Obrigado, uma vez mais

Ao que parece, Oceano está de saída do Sporting. Obviamente que Leonardo Jardim tem todo o direito de fazer-se rodear de uma equipa técnica por si escolhida, tal como de considerar que prefere trabalhar com outra pessoa, que não Oceano, na vertente de “elemento que assegura a ligação sentimental entre o plantel e o clube”. Já aqui o disse, e repito, muita falta nos tem feito um Manolo Vidal, alguém capaz de transmitir esse amor ao Sporting.
Esta nova passagem de Oceano pelo Sporting tem dois momentos: positivo, à frente da equipa B, esmagado pelo rolo compressor e sem coragem (ou tempo?) para introduzir ideias próprias, enquanto técnico da equipa principal. O terceiro, enquanto adjunto de Jesualdo Ferreira, passa a imagem da presença, tão necessária, desse Sportinguismo no banco de suplentes. Tenho a certeza que, em qualquer uma das fases, Oceano tentou sempre fazer o melhor que sabia e que podia. Daí, uma vez mais, o meu obrigado.

oceanoadeus

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Com quantos ovos se faz a omelete da estabilidade?

Quando: 31 de janeiro, um dos dias mais vergonhosos e patéticos da história do Sporting
Arma: ovos.
Alvo: vice-presidente da mesa da assembleia geral do Sporting.
Snipers de pacotilha: os dos mustafados comunicados.
Motivo: manter a estabilidade* no Sporting.

*Estabilidade
Qualidade de estável; Firmeza, solidez; Permanência; Equilíbrio; (nova entrada, em 2012) forma de encher os tímpanos a sócios e adeptos, na tentativa de manter um poder nefasto e bafiento 
Tudo começou há quase dois anos, numa noite que se arrastou madrugada dentro e se cravou na história do Sporting como um dos momentos mais negros da mesma. Era noite de eleições, as mesmas que, ainda hoje, permanecem envoltas em dúvidas. O recém-eleito Godinho Lopes pedia aos sócios e adeptos que colocassem de lado as divergências e que o deixassem cumprir um projecto que traria o Sporting vencedor de volta.
A turba acalmou-se, aplaudiu contratações, comprou camisolas e cachecóis, encheu Alvalade num jogo de apresentação onde nem faltou um pobre Leão branco metido numa jaula. A época começou mal, mas ninguém arredou pé. Uma onda de vitórias fez-nos acreditar que era possível conquistar algo. Puro engano. Na procura da estabilidade, que começava a ser manchado com episódios patéticos como o das paredes dos túneis ou a rábula da visita ao estádio dos orcs, Domingos é demitido. E Carlos Barbosa demite-se.

«Calma», pede Godinho, que anuncia Sá Pinto como o homem certo no lugar certo. A turba volta a responder positivamente e, mesmo que com dúvidas, aceita acreditar num nome que lhe falava ao coração. Canta-se bem alto o nome Sporting, numa madrugada passada no aeroporto, mas o grito final fica atravessado na garganta, em pleno Jamor. Pelo meio, Paulo Pereira Cristóvão, arrasta o nome do Sporting para uma lama com a qual temos tentado evitar sapicar-nos. Demite-se, não se demite, é demitido. Mas aqui, meus amigos, não se colocava em causa a estabilidade.

Nova época, novas promessas, zero futebol. O passar de de um sono agitado para um pesadelo. À saída de jogadores com carisma, junta-se uma série de exibições e resultados vergonhosos. Sá Pinto, o tal que tinha sido apresentado como o homem certo no lugar certo, é demitido. Atira-se Oceano para a fogueira, sem que se perceba se é ele que fica até final, se está ali de forma provisória (isso logo se veria, importava era a estabilidade). Passados quinze dias, de olhos esbugalhados, Godinho rouba a vassoura a Duque e dá-lhe tamanha varridela que Freitas vai por arrasto. Tal como o projecto que recuperaria o Sporting vencedor. «Meus amigos, sócios e adeptos, ao fim de um ano e meio de trabalho percebi como é que isto funciona. Basto eu, uma espécie de especialista e um treinador. Ninguém nos pára!», anunciou Godinho, enquanto os jogadores perguntavam a Oceano: mister, o mister é o mister ou vem outro mister?

Veio, pois que veio, um gajo que eu tinha na minha caderneta de cromos do México 86. Ex-jogador com pinta, Franky Vercauteren foi apresentado como um treinador vencedor e ideias condizentes com a do presidente. Era o homem certo para estabilizar o Sporting, apostando na formação. Desculpe?!? Sim, apostar na formação. É esse o caminho. É esse o projecto. Mas, calma, estava tudo planeado. Afundámos as contas do clube para deixar os miúdos crescerem, cheios de estabilidade, na equipa B. Agora que estão prontos, podemos despachar, a qualquer custo, estes gajos que custaram e recebem balúrdios, pois já se acabou o dinheiro para pagar estes ordenados. Mas, por favor, acreditem em mim e no meu trabalho. Só precisamos de estabilidade ade ade ade ade ade ade (o eco ouvia-se pela boca dos notáveis do costume).

Entretanto, enquanto Franky esperava pela chegada do adjunto, Godinho trazia Jesualdo Ferreira. Estabilidade. «Eu sou o treinador dos treinadores», disse o professor, que depressa viu que o aluno belga era caso perdido e, com a concordância do reitor, tratou de mandá-lo para casa, suspenso ad eternum. E sem telemóvel. «Estejam descansados que agora é que é», disse Godinho para, imagine-se, os muitos que ainda o queriam escutar ou, mais estranho ainda, para os que acreditavam que a culpa do Sporting estar a lutar para não descer era dos que assobiavam a direcção e questionavam o trabalho feito. Dos que não davam estabilidade, no fundo.

E, em busca dessa estabilidade, Jesualdo Ferreira deu uma conferência de imprensa que acendeu, ainda mais, os ânimos. A claque amiga fazia greve. A marcação de uma AGE, para dar voz aos sócios, estava em marcha. «Voz aos sócios?!? Para quê? Isso não traz estabilidade!», exclamou Godinho (ade ade ade ade ade ade, o eco ouvia-se pela boca dos notáveis do costume). Abre a janela de transferências e a estabilidade transforma-se em leilão. Em trocas e baldrocas. Em ameaças de impugnação, em anúncios de providências, em comunicados de uma claque transformada em guarda pretoriana. Jesualdo volta a ser voz de quem o contratou, reforçando que os jogadores precisam de paz para trabalhar. Mas qual paz, foda-se?!?, apetece perguntar, enquanto os exemplos de incompetência se vão acumulando.

Anuncia-se Niculae. De uma assentada, alegra-se o cada vez mais ferido coração dos adeptos e dá-se, finalmente, um parceiro a Wolfswinkel. Medida do cacete. «Presidente, isto vai dar merda», alguém alerta Godinho. «Oh, anuncia lá o gajo no site. Olha lá, já limparam a foto do russo com a camisola do porto, não já?». O gajo, Marius Niculaeu, é anunciado. Mas não vem, porque ninguém sabe se pode jogar. «Musta, manda lá uns quantos gajos aterrorizarem o cabrão do Sampaio e quem mais por lá estiver, que eu vou ligar ao gajo que eu tenho como exemplo, para ver se desenrasco esta «estória» do avançado. Duvido que o meu amigo me deixe na mão. Olha, olha, e leva uns ovos. Vamos mostrar a estes gajos, como é que se cozinha a omolete da estabilidade!»

Foram Oceanos de amor…

E se o próximo treinador do Sporting for… o que lá está?
A pergunta pode parecer parva, mas duvido que não tenha já passado pela cabeça de grande parte dos Sportinguistas., tendo em conta a demora na apresentação do novo treinador.
Por esta altura, tenho a certeza de que quem gere o nosso futebol nunca equacionou a saída de Sá Pinto. E o único plano B disponível era em tudo semelhante ao utilizando aquando da saída de Domingos. É estranho, amador, diria mesmo, até porque bastava ver o que aconteceu frente ao Estoril para ter a certeza que o resto da semana, na Hungria e no Dragão, não traria milagres.

O que mais me custa, sinceramente, é que se continuem a aproveitar de pessoas que amam o Sporting e que não são capazes de dizer que não perante o desafio de tentar salvar a pele do Leão. Pena não perceberem, que são outras as peles que tentam salvar-se em primeiro lugar. Agora, Oceano, com aquela sua paixão expressa na forma como tentou motivar Viola, segundos antes da substituição. A permanecer como treinador principal, acabámos de contratar o homem que levou a nossa equipa B à liderança da segunda liga (à frente de um tal de Mitchell van der Gaag, que alguns adeptos gostariam de ver em Alvalade).
Resta saber se uma solução de recurso, se revelará a solução salvadora.