeira parte e os primeiros cinco da segunda, o Sporting  jogou à bola. Com Maniche a dar uma dimensão nova ao futebol da equipa, a procurar jogar rápido e nos espaços vazios. E a procurar os artistas: Matigol, Vuk e Valdes, três jogadores que correm com a bola e ultrapassam adversários com facilidade. Valdes foi o melhor, mas também sem “bagagem negativa” com os adeptos. Matigol a distribuir mas ainda sem finalização. E Vuk, um renovado Vuk, pressionante, mais colectivo, sempre em diálogo com o treinador e na direita, como quer. Esta é a melhor versão do Sporting 2010-2011. É a luz ao fundo do túnel. Tem tudo para dar certo, com alternativas como Izmailov (???) e Salomão (está ali um Nani, se ele quiser e o deixarem). Tudo isto é muito giro, mas há um pormaior: Liedson

Liedson – É o herói incontestado de Alvalade. Está sozinho no coração dos adeptos. Basta entrar no relvado em direcção do banco para ser aplaudido e celebrado. Pode ser um problema. No estádio percebeu-se que não gostou de entrar a cinco minutos do fim e “obrigou” o preparador físico a confortá-lo quando Paulo Sérgio lhe disse que entraria daí a dois minutos. Mas, depois, entrou e viu-se logo. A equipa cresceu imediatamente. Mas já em 4-4-2, que tinha sido introduzido aos 60 minutos, com a saída do Matias e a entrada do Postiga e do Salomão. A grande incógnita deste Sporting é o entendimento geral entre Paulo Sérgio e o “cabeça de cartaz” da equipa. Se o treinador convencer o Liedson a jogar sozinho (precisa de trabalhar porque não sabe fazê-lo), a equipa ganha dimensão. Se for “forçado” a jogar no 4-4-2, a ladeira fica mais íngreme.

Fez-me bem ir a Alvalade. As primeiras impressões assustavam (estádio tenso, anti-clímax na apresentação, habitual ambiente de festa artificial) mas, com o tempo, a coisa foi-se compondo. A equipa ajudou. Há um novo Sporting. Ainda sobram “maçãs podres”, o Veloso, o Djaló e o Patrício parecem estar a mais. Involuntariamente, mas são os rostos de um passado que está a ser rapidamente enterrado. Polga sobrevive, Liedson é Liedson e o Vuk pode voltar a ser o Vuk. Falta outro médio centro, outro “artista” e um gajo que marque golos (o Pongole parece mais fresco, mas não rematou…). E um guarda-redes, se a Juve Leo continuar a assobiar o Patrício (outra sintonia com a direcção?).

“O Maniche, o Maniche. Que se foda o Moutinho, nós ficámos com o Maniche”. É o novo cântico da época. Um exagero emocional e claramente em sintonia com a direcção, mas ficou-me na cabeça. Como símbolo do novo Sporting, assente na rodagem de jogadores experientes em detrimento das bandeiras de jovens-velhos. F5. Refresh, o novo Sporting vem já a seguir, para o bem ou para o… costume.

Coisas que me “fazem espécie”

Enquanto o Titanic de Bento se afundava, um jogador teimava em não acompanhar a tendência da equipa e, ao contrário dos restantes, subia de forma. Fernandez, Matias Fernandez, marcou três em três jogos e, por alturas da saida do treinador, mostrava ser, efectivamente, uma mais valia.

Por tudo isso, existe uma pergunta que, agora, vejo-me obrigado a fazer: porque razão o craque chileno, que será a referência da sua  selecção no proximo mundial,  não tem lugar na Traineira de Carvalhal? Não consigo encontrar uma resposta que justifique tal cenário.

p.s. – tambem sou incapaz de encontrar justificação para continuar a apostar-se em Postiga, deixando Vuk no banco. Aliás, Carvalhal jogava com mais criativos em Setúbal e em Braga, do que agora que é treinador do Sporting.

O Cacifo na sala de imprensa (depois da vitória sobre o Paços)

Paulo, depois de, na antecipação ao jogo, ter afirmado que o Sporting tinha que mostrar desde o apito inicial que queria ganhá-lo, não o preocupa que, dando continuidade às exibições da época passada, os seus jogadores tenham feito, uma vez mais, figura de corpo presente durante a primeira parte? Não o preocupa que, se esquecermos os jogos com a Fiorentina, o Sporting seja incapaz de marcar golos durante a primeira parte e praticamente não crie uma única oportunidade?

Paulo, como justifica falar-se constantemente em imaturidade e ansiedade quando, olhando para o plantel, encontramos uma esmagadora maioria de jogadores que estão juntos há, pelo menos, três anos, habituados a jogar na Liga dos Campeões e responsáveis pelas conquistas de Taças de Portugal e Supertaças?

Paulo, acredito que tenha fica furioso com a forma desplicente como o João Moutinho marcou o livre directo com que terminou o desafio. Tendo o Sporting contratado um jogador especialista em lances de bola parada, Matias Fernandez, como se explica que esse mesmo jogador não tenha oportunidade de marcar um livre, um penalti ou, pelo menos, um canto, tendo em conta a produtividade nula do Sporting nesse tipo de lances?

Por último, Paulo, como explica que uma equipa que jogava em função das movimentações de Leandro Romagnoli, praticamente ignore a presença de Matias Fernandez em campo, um jogador imensamente superior ao argentino?

Stoj, Stoj, Stojkovic! Stoj, Stoj, Stojkovic!

No dia em que José Eduardo Bettencourt assumiu na totalidade a pasta do futebol leonino, parece-me pertinente abordar o primeiro caso que tem que resolver: o que fazer com Stojkovic, que ontem meteu a pata na poça no jogo contra a França?

Para lá das muitas ou poucas qualidades futebolísticas do sérvio, os factos são estes:
– Stojkovic tem um enorme ordenado, cerca de 700 mil euros/ano, o que tem impedido de ser contratado por outros clubes;
– Stojkovic aceita rescindir se lhe pagarem um ano de salários;
– Stojkovic estará, muito provavelmente, no próximo Campeonato do Mundo e será titular na baliza da selecção sérvia

Não importa agora questionar quem deu aval à contratação de um jogador com tal ordenado (sim, o Ricardo tinha saído e ganhava mais), sem ter-se dado ao trabalho de ponderar o facto de ter vários antecedentes disciplinares. Importa, isso sim, perguntar o seguinte? Damos-lhe 700 mil ou esperamos que o homem se valorize no próximo Mundial para tentarmos conseguir ter algum retorno do investimento feito?

p.s. – já que falamos em Bettencourt e em Mundial, seria bom que o nosso presidente e, agora, responsável pela pasta do futebol, pensasse em, na reabertura de mercado, ir buscar um companheiro de Matias Fernandez na selecção do Chile, o goleador Humberto Suazo (conforme já aqui defendeu o Jordão). Aos 28, perdido nos mexicanos do Monterrey, era menino para marcar 10 a 15 golos por época no nosso campeonato. E, se a defesa da selecção chilena não der barraca como deu ontem, com o Brasil (Suazo marcou dois golos), vai poder mostrar-se ao mundo no Verão de 2010.

Outro Hugo? Não, obrigado.

Eu não sei quem é o Hugo. Pronto, sei que joga no São Paulo. E também sei que trocou mais vezes de clube do que o Afonso Martins acertou na barreira quando tentava marcar livres directos. Assim de repente, não sei se pelo nome, temo que seja mais um para, no início da próxima época, estar a treinar sozinho à espera que lhe arranjem clube.

Curiosamente, este Hugo tem o mesmo empresário que Daniel Carvalho. Eu sei quem é o Daniel Carvalho. E tenho a certeza que seria jogador para fazer toda a diferença. Ao que parece, Daniel Carvalho gostava de jogar em Portugal, mas o salário que aufere na Rússia mostra-se um grande entrave à sua contratação. No fundo, regressamos a uma questão que coloquei aqui: devemos ou não investir a sério na nossa equipa de futebol?

A minha resposta é “sim”. Aliás, basta pensar que nos dois últimos títulos conquistados, teve que haver investimento em jogadores que faziam a diferença. Schmeichel, André Cruz e Jardel são apenas três dos nomes que contribuiram decisivamente para pintarmos Portugal de verde e branco e, parece-me, este foi um ponto esquecido nos últimos anos. É claro que bons jogadores custam dinheiro, mas também é verdade que com bons jogadores é mais fácil atingirmos o nosso objectivo. E, peço-vos imensa desculpa, mas acho muito pouco para o Sporting ficar orgulhoso com um segundo lugar ou, quando se fala em reforçar o meio campo, ver meia nação leonina gritar bem alto o nome de um jogador mediano como o Hugo Viana.

p.s. – por falar em jogadores que fazem a diferença, gostei de ver o Vuk partir a louça toda a jogar do lado direito (a assistência para o segundo golo da sua selecção fez-me imediatamente lembrar a assistância para o Postiga, no Restelo, em que a diagonal feita com o melhor pé faz toda a diferença) e a assistência brutal do Matigol para o primeiro golo do Chile, ele que na selecção não precisa de desgastar-se a recuperar bolas atrás de bolas. Será que existem parabólicas em Alvalade?