Stoj, Stoj, Stojkovic! Stoj, Stoj, Stojkovic!

No dia em que José Eduardo Bettencourt assumiu na totalidade a pasta do futebol leonino, parece-me pertinente abordar o primeiro caso que tem que resolver: o que fazer com Stojkovic, que ontem meteu a pata na poça no jogo contra a França?

Para lá das muitas ou poucas qualidades futebolísticas do sérvio, os factos são estes:
– Stojkovic tem um enorme ordenado, cerca de 700 mil euros/ano, o que tem impedido de ser contratado por outros clubes;
– Stojkovic aceita rescindir se lhe pagarem um ano de salários;
– Stojkovic estará, muito provavelmente, no próximo Campeonato do Mundo e será titular na baliza da selecção sérvia

Não importa agora questionar quem deu aval à contratação de um jogador com tal ordenado (sim, o Ricardo tinha saído e ganhava mais), sem ter-se dado ao trabalho de ponderar o facto de ter vários antecedentes disciplinares. Importa, isso sim, perguntar o seguinte? Damos-lhe 700 mil ou esperamos que o homem se valorize no próximo Mundial para tentarmos conseguir ter algum retorno do investimento feito?

p.s. – já que falamos em Bettencourt e em Mundial, seria bom que o nosso presidente e, agora, responsável pela pasta do futebol, pensasse em, na reabertura de mercado, ir buscar um companheiro de Matias Fernandez na selecção do Chile, o goleador Humberto Suazo (conforme já aqui defendeu o Jordão). Aos 28, perdido nos mexicanos do Monterrey, era menino para marcar 10 a 15 golos por época no nosso campeonato. E, se a defesa da selecção chilena não der barraca como deu ontem, com o Brasil (Suazo marcou dois golos), vai poder mostrar-se ao mundo no Verão de 2010.

Anúncios

Sem luvas

Chama-se Ricardo, tem uma voz esquisita e há quem lhe chame “labreca”.
Em pequeno, como tantos outros rapazes, decidiu que queria ser jogador de futebol, acabando por chegar ao Sporting Clube de Portugal e à Selecção portuguesa.

Em 2004, numa manifestação máxima da sua auto-estima, Ricardo tirou as luvas para defender um penalti. Em plenos quartos-de-final de um Euro, num Portugal x Inglaterra que tinha ido para penaltis empatado 2-2, o Labreca (digam lá isto com voz de de Ricardo) lembrou-se de fazer tal coisa, defendeu o penalti e Portugal rumou às meias-finais, ou seja, esta controversa personagem acaba por ser figura maior num dos cinco jogos mais marcantes que vi ao vivo.

Pese esse momento e um outro jogo épico, novamente frente à Inglaterra, sempre tive a sensação que o tal do Ricardo só era titular da selecção porque o Scolaria gostava dele. Tanto, que até se esqueceu da final com a Grécia e ainda tivemos que levar com ele de olhos fechados contra a Alemanha, já este ano. Acontece que o Scolari, o tal que é muito amigo do seu amigo e adora bancos, foi para Londres a troco da reforma que nunca sonhou ter, sendo o seu lugar ocupado por Carlos Queiroz, curiosamente vindo de terras de sua majestade com a reforma mais do que assegurada.

Ora então, agora que o Queiroz anuncia a sua primeira convocatória, o pobre do Ricardo fica de fora, confirmando aquilo que muitos de nós já esperávamos. Já estou a imaginá-lo a choramingar, algures numa esplanada em Sevilha onde, curiosamente, corre o risco de passar a época no banco do Bétis local.
No fundo, sem amigos, se quiser voltar a vestir a camisola da Selecção nacional o Ricardo vai ter que fazê-lo sem luvas.  Numa qualquer bancada ou camarote, tentando fazer voz grossa quando, vítima do o seu problema de vista que tanto o atrapalha nas saídas, imaginar que a bola rematada do pontapé de baliza vem na sua direcção e gritar, de olhos fechados, “minha!”.