Palhaço Baldé

palhaçobalde

A confirmação do merdas que és

 «Sei da dedicação do engenheiro Nobre Guedes à situação financeira do Sporting», Rui Oliveira e Costa.

Ensaio sobre o Godinho (parte 1)

Godinho é presidente. Godinho toma decisões.
Primeiro, Godinho decidiu candidatar-se. Gostava daquela casa, onde já tinha vivido e de onde havia saído sem deixar saudades. Não sabia muito bem como fazê-lo, por isso tratou de convidar todos e mais alguns para a sua lista. O gajo do clube automóvel, o gajo amigo das claques que, em tempos, prometeu trazer o Nedved, e, entre tantos outros gajos, dois para encher o olho aos mais incautos: Luís Duque e Carlos Freitas.
Depois, Godinho decidiu que precisava que alguém lhe debitasse merdas através do iPad, em todos os debates pré-eleitorais, e que dava jeito lançar nomes de bons jogadores para os jornais, associando-os à sua lista. Por fim, assentou a sua campanha em duas ideias chave: afirmar que Duque e Freitas eram garantia de sucesso; assustar o universo leonino com a ideia de que o candidato que mais sombra lhe fazia era um novo Vale e Azevedo.
Em noite de eleições, Godinho decidiu que não podia perder. Falou com os amigos e eternizou uma expressão, independentemente da vergonha a ela associada: afinação. E, bem afinado, subiu a um palco improvisado para um discurso de vitória em que apenas ele acreditava («eu sou o presidente de todos os Sportinguistas»).
Depois, apresentou Domingos. O homem certo, no lugar certo. Domingos, Duque e Freitas, o trio com o qual garantia um «projecto vencedor».
Ao fim de seis meses, Godinho decidiu despedir Domingos. Sem problema, meus caros, porque Godinho decidiu que, afinal, Sá Pinto é que era o homem certo, no lugar certo.
Passaram mais seis ou sete meses, e Godinho decidiu que Sá Pinto tinha que sair.
Atarantado, com aquele ar que desperta em mim vontade de usar um directo de direita com toda a força, Godinho não sabia muito bem o que fazer. Tinha que apresentar um treinador, pois tinha, mas não sabia quem e, ao que parece, não estava muito virado para as sugestões do Freitas (sabia lá o Godinho quem eram aqueles senhores com nomes estranhos). Decidiu comparar-se ao corrupto nortenho, elogiando-o, inclusivamente, enquanto lançava para a fogueira mais um nome capaz de acalmar parte das hostes: Oceano.
Agora, Godinho decidiu que Duque e Freitas não eram, afinal, garantia de sucesso. E decidiu escavacar, de vez, o seu projecto imaginário.

Eu sou capaz de entender a decisão. Afinal, nunca se percebeu muito bem o que é que o Duque ali fazia e, para todos os efeitos, foi ele e Carlos Freitas os responsáveis pelas contratações de jogadores e treinadores (atenção, fica desde já aqui a minha opinião de que, nesse campo, Freitas nos deixa com matéria prima mais do que suficiente para formar uma equipa vencedora).
Agora, o que eu não entendo, e acho do mais vergonhoso e invertebrado, é que Godinho se esqueça do essencial.
Que Godinho é presidente. E que Godinho tomou todas estas decisões.