Onde é que eu já vi isto?

Um treinador que fala em falta de maturidade, um director desportivo que nunca diz nada e um presidente que se recusa a alterar a escolha que fez.
Já vimos este filme, não já?

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Patético…

“A Sporting SAD informa que chegou a acordo com Miguel Angulo para a revogação do contrato de trabalho. Enaltecendo a sua conduta profissional ao serviço do Sporting, a SAD do Clube deseja a Miguel Angulo os maiores sucessos pessoais e profissionais”, pode ler-se no site oficial do nosso clube.

O que é que este gajo veio cá fazer? Mais patético, como legado do reinado Bento, Barbosa&Telles, só mesmo a renovação do Pedro Silva…

E pode ser de boca calada?

Virou-se um ciclo. Disse-o Bettencourt. Disse-o João Moutinho. Disse-o Caneira. Só faltou dizê-lo Jorge Cadete, o tal que o jornal Record insiste em tentar fazer regressar ao nosso clube.

Virou-se um ciclo, dizia eu. Depois das choramingadelas e das conferências de imprensa tresloucadas, a saída de Paulo Bento é um facto consumado e enterrado, selado com uma entrevista onde o ex-treinador leonino mostrou exactamente aquilo que é: uma das pessoas mais teimosas que alguma vez vi (“jogámos em vários sistemas para além do losango, mas ninguém deu por isso”… pois, os treinadores adversários é que eram muito inteligentes e sabiam sempre antecipar as nuances tácticas que ias utilizar) e, também, uma das pessoas mais directas e frontais que alguma vez tive oportunidade de “conhecer”.

Fruto desta frontalidade, Paulo Bento aproveitou para dar uma machadada na subserviência leonina aos rivais nortenhos, dizendo que ele defendeu que o Sporting devia ter-se insurgido contra a nomeação de Duarte Gomes para o Dragão mas, estando contra, acatou a ordem directiva para não levantar ondas antes do jogo (e, imagino, deve ter tido que beber um balde de água para fazer descer o sapo que foi ouvir o presidente afirmar que confiava em quem nomeava).

Fruto, também, desta frontalidade, Paulo Bento apontou o dedo aos doutores, os chamados notáveis: “[…] esses doutores que gostam de estar de forma permanente na comunicação social, alguns deles com responsabilidades no clube, não tiveram comportamentos próprios de acordo com certos valores e não foram solidários, especialmente nestes quatro meses.”

Rogério Alves enfiou a carapuça até aos olhos e atacou pelo lado mais fácil: acusando Paulo Bento de, em termos classificativos, ter deixado o Sporting numa situação miserável. A ele se seguiram outros doutores, incomodados pois então, chegando a acusar Paulo Bento de falta de solidariedade. Até aqueles palermas que se denominam Associação de Adeptos Sportinguistas, emitiram um comunicado onde aproveitam para cuspir o resto de azia que a presença de Paulo Bento lhes deixou.

Vocês sabem a minha opinião sobre Paulo Bento: grande profissional, treinador limitado. E, neste caso, custa-me que se aproveite para cruxificar o homem por ter dito algo que é uma grande verdade: no Sporting existem demasiados papagaios, demasiados doutores, notáveis ou o caralho que lhes queiram chamar a opinar, a minar, a desestabilizar, a irritar, a procurar protagonismo.

Um tem uma coluna num jornal. Outro falta a compromissos do Sporting para ir ganhar uns milhares de euros num programa de debate semanal. Outros são apenas adeptos, mas chegam mais depressa aos jornais do que chegaria o Pedro Barbosa a sprintar. E é desta verdadeira corja que o Sporting não precisa.

Se o Presidente quer mudar algo e acabar com aqueles Sportinguistas que afrontam o Sporting, então que aproveite o início deste novo ciclo para mandar calar esta gente (nem que seja com um cala-te pá, cala-te!), estabelecendo uma regra simples: se são membros da estrutura directiva do Sporting, não têm nada que andar a opinar na praça pública. Não querem? Então fiquem com a coluna no jornal e com o programa semanal, que destes sportinguistas de merda, estou eu farto!

Saudades?

Enquanto não dá uma entrevista mais longa e pormenorizada a um jornal, Paulo Bento esteve na SIC Notícias, naquele programa medonho chamado O Dia Seguinte e, entre muitas outras coisas, disse o seguinte:

“É evidente que, neste início de época, o Polga não teve o rendimento habitual, algo que ficou a dever-se também a questões físicas e a uma certa campanha em que lhe atribuíram erros que não cometeu. Mesmo assim, devido à sua importância, entendemos que deveria continuar a jogar até ao jogo com o FC Porto, onde passou a ser evidente a dificuldade no início do processo da construção de jogo.”

Ora, portanto, foi preciso esperar até ao jogo com o FCP para ter a noção de que o homem precisava de alguns jogos de fora? Pior, passou a ser evidente a dificuldade no início do processo da construção de jogo, mas nada a apontar à incapacidade de antecipar-se a um único adversário em lances de bola parada?

É por esta teimosia, que começou na insistência em Custódio quando todo o Portugal via que Miguel Veloso era a escolha mais lógica para a posição 6, associada a uma incapacidade gritante para preparar uma equipa com outro esquema de jogo que não o estafado losango, que eu respondo “está tudo estúpido?!?”, quando me dizem que o Paulo Bento vai deixar saudades em Alvalade. Sejam capzes de separar o homem do treinador, sff.

p.s. – como não podia deixar de ser, o Paulo aproveitou, ainda, para defender o Pedro, o Barbosa, dizendo que com outros meios teriam chegado ao Sporting outros jogadores e revelando que Cardozo, Saviola, Dátolo e Denis foram nomes que estiveram em cima da mesa. Eu acredito perfeitamente que vários nomes tenham estado em cima da mesa, mas não posso deixar de perguntar: naquele mês que desperdiçaram a trazer um jogador que é incapaz de marcar golos de baliza aberta – Caicedo – não teria sido possível encontrar outra opção. Se me disserem que era uma questão de tamanho, tudo bem, mas será que, pelas bandas de Alvalade, ninguém reparou que o Michael Owen andava a enviar o CV para tudo quanto era clube?