hora de embirrar: Rinaudo

Parece-me digno de estudo o facto de, depois do jogo que fez no sábado, Rinaudo ser alvo de críticas de adeptos leoninos. Parece que há muito boa gente que não gosta do estilo demasiado voluntarioso, parece que há gente que o considera uma nulidade táctica, parece que há, até, quem esteja disposto a vendê-lo ao melhor preço. Sim, Rinaudo. O tal que era ele e mais dez, até ter-se lesionado num cabrão dum ervado romeno. O tal que levava a equipa às costas, e que nos obrigou a meses de experiências até encontrarmos alguém que minimizasse a ausência. O tal. Rinaudo. Não sei se ria. Não sei se chore.

Para os treinadores de bancada

Enquanto lavava os dentes, vá lá saber-se porquê, o meu cérebro recordou-me que, neste momento, o Rinaudo é uma das nossas segundas linhas. Mais, que Rinaudo está atrás de Gelson.
Ora, eu acho que o Rinaudo tem condições mais do que suficientes para ser titular do Sporting (tanto a seis como em duplo pivot), ainda para mais de um Sporting a quem o treinador pede pressão constante sobre o portador da bola. E tu, o que é que achas?

Parece-me simples

Não tenho nada contra Gelson, e até aplaudo de pé a postura do gajo, no jogo de segunda-feira.
Mas, parece-me, há algo claro como a água e Sá Pinto terá percebido à força (o, agora nosso, Ricardo, não terá culpa de terem tentado vender-lhe uma infância e adolescência azuis): jogar com um Douglas, é diferente de jogar com um André. Jogar com um Paulo Sousa ou com um Duscher, é diferente de jogar com um Paulinho Santos. Jogar com um Rinaudo, é diferente de jogar com Gelson.

p.s. – também me parece incontornável a ideia, de que Ínsua é titular sem espinhas. Aliás, não deixa de ser curioso, que a mudança tenha começado, precisamente, no regresso destes dois jogadores.

A propósito de Izmailov

Creio ser simples entender que Izmailov, tal como Onyewu, tinha as portas abertas para sair do Sporting. E, tal como afirmei no final da época, «Quanto a Izmailov, é algo que me deixa angustiado. Adoro o jogador, acho-o o melhor jogador do plantel, mas andamos há três anos a acreditar que “quando o Izmailov recuperar é que vai ser”. Tal como acontece com Matias, poderíamos guardá-lo para grandes jogos, mas, e é uma facada que dou em mim mesmo, aceitaria vendê-lo caso surgisse uma boa proposta após o Euro».

Ora, segundo a Bola, essas propostas terão surgido por parte de Spartak Moscovo, Dínamo de Moscovo e Anzhi e, a julgar pelos intervenientes, não devem ter sido propostas de tostões. A todas elas Marat terá dito “não”, sendo um dos motivos para a recusa a vontade de ser campeão pelo Sporting, não estando colocada de parte a hipótese de terminar a carreira em Alvalade.

Eu não sei o que esperar de Izmailov. Ou melhor, sei. Sei que sempre que ele está em campo, mesmo a 70% ou 80%, o futebol do Sporting se torna diferente. Para melhor. Sei que a bola é mais redonda, as linhas de passe duplicam e os remates de meia distância ganham outro perigo. E sei que está ali alguém que sente a camisola, que está ali um artista que não tem vergonha de trabalhar mais do que qualquer operário. O que eu não sei é em que condições está o nosso 10. Nem quantos jogos aguentará. Mas a julgar pelas notícias de hoje, parece estar confiante e cheio de vontade de complicar as contas a Sá Pinto.

Assim sendo, sê bem-vindo de volta, camarada Marat! (e, já agora, sê bem-vindo de volta, camarada Fabian Rinaudo).

Um drama tem a dimensão que lhe quisermos dar

“Foda-se!”. Foi assim, de forma simples e directa, que reagi às imagens da lesão do Rinaudo. E porque pouco mais haveria a dizer, fui repetindo a palavra mentalmente ao longo da noite e, confesso, ainda acordei com a dita a ecoar-me no cérebro.

O banho fez-me colocar as ideias leoninas no lugar e ter a certeza de que, por mais indiscutível que seja a importância de Rinaudo na nossa equipa, era o que faltava olhar a sua lesão como uma fatalidade quase equivalente ao perder uma época inteira. Lembrei-me que já ficámos sem ele no início de um jogo e, com dez, ganhámos. Lembrei-me que vamos continuar a entrar em campo com onze jogadores nos quais acredito. E que, com toda a certeza, todos eles terão vontade de, primeiro, mostrar que o todo vale mais do que as partes, mesmo sendo uma soma delas, e que, em segundo, terão vontade de cerrar os dentes e aguentar o barco atingido por uma espécie de peste negra que teima em atirar jogadores para a enfermaria.

E lembrei-me de Domingos. Que confio nele. E que, por esta altura, deve estar a perguntar aos deuses do futebol se ainda não lhes tinha chegado terem-lhe tirado Vandinho num qualquer túnel obscuro do nosso futebol. A forma como Domingos vai suprir esta ausência deixa-nos, a todos, curiosos. Conseguirá fazer de André Santos um homenzinho? Fará avançar Carriço? Inverterá o meio campo, passando a jogar com um duplo pivot Elias-Schaars, libertando Matías como puro dez atrás de Wolfs e entre Capel e Carrillo? Achará, como eu acho, que Polga pode dar um razoável trinco?

A resposta será dada no domingo, frente ao Leiria, num jogo que, de um momento para o outro, se tornou num dos momentos mais importantes da época. Ganhando, temos tempo para aproveitar a paragem no campeonato e trabalhar a melhor solução para continuar a fazer crescer a onda verde até Janeiro, mês em que podem ser corrigidas algumas falhas na formação deste Leão que, pese os poucos meses de vida, queremos que se torne adulto à força.

 

Unhas encravadas

Elias e Matías são compatíveis?
Domingos tem gerido com mestria os vários estados de alma do balneário. Basta recuar ao último jogo e recordar a entrega da braçadeira a Daniel Carriço, numa forma de motivar ainda mais um jogador que vinha de marcar no regresso à titularidade. E, a bem dessa gestão, Matías, motivado pelo bom jogo na Liga Europa, manteve a titularidade nos jogos da Liga, ocupando o lado direito do meio-campo a meias com Elias e com João Pereira. Ganhámos, é verdade, mas parece-me que ficamos sempre a perder. Matías será compatível com Elias num meio-campo onde ambos joguem no centro, mas a equipa e o próprio jogador ficam a perder quando o chileno é encostado à linha direita. O que Capel faz à esquerda, alguém terá que fazer à direita. Carrillo ou Jeffrén, com Pereirinha à espreita, são donos do lugar e ponto final.

Jeffrén
O cabrão do 7 voltou a afzer das suas pelas bandas de Alvalade. Agora que parecíamos estar a renovar o brilho dessa camisola através da recuperação de Bojinov, somos surpreendidos pelo calvário do número 17. E surpreendidos será um tanto ou quanto subjectivo, pois ao que parece os problemas musculares não são de agora. Estou-me a cagar se o rapaz precisa de acompanhamento psicológico, se tem uma formação muscular de atleta de velocidade, se isto se aquilo. Sei que o departamento médico não ficou lá muito bem na fotografia e que a equipa está a ser prejudicada pela ausência de um talento inegável. Há que resolver esta questão o mais depressa possível e, tanto por nós como por um jogador muito acima da média com apenas 23 anos, quando Jeffren voltar a jogar é para fazê-lo várias semanas seguidas.

Rodriguez
Mais um jogador com um historial de lesões que explica o porquê de passar mais tempo de fora do que a jogar. Domingos confia nele, por isso o trouxe de Braga, e é um jogador que, para além da experiência e de ser dos quatro centrais o mais talhado para jogar à esquerda, nos torna mais fortes no jogo aéreo. A novela das idas à selecção, onde as lesões parecem desaparecer por obra e graça dos espíritos de Machu Picchu, só servem para que os adeptos o olhem de lado e, cada vez mais, se questione a necessidade de, em Janeiro, trazer outro central (para mim isto nem se questionava. Era trazer um que pegasse de estaca ao lado do Onyewu).

Rinaudo
É vergonhosa a perseguição de que está a ser alvo. Os dois últimos amarelos só são aceitáveis à luz de uma campanha que visa deixá-lo de fora do derby, e deixam Domingos com uma dúvida por resolver: colocá-lo, ou não , frente ao Leiria? Eu confesso que o deixava de fora e até era capaz de experimentar colocar Elias ou Schaars a trinco, recuperando Matías para o meio. É que a teoria de que, vendo um amarelo, pode forçar o segundo e ser expulso (cumprindo o castigo contra o Braga, para a Taça) é muito bonita se pensarmos que vamos ter um jogo que permita ficarmos com menos um de propósito. Para além de que, à partida, será mais complicado receber o Braga do que o Leiria.