Continuando a limpar o cocó que os outros fizeram

Em Dezembro de 2010, e com o objectivo único de viabilizar o projecto de reestruturação financeira do Sporting, a Nova Expressão SGPS, registando consideráveis menos-valias, estabeleceu com a Direcção de José Eduardo Bettencourt, um acordo de venda da sua participação de 11,667% por cento do capital social e direitos de voto da Sporting SAD, participação que era o resultado de 13 anos de investimento contínuo no Clube.

Ao longo da Presidência de Godinho Lopes o acordo estabelecido foi ignorado e a Nova Expressão SGPS não foi ressarcida do valor – estabelecido em contrato – da posição accionista de que abdicou e viu as garantias colaterais dadas pela SAD alienadas de forma discricionária. Toda esta situação comprometeu os planos de investimento da Nova Expressão SGPS em várias das suas participadas, causando graves prejuízos a este universo de empresas.

Esta situação foi finalmente resolvida esta semana com o estabelecimento de um novo acordo com a nova Administração da Sporting SGPS, que regularizou a situação.

Como é do conhecimento público a Sporting SAD está a angariar novas participações, decorrendo um processo de recomposição accionista. A Nova Expressão SGPS, congratulando-se com a resolução do diferendo que existia, gostaria de manifestar a sua vontade de, em oportunidade futura, voltar a ter uma posição acionista na Sporting SAD. Na realidade constatamos que continua a existir espaço e sentido para a nossa estratégia inicial, baseada numa proposta de valor que passe pela constituição de um forte núcleo de accionistas nacionais, empenhados no sucesso do Sporting e no posicionamento do Clube e da SAD como uma referência em termos de modelo de negócio e de gestão no panorama do Futebol português.

NOVA EXPRESSÃO SGPS, S.A.
Julho 2013

«Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube!»

A frase é fantástica e encerra a entrevista de Daniel Sampaio ao DN. Uma entrevista que todos, todos, mas mesmo todos os Sportinguistas devem ler. Uma entrevista aterradora, deixando claro como a água aquilo que, aqui e em tantos outros blogues, se foi dizendo, pedindo para que todos os que amam este Leão verde e branco abrissem, de uma vez por todas, os olhos. Leiam, mas leiam mesmo! É doentio. Doloroso. Fez-me ranger os dentes de raiva, qual Leão perante um bando de hienas. Mas, caros Leões, é mais um motivo para enchermos Alvalade e gritarmos, a uma só voz «Viva o Sporting Clube de Portugal! É nosso outra vez!»

Quando a sua Mesa da Assembleia Geral (MAG) foi eleita numa lista diferente da do Conselho Direi ivo (CD) de Godinho Lopes sentiu que o mandato ia ser intranquilo?
À partida não era bom, mas no primeiro ano os dois órgãos trabalharam bem. Nesse período fez-se a revisão dos estatutos, o regulamento eleitoral, houve reuniões de trabalho e o Sporting não estava na situação má em que esteve depois no segundo ano do mandato. Houve, no entanto, o episódio da destruição dos votos. Foi feita antes do prazo e comunicada pelo telefone.

Quem fez essa comunicação?
Godinho Lopes a mim – nessa altura ele não se dava muito bem com Eduardo Barroso (ndr. Presidente da MAG). Disse-me que ia destruir os votos e eu respondi que tínhamos que ver. Consultei os juristas da MAG e eles responderam-me que o prazo corria. Telefonei a Godinho Lopes e os votos já tinham sido destruídos. A MAG nunca falou sobre isso porque não queria desestabilizar. Foi o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão que avançou para essa situação. Aí começou uma posição de desconfiança em relação ao vice-presidente, mas por uma questão de lealdade institucional ficámos em completo silêncio. Só em dezembro tomámos posições mais públicas de crítica ao CD.

E internamente quando adotaram essa posição mais crítica?
Em meados de 2012… o CD nas reuniões que mantinha connosco e com o Conselho Fiscal (CF) funcionava de forma interessante; o presidente falava durante uma hora seguida. Falava de milhões sobre coisas que percebíamos que não tiniram uma sedimentação rigorosa. Nunca vi membros do CD emitirem uma posição significativa sobre o Sporting. Ele falava sozinho, passava o tempo e a reunião acabava.

Depois houve o caso Cristóvão.
No qual houve uma grande divergência entre a MAG e o CD. Tive uma conversa com esse vice-presidente que é hoje arguido e que muito me inquietou. Nessa conversa comunicou-me que espiava os jogadores.

Comunicou-lhe isso assim?
Estava com os meus netos a pedir autógrafos aos jogadores junto dos carros deles onde estavam as mulheres e namoradas, e de uma forma surpreendente para mim veio ter comigo contando-me episódios da vida íntima dos jogadores e mostrando-me mensagens entre um jogador e a sua namorada. Posto isto alertei o presidente.

O que lhe disse Godinho Lopes?
Disse que todos os clubes faziam isso. Eu disse que não acreditava que todos os clubes vão ao ponto de saber as relações íntimas, e estou a falar de relações afectivas e sexuais, e que isso seja motivo para um vice-presidente ter mensagens da vida íntima dos jogadores. Foi-me mostrado no telemóvel do vice-presidente a mensagem de um jogador para a sua namorada e a resposta dela. Nessa mesma conversa o vice-presidente disse-me que havia um jogador que tinha uma relação extraconjugal. A expressão que utilizei foi que “quero é que eles joguem bem, com quem dormem não me interessa”. Respondeu-me que estava a proteger os activos. Avisei Godinho Lopes, que para além da resposta de que todos os clubes fazem isso, disse-me que era o primeiro a chamar atenção para isso.

Concluiu que Godinho Lopes estava a par disso?
Evidentemente e achou aquilo perfeitamente natural. Depois rebentou o caso Cardinal. A MAG teve um almoço com Godinho Lopes. Aí dissemos que a situação era grave e que o Sporting devia constituir-se assistente do processo e que o vice-presidente devia sair, porque estava sob suspeita. Foi-nos respondido que ia haver uma reunião do CD para analisar a situação, na qual não se demitiu. Isto foi evoluindo, o vice-presidente acabou por se demitir devido a outros crimes que não tinham a ver com o caso Cardinal e nós insistimos que o Sporting devia constituir-se como assistente e encarar a possibilidade de pedir uma indemnização. A resposta foi negativa e a partir daí as relações degradaram-se.

Conte-nos lá o processo da polémica AG que não se realizou?
No início de janeiro surgiu o requerimento. Mas a verdade é que nós podíamos ter convocado a AG através do nosso presidente Eduardo Barroso. A MAG do ponto de vista estatutário pode ser ela a requerer uma AG de destituição. Nunca o fizemos por uma questão de lealdade institucional. Dissemos que nunca o faríamos mas se um grupo de sócios o quisesse fazer nós tínhamos que analisar as condições. A 2 de janeiro, com as assinaturas a correr, pedimos uma reunião ao CD em que dissemos que uma das soluções que podia haver passava pela demissão do CD para que não houvesse uma AG de destituição.

Quando percebeu a intransigência de Godinho Lopes em demitir-se e falar com membros do CD?
Isso foi-nos sugerido por Abrantes Mendes, que tinha passado por um cenário igual no tempo de Jorge Gonçalves. Fizemos contactos, que não eram ao acaso, Aureliano Neves e Rui Paulo Figueiredo disseram-nos várias vezes que se queriam demitir. Eu próprio falei com Daisy Ulrich. Disseram que iam pensar. Entretanto, a MAG tem contactos com os bancos credores… Sim, pedimos audiências oficiais ao BCP e ao BES. Aí a conversa com José Maria Ricciardi foi institucional. O que ele nos disse em janeiro era que a reestruturação não estava feita, mas que ia ser feita. Ele sempre foi contra a AG porque considerava que ia interromper a reestruturação. Não havia reestruturação, havia projectos. A 25 de janeiro fomos recebidos no BCP pelo seu presidente, Nuno Amado, que nos disse que não havia reestruturação nenhuma. E mais, garantiu-nos que o BCP só colaborava com a reestruturação com tudo escrito, quer com o atual presidente, quer com o futuro se houvesse eleições. “Não vamos continuar a dar apoio ao Sporting sem um plano de reestruturação completamente escrito com o apoio do CF do Sporting, o atual ou o futuro”, disse-nos Nuno Amado. Nesse dia percebemos que o principal credor do Sporting, que é o BCP e não o BES, acabava de nos dizer que não havia reestruturação nenhuma. Era uma mistificação do CD, que numa reunião em dezembro nos chegou a dizer que a reestruturação iria ser feita até final de dezembro.

Godinho Lopes queria perpetuar-se no poder?
Não tenho dúvidas. Fez tudo para que a AG não se realizasse. Ele tinha a certeza que ia ser destituído.

Na conferência de imprensa sobre o funcionamento da AG foi atingido com ovos…
Fui avisado de que devia colocar um polícia à paisana. Através dos meus contactos um sócio do Sporting, o Comissário Pinho, foi assistir à paisana. Foi a nossa sorte. Na primeira parte, com os jornalistas, correu bem. A segunda parte era com os sócios. Estávamos no auditório e tínhamos solicitado aos serviços que identificassem os sócios. Essa identificação não foi feita. Depois começaram os insultos e os palavrões e sete ou oito indivíduos levantaram-se e atiraram ovos. O Comissário Pinho barrou a saída, pediu reforços e as pessoas foram identificadas. Foram sete pessoas identificadas que eu não sei quem são. E o processo seguiu para a polícia e para o DIAR Depois constituí-me assistente do processo e tenho também uma investigação particular para acompanhar o processo.

Foi aliciado para ser presidente do Sporting?
Aliciado não, fui convidado. A história do golpe de estado radica em duas reuniões que existiram e que mostram como o Sporting funcionava. A 5 de janeiro houve um encontro em que se falou de vários problemas do Sporting.

Quem esteve nesse encontro?
Pedro Baltazar, Alexandre Patrício Gouveia, Eduardo Barroso, eu, Rui Morgado e Luís Natário [ambos elementos da MAG]. Nessa reunião, e era assim que funcionava o Sporting e eu espero que nunca mais funcione assim, as pessoas disseram: Estamos em contacto com José Maria Ricciardi [presidente do BES Investimento] e temos que ver como vai ser o futuro do Sporting, isto não pode continuar assim. Aí foi combinado um jantar a 8 de janeiro na casa de Eduardo Barroso.

Quem estava presente?
Eduardo Barroso, eu, Luís Natário, Rui Morgado, João Sampaio, José Maria Ricciardi, Alexandre Patrício Gouveia e Pedro Baltazar.

E nesse jantar o que se passou?
Falou-se da AG, na qual o CD podia ser destituído e que ia haver eleições a seguir. E as pessoas perguntavam: “O que é que vamos fazer ao Sporting?”. Falámos de cenários, podia haver listas, não haver, uma comissão de gestão e falaram-se em 17 nomes para essa comissão.

Pode revelar alguns?
Vera Jardim, Rocha Vieira, Rui Vinhas da Silva, Abrantes Mendes, Soares Franco, Artur Torres Pereira, etc.

E o que se decidiu?
Nesse jantar soube histórias espantosas. Um pequeno grupo é que designava o presidente ideal. Quando se diz que é o candidato da banca devo dizer que é o candidato de um banqueiro.

Refere-se a José Maria Ricciardi?
Com certeza. Nesse jantar ele dizia que eu era a pessoa ideal para ser o presidente do Sporting. E até me foi oferecida uma remuneração… a combinar.

Foi José Maria Ricciardi que o convidou para ser presidente do Sporting?
Claro, foi ele que me convidou. E foi ele que me contou que com José Eduardo Bettencourt procedeu-se da mesma maneira; havia nomes e um grupo escolheu José Eduardo Bettencourt.

Foi assim também com Godinho Lopes?
Com Godinho Lopes foi diferente. Andavam à procura de uma pessoa e Godinho Lopes foi ao BES ter com José Maria Ricciardi para lhe dizer que queria ser presidente. E José Maria Ricciardi considerou-o uma pessoa válida. Isto é aquilo que não pode voltar a acontecer no Sporting, felizmente não aconteceu agora, porque todos os candidatos criticaram a gestão anterior e ganhou o candidato, que não entrou, seguramente, nestes jogos de bastidores. Porque não era o candidato favorito destas pessoas. Pelo contrário, as pessoas que estiveram nesse jantar disseram que era uma pessoa sem perfil para ser presidente do Sporting.

Esse grupo queria encontrar alguém que fizesse frente a Bruno de Carvalho?
Claro, o convite a Daniel Sampaio tem a ver com isso, porque sabiam que eu era da lista de Bruno de Carvalho há dois anos. Sabiam que ia ser difícil para Bruno de Carvalho combater-me, porque temos uma relação muito cordial.

Como é que o tentaram convencer?
Nesse jantar José Maria Ricciardi disse que já tinha contactado investidores, que tinha o meu nome aceite pelos investidores e aprovado por um grupo de notáveis do Sporting. Rejeitei por duas razões. Primeiro porque não tenho disponibilidade nem conhecimentos. Segundo porque achei o processo terrível. Como se escolhe um presidente desta maneira, sem programa, sem saber o que a pessoa verdadeiramente pensa só porque é uma pessoa conhecida e que se pode opor a um candidato do povo do Sporting? Recusei, uns dias depois José Maria Ricciardi telefonou-me a insistir nesta situação e eu tomei a recusar. Eduardo Barroso chegou a ser convidado para presidente da MAG…

Na sua hipotética lista?
Sim. Como recusei pensou-se numa alternativa, a tal comissão de gestão, e foi-me perguntado, por José Maria Ricciardi, Pedro Baltazar e Alexandre Patrício Gouveia, se eu podia presidir essa comissão. Todos estavam desejosos que aceitasse. Não fechei completamente a porta, por uma questão de serviço ao Sporting. O que transpareceu é que estava a organizar uma comissão de gestão e a protagonizar um golpe de estado contra Eduardo Barroso.

Sentiu que os notáveis tinham medo de que Bruno de Carvalho fosse eleito presidente?
Medo? Eu diria pavor.

A quem se refere?
José Maria Ricciardi, Godinho Lopes, Nobre Guedes. Várias vezes nos disseram que se Bruno de Carvalho fosse eleito o Sporting acabava. O novo presidente vai ter uma prática diferente. Pode correr mal, mas espero que corra bem. Vai cortar a direito, vai poupar, não vai ter luxos e, sobretudo, vai estar com os sócios. Tem um enorme significado ter-se sentado no banco. Vai ter uma ligação com os jogadores e os sócios diferente. Não se pode ter a relação distante que Godinho Lopes tinha com os jogadores e o desprezo que tinha pelos sócios. A elite do Sporting tinha um profundo desprezo pelos sócios.

Com Bruno de Carvalho significa que essa elite deixou o Sporting?
Espero que sim e para sempre. O Sporting tem que voltar-se para uma matriz popular. O Sporting tem na sua génese uma coisa terrível, ter sido fundado por um visconde. E isso faz com que seja para algumas pessoas um clube elitista.

A elite vai dificultar a vida a Bruno de Carvalho?
Já andam a dizer que vai durar três meses. Cá estarei para denunciar essa elite, quero essa elite varrida do Sporting. Tudo farei para que não tenha novamente acesso ao poder.

Eduardo Barroso disse: “Estou farto de castas de pseudo dirigentes, verdadeiros terroristas de fato e gravata”. Quem são esses terroristas?
Pessoas ligadas ao CD e Conselho Leonino (CL). Até 23 de março o Sporting foi dominado por um pequeno grupo de pessoas bem-falantes, que estão afastadas dos sócios do Sporting. E explico. Godinho Lopes propôs-me que chegasse junto dos miúdos do movimento e dissesse para eles retirarem o requerimento. E eu respondi “ó Luís não vou fazer isso. Não trato nenhum sócio do Sporting por miúdo, são pessoas licenciadas e respeitadas, depois são apenas o rosto dos 800 ou mais sócios que subscreveram o requerimento. Não vou pedir para retirar nada”. Estas pessoas pensam assim dos sócios.

Os sócios não mandavam no clube?
Até 23 de março não mandaram. Havia um desprezo total, visível em várias AGs. As propostas dos sócios eram sublinhadas com sorrisos e apartes de membros do CD. Havia um desrespeito pela opinião dos sócios que fosse diferente da deles. No CL a mesma coisa. As intervenções dos conselheiros eram por que razão não tinham acesso ao croquete. Uma verdadeira vergonha.

Já percebi que acha que Bruno de Carvalho está a devolver o clube ao povo. E aos títulos?
Aos títulos não sei. Sem promessas, devemos dizer que nos vamos esfarrapar para ganhar. O Sporting só tem uma solução: matriz popular. Devolver o Sporting aos sócios, ouvi-los, transformar o CL num órgão de trabalho ou, então, extingui-lo. Votei em Bruno de Carvalho, mas tem que provar. Daqui a um ano posso ter uma má opinião, mas ele vai ter uma prática diferente. É um homem do povo, não é um marquês. Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube.

 

actualização: afinal, a entrevista é bem maior do que a que aqui publiquei (e com muito mais revelações inacreditáveis, claro). Ficam os links para que possam lê-la na íntegra:
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147491&page=-1
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147505&page=-1
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147501
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147502

 

Seria importante, pois que seria

«Também candidato, Pedro Baltazar referiu-se ontem à possibilidade rumorada de Zeferino Boal e Sérgio Abrantes Mendes se aliarem a Bruno de Carvalho, e o próprio Baltazar vê com bons olhos uma eventual parceria com o triunfador do debate caso veja, naquela lista, solidez e credibilidade. “Tenho curiosidade em relação ao fundo de M€ 50 de Bruno de Carvalho. Espero que apresente ‘pormaiores’ e que sejam sólidos. Se tiver fundo sólido e com instituições credíveis, poderá passar a ser um parceiro com algum interesse em termos de eleições. Reunimo-nos antes de apresentar a candidatura, gostei de conhecê-lo e fiquei com curiosidade sobre o fundo», in O Jogo.

Esperemos é que o Baltazar não diga isto acreditando que seria ele o rosto desta possível parceria…

As minhas eleições (antes do debate)

Godinho Lopes: O Mafioso da Continuidade

Apresenta como cartão de visita ter sido uma das pessoas directamente envolvida na construção do novo estádio. Começamos mal. Um gajo que deixa que seja construído uma aberração daquelas não pode ser boa gente. Um estádio sem alma. Com um fosso cretino e muito pouco rentável. Um relvado mal projectado que parece um viveiro de fungos. Um muro de cimento que fica exactamente na linha de quase todas as câmeras de televisão e que nunca ninguém se lembrou de pintar. Uma escolha de azulejos e uma pintura arrojada que mais parecem um hino à bimbalheira. Cadeiras de todas as cores. Poderia continuar mas acho que já chega. Tenho apenas a dizer que o velho Alvalade ao fim de 40 anos parecia velho. Querem apostar que este não dura 15 até parecer um monstro obsoleto? Depois há a questão da personalidade e da lista. Quanto ao facto de ter pertencido a anteriores e maléficas direcções não lhe fica bem. Não me agrada. Quer dizer que também andou por lá. E, portanto, mesmo que já tenha sido há algum tempo, conhece e teve influência em decisões que nos prejudicaram. Sobre o seu passado obscuro e os casos em que pode estar a braços com a justiça, não me pronuncio porque não conheço os mesmos. Em relação à  lista, aí sim é que a porca torce o rabo. Carlos Freitas já esteve tempo demais no clube. Conhece o mercado, sim senhor. Não é mau de todo mas também não acho que seja um génio. Trouxe alguns bons jogadores. O nogócio Liedson é a bandeira do seu trabalho. Mas também apostou em muito boa gente que ele, certamente, agora gostaria que ninguém se lembrasse. Koke, Bueno, Gladstone para citar alguns. Afirmar que o clube precisa de €13 milhões para despesas imediatas e mais €100 milhões para equilibrar e tornar a equipa de futebol competitiva e com futuro, não só é uma evidência, como é admitir que a gestão anterior deveria acabar na barra do tribunal. E se é o próprio a dizer isso, como se explica a presença de Nobre Guedes? O homem que presidia ao Conselho fiscal e que deixou o clube sem dinheiro para pagar a água é o mesmo que tem a honra de integrar novamente esta lista. Volta o gajo mas agora com bigode e pode ser que ninguém repare? É isso? Salva-se Luís Duque. Sempre teve a visão e gosto por coisas exageradas. Podem dizer que é um despesista. Mas como estou farto desta visão mesquinha e pequenina do clube sempre a olhar para os tostões, até gosto da ideia de um louco que acha possível o Sporting ir buscar o Messi.

Bruno de Carvalho: O Menino Bonito da Blogosfera

Entendo algumas das razões que levam as pessoas a apreciarem o seu discurso mas acho que há também uma boa dose de irracionalidade na escolha. Não tem carisma. Tem um discurso pouco aglutinador e convincente. Tem algumas boas ideias para o Sporting e faz questão em demarcar-se de tudo o que representa o passado. Por outro lado, vejo-o sempre como sonhador e romântico. Afirmar que o Sporting não pode continuar assim porque este não é o Sporting que ele conhece desde que visitava a nave para ver o Livramento a patinar soa bem. É bonito e vai directo ao coração. Mas significa exactamente o quê? O clube está a sangrar por todo o lado. Não é com poesia e lirismo que a malta vai lá. Quais são as medidas concretas? Tem ideias? Boa! E dinheiro? A carteira é a primeira coisa que ele devia mostrar. Sempre que penso neste Bruno Carvalho e na sua proposta, imagino-me a mim e o pessoal do Cacifo num jantar alucinado. Decidíamos que o Cintra ficava a Presidente. O Douglas no Conselho Fiscal. Eu próprio na Assembleia Geral. E o Cherba como Manolo Vidal a Vice-Presidente para o futebol. Sobre a lista, até agora conhecemos Inácio. O nome provoca um orgasmo imediato no universo leonino. É o homem do título dos 18 anos. Por muita merda que faça, está nos nossos corações. Merece o nosso respeito eterno. Mas vice-presidente para o futebol? Não sei. É como o Benfica ir buscar o Toni para treinador.

Dias Ferreira: O Pitbull que Ladra mas não Morde

É um canino raivoso que se espuma há vários anos. Passeia o seu ódio de morte por tudo e todos em programas de TV de gosto duvidoso. É irmão da Ferreia Leite. Uma desgraça nunca vem só. É uma espécie de político do Sporting. Fez carreira como dirigente. Já esteve em várias direcções ao longo de vários anos. Nunca resolveu nada e fala como se nunca tivesse responsabilidade por nada do que se passa. A única coisa boa que lhe reconheço é ser do Sporting. Relativamente à lista, temos Paulo Futre. Um símbolo da nossa formação. Por todos os motivos que somos conhecidos no mundo. Jogador excelente. Mesquinho nas atitudes. O primeiro grande traidor da Academia. Diz sempre que é do Sporting mas nunca o foi quando o clube precisou. Já teve afirmações grotescas no passado. Como director desportivo, esteve algumas temporadas no Vicente Calderón onde fez um trabalho que ninguém consegue lembrar. Reconheço, no entanto, a esta candidatura uma preocupação que me satisfaz. Trazer para o clube figuras mediáticas. Futre é Futre. Abre portas e traz prestígio. Rijkaard é o treinador. A mesma forma de pensar. Um grande nome enquanto jogador. Campeão Europeu no Barcelona como treinador. À partida, um homem que bebeu do melhor. Os princípios atacantes do Ajax e do Barcelona de Cruyff e a zona defensiva do Milan de Sacchi. É também um nome que põe o Sporting no mapa mundi do futebol. Quando se contrata, é diferente um jogador perguntar ao agente “Mas quem é que treina essa equipa?” e o gajo responder “É o Pál Serge, um merceeiro lá da terra”. Na prática, teve um bom desempenho no Barça. O resto, foi um desastre. Descida de divisão no Sparta de Roterdão logo no início de carreira, prestação mediana com a Holanda e despedimento no Galatasaray. No Barça, foi também muitas vezes conotado como um homem permissivo e pouco duro no balenário. Associado ao declínio de carreira de Ronaldinho e Deco. Diz-se que depois de vencer a Champions nunca foi capaz de incutir nos jogadores uma mentalidade ganhadora. Estes são apenas dados estatísticos que é preciso lembrar sempre que se fala deste holandês. Como princípio, louvo a visão. Olhar para cima. Deixar de lado as medianias tipo Carvalhal e Paulo Sérgio. Logicamente, não é o melhor do mundo mas reconheço a tentativa de corte radical com tudo o que foi feito até agora.

Pedro Baltazar: O Beto e a Entourage de Cascais

Homem conhecedor do clube por dentro. Há quem diga que é um grande Sportinguista. Há quem o acuse de não passar dum porco aproveitador por fazer negociatas com as acções do clube em benefício próprio. Para mim, tem sempre um ponto a favor. Demarcou-se de Bettencourt. E isso, nem todos foram capazes de fazer. Diz-se por aí que é o homem que maior oposição pode fazer a Godinho Lopes, sobretudo, se convencer Bruno de Carvalho a alinhar no esquema. Não compreendo a ligação mas fico à espera para ver se isto tem mesmo pernas para andar. Aposta em Zico para treinador. Sobre este tema, um apontamento. Não compreendo o cisma com o Zico. Sim, porque é o Pelé branco, porque foi grande enquanto jogador, porque tem ou teve um avô que é do Sporting. Porreiro. E trabalho enquanto treinador? Que me lembre, uma época fantástica que levou o Fenerbache aos quartos-de-final da Champions League (o Koeman também fez o mesmo e até ganhou campeonatos na Holanda). No Japão, nada de especial. Na Rússia, nada para assinalar. É um nome que vende por ele próprio. É melhor do que o que nos têm dado de certeza. Pode ser importante para trazer jogadores. Quanto ao resto, não sei. Sobre a lista, um verdadeiro tiro no pé: Santana Lopes. O pior Primeiro Ministro da história de Portugal e alguns outros cargos públicos exercidos de forma patética. No Sporting, ficará para sempre associado enquanto Presidente do clube a uma votação para acabar com algumas modalidades históricas. Promoveu também o acto de gestão mais estúpido da história do Sporting. A quota extraordinária que tinha um valor absolutamente ordinário. E que teve como resultado a sua revogação depois da desistência de muitos sócios que deixaram de pagar durantes anos a fio. Enquanto Presidente da Câmara de Lisboa, não pode fugir à acusação de favorecimento dos Lampiões numa verdadeira atitude de caça ao voto tão ao seu jeito.

Abrantes Mendes: O Zarolho Eterno Candidato

Não merece grandes comentários. Luta para ser diferente mas nunca diz nada de novo.

Zeferino Boal: O Pateta do Circo

É o artista convidado para animar esta corrida eleitoral. Diz que se vai sentar no banco se for Presidente. Fixe. Sem opinião, é uma fraca figura pronto a desistir.

Para mim, dizer “vamos deixar de ser escravos dos bancos” vale rigorosamente nada. O Sporting vive condicionado pela banca. É uma contingência com que todos terão de lidar. Não é uma coisa que se gosta ou deixa de gostar. É a realidade que condiciona o trabalho do futuro Presidente. Como até agora, não apareceu nenhum Sheikh pronto a passar um cheque em branco, as dívidas aos credores fazem parte obrigatória do caderno eleitoral. O que importa é como vai ser feita a negociação da dívida e o cunho próprio que cada candidato ou futuro presidente vai imprimir durante o mandato. As pessoas, mesmo em organizações que podem estar limitadas financeiramente, podem e devem fazer a diferença pelas ideias e pelo espírito empreendedor.
Quanto ao resto, faço minhas as palavras do Douglas. Venham buscar o meu voto!

Mais eleições…

Treinador de Paulo Futre é Rijkaard

Segundo o jornal “A Bola” parece que o candidato Dias Ferreira já tem acordo com treinador. O que acham do regresso de uma das famosas unhas?

E segundo ouvi por aí, parece que o candidato favorito da blogoesfera, Bruno Carvalho, estaria na disposição de abdicar em favor do outro candidato beto, Pedro Baltazar. Será mesmo assim?