Um defeso diferente

«Que fique bem claro que nunca quis sair do Sporting, mas como sportinguista tive de o fazer». As palavras de Miguel Lopes soam bem aos meus ouvidos e encaixam, na perfeição, numa conversa que tive esta tarde.
Enquanto adeptos, obviamente que desejamos ver chegar jogadores que nos entusiasmem e que nos façam acreditar em algo. Também enquanto adeptos, pelos menos a maioria, fomos capazes de perceber que o recuperação financeira do Sporting implica uma verdadeira ginástica negocial e uma aposta em jogadores que, à partida, não se perfilam como capazes de fazer vender centenas de camisolas com o seu nome. Mas enquanto nós ansiamos por ver o plantel bem composto, há quem junte a essa tarefa uma outra não menos complicada: pegar numa vassoura, para limpar a herança deixada por uma direcção que usou, ao desbarato, todos os cheques.

A entrada de “Monteros” ou a renovação com “Brumas”, já de si complicadas, tornam-se ainda mais complicada perante um quadro em que, terminados os empréstimos, jogadores como Pranjic, Bojinov e Onyewu, voltam a ter os seus milionários ordenados pagos pelo Sporting. Perante um quadro em que Boulahrouz ou Jeffren representam um impensável peso na folha salarial (Labyad parece-me um caso bem diferente, face ao que acredito que pode render). E, nesse quadro, a venda do inacreditável Gelson, primeiro, e o empréstimo de Miguel Lopes, agora, representam dois momentos de grande importância recordando-nos que o arrumar da casa vai muito além do simples contratar.

Enfim…

Dizem que Ogushi Onyewu ganhava muito dinheiro. E que falou grosso para o Sá Pinto. Num misto de contenção de custos e de gestão desportiva patética, emprestou-se o Capitão América ao Málaga. Veio um holandês, que também ganha muito, não joga um caracol e está sempre lesionado. Veio um argentino que é defesa esquerdo, mas que alguém julgou ser capaz de adaptar a central. Ficou um brasileiro que vive dos louros de um golo de calcanhar, ao City, mas que terminará a carreira ao nível de Gladstone. E um português que é mais trinco do que central, mas que, face ao quatro apresentado, tinha lugar sem espinhas no centro da defesa (ele e o Polga).

Agora, o brasileiro que, já se sabia, nunca seria contratado a título definitivo, vai para a Rússia. O português já cá não está. O holandês está lesionado (a sério?!?). E o argentino continuará a ser adaptado. Conclusão? Valia tanto mais pagar o ordenado ao Ogushi, não valia?

Ironias da vida

Rojo, que custou 4 milhões, tem feito merda atrás de merda. Boula, o patrão da defesa, não escapa às paragens cerebrais. Se houvesse um pingo de vergonha na cara, o matreco Xandão, o tal que, espero, nunca será contratado por três milhões, não voltava a calçar depois de mais uma tirada vergonhosa do seu empresário. Sobra Carriço, o tal que é melhor trinco do que defesa central, e os putos da B.
Depois acham estranho que eu continue a dizer, que não percebo a dispensa de Ogushi?

Eu vou ter saudades

Não valerá a pena estar, novamente, a dizer o que penso sobre Ogushi Onyewu (quem estiver interessado, pode ir aqui ou aqui). Gostaria, apenas, de dizer, que penso que ficamos mais fracos e que essa perda vai para além das quatro linhas. Ou, se preferirem, acho curioso que andemos sempre a dizer que queremos formar homens de carácter e, depois, tudo façamos para ver um pelas costas. Siga a dança, não sem antes recuperar algumas das palavras que me foram cativando.

«R – Dá ideia de que o Onyewu já é um dos líderes do grupo e…?
O – [interrompendo] Por que é que diz isso?
R – Sobretudo pela postura com que se apresenta em campo e pela forma como os seus companheiros se relacionam consigo.
O – Talvez… Quando assinei pelo Sporting, um dos meus objetivos era emprestar a minha experiência a esta equipa. Mais ainda porque sabia que iríamos formar um grupo muito jovem. Acredito que a minha imponência física possa sugerir que sou um líder, mas eu prefiro deixar isso de lado. Quero e gostava de servir como um exemplo, mas sem dar nas vistas. Isto porque acredito mesmo que a melhor forma de liderança surge quando somos respeitados sem termos de nos impor, sem termos de obrigar seja quem for a respeitar-nos. Prefiro não falar e deixar que as pessoas vejam quem eu sou através dos meus atos, do meu comportamento.
in Record»
«Como vive o ambiente de Alvalade?
Há anos que o Sporting não ganha um grande título, mas os adeptos continuam a apoiar. Não é comum noutros países. Não vou dizer nomes, mas há alguns em que, quando não se ganha, os adeptos se revoltam e querem trocar toda a gente. Gratificante no Sporting é que os adeptos acreditam nos jogadores e, além disso, não se esquecem do bem que fizemos pelo clube. Eles são o tipo de adeptos para os quais eu quero jogar: entendem de futebol, percebem as condições e os momentos bons e maus. Gosto muito disso.
Como lida com a sua imagem de jogador forte, duro?
Muito bem. Toda a gente me tem aceite, até me chamam Capitão América…
Não gosta?
Adoro, é sinal da confiança que têm em mim. É excecional, não me podia sentir mais confortável. Quando me perguntam como me sinto aqui, digo que já não me quero ir embora [risos]. Adoro este país, o Sporting. Todos têm feito tudo para eu me sentir confortável, e tento compensar com futebol. As pessoas apreciam o trabalho honesto.
in O Jogo»

Born in the USA

O que é que Rodriguez, Luis Aguiar e Bojinov têm em comum com Ogushi Onyewu?
Nada, responderia eu, olhando para o rendimento desportivo.
Tudo, responde quem gere o meu clube, olhando para a folha salarial.

E, com esse argumento, deixa-se o homem fora da convocatória da pré da Liga Europa, para ver se nos próximos 15 dias se encontra forma de despachar aquele que, há um ano, chegou a Alvalade rotulado de solução para os nossos problemas no jogo aéreo. No meio deste cenário, quer-me parecer que a opinião de Sá Pinto, o treinador que preferiu o americano a Xandão assim que o primeiro regressou de lesão, pouco vale. Quanto à opinião dos adeptos, infelizmente, aquilo que vai sendo comum: depois do jogo de apresentação, contra o Valência, era uma valente merda. Assim que regressou e a defesa estabilizou, já era um ídolo. Agora, a maioria, diz que não podemos ter gajos a ganhar muito e a jogar poucas vezes. Que já tem 30 anos. que se lesiona. Que é lento. Que só serve para jogar de cabeça.
Voltou a ser uma merda, portanto. Como se despachar o único central do plantel que me lembro de ver fazer golos de cabeça, já para não falar do respeito que sempre mostrou pelo Sporting, fosse mais importante do que questionar as negociatas envolvendo os nomes acima citados, que devem ter enchido os bolsos a muito boa gente (enquanto esvaziavam os cofres do clube todos os meses).
Raios partam esta gestão desportiva a que estamos sujeitos e raios partam a ingratidão de quem ocupa as bancadas.

Questão central

Oguchialu Chijioke Onyewu, também conhecido por Ogushi, está nas bocas dos adeptos leoninos.
O motivo? Os rumores de que pode estar de saída.
A minha opinião? Ogushi é o parceiro ideal para Rojo. E, para mim, é titular de caras.
Porquê? Porque tem características únicas. Porque varre tudo o que é bola pelo ar. Porque é um líder por natureza. Porque é uma das vozes do treinador dentro de campo e uma das que mais se fazem respeitar no balneário. Porque equilibra um plantel recheado de sub-25. Porque intimida os adversários. Porque marca golos. E, basicamente, porque é melhor do que Xandão, Boula e Carriço.
Resumidamente: seria ridículo deixar sair Ogushi. Principalmente para deixar entrar um qualquer Donk desta vida.

actualização: esqueci-me de um pormenor incontornável: desde que chegou, Ogushi parece ter percebido o espírito do Sporting e enquadrou-se perfeitamente nele. Gosta do clube, identifica-se com ele e promove esse estado de alma verde e branco. Coisa pouca…

actualização 2: ah, outro argumento para poder dispensá-lo: ganha muito. Então andámos anos a encher o cu a Postigas e Evaldos, entre outros, e, agora, ao fim de um ano, querem correr o americano para aliviar a folha salarial?!? Estou farto desta gestão de merda e destes adeptos que pactuam com a mesma, caralho! Se é para mandar embora, que se abra a porta aos que encheram os bolsos (seus e deles) com as contratações de Purovics, Gladstones, Farneruds, Maniches, Evaldos, Pongolles, Luises Aguiares, Rodriguez e outros que tal!

Espírito e personalidade

«Ainda tenho 18 anos, preciso de tempo de adaptação, ganhar experiência, tranquilidade e trabalhar todos os dias. Estou muito feliz por ter vindo para Lisboa e estou cada vez mais adaptado». As palavras são de Diego Rubio, jogador que praticamente não tem tido oportunidade de jogar, e reforçam o espírito de equipa que, a cada semana, é transmitido aos adeptos. É inegável que as vitórias promovem o bom ambiente, mas não é menos verdade que mesmo no mau arranque de época as vozes que se ouviam iam no sentido de fortalecer o grupo.
Outro bom exemplo é Bojinov que, a cada intervenção, nunca deixa de colocar o grupo em primeiro lugar, pese a azia que lhe deve dar não ser titular. E, ainda no Domingo, vimos Wolfswinkel ser homenageado e não perder a oportunidade para reforçar a crença na conquista de títulos, a alegria por ter escolhido o Sporting e a vontade de continuar de Leão ao peito.

E a propósito de homenagens, não deixa de ser significativo a forma como Capel, Schaars e Wolfswinkel têm sido recordados nos seus anteriores clubes. Excelente profissionalismo, qualidade acima da média e personalidade são, quanto a mim, a justificação para essas homenagens e fazem-me acreditar que a política de contratações levou em linha de conta algo que ia fazendo falta pelas bandas de Alvalade.

Verde e branco

Do andebol, esmagando o Benfica de uma forma que o resultado não espelha, passando pelo banho de bola dado pelos nossos meninos, ao Liverpool, na Next Gen (há ali uma mão cheia de putos que, bem aproveitados, ainda nos podem dar muitas alegrias. E quem quiser ver o resumo e dois golos fenomenais, pode clicar aqui ), terminando no futsal, com uma vitória, por 5-3, a abrir a UEFA Futsal Cup (e hoje há mais).

Creio que não haveria melhor forma de contagiar-nos a todos para dois meses em que muito estará em jogo. Começamos domingo, em Alvalade, recebendo o Braga para a Taça de Portugal. A vitória, em que todos acreditamos (e já há uma t-shirt à venda, no site oficial, para deixar o estádio mais verde), será um enorme tónico para a visita à Luz, no sábado seguinte.
Seguem-se dois jogos em casa, de vitória obrigatória (Zurique e Nacional da Madeira), e uma ida ao Olímpico de Roma, onde acredito que o Domingos tenha um dilema entre colocar a melhor equipa ou poupar jogadores para a deslocação a Coimbra, três dias depois. O campeonato é interrompido, para celebrar-se o Natal, e recomeça com um Sporting-Porto e uma ida a Braga.

Ora, escusado será dizer que, para além de afastar os arsenalistas da Taça e confirmar o primeiro lugar na Liga Europa, será fundamental conquistarmos, no mínimo, 10 a 12 pontos dos 15 que vão estar em disputa. E eu acredito.

p.s – não percebo o que o Onyewu foi fazer à selecção, quando podia ter ficado a recuperar em Alvalade. E já cheira mal ver o Matías regressar do Chile directo à enfermaria.

Unhas encravadas

Elias e Matías são compatíveis?
Domingos tem gerido com mestria os vários estados de alma do balneário. Basta recuar ao último jogo e recordar a entrega da braçadeira a Daniel Carriço, numa forma de motivar ainda mais um jogador que vinha de marcar no regresso à titularidade. E, a bem dessa gestão, Matías, motivado pelo bom jogo na Liga Europa, manteve a titularidade nos jogos da Liga, ocupando o lado direito do meio-campo a meias com Elias e com João Pereira. Ganhámos, é verdade, mas parece-me que ficamos sempre a perder. Matías será compatível com Elias num meio-campo onde ambos joguem no centro, mas a equipa e o próprio jogador ficam a perder quando o chileno é encostado à linha direita. O que Capel faz à esquerda, alguém terá que fazer à direita. Carrillo ou Jeffrén, com Pereirinha à espreita, são donos do lugar e ponto final.

Jeffrén
O cabrão do 7 voltou a afzer das suas pelas bandas de Alvalade. Agora que parecíamos estar a renovar o brilho dessa camisola através da recuperação de Bojinov, somos surpreendidos pelo calvário do número 17. E surpreendidos será um tanto ou quanto subjectivo, pois ao que parece os problemas musculares não são de agora. Estou-me a cagar se o rapaz precisa de acompanhamento psicológico, se tem uma formação muscular de atleta de velocidade, se isto se aquilo. Sei que o departamento médico não ficou lá muito bem na fotografia e que a equipa está a ser prejudicada pela ausência de um talento inegável. Há que resolver esta questão o mais depressa possível e, tanto por nós como por um jogador muito acima da média com apenas 23 anos, quando Jeffren voltar a jogar é para fazê-lo várias semanas seguidas.

Rodriguez
Mais um jogador com um historial de lesões que explica o porquê de passar mais tempo de fora do que a jogar. Domingos confia nele, por isso o trouxe de Braga, e é um jogador que, para além da experiência e de ser dos quatro centrais o mais talhado para jogar à esquerda, nos torna mais fortes no jogo aéreo. A novela das idas à selecção, onde as lesões parecem desaparecer por obra e graça dos espíritos de Machu Picchu, só servem para que os adeptos o olhem de lado e, cada vez mais, se questione a necessidade de, em Janeiro, trazer outro central (para mim isto nem se questionava. Era trazer um que pegasse de estaca ao lado do Onyewu).

Rinaudo
É vergonhosa a perseguição de que está a ser alvo. Os dois últimos amarelos só são aceitáveis à luz de uma campanha que visa deixá-lo de fora do derby, e deixam Domingos com uma dúvida por resolver: colocá-lo, ou não , frente ao Leiria? Eu confesso que o deixava de fora e até era capaz de experimentar colocar Elias ou Schaars a trinco, recuperando Matías para o meio. É que a teoria de que, vendo um amarelo, pode forçar o segundo e ser expulso (cumprindo o castigo contra o Braga, para a Taça) é muito bonita se pensarmos que vamos ter um jogo que permita ficarmos com menos um de propósito. Para além de que, à partida, será mais complicado receber o Braga do que o Leiria.