Betinho

Depois de dois golos ao Estoril, na Taça de Honra, dois golos ao Vitória de Setúbal, em jogo de preparação. Será que é desta?

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Para gravar nas paredes da Academia

tresputos

«Sinto-me muito bem, é a minha casa há já alguns anos […] Devo tudo aquilo que sou, enquanto jogador e enquanto homem, ao Sporting, porque foi aqui que cresci e que aprendi tudo», Ricardo Esgaio.

«A renovação significa que vou continuar a jogar no clube onde cresci, onde quero estar e onde quero afirmar-me enquanto jogador […] Tenho a consciência de que não seria o jogador que sou, se não tivesse crescido aqui», João Mário.

«Vim para o Sporting com 14 anos, deixei a minha família no Luxemburgo e vim sozinho para jogar futebol neste grande clube. Cresci muito aqui e esta é, sem dúvida, a minha casa […] Quero e espero vestir esta linda camisola por muitos anos», Mica

O futuro tem as nossas cores

Ganhar um derby, mesmo um que foi visto como menos interessante a partir do momento em que se soube que o interveniente vermelho deixava quase todos os ics de fora, é sempre saboroso. Fazê-lo com uma inequívoca supremacia, dois belos golos, jogadas de futebol corrido com elevada nota técnica e a garantida de que temos matéria humana para pintar o futuro com as nossas cores, tem um gosto ainda mais especial.

E foi isso que aconteceu, ontem, no António Coimbra da Mota. Os jovens Leões apanharam-se a perder com um golo de merda, aos seis minutos, mas foi quase como se esse golo não tivesse existido. Pegaram no jogo e manietaram um adversário onde o único argumento, durante os primeiros 45 minutos, foi um livre inventado pelo árbitro (a um metro da jogada) e as pauladas de um tipo cujo nome acaba em ic, mas cujo cartão de cidadão é português (é anedótico pensar que o rapaz é apontado como um exemplo da formação vizinha, tal como o outro, que Paulo Bento fez o favorzinho de levar ao mundial, e que vai voltar a ser emprestado). O golo de Nuno Reis, mais não fez do que trazer uma justiça mínima ao marcador.
O segundo tempo foi uma espécie de cópia do primeiro, com o adversário a ter uma única oportunidade de golo, e a refugiar-se na agressividade e nas constantes faltas para quebrar o ritmo imposto pelo Sporting. E nem faltou o penalti não assinalado, a derrube de João Mário. O golaço de Fokobo, foi uma condizente forma de mostrar a diferença visível durante os 90 minutos.

Quanto a destaque, é impossível não começar por João Mário. Claramente ainda sem o pulmão necessário para assumir as mudanças de velocidade (mas, segundo os vergonhosos comentadores da RTP, só o Almeida é que tinha começado tarde a preparação, por ter estado no mundial), foi o verdadeiro patrão da equipa e confirmou todas as esperanças que nele depositamos. À direita, um puto chamado Riquicho parecia ter o diabo no corpo e uma resistência inesgotável (apesar do estilo me ter feito lembrar o rufia Miguel), combinando bem com Esgaio (outra belíssima exibição, outro que, imagine-se, também esteve no mundial). Nuno Reis mostrou ser uma opção perfeitamente válida e Fokobo (que o parodiante contratado pelo serviço público televisivo, apelidou de bipolar) voltou a confirmar que é um monstro físico a quem só falta perceber que não pode, ao mesmo tempo, ser um Vieira e um Pirlo. Gostei de alguns pormenores de Iuri, mas ainda tem muita relva que percorrer. E seria injusto não falar na entrada de Viola, encontrado um único argumento para a sua saída: é complicado ter tanto miúdo bom, saído da formação, e justificar-lhe que este ganha 700 mil euros por ano. Ah, é verdade, Jeffren: consegui sentir pena da sua luta contra o fado que é a sua carreira, mas sinto mais pena de nós, que estamos há dois anos a pagar-lhe 1,5 milhões por época.

Uma palavra, final, para Abel. Há claramente trabalho seu na evolução desta equipa, mas destacaria, mais, as suas palavras, no final do jogo. A forma como se dirigiu aos jogadores e a Leonardo Jardim mostram que, face às dificuldades, há a clara noção de que o trabalho e a união de todos os que compõem a estrutura do futebol será uma arma inquestionável.
Eu acrescentaria que, face à falta de argumentos financeiros, foi-nos mostrado que o futuro não tem , forçosamente, que ser apenas preto. O verde e branco tem muita e boa gente preparada para vesti-lo com respeito e qualidade. Outros pudessem dizer o mesmo.

 

Chamada para Liverpool

Ian Ayre?
Sim!
Ouvi dizer que querem contratar o Tiago Ilori. É verdade?
Oh, sim! Absolutamente! É um enorme talento!
Sem dúvida que é. E acha que um enorme talento só vale 4,5 milhões de euros?
Bem… também não sabemos se ele virá a ser o craque que esperamos, certo?
É verdade. Mas, foda-se, o rapaz tem uma cláusula de 30 milhões!
Nós emprestamos um craque marroquino!
Já temos um, bem melhor do que o vosso…
Mas este é extremo!
Temos melhores.
Então, o que é que propõe?
15 milhões é uma boa base para começarmos a falar…
Está louco?!?
Não.
15 milhões, por um jogador que só tem mais um ano de contrato?!?
Porra, pensava que estava a falar com o Godinho…
What?!?
Nada, nada. Estava a pensar alto. Bem, vamos lá falar a sério.
Por esses valores não dá para falar… Ainda por cima, o Tiago já nos disse que quer vir para Liverpool.
Foi?!? Nem sabia que ele gostava dos Beatles… Mas sabe que não basta ele querer, certo? Pelo menos, enquanto tiver contrato…
Então prefere que ele venha daqui por um ano, a custo zero?
Não sei se daqui por um ano vocês ainda vão lembrar-se de um reserva da nossa equipa B…
Era capaz de fazer isso ao miúdo?
Tanto quanto vocês e o Zahavi são capazes de manipulá-lo…
Se calhar é melhor desligar…
Espere, tenho uma nova proposta.
Diga.
5 milhões mais o Sebastián Coates!
Fuck!
You!

 

Raispartaestamerda!

Consegui vibrar a sério com um jogo dos putos, o que é sempre bom. Talvez por isso esteja com uma azia do caraças. Durante 90 minutos demos um banho de bola, mas quiseram os deuses do futebol que a bola do Iuri acabasse na barra ou que, vá lá saber-se porquê, anulassem um golo ao Palhinha, entre tantas outras oportunidades perdidas. Esgaio, Iuri, Fokobo (alguém lhe diga que não tem pés para sair a jogar em drible) foram, quanto a mim, os destaques de uma equipa que nos deixa a certeza de termos muita matéria prima. Só não percebo, sinceramente, qual a justificação para Betinho e João Mário não estarem presentes num momento que podia entrar para a nossa história.
Ainda assim, parabéns, putos, pelo trajecto e pelo jogo de onde, onde justificavam um lugar na final.

p.s. – gostei de ver Abel e Tiago no banco. Jogadores que nunca me entusiasmaram, mas que, tal como hoje, sempre me transmitiram a ideia de profissionalismo. Bem diferente de ver Porfírios e companhia armados em projecto do que quer que seja.