Quem dá o que tem…

Sinto-me com todas as condições para desempenhar o meu trabalho […] Quem trabalha diariamente e dá o máximo, não tem de pedir desculpa“, Paulo Sérgio.
Ok, Paulo, ninguém diz que não estás a dar o teu máximo. O problema é que esse máximo é pouco para um clube como o Sporting.

Por mim, chega!

Tínhamos feito o mais difícil, não tivemos maturidade e inteligência, mesmo com dez, para guardar o resultado […] Também acredito que o Maniche está arrependido da asneira que cometeu. Conto com ele para dar maturidade, essa maturidade que faltou após expulsão“, Paulo Sérgio.

A árvore e a floresta

Diz-se “não se deve confundir a árvore com a floresta”. No desdentado Sporting deste ano, essa máxima é totalmente válida, mas ao contrário. O treinador pediu um pinheiro, um homem-golo que concretizasse as várias oportunidades que a floresta consegue criar. A floresta não se confunde com este pinheiro em particular, mas devia. Sem uma árvore frondosa no ataque, a floresta não só é confundida, como fica confusa, enfraquecida, descrente, à beira de arder totalmente num qualquer incêndio mais descontrolado, seja na capital do móvel, seja na Bavária de outros deprimentes tempos.

É de uma imbecilidade atroz, de uma incompetência gritante, arrancar para uma época com um ataque formado por um velho Liedson, um atarantado Djaló e duas contradições futebolísticas, como os avançados-sem-golo Postiga e Saleiro. Gastaram-se milhões que não existem para reforçar a defesa com um central em adaptação ao futebol europeu, com um médio ofensivo igual aos que já tínhamos, um médio centro para substituir os proscritos, com laterais que fazem bons arranjos florais, mas não dão lenha para aquecer nas noites longas de Inverno. Para o pinheiro, segundo nos disseram, não houve oferta para responder à procura.

Não percebo – e não é uma afirmação coloquial, não percebo mesmo – como é que a prioridade desde o primeiro dia de funções deste director desportivo, deste presidente, deste treinador, das meninas da secretaria, dos rapazes da segurança, dos meninos dos bares, dos técnicos de equipamentos, dos conselheiros leoninos, de toda a gente que trabalha no clube, a prioridade, dizia, não foi a contratação de um ataque totalmente novo, para que o Liedson passasse a ser apenas parte da floresta e não a Árvore. Porque ele já não é a Árvore, se calhar nunca foi. Mas agora não é de certeza. A questão já nem é o companheiro ideal para o Liedson é o Liedson ser o companheiro ideal de alguém, da Árvore, do pinheiro.

Com quatro jornadas jogadas, os quatro candidatos distinguem-se – para lá da influência da arbitragem- na capacidade de concretizar as oportunidades de golo criadas. Todos têm uma floresta com problemas, mas uns têm mais Árvores que outros. No caso do Sporting, com a venda do Veloso, com a “morte” do Vuk que chegámos a conhecer e com o “envelhecimento” do Liedson, não há ninguém que tenha “queda” para marcar golos. Que os saiba marcar, sequer. O Porto tem 12 pontos porque tem jogadores que marcam golos. O Sporting tem sete pontos porque não tem ninguém que marque golos. Agora, amplifique-se este ritmo aos 30 jogos da época… e vai dar, mais coisa menos coisa, a mesma diferença pontual do ano passado entre o Sporting e o campeão.

Portanto, o senhores que mandam no clube preocuparam-se em tratar do bicho que estava a apodrecer a floresta, mas esqueceram-se – ou não souberam – arranjar uma árvore (ou várias) mestra para segurar as outras. Hoje, com várias semanas até à reabertura de mercado, estamos em risco de um qualquer fósforo (Lille), uma faísca mais forte (Luz) ou várias faíscas como as de sábado último, descambarem em novo incêndio… que queimará outro treinador, outro capitão, outros artistas.

A brincar ao Sporting Clube

Ainda estou atónito com o que ouvi o Paulo Sérgio dizer, como que justificando a miserável exibição, e consequente derrota, de ontem. Não, não me refiro às infantilidades apontadas como responsáveis pelos golos sofridos (é verdade que as faltas inteligentes são para ser feitas em lances como o que ditou o primeiro como é, igualmente, verdade que no segundo o Patrício defendeu a bola colocando-a numa zona onde, lembro-me, já nos iniciados os redes iam encher quando se esqueciam que, depois de fechar o ângulo, a bola ou é encaixada ou é enviada para as linhas (final ou lateral)).

Refiro-me, isso sim, à questão do “equílibrio”.
“Penso que tínhamos encontrado um bom equilíbrio e compromisso numa forma de jogar. Mas a ausência do Pedro [Mendes], e isto não é desculpa porque eu não me vou desculpar nunca com nada, desequilibrou o que se estava a fazer. Não é que quem está não faça a função, faz bem mas de outra maneira”, disse o nosso treinador.

Ora, meu caro Paulo Sérgio, caso ainda não tenhas reparado, vieste para o Sporting Clube de Portugal, não para o Sporting Clube Courense, cuja sede fica bem mais pertinho de Guimarães. Aqui, meu caro Paulo Sérgio, a lesão de um jogador não pode servir para justificar tão fraca exibição. Ou por outras palavras, um treinador do Sporting Clube de Portugal tem que encontrar soluções para a lesão de um, dois, três, cinco, jogadores. E essas soluções, caro Paulo, deviam ter sido pensadas durante a pré-época tal como, por exemplo, qual a dupla de centrais titular, algo que parece estar ainda por encontrar ao fim de três ou quatro jogos oficiais.

Mais estranho ainda, caro Paulo, é ver-te regressar ao maldito losango, que nunca foi experimentado nos jogos de preparação. O resultado? Uma salganhada em que o Matías e o Maniche pareciam trocar de posição no lado interior direito da fantasmagórica figura geométrica, em que o Valdés parecia atordoado e onde o André Santos parecia ser o único com posição definida.
Não foi de estranhar, por isso, que a primeira parte tivesse sido um verdadeiro marasmo, apenas quebrado por mais um falhanço da quinta dimensão protagonizado pelo amigo Hélder. Com Valdés, Maniche e Matías tão pasmados quanto nós perante o desenho táctico, eram os laterais a ter que criar desequilíbrios, nomeadamente João Pereira, o mais inconformado. Acontece que, numa táctica ensaiada de véspera, os médios, nomeadamente Matías, esqueceu-se de que cabe ao número 10 criar as superioridades, descaindo para o lado no qual sobe o lateral, dando-lhe linha de passe/tabela e permitindo aos interiores rumarem ao centro/entrada da área. Nada, ninguém fez nada disto.

E se a atacar parecíamos um bando de incultos, a defender os problemas eram gritantes, com os centrais constantemente obrigados a sair da sua posição quando a bola era colocada nas costas dos médios (para quem a palavra pressão foi igual a zero). Evaldo e André Santos lá foram tentando tapar o buraco que se abria (não admira que tenhamos atacado quase só pela direita), mas fica a nota para qualquer treinador com dois dedinhos de testa que decida desorganizar completamente o nosso meio-campo.

No segundo tempo, com a entrada de Vuk e de Yannick, ganhando de uma vez por todas elementos capazes de aumentar o ritmo e dar apoio às subidas dos laterais, tivemos 10 minutos de futebol, cinco oportunidades (Yannick, Liedson, Liedson, Nuno André Coelho e Vuk) e a esperança de ver a bola entrar. E o que fizeste tu quando o golo parecia tão perto? Mesteste o Saleiro e ordenaste ao Yannick para deixar de aparecer entre os centrais e os laterais dinamarqueses, transformando aquela espécie de 4-3-3 num teórico 4-2-4 que terminou com o jogo 15 minutos antes do previsto.

É como tu dizes, caro Paulo, as infantilidades pagam-se caro. E olha que o outro Paulo, o tal que também era Bento, ficou sem margem de manobra, precisamente, num jogo contra o Marítimo. Cabe-te a ti decidires se queres continuar a brincar ao Sporting Clube ou se decides, de uma vez por todas, perceber que vieste parar ao maior de todos eles.

Somos uns mãos largas!

Primeiro, enchemos os bolsos ao Braga.
Depois, mandamos o Moutinho para o Dragão.
Agora, e com pena dos minhotos, emprestamos-lhe o Stojkovic.
Se não fossemos nós a reforçar os rivais, este campeonato não tinha piada. Vinha direitinho para Alvalade, sem grandes problemas.
Parece-me é que estamos a ser um bocadinho injustos para com os lampiões, mas pronto, ainda temos o Veloso e o Yannick para mandar para lá.

Risco?

Paulo Sérgio afirmou que a participação do Sporting no New York Challenge, frente a Manchester City, Tottenham e New York Red Bulls, é uma excelente oportunidade para “reforçar o treino da equipa durante a pré-temporada” e que “triunfar no torneio seria uma grande afirmação. Tentaremos vencer para melhor representar o clube. E queremos, também, deixar a todos uma óptima imagem”.

Tudo muito bem mas, permitam-me perguntar, defrontar o Man City, nos Estados Unidos, quatro dias antes do primeiro jogo oficial (pré da Liga Europa), não será um tanto ou quanto arriscado no que toca a lesões e a tempo despediçado em viagens?

Comunicado oficial

“O Benfica-Sporting deu muito que falar. E foi motivo de conversas várias por causa da posição que o Sporting assumiu no final do jogo, pugnando por aqueles que são os nossos interesses, lutando por algo que já nos penalizou noutras ocasiões e que, desta vez, alguns quiseram deixar passar incólume e sem o devido destaque.

O Sporting não pretendeu, em momento algum, transferir para outros as suas próprias responsabilidades. Mas os erros próprios – desengane-se quem pensa que vai ser diferente… – são para ser debatidos no interior do balneário e não nos fóruns públicos, o que tanto agradaria a certos senhores. Mais. O Sporting não atribuiu a responsabilidade total pelo desfecho do jogo ao árbitro João Ferreira. E lances houve que teriam merecido justa contestação da nossa parte.

O Sporting pugnou, apenas, pela VERDADE DESPORTIVA, pedindo isenção e respeito na análise a um lance que acabou por ser determinante e que teve influência decisiva no desenrolar do jogo. Um lance que, estivemos atentos, passou despercebido a alguns analistas, sabe-se lá porque motivos… Ou melhor, por motivos que todos conhecemos mas que não deixaremos cair no esquecimento. O Sporting pode até estar longe dos seus objectivos. E cá estaremos nós para fazer a devida introspecção.

Mas o Sporting não se desviará nunca dos seus princípios. Por esse motivo, e porque A NOSSA VERDADE passa para a Opinião Pública deturpada pela pena de quem, na maioria dos casos, só quer (escre)ver o que lhe interessa, decidimos resguardar o grupo de trabalho até final da temporada, limitando o acesso à informação a estes espaços que são da nossa responsabilidade (o jornal e o site, órgãos oficiais do clube) e aos 15 minutos de treino, mais as habituais conferências antes e depois dos jogos (a não ser que, por qualquer motivo, tenhamos de alterar este procedimento).

Os jogadores do Sporting não deixarão, contudo, de participar em iniciativas de cariz solidário ou outro, uma vez que a vertente social estará sempre entre as nossas prioridades. Uma nota final para dizer aos sportinguistas que podem ficar tranquilos depois desta época difícil. Estamos a trabalhar no futuro. Em prol do Sporting. Mas dentro de casa. Longe das coscuvilhices…”