Ponto de situação

Ainda não tinha tido oportunidade de despedir-me, condignamente, de Hélder Postiga e de Yannick Djaló. Nem de, fechado o mercado, comentar a forma como a dupla Freitas/Duque abordou o mesmo. Vamos por partes.

Não pude deixar de achar cómica, a reação de alguns Sportinguistas à saída de Postiga e de Djaló, lamentando a sua venda e considerando que perdemos dois bons jogadores.
De Postiga, só tenho a dizer o seguinte: marcou 12 golos em quatro épocas, uma média miserável. Aliás, contabilizando o número de minutos jogados, consegue ter uma média pior do que Purovic, do que Rodrigo Bonifácio Tiuí e do que… Koke. Estou-me completamente a cagar para o facto do gajo se julgar a “Paula Rego das quatro linhas”. Quero golos. Ele é avançado e não os marca (e ainda impede os colegas de fazê-lo). Põe-te nas putas que já vais tarde!
Quanto a Yannick, teve mais do que oportunidades para provar que era jogador para o Sporting. Como avançado, consegue disfarçar as suas deficiências técnicas com alguns golos, mas podemos ter num plantel um jogador que, em dez bolas, domina duas à primeira? Que como extremo não sabe ir à linha e cruzar? Ou partir para cima do adversário e fazer a diferença num 1×1? Não, não é jogador para o Sporting e não vamos tratá-lo como coitadinho só porque é oriundo da nossa formação. Nem vamos fazer dele um menino bem comportado, quando várias vezes o vimos não festejar golos porque estava amuado por terem gozado com o seu novo penteado. Ah, e muito menos vamos manter um jogador que nos dá motivos para aplaudir duas ou três vezes por época, só porque o gajo ainda vai parar ao Porto e ai ai ai (por favor, não me falem no Varela. Se os tripas não tivessem sido campeões o gajo já tinha sido apelidado de merdoso que, por época, passa dois ou três meses lesionado).

Quanto ao mercado, e depois de ter-se conseguido um treinador com competência, existiam várias lacunas no plantel a resolver:
– um concorrente para João Pereira
– defesas centrais que permitissem colocar um ponto final no calvário dos lances pelo ar
– um lateral esquerdo
– médios centro de qualidade
– extremos
– avançados que substituíssem Liedson (porra que ainda ontem vi o homem marcar dois ao Flamengo)

Para concorrer com João Pereira avançou-se para João Gonçalves, entretanto emprestado ao Olhanense. Ficou Pereirinha, que para mim apenas tem hipótese de jogar neste posição, e chegou Arias, que muito boas indicações deixou no mundial de sub-20. Creio que temos o problema resolvido.
No centro da defesa, um dos maiores problemas, optou-se por manter Anderson Polga e Carriço (que, por muito que me custe dizê-lo, já me pareceu bem melhor). Foi-se buscar Rodriguez, ao Braga, e chegou o gigante Onyewu, que de muito bom, contra a Juventus, passou a grande merda, contra o Valência. Bipolaridades à parte, para mim não tem muito que saber: é Rodriguez, à esquerda, e Onyewu, à direita. Não será uma dupla de sonho, pois não, mas ganhamos, força, ganhamos altura e, aposto, deixamos de sofrer golos patéticos. E, porra, duvido que não seja dupla para nos fazer lutar por títulos. Agora, é preciso é que consigam jogar juntos três ou quatro vezes para ganharem entrosamento.
Ainda na defesa, agora do lado esquerdo, penso que está mais do que visto que Evaldo é mediano. Pouco ataca e defende assim assim. Tem dias, no fundo. Mas como o Sporting precisa de alguém que tenha meses em vez de dias, foi-se buscar Insua. E era preciso o Grimi pegar-lhe a gripe para o homem não vir a transformar-se no nosso titular.

A meio-campo, onde sobravam André Santos, Matias e Izmailov da época passada, chegaram Rinaudo, Schaars, Luis Aguiar e Elias. Prefiro nem me alongar muito em comentários, deixando apenas a seguinte pergunta: olhando para estes sete gajos, e mesmo acreditando que possamos sentir a falta de um gajo que limpe tudo o que sejam bolas pelo ar, há quantos anos não tínhamos um meio-campo com esta qualidade e estas opções?  Inácio, por exemplo, foi campeão com uma rodela central onde cabiam Duscher, Vidigal, Bino, Toñito e Delfim. Temos piores opções? E o Sr. Boloni, pese o poder de fogo ao seu dispôr, tinha como médios centro Paulo Bento, Vidigal, Custódio, Bruno Caires, Diogo, Hugo Viana e o Afonso “nem pensem que me vou embora até terminar o meu contrato” Martins. Temos piores opções?

Já cheirava mal não termos extremos, não cheirava? O odor mudou radicalmente com a chegada de Capel, Jeffren e Carrillo. Há extremos, pois há, e de qualidade. Até o puto peruano, que parece ter vindo numa de estagiar durante a primeira época, mostra a cada pormenor ter imenso futebol naqueles pés.

Por último, havia que resolver um problema que se deixou arrastar: a dependência de Liedson. É inacreditável como se foi deixando passar os anos sem se antecipar a saída ou diminuição de rendimento do Levezinho. Pensar que Postiga podia ser o seu substituto não foi um acto de fé, antes de acefalia, que nos deixou entregues a um ataque sem golos. Chegaram, entretanto, Wolfswinkel, Rubio e Bojinov. Já nem discutindo qualidades e características, patético será algum deles fazer pior do que o dito artista. E dizer que qualquer um deles não presta, parece-me desonesto.

Posto isto, e muito resumidamente, há matéria prima para o Sporting estar, efectivamente, de volta. Que assim nos ajude a ausência de lesões e que, depois de ter andando a colocar jogadores a titulares para poder vendê-los, que seja capaz Domingos de se deixar de invenções parvas e de confirmar que o que de bom fez até hoje, enquanto treinador, não foi obra do acaso. A prova de fogo está marcada para amanhã, naquele que tem tudo para poder ser o primeiro jogo do resto da nossa época.

 

 

 

Ai que até se me fugiu uma pinguinha para a cueca

«Yannick Djaló está perto de de trocar o Sporting pelo Nice, da primeira Liga francesa. O atacante de 25 anos terá viajado esta noite para França para assinar um contrato que vai render ao Sporting 4,5 milhões de euros, que fica com 25% do passe do jogador formado em Alvalade […] Outro jogador criticado pelos adeptos e que poderá estar de saída de Alvalade é Hélder Postiga. O Atalanta, equipa da primeira Liga italiana, terá apresentado uma proposta ao Sporting pelo passe do avançado português, segundo relatos da imprensa transalpina».

Se não for uma invenção da nossa imprensa, é quase tão bom como ver chegar o Amauri em cima do fecho do mercado.

Ovos moles – barrica 1

Depois do jogo de Domingo, e de mais 90 minutos em que a baliza adversária parecia ter-se transformado num modelo hóquei em patins, dei comigo a pensar que é bem capaz de ter havido uma pequena falha quando se pensou na posição de ponta-de-lança.
Tendo terminado a época a choramingar a venda de Liedson e com a certeza de que nem Postiga nem Djaló são o garante de golos que uma equipa que quer lutar pelo título necessita, partiu-se para o mercado em  busca de um matador (mais ou menos levezinho). Primeiro Wolfs, depois Rubio, depois Bojinov.
Três nomes que me agradam, confesso, ainda para mais quando tenho a certeza de que os homens contratados para as alas (Carrillo, Capel e Jeffren) são mesmo mais valias.

O problema, quer-me parecer, é a falta de paciência. Não do treinador, mas dos adeptos.
Wolfs fez um jogo e já lhe chamam atarantado, inútil, molenga e outras merdas que me deixam de boca aberta. Para além de haver quem ache que um gajo que custa cinco milhões tem que assinar um poker na estreia.
Rubio, que ainda goza de créditos granjeados na pré-época, terá o mesmo tratamento ao fim de dois jogos sem marcar.
Bojinov, esse, que há bem pouco tempo só nos FM e afins seria jogador do Sporting (tal como Capel ou Jeffren), já carrega sobre os ombros a alcunha de gordo ou de “andas a papar a gaja boa e depois não podes mexer-te”.

E foi, precisamente, esta falta de paciência dos adeptos que Freitas e Duque ter-se-ão esquecido de ponderar. Sem um nome incontornável, corremos o risco de queimar dois putos com enorme valor e margem de progressão, e dar mais pauladas a um craque búlgaro do que as que demos a um craque argentino antes de lhe beijarmos os pés depois do título conquistado. E, perante tal cenário, continuar a ter que ouvir alguns iluminados defenderem que a melhor solução é um rapaz tão esforçado quanto apatetado que marca uma dúzia de golos em quatro anos de leão ao peito.

O pormenor

Já muito aqui se escreveu relativamente ao jogo da madrugada de domingo, frente à Juve.
Foi entusiasmante a pressão alta, que durou quase 40 minutos na primeira parte e aniquilou a possibilidade de os italianos tentarem chegar ao empate na segunda. Há, claramente, mão de Domingos neste Sporting onde os jogadores sabem o que fazer com e sem bola. 
Foi impressionante a exibição de Rinaudo, omnipresente em todos os movimentos a meio campo, e entusiasmante a qualidade técnica de Schaars, tanto com a bola corrida como com ela parada.
Foi com um sorriso que assisti ao “comigo isto pia mais fino” transmitido pela exibição de Oguchi, um verdadeiro monstro no centro da defesa com todas a condições para assumir-se como patrão do último reduto.
Sonhei que íamos vender o Yannick por 20 milhões.
Desesperei com a incapacidade de Evaldo de, uma só vez que fosse, impedir Krasic de ir à linha e centrar.
E encolhi os ombros ao constatar que Pereirinha continua com aquela postura de gajo incapaz de declarar-se à miúda de quem gosta desde a 4ª classe.

E, no meio de tudo isto, enquanto pensava que aquela dupla de meio campo é brutal, que “se Deus quiser” o Izma aguenta os jogos mais complicados e que Capel vai agitar o último terço do campo, dei com a minha atenção presa a uma posição, nesta pré-época ocupada por Postiga.
Postiga tem sido o chamado nove e meio, jogando atrás do avançado, e vendo passar por si demasiado jogo para a sua capacidade de dar-lhe seguimento. E, quanto a mim, este é um pormenor incontornável para o futebol que venhamos a jogar: aquela posição não pode ser de Postiga. Ok, pronto, há joguinhos em que pode. Mas aquela posição pede algo mais. Pede magia, e não magia daquela parva em que o rei dos postes se sente capaz de marcar golos à meia volta, a trinta metros da baliza, sem sequer olhar para ela. Pede Matigol. Um Matigol solto, a la Balakov. Será possível?

Preocupações

Ontem, ao jantar, e pese a crescente onda de esperança que se apodera de nós, percebi que partilho com o Cintra e com o Douglas algumas preocupações:
– o nosso lado esquerdo, todo. Evaldo continua a revelar-se mediano, Yannick continua por revelar. A chegada de Capel (a confirmar-se, é um negócio do cacete), poderá resolver o problema do meio campo para a frente. Falta resolvê-lo para trás;
– será a nossa defesa, nomeadamente os centrais, capazes de responder a um adversário que coloque bolas em profundidade, nas costas da defesa? é que já se sabe que Domingos gosta da defesa subida e não temos propriamente homens muito rápidos no centro (e é impensável mantermos a pressão alta, impedindo o adversário de preparar lances longos, durante 90 minuto);
– Rinaudo é grande, pois que é, mas será capaz de refrear os ímpetos ou, se se preferir, será capaz de escapar aos amarelos que a sua forma de jogar lhe podem valer?
– o que é que se passa com Bojinov, foda-se? Está a perder peso? Está condicionado? Está enfiado na cama com o Lazanova?
– Postiga vai ser titular…

A vassoura

Maniche (nem devias ter vindo)
Pedro Mendes (se o Polga é útil pela experiência, qual a razão para Pedro Mendes não ficar?)
Caneira (finalmente)
Pedro Silva (quem é que te contratou?)
Purovic (o Youtube foi uma grande invenção, não foi? quase tão grande como o Paulo Bento querer que fosses um avançado móvel, capaz de vir atrás receber, distribuir, e sprintar para a área)
Valdés (não consigo entender a razão da dispensa. Até porque, numa estrutura organizada e com um treinador decente, podia fazer muito melhor)
Grimi (fizeste-me ter saudades do Leal. E do Balajic. Está tudo dito)
Zapater (obrigado pela forma entusiasta como festejaste os golos. Mas o futebol, pelo menos aquele de que gosto, é muito mais do que isso)
Vukcevic (Vuk, é uma pena ver-te partir. Ainda por cima com a certeza de que podias desempenhar na perfeição o papel para o qual estamos a tentar contratar o Bojinov)
Torsiglieri (acho que vai fazer-te bem um ano como titular noutra equipa. Vê se aproveitas para melhorar o teu posicionamento face a cruzamentos, por alto, para a área)
Saleiro (embora sejas capaz de falhar tantos golos como o Postiga, acredito que não farias pior se te dessem as mesmas oportunidades. Mas pronto, também acho que o Rui Fonte é bem melhor do que tu e deixámo-lo ir para Espanha)
Abel (acho bem que sejas integrado na estrutura)
Nuno André Coelho (és patético. Nos gestos e nas palavras. Ah, e nunca serás metade do pior pé do Beckenbauer)