Um defeso diferente

«Que fique bem claro que nunca quis sair do Sporting, mas como sportinguista tive de o fazer». As palavras de Miguel Lopes soam bem aos meus ouvidos e encaixam, na perfeição, numa conversa que tive esta tarde.
Enquanto adeptos, obviamente que desejamos ver chegar jogadores que nos entusiasmem e que nos façam acreditar em algo. Também enquanto adeptos, pelos menos a maioria, fomos capazes de perceber que o recuperação financeira do Sporting implica uma verdadeira ginástica negocial e uma aposta em jogadores que, à partida, não se perfilam como capazes de fazer vender centenas de camisolas com o seu nome. Mas enquanto nós ansiamos por ver o plantel bem composto, há quem junte a essa tarefa uma outra não menos complicada: pegar numa vassoura, para limpar a herança deixada por uma direcção que usou, ao desbarato, todos os cheques.

A entrada de “Monteros” ou a renovação com “Brumas”, já de si complicadas, tornam-se ainda mais complicada perante um quadro em que, terminados os empréstimos, jogadores como Pranjic, Bojinov e Onyewu, voltam a ter os seus milionários ordenados pagos pelo Sporting. Perante um quadro em que Boulahrouz ou Jeffren representam um impensável peso na folha salarial (Labyad parece-me um caso bem diferente, face ao que acredito que pode render). E, nesse quadro, a venda do inacreditável Gelson, primeiro, e o empréstimo de Miguel Lopes, agora, representam dois momentos de grande importância recordando-nos que o arrumar da casa vai muito além do simples contratar.

Ainda o tal negócio inacreditável

«Sempre fui bem tratado no FC Porto e no Sporting. A ser verdade que o Lyon está disposto a contratar-me tenho a certeza de que tanto o presidente do FC Porto como o do Sporting, independentemente dos problemas que os clubes tenham, não vão colocar entraves a que eu jogue noutro clube e na Liga dos Campeões», Miguel Lopes in A Bola.

Segue-se novo capítulo de um dos mais inacreditáveis negócios da história do Sporting.

Não sei se ria, não sei se chore

«Acordo Izmailov prevê que os dragões possam vetar venda de Miguel Lopes abaixo dos 10 milhões de euros».
A frase está na capa do jornal A Bola, de hoje, e, a ser verdade, deixa-me com uma certeza: quando se é duro a negociar, fazem-se grandes negócios…

Giro…

«A análise ao caderno eleitoral do Sporting, que especifica todos os sócios que podem votar nas eleições do dia 23 de março, permite perceber que até os jogadores do plantel deixaram de pagar as cotas: pelo menos só dois atletas é que tinham a cota de fevereiro paga até 3 de março. […] No caso de Miguel Lopes o facto tem maior significado porque já era sócio do Sporting quando ainda representava o F.C. Porto. O lateral é sócio há mais anos do que Godinho Lopes, por exemplo, tendo seis votos contra cinco do presidente.», in MaisFutebol.