Investir na paixão

Nasci em 77. Escolhi ser do Sporting aos cinco anos.
Consegui que me fizessem sócio aos 11 e que me pagassem as quotas. Depois passei a pagá-las com a mesada. Continuei a pagá-las com o trabalho. Incluindo o raio daquela quota extra, no final do ano, que não desaparece mesmo que o pessoal leve uma talhada no subsídio de Natal (ou fique sem o mesmo). Actualmente também pago as da minha filha.
Pedi para me comprarem equipamentos do Sporting. E cachecóis. Depois passei a juntar dinheiro para fazê-lo. Hoje compro para mim e para a minha filha e é por minha influência que o meu irmão também compra bilhetes ou boxes.
Pedi para me deixarem ir à bola desde os sete ou oito anos. Pagaram-me bilhetes. Pagaram-me a deslocação. Depois passei eu a fazê-lo. Hoje, compro gameboxes e gasto gasóleo ao preço do ouro para ir a Alvalade. E acho que ainda só não fui a Chaves ver o Sporting.
Fiz do meu programa de fim-de-semana saltitar entre as bancadas e o pavilhão do velhinho Alvalade. Faltei às aulas para ir ver treinos e tentar sacar autógrafos, quando os craques ainda iam a pé do estádio para o campo de treinos. Faltei à faculdade para passar das oito da manhã às quatro da tarde numa fila, para comprar bilhete,  fui várias vezes ver o sol nascer perto da bilheteira e passei uma noite entre o banco do carro e as chamadas, de duas em duas horas, para conseguir o desejado ingresso (depois veio a Juve Leo… e comeu).
Desde cedo que o mundo passou a parar quando jogava o Sporting. Fosse na rádio, na televisão ou no estádio, era a prioridade. Exigia não ser interrompido com o que quer fosse nesses momentos. Não atendia nem atendo telefonemas. E o meu estado de espírito altera-se consoante o resultado. Para o bem e para o mal, afectando quem me rodeia e que não tem que levar com os meus «fins de mundo interiores».
Já chorei, já ri, já cai do varandim, já apanhei escaldões num Jamor  onde a água esgotou, já apanhei constipações que me fizeram doer o corpo todo depois de duas horas a ver bola à chuva (e às vezes também me ficou a doer a alma), já fiquei sem voz, já subi à rede, já desci a correr o antigo topo sul pisando os que iam caindo pelo caminho, já levei porrada da polícia no Porto e em Lisboa, já vim de Algés ao Terreiro do Paço a pé depois de alguém se ter lembrado de puxar o travão do comboio, já corri atrás de adeptos adversários, já fugi de adeptos adversários e já evitei que vários levassem na tromba, já, já, já…

Meu caro Godinho, eu quero mais é que tu te fodas com esta tua espécie de operação coração.
Eu ando há mais de 25 anos a investir nesta minha paixão.

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Fantasmas

Como prefiro arrumar os fantasmas o mais rapidamente possível, aqui fica o meu “suspirado foda-se” para as últimas intervenções do engenheiro Godinho. Portanto, os 8 milhões e qq coisa gastos em contratações são, afinal, 15 milhões. Ficam, assim, a sobrar 15 para os retoques finais ao plantel, confirmando os 30 avançados nas eleições. Curioso é saber de onde este dinheiro chega:
os 30 milhões finais de investimento resultam de dinheiro que o Sporting conseguiu (como?) e de dois grupos de parceiros, que são co-investidores (quem?), um deles um fundo estrangeiro que comparticipa na compra de jogadores (fundo?!? um fundo, caralho?!?) e outro, um veículo financeiro criado por uma organização exterior (quem?), à qual o clube propõe jogador a jogador (ahm?!).
Foda-se… Bem, adiante.