Bem, parece que vamos ter que falar sobre isto

BdC no banco

Creio que estará para breve, o anúncio da não renovação com Jesualdo Ferreira. Mais do que as notícias que se vão sucedendo, o não anúncio da continuidade representa esse final de ligação. Ora portanto, e mesmo correndo o risco de um golpe de teatro ao minuto 92, a minha primeira reacção é: era o que me faltava, fazer disto um drama! Ou, se preferirem, era o que me faltava achar que Jesualdo é uma garrafa de Ty Nant servida no deserto.
Jesualdo fez melhor do que Sá Pinto, do que Oceano, do que Franky Ve? Fez, claro. Mais não seja, devolveu o conceito de arrumação táctica à equipa e restituiu os níveis de confiança (apesar dos tremeliques quando marcamos um golo e nos apanhamos em vantagem). Depois, e parece-me ter sido essa a sua grande conquista, conseguiu estabelecer uma boa relação com os jogadores, algo a que não será alheio o facto de ser um treinador com o nick de professor (resultou bem, numa equipa de miúdos).
Resumidamente, e já o disse, não me incomodava se Jesualdo ficasse. E, muito provavelmente, era mais do que suficiente para conseguir o que vai ser exigido na próxima época. A questão que se coloca é se, num projecto a médio prazo, seria (será) capaz de nos conduzir a um degrau mais acima?

Entramos, então, na roda dos nomes.
Fala-se em Rui Vitória. No seu percurso, bom trabalho ao serviço do Fátima, ao serviço do Paços e, agora, ao serviço de um Guimarães que começou a época em cacos. Em qualquer um destes clubes, com maior relevo para o actual, trabalhou com gente nova. É visto como um treinador metódico e organizado. Grande dúvida: será um novo Paulo Sérgio?
Fala-se em Leonardo Jardim. Sportinguista de gema, disse, quando era puto e apontando para a televisão, “um dia vou treinar aquele clube”. Esse clube era o Sporting. Deu nas vistas no Beira-Mar, altura em que, até aqui no Cacifo, alguns defenderam o seu nome em Alvalade (enquanto outros garantiam que estava a caminho do Dragão). Acabou em Braga, onde voltou a fazer um bom trabalho e de onde partiu para o Olympiakos. Foi despedido quando seguia em primeiro lugar. Tem imagem de um treinador virado para o ataque e com um feitio lixado. Grande dúvida: o que fará com uma equipa em formação, longe de estar consolidada?
Fala-se em Marco Silva. O brilharete do Estoril catapultou-o para as luzes da ribalta. É apologista de um futebol atractivo, de ataque, onde a equipa raramente se encolhe. Tem tudo a provar e quer prová-lo Grande dúvida: treinar o Estoril nunca será como treinar o Sporting, mesmo que seja um Sporting a reaprender a rugir. E terá ele voz de comando para um balneário de jovens craques em potência?

Podíamos alongar a lista, mas, a ser um português, não me parece que não seja um destes três.
Depois, claro, há os sonhos. Como Bielsa. Ou, mais megalómano ainda, como Jupp Heynckes.
São nomes que se sobrepõe a qualquer teoria estilo «deve ser alguém que conheça o nosso campeonato». São nomes que nada têm a aprender, apenas a ensinar. São nomes que se encaixam num projecto a médio prazo. São nomes que me fazem pensar que, imaginando que o nosso orçamento para a próxima época são 15 milhões, eu reservaria esse dinheiro, em primeiro lugar, para um treinador e um avançado que valessem pontos.

Seja como for, e independentemente dos nomes, há uma questão à qual teremos que ser nós a responder. Teremos paciência para perceber que, para o ano, não jogaremos para o título?

Se conseguir passar das palavras aos actos…

«I want football to be played the proper way, with the ball on the ground and every single person in the team playing his part. I want my football teams to entertain as well as win. This is how I was brought up and it’s why I fell in love with the game. Nobody remembers boring football teams, so why would any coach set up his team to be that?», Franky Vercauteren
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Eu até me ria, caso não parecesse tão grave

Godinho toma conta do futebol, entregando o seu braço direito a um advogado amigo. Estamos a brincar à Fantasy League e, por esta altura, já o expert presidente anda à procura de treinador no seu iPad.

ACTUALIZAÇÃO: parece que o homem está escolhido e que assinou até final da época: Franky Vercauteren (não era este que o Freitas queria e que o Godinho não quis?!?)

O senhor que se segue

Não será fácil encontrar um treinador que agrade a todos. Mais, não será fácil encontrar um treinador com estofo para agarrar neste Sporting. Senão, vejamos. Procuramos um bom treinador, com provas dadas, vencedor, apologista de bom futebol, com uma personalidade forte, capaz de agarrar uma equipa de um clube ligado à máquina, capaz de recuperar os oito pontos que nos separam do primeiro lugar, capaz de aceitar ter como adjunto um homem da casa (se ficar, Oceano tem que prometer-me que vai incentivar de forma “alarve” todos os jogadores, tal como fez com Viola antes de o fazer entrar, no Dragão), com perfil para trabalhar com jovens jogadores e para fazer a ponte com a formação e a equipa B, capaz de ignorar os constantes recados dos papagaios (também conhecidos por grandes sportinguistas, por notáveis ou por velhas glórias), capaz de ignorar completamente as vontades dos empresários, capaz de acreditar que os investidores vão chegar, e capaz de agarrar o que resta de um projecto que em meio tempo de vida já se partiu por duas vezes.

Se tudo isto fosse equacionado por quem está a escolher, diria que continuaremos à espera de um nome por mais alguns dias (e, a verdade, é que já quase se passou uma semana sobre a saída de Sá Pinto), vendo os jornais tentar a sua sorte a cada nova edição. Vou, então, por aqui: pelos nomes que têm surgido. E peço desculpa aos fãs do Bielsa, mas não me parece lógico estar a comentar uma hipótese que nem chega a sê-lo (tal como a ideia de ir buscar o Lippi à China, é completamente desprovida de sentido).

Começo por falar do gajo que até pagava o bilhete de avião para cá estar, Luis Fernández. Eu sei que o Sporting parece, actualmente, um clube de loucos, mas não sei se esse lado vincado deste treinador seria justificação suficiente para a sua contratação. Parece-me que, uma vez mais, iríamos estar a acreditar na sorte de descobrir o que outros não descobriram. E o raciocínio é exactamente o mesmo para o caso de Luis Enrique.

lNo que toca a portugueses, lançaram-se dois nomes (ok, foram três, mas o Jesualdo está a trabalhar, não está?): Manuel José e Cajuda. Confesso que até tinha alguma curiosidade em ver o que vale um muito mais experiente Manel Zé, mas, sinceramente, não o vejo com feitio para aceitar conviver diariamente com este Sporting esquisito. Quanto a Cajuda, parece-me mais um tiro no escuro e uma questão de fé louca, acreditando que a profecia lançada pelo próprio se concretizaria: «um dias que vá para um grande, é para derreter tudo!». O problema é se ele derretia o que nos resta.

Depois, Scolari. Obviamente que sou obrigado a respeitar o cv do homem. Tal como, acredito, seria gajo para unir “os minino” em torno de uma causa, mandar calar os tais papagaios e pintar o país com bandeiras verde e brancas penduradas nas janelas. Até podia dar jeito para ajudar a vender camisolas no Brasil. Duvido, no entanto, que seja gajo para dizer não aos interesses de empresários e para trazer para Alvalade um futebol que encha bancadas.

Da Holanda chega o nome de Bert van Marwijk. Agrada-me. Talvez mais por representar a escola que representa do que, propriamente, pelo conhecimento que tenho a seu respeito. Colocou a selecção holandesa a jogar bom futebol (perdeu a final com a Espanha, no mundial 2010), mas acabou por perder a mão num grupo minado por egos com demasiada dimensão. Gosta de jogar com extremos, chega de um país onde é comum apostar em jovens, já ganhou uma Taça UEFA, mas tem contra si a má experiência ao serviço do Dortmund onde, tendo que revitalizar um clube, nunca conseguiu sair do meio da tabela. Fixe, fixe, era ver chegar a Alvalade um Dick Advocaat, um Hiddink ou um Van Gaal. Mas isso seria quase como conseguir contratar o Iniesta…

Valverde, Valverde, Valverde. Gosto. Muito. Aliás, sempre que aqui escrevi sobre potenciais treinadores, apontei o seu nome. É jovem, tem ganas de ganhar e sabe o que é fazê-lo em mais do que um clube e em mais do que uma competição. Joga ao ataque. Sabem, quando penso em Valverde, recordo-me de Mirko Jozić, aquele tipo de gajo que nos leva a acreditar que tem tudo para dar certo.

Posto isto, tenho uma última surpresa. Sim, gosto muito de Valverde, mas ainda tentaria outro nome. Duvido que Gérard Houllier queira deixar o confortável posto de senhor do futebol de todas as equipas com a marca Red Bull, por isso a minha primeira escolha seria Radomir Antic. Joga ao ataque, sabe o que é ganhar, tem tomates no sítio para mandar uma caralhadas aos papagaios de serviço e pensar pela sua própria cabeça, tem a sua percentagem de loucura e até já sabe o que é deitar mãos a um clube problemático (Real Madrid, de onde foi despedido quando era líder da liga espanhola) e trazer outro de volta à vida (Atletico de Madrid).