Acorda, Sporting!

«O Olhanense prepara-se para fazer um encaixe financeiro importante com a receita de bilheteira do jogo com o Sporting, domingo, no Estádio Algarve. A corrida aos bilhetes tem sido tal que os responsáveis já perspectivam a maior assistência de sempre.», in A Bola.

A onda verde continua a crescer e aproveito para lançar o desafio à direcção: organizar viagens, aos preços das que existem para claques, que levarão os Leões a todos os estádios do país!

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E tu, acreditas?

Eu percebo perfeitamente que a campanha do Sporting, bem como grande parte das exibições, contribuam para que a crença vá aumentando. Talvez seja essa deliciosa ilusão que ajude a explicar a facilidade com que se passa da euforia à quase depressão. Um exagero, diria eu, principalmente quando se começa a disparar em todas as direcções.

Há, para mim, um exemplo perfeito. Carrillo.
Quando é utilizado como arma secreta diz-se que devia ser titular. Quando é titular, diz-se que rende mais quando entra com o jogo a decorrer. Quando não joga de início diz-se que faz falta a sua rebeldia e o seu repentismo. Quando é titular diz-se que ainda tem um longo caminho a percorrer e que o seu futebol é muito inconsequente. No meio, o treinador, que acaba por nunca tomar a opção correcta (mesmo quando a opção se revela quase perfeita, como aconteceu no domingo, em Coimbra, onde a saída de Capel e a subida de Insua deram flanco esquerdo à equipa).

Vem este texto a propósito, precisamente, do jogo de domingo. O empate soube a derrota, pois que soube, até porque as oportunidades para ganhá-lo foram mais do que muitas. Mas será motivo para colocar tudo em causa? Temos estado a jogar bem e a ganhar, pois que temos, o que contribui para aumentar a ilusão de regresso às grandes vitórias. Mas será motivo para esquecermos que, praticamente começámos de novo. Será motivo para esquecermos que, entre lesionados em segundas opções medianas, a manta pode revelar-se curta de cada vez que dois ou três dos melhores jogadores tiverem um dia menos bom? Será motivo para esquecermos que a ideia passa por manter esta equipa, boa, diga-se, fazendo-a crescer e reforçando-a de forma cada vez mais acertada e precisa? E, mais, será motivo para esquecermos que por esta altura, nos últimos dois anos, já estávamos a uma dúzia de pontos do primeiro lugar e a praticar um futebol que nos fazia suplicar pelo final da época, enquanto atirávamos nomes de possíveis novos treinadores?

Ora foda-se, perante o que já vi este ano, perante a ideia de que vamos recuperar jogadores muito importantes e perante a possibilidade de nos reforçarmos com jogadores que possam fazer a diferença, seria patético estar a atirar a toalha ao chão. Se os jogadores acreditarem tanto quanto eu, amanhã damos mais um passo no processo de crescimento que nos quer incutir o hábito de vencer. Já agora, permite-me perguntar-te: e tu, acreditas?

Os vizinhos

O S é um gajo porreiro. Vive no terceiro andar.
Dois pisos abaixo vive o B, um gajo cujo lado porreiro é invariavelmente manchado por uma estranha postura perante a vida.

O B adora dar nas vistas. Tornar-se no centro das atenções, quando está em festas ou em grupos maiores de pessoas, nem que para isso tanha que falar alto, rir ainda mais alto, ou puxar de uma boca mais boçal. Importa é que se riam, que olhem para ele, que falem dele. Mesmo que, depois, o gozem. No final do dia, diz que tem um porradão de amigos, que conhece este e aquele e que todos gostam dele (e que quem não gosta é parvo “comamerda”).
O S não pretende forçar a sua visibilidade. Integra-se, observa, deixa-se observar. Sorri, sem gargalhar de forma estridente. Quando sente necessidade, assume a sua opinião e pontos de vista e, se vir que faz sentido, conta uma piada com efectiva piada. Marca as pessoas aos poucos e assume, desde cedo, que ou gostam dele como é ou escusam de esperar que se faça passar por mais uma ovelha de opinião volátil.

O B adora poder exibir o último gadget da moda, mesmo que utilize o último smartphone unicamente para fazer chamadas ou o mais fino tablet apenas para consultar o e-mail. A roupa, para ele, tem que deixar bem à vista a marca. E, quando não a deixa assim tão visível, ele próprio faz questão de aproveitar a mínima ocasião para publicitá-la. Conta a toda a gente que foi aqui e ali. Mesmo que não lhe perguntem. E, se for caso disso, deixa no ar a ideia de que, quem não foi ou não conhece, é isto e tal e o camandro.
O S também gosta de gadgets e de restaurantes porreiros. Aparece com o gadget sem dizer nada, preferindo que alguém diga “ah e tal compraste isto”. Vai aos restaurantes porreiros, mas evita repetir quatro vezes por semana que já lá foi (há coisa que fazem sentido quando surgem em conversa).

O B fica lixado quando sente que algum chico esperto está a ser mais chico esperto do que ele. Critica, oh se critica, mas o que está ali latente é uma irritação desencadeada pelo facto de alguém chegar mais longe do que ele, mesmo que por caminhos manhosos, dissimulados, graxistas ou intrujões.
O S abomina chicos espertismos, lambe botismos e intrujices, o que já lhe valeu ser apelidado de parvo pelo B e sus muchachos. Mexe-lhe com as entranhas colocar no cesto do “tudo a €2,99” as suas ideias e os seus princípios. O seu objectivo é afrontar este sistema onde o melhor não é quem o é efectivamente, mas o que apanha o expresso da vergonha e, ao chegar lá acima, ainda tem a desfaçatez de dizer que foi por mérito próprio.

O B fala de gajas à boca cheia. Mais ou menos ficcionadas, as suas histórias devem impressionar. E acha que a postura “olha, a minha pila está aqui e aposto que tu a queres” é a melhor para impressionar a população feminina. Até porque as mulheres são todas iguais.
O S tem noção de que cada gaja é uma gaja. Impressiona-as por deixar transparecer que a pila está, efectivamente, ali, mas que isso não se trata de um mero desenvolvimento da distinção natural dos géneros.

Como não poderia deixar de ser, o B e o S têm clubes diferentes. Clubes com os quais se identificam. Clubes onde encontram uma ramificação dos seus valores e da sua forma de estar.
Como não podia deixar de ser, o B acha que todo o mundo adora o seu clube, que o veneram, que o respeitam, que ninguém ganha mais do que ele, que por mais provas que existam o seu clube sempre ganhou em campo e nunca por outras vias. São os maiores do mundo e são e são porque os jornais dizem que sim (o B gosta muito de jornais que digam coisas bonitas sobre o seu clube pelo menos seis vezes por semana). E, fanfarrão como é, anda há mais de uma semana a dizer aos que são do clube do seu vizinho S que, no sábado, menos de três é derrota (e repete-o, de cada vez que se cruza com o vizinho no elevador ou nas escadas).
O S tem noção da dimensão do seu clube, tanto em termos de adeptos como de historial. E orgulha-se disso. Agradece aos céus não ter nascido virado para o lado B, porque só mesmo na música é que isso reporta a agradáveis surpresas. Acredita, de forma algo naif, que um dia o futebol vai resolver-se apenas nas quatro linhas. E também acredita que, no sábado, o seu clube vai ganhar, preferindo partilhar antevisões com os que lhe são mais chegados ou adeptos das mesmas cores.

Escusado será dizer que, se ganhar no sábado, o S irá cumprimentar o B com um sorriso trocista. E, sempre que assim se justificar, fazê-lo conter a fanfarronice com memórias recentes.
Se acontecer o contrário, o B fará questão de dizer ao S que já se estava à espera, que o seu clube é o maior e que “eu tinha-te avisado”. E, ainda, que o campeonato está no papo.
Estranhamente, o S continuará com um sorriso trocista. E, isso, é algo que sempre fez e continuará a fazer uma enorme confusão ao B.

Verde e branco

Do andebol, esmagando o Benfica de uma forma que o resultado não espelha, passando pelo banho de bola dado pelos nossos meninos, ao Liverpool, na Next Gen (há ali uma mão cheia de putos que, bem aproveitados, ainda nos podem dar muitas alegrias. E quem quiser ver o resumo e dois golos fenomenais, pode clicar aqui ), terminando no futsal, com uma vitória, por 5-3, a abrir a UEFA Futsal Cup (e hoje há mais).

Creio que não haveria melhor forma de contagiar-nos a todos para dois meses em que muito estará em jogo. Começamos domingo, em Alvalade, recebendo o Braga para a Taça de Portugal. A vitória, em que todos acreditamos (e já há uma t-shirt à venda, no site oficial, para deixar o estádio mais verde), será um enorme tónico para a visita à Luz, no sábado seguinte.
Seguem-se dois jogos em casa, de vitória obrigatória (Zurique e Nacional da Madeira), e uma ida ao Olímpico de Roma, onde acredito que o Domingos tenha um dilema entre colocar a melhor equipa ou poupar jogadores para a deslocação a Coimbra, três dias depois. O campeonato é interrompido, para celebrar-se o Natal, e recomeça com um Sporting-Porto e uma ida a Braga.

Ora, escusado será dizer que, para além de afastar os arsenalistas da Taça e confirmar o primeiro lugar na Liga Europa, será fundamental conquistarmos, no mínimo, 10 a 12 pontos dos 15 que vão estar em disputa. E eu acredito.

p.s – não percebo o que o Onyewu foi fazer à selecção, quando podia ter ficado a recuperar em Alvalade. E já cheira mal ver o Matías regressar do Chile directo à enfermaria.

O alarme

«Aguentou o embate, é verdade, e até ampliou a vantagem no único remate, de penálti, de Van Wolfswinkel, mas soou o alarme».

Foi desta forma que Vitor Rodrigues, jornalista do jornal O Jogo, resolveu rematar a sua crónica sobre o Sporting – Leiria. Diz, também, o tal do Vitor, que o Sporting não pareceu capaz de resolver a ausência de Rinaudo. E que fez uma exibição aos tremeliques. E tal, e tal e coiso.
Entretanto, e pela segunda semana consecutiva, tentou passar-se a mensagem de que o Sporting tinha tido uma “ajudinha extra”. Cajuda choramingou, os jornais debulharam-se em pratos. Que o João Pereira devia ter sido expulso. Que o penalti foi uma invenção do árbitro. Azar, o dos chorões, porque todas estas teorias de merda caem pela base quando se chega à conclusão que, logo aos 13 minutos, o Leiria devia ter ficado a jogar com menos um (e, nessa altura, já estava com uma batata, e que batata, enterrada na peida).

Posto isto, só um artolas podia esperar que, em dois dias, Domingos desse a volta à ausência de vários jogadores, três deles titulares de caras (Rinaudo, Ogushi e Insua) e, ao mesmo tempo, limpasse da cabeça dos jogadores os resquícios de uma derrota. O Sporting sofreu? Sim, sofreu. Mas, parece-me, fez 15 minutos inciais onde até podia ter decidido logo o jogo e fez uma partida daquelas que pode valer títulos. Porque, ao contrário do que os Vitores Rodrigues desta vida estavam habituados, o Sporting foi capaz de aproveitar deslizes dos concorrentes diretos.

Mas há mais. Pese o frete de Vaslui e o sofrimento de domingo passado, o Sporting, à semelhança do Braga e ao contrário de Porto e Benfica, tem vindo a crescer como equipa e em termos exibicionais (e, atenção, nem só quando se goleia se joga bem). E, tão ou mais importante, o Sporting apresenta-se, hoje, como um clube menos aberto ao exterior e com os profisionais e os adeptos a comungarem de um mesmo estado de espírito.

A imagem com que fecho o post, mostra isso mesmo. As lágrimas de Capel, provocadas pela queda dos adeptos, são tão salgadas como as que correram pelas faces e almas destes últimos, a quando da lesão de Rinaudo. A t-shirt que Capel tem vestida, revela uma surpresa que estava preparada para Fito, caso o espanhol tivesse marcado e, mais, revela uma união no balneário que tem ficado bem expressa nos festejos dos golos. No fundo, respira-se algo de especial em Alvalade. Não admira por isso que, para muito boa gente, tenha soado o alarme.