“Sigan mamando”

Finalmente, uma análise lúcida sobre os resultados da AG do Sporting.

“Que la chupen y que la siguen chupando”.

Obrigado Maradona. Mais uma vez.

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Existe um plano B?

Eu aposto que não, que não existe. Que ninguém naquela “santa direcção” pensou na hipótese de ter que substituir o Paulo Bento, contrariando o disparatado “forever” dito pelo nosso presidente.
Quase aposto que, na reunião desta tarde, se surgir a pergunta “tens aí a lista de nomes de treinadores?”, vão ficar todos a olhar uns para os outros.
O Pedro Barbosa finge que deixou cair uma caneta e esconde-se sob a mesa. O Telles desaperta a gravata, nervoso.
O Bettencourt quebra o gelo, lançando uma piadola. “O Mourinho é que era, pois era?”
Risota geral. E silêncio. Alguém arrota sem querer, traído pelo final da piada Mourinho. Mais risota, mas uma risota nervosa, como que tentando encobrir o vazio de ideas. Ou de trabalho de planeamento, claro está.

No meio desta tragédia, Bettencourt olha para a sua assistente e diz-lhe: “Penélope, empreste-nos o seu portátil, sff. O Google vai ajudar-nos de certeza!”, e é movidos pela esperança de que algo do género aconteça e que o Juba Branca acabe a navegar pelo Cacifo, que vos pedimos ajuda.

Quem é que vocês acham que devíamos tentar contratar para o lugar do Paulo Bento?

Até que profundidade terá que ir o Titanic?

“Não me recordo de estar a 10 pontos do líder à 7ª jornada. Os jogadores são os mesmos e a equipa técnica também, por isso só devia haver melhorias. A qualidade de jogo deixa muito a desejar. Não me recordo de ver o Sporting a jogar tão mal. Já vi mandarem treinadores embora por muito menos, até quem ia em primeiro…”, Cadete, in Jogo.

Eu aplaudo as palavras do Cadete e continuo com uma pergunta semelhante a matutar-me na cabeça.
Será que termos enterrado a hipótese de sermos campeões à sétima jornada, não é motivo suficiente para mudarmos?
Ou, se preferirem, depois de termos hipotecado dois dos objectivos – apuramento para a Liga dos Campeões e campeonato nacional – estamos à espera do quê? De voltarmos a ser enxovalhados nos oitavos de final de uma competição europeia? De ganhar uma tacinha de merda para dizer que o Paulo Bento conquistou mais um troféu?

Neste Titanic de merda, temos um Almirante sem tomates para despedir quem dá o peito às balas por ele, e um Capitão sem a humildade para entregar o leme a alguém que ainda possa salvar o que houver a salvar, insistindo na estafada teoria de que ele consegue dar a volta com este grupo de marinheiros desesperados e fartos de aturar quem os orienta.

Eu, em terra, só lamento que não se aproveite quase três semanas de águas mais calmas para tentar evitar que o barco fique, definitivamente, preso no fundo do mar.

Frases

José Eduardo Bettencourt, o mais forte candidato à presidência do Sporting, deixou bem claras as suas ideias: “Paulo Bento forever!”

Eu, que até gosto do José Eduardo Bettencourt, aproveito para deixar bem claras as minhas: estou farto de ficar em segundo! (só para enumerar um dos pormenores bentianos que me enfastiam)

No pasa nada

Sim, a utilização do termo em espanhol é uma referência ao Paulo Bento, mas também a todos os Sportinguistas que foram capazes de olhar o Enxovalho de Munique e dizer-me “epah, acontece. Não viste que o Real Madrid também foi humilhado pelo Liverpool?”. Pois…

Esta é, quanto a mim, a grande questão. Como é possível olhar-se aquele enxovalho, dividido em dois actos, com tal estado de espírito? Fernando Santos por certo diria, “futebol é isto”, mas como pode um adepto que sofre há anos pelas cores leoninas dizer-me coisas como “Foi um dia mau”. “Foi péssimo”. “Correu tudo mal”. “Acontece”.

Acontece, meus amigos. Acontece.
De cada vez que alguém me diz “acontece”, só me dá vontade de ir-lhe aos cornos com uma chuteira artilhada de pitons de alumínio. Mas, o que é que acontece? Levar cinco do Madrid, cinco do Barça, cinco do Bayern e mais sete do Bayern? Ser constantemente enxovalhado? Como é possível encarar-se tudo isto com um encolher de ombros, com uma atitude avestruz ou, simplesmente, esperar que uma noite de sono ajude a minimizar os estragos?

Isto é grave. Muito. E significa que, tal como a direcção, o treinador e os jogadores, muitos adeptos perderam a noção do que significa jogar de leão ao peito e perderam todo o sentido da responsabilidade. E, assim, o Enxovalho de Munique passa a ser algo que faz parte do passado.
Passa a ser um jogo que, tal como foi encarado, servia para cumprir calendário (afinal, o objectivo estava cumprido e esse passava por chegar aos oitavos para ganhar uns trocos).
Passa a ser um dia mau que, dizem, pode ser apagado com uma grande resposta frente ao Rio Ave, esse grande jogo frente a um colosso que vai permitir-nos continuar em busca do título.
Ou, como ontem já se pedia na Academia à saida dos jogadores, passa a ser um dia mau que terá na final da Taça da Liga, essa maravilhosa competição, um bálsamo topo de gama.

É triste. Mais até do que ser enxovalhado e passar a ser o “artolas da Europa que mais golos comeu numa eliminatória da Champions”, é triste sentir que tudo isto vai passar incólume.

No fundo, é como se ouvisse constantemente na minha cabeça as palavras do De Franceschi (esse mesmo), que foi de propósito a Munique ver o jogo, e depois do enxovalho afirmou “O Sporting nunca, mas nunca pode perder assim! Fazer esta figura!”. Depois… depois tento encontrar uma resposta a este pensamento que me parece correcto e a única que encontro vem ao ritmo das sevilhanas. “No Sportén? No Sportén no pasa nada!”

Ele sai…

Não!
Soares Franco não se recandidata. Porque a crise obriga a trabalhar nas empresas. Mas também porque os sportinguistas não querem inovar.

Inovar?
Soares Franco explicou, primeiro, o que não é inovar: aprovar uma reestruturação financeira em AG. Isto é, passar direitos TV para a SAD, cujo capital será diluído com a emissão dos bichos (os VMOCs, primos dos ORCs). Ou seja, o Sporting manda menos sobre cada vez menos fontes de receita.  

E o que é, então, inovar? Inovar é passar os direitos TV, a publicidade e a venda de camisolas, mais o estádio e a academia para uma SAD em que vão mandar ainda mais os clientes e fornecedores da própria SAD (por causa dos VMOCs, os gajos). Tipo, eu vou ao talho e voto a favor de um bife a cinco cêntimos. Eu vendo um jogo e decido o preço. Eu dou o nome ao estádio e decido quanto pago. Eu alugo a Academia e decido o retorno. Este tipo de inovação, Soares Franco acha que os sportinguistas não querem. E, então, ele sai.

Mas inovar é mais que isso. Implica que os associados deixem de votar as decisões sobre o destino da sua associação. Porque esta coisa da democracia representativa é uma maçada para quem tem de inovar. Porque, para Soares Franco, o Sporting não é uma associação, é uma empresa. E os accionistas, clientes, fornecedores, financiadores é que têm de mandar numa entidade paga por… por… por… os associados.

Vou… mas ficam esses senhores
Soares Franco sai mas quer deixar o primeiro passo para a inovação aprovado. Se não ficar aprovado, o Sporting entra em incumprimento em Junho. Logo, já com o novo presidente. Que para se candidatar tem de concordar com o projecto de inovação. Se não, candidata-se à presidência de um clube em incumprimento. E ninguém quer candidatar-se a um clube em incumprimento. Logo, o candidato tem de acreditar num clube empresa, onde as maiores fontes de receita estão num talho onde a SAD manda menos que os tipos que compram os bifes. Tem de acreditar… em tudo o que o Soares Franco acredita, a família Espírito Santo acredita, o sr. Vara acredita, o sr. Oliveira acredita, o sr. Madaíl acredita… Se não, o clube entra em incumprimento com estes senhores. E já se sabe, sem estes senhores, ninguém consegue fazer nada neste futebol…

… futebol esse que, para Soares Franco, está uma maravilha. Nem precisa dele. Por isso, ele sai.

Será que sai?
Sai… porque, em boa verdade, ele nunca esteve. Porque deixa o clube entregue aos verdadeiros donos… os que mandam e querem mandar mais. E que rapidamente arranjarão outro Soares Franco, outro Dias da Cunha, outro José Roquette, outra marioneta… quem será?