O Sporting de hoje: do “clube amador” à “gestão profissional”

Reza a lenda que no início da década de 90 havia um clube governado por um louco ali para os lados de Alvalade. O louco era o Sousa Cintra e o clube era o Sporting. Nesse tempo, quando se vivia na expectativa de voltar a ganhar o título que fugia há uma década, havia um leão a viver verdadeiramente na selva: despediam-se treinadores como quem bebe copos de água, vendiam-se ilusões, apareciam Pelés que acabavam a jogar no Famalicão, corríamos com quem liderava o campeonato, contratavam-se Douglas, Silas e Luisinhos, viviam-se momentos históricos na UEFA, juntavam-se Balakovs, Figos, Valckxs e Paulos Sousas num único onze, levava-se a imprensa em tournée para contratar avançados jugoslavos que acabavam por não vir, pilhava-se o plantel aos lampiões, enfim, era a loucura. Não ganhávamos, mas era a loucura. Acreditávamos, enchíamos Alvalade, jogava-se à bola, tínhamos jogadores com mística e mesmo perdendo para os rivais havia sempre ânimo em cada adepto para enfrentar uma discussão, convicto de que nós é que éramos realmente grandes. Isso de não ganhar era um detalhe.

Nesse tempo que a história teimou em marcar como a época de gestão taberneira e amadora, o Sporting tinha um passivo de 30 milhões de euros. Estávamos em 1995. Repito: 30 milhões de euros. Com a curiosidade de, nesse mesmo ano – e como explicou recentemente o Tomás Aires num artigo do “CM” – o Sporting ter um património superior a 60 milhões de euros só em terrenos. Ou seja, sensivelmente o dobro do passivo. E isto, sublinhe-se, com uma gestão amadora.

Depois veio Roquette. Primeiro com Santana como fantoche, depois ele próprio como mestre da banda. Vinha o mundo das SAD e da gestão profissional. O argumento era simples: o futebol moderno era uma indústria e o clube tinha de ser gerido como tal. Uma indústria que pressupôs ser visionário, antecipar o futuro, transformar o clube numa empresa, primeiro, e num conjunto de empresas, depois. Todas elas com activos tangíveis e intangíveis, capitais, accionistas, balanços, empréstimos obrigacionistas, dívida financeira, passivo corrente, passivo não corrente, VMOCS, enfim… um fartote. O adepto comum não percebeu nada. Ouviu falar num estádio novo, numa academia, na aposta na formação e na projecção do Sporting como grande emblema nacional do século XXI. E nisto o povo português é fodido: cheirou a modernice, o verbo era erudito, a malta tinha pinta de perceber do assunto e até era descendente de fundadores, portanto… vai de aceitar tudo.

Depois, depois cá estamos nós, hoje, para fazer contas à gestão profissional: o estádio ia custar 75 milhões e teve uma derrapagem para mais de 115 milhões; a Academia estava orçada em 6 milhões e custou quase o triplo; na vertigem de consolidar o domínio após o primeiro título (em 2000) gastou-se o que se tinha e o que não se tinha na compra e salário de jogadores caros nos anos seguintes (João Pinto, Paulo Bento, Dimas, Sá Pinto, Jardel, entre outros), construíram-se edifícios-sede, centros comerciais, exploraram-se clínicas… por aí fora. Em 2000 o passivo do clube rondava já os 65 milhões de euros. Em 2005 os relatórios e contas apontavam para passivos na ordem dos 150 milhões de euros. Mas em 2009, Soares Franco viria esclarecer que afinal o passivo estava mascarado e o seu montante real era de 280 milhões desde… 2005 (?!?!?!?!). O clube estava tecnicamente falido e nas mãos da banca e credores. Hoje o passivo ronda os 300 milhões e sucedem-se as fugas em frente com reestruturações financeiras atrás de reestruturações financeiras.

Aqui chegados, que balanço? Em 15 anos ganhámos dois campeonatos, meia dúzia de taças e supertaças e fomos a uma final da UEFA. O passivo entretanto cresceu de 30 para 300 milhões. Compensou? Claramente não! Sobretudo porque ninguém consegue perceber ao certo o que se passou durante este trajecto que levou o clube a multiplicar o seu passivo por 10 em década e meia. A não ser o mais simples de se perceber: que muita gente terá ganho dinheiro à custa do clube e que José Roquette, Dias da Cunha e Soares Franco (e todos os que os acompanharam nas suas aventuras) são os rostos de uma gestão danosa que comprometeu seriamente o presente e o futuro do Sporting.

Não, isto não é populismo: é um facto. Foi esta gente que conduziu o Sporting à situação actual. Por isso me custa hoje a acreditar que esteja nestes senhores, ou nos seus cooptados, a salvação para o buraco em que estamos enfiados. Ainda acreditei em Bettencourt: pela falta de comparência de oposição credível e talvez porque me parecesse menos engravatado que os antecessores. Mal sabia eu o que aí viria… Por isso, repito, já não consigo acreditar nesta gente. Espero que me surpreendam, claro, mas já não acredito. Sobretudo porque, com o clube financeiramente estrangulado e com a gestão desportiva algemada à banca, a Sporting SAD está hoje condenada a colocar em segundo plano aquilo que era suposto ser o “core business” da “empresa”: o futebol enquanto espectáculo. Pior do que não ganhar, pior do que a terrível sensação de não estarmos aptos a lutar pelos títulos, é esta ideia de que o futebol jogado do Sporting parece traduzir, há um par de anos, a mesma sensação que os nossos gestores e accionistas devem ter quando olham para a merda que fizeram: “é uma chatice”.

(Próximo capítulo – “O Sporting de hoje: o jogador, o activo e a acefalia do gestor”)

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É só isso, sr Presidente?

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Depois de ter dito que confiava em que nomeava os árbitros (ou seja, em quem faz parte da máquina de enrabanços a que estamos sujeitos e que tinha acabado de nomear o árbitro contra quem temos um processo a decorrer);
Depois de ter dito que ia sentar-se ao lado de Pinto da Costa (ou seja, ao lado de um dos rostos da corrupção em Portugal);
Depois de ter dito que o FCP-Sporting ia ser um espectáculo (ou seja, que estava mais do que pronto para o que aí vinha)

José Eduardo Bettencourt, presidente do meu clube, que nas várias entrevistas que deu antes das eleições disse ser importante criar uma estrutura que impedisse o treinador de estar exposto a questões relacionadas com arbitragem e afins, viu o jogo de camarote ao lado de quem todos nós sabemos e, no final, depois de termos sido literalmente gozados pelo gajo do apito que ficou fodido da vida porque a namorada o encornou com o treinador de guarda-redes do Sporting, deixou, uma vez mais, que fosse o treinador, Paulo Bento, a dar corpo às balas. 

Esperei uma reacção durante a noite. Ao pequeno almoço. Ao almoço. A lanche. Até que… aparece esta miséria no site oficial do Sporting:  

1. O Conselho de Administração da Sporting, SAD tudo fez para que a lamentável nomeação do senhor Duarte Gomes para arbitrar o jogo FC Porto – Sporting não criasse um ambiente insustentável à volta desse encontro e não condicionasse ainda mais uma arbitragem já de si condicionada pela decisão do senhor Vítor Pereira;

2. O Presidente do Conselho de Administração da Sporting, SAD sentiu-se até na necessidade de proferir algumas declarações que mais não visavam do que contribuir para que o árbitro pudesse, ainda assim, ter as condições mínimas para dirigir o encontro;

3. O Presidente da Comissão de Arbitragem da LPFP, ao longo dos anos em que vem exercendo o seu mandato, tem tomado decisões que manifestamente têm prejudicado a Sporting, SAD. Desde a inacreditável nota interina lida apenas aos delegados ao jogo Estrela da Amadora – Sporting, sobre os atrasos aos guardas redes na sequência de um jogo no Estádio do Dragão até ao inaceitável silêncio a seguir às incidências da Final da Taça da Liga da época passada e às lamentáveis tentativas de justificação proferidas pelos três dos árbitros dessa partida, tudo tem sido possível e passado impune;

4. Aliás, a dignidade do cargo de Presidente da Comissão de Arbitragem não se compadece com a aparente vontade de usar as nomeações para acintosamente provocar clubes, como aconteceu com a nomeação ora em causa;

5. Apesar de tudo, a Sporting SAD manterá a forma independente e transparente como se tem relacionado ao longo dos anos com as instituições que regem e dirigem o futebol português, sem prejuízo de vir a terreiro sempre que tais princípios sejam postos em causa como o fez agora a Comissão de Arbitragem.

 

É só isso, sr. Presidente? Sabemos que estão a meter-nos o dedo no cu (ou melhor, a mão toda), soltamos um “ai, ai, ai” envergonhado e prometemos continuar a assistir tranquilos à enrabadela?
Olhe, sr. Presidente, a questão é que já não somos só nós a estarmos fartos. Aplaudi de pé quando o Paulo Bento disse “o Sporting é demasiado simpático e depois quem paga são os jogadores e o treinador”, dando voz ao descontentamento que deve ter tomado conta do balneário quando o sr Presidente aceitou de rabo alçado a nomeação do encornado. Aliás, sr Presidente, depois das suas palavras, percebo agora pq razão o nosso treinador não comentou a nomeação antes do jogo.

Sabe, sr. Presidente, dava jeito encontrarem forma do Paulo Bento deixar de fazer o seu trabalho e o do director de futebol que só serve para ir a sorteios na terra do chocolate. Podia ser que, dessa forma, tivesse mais tempo para pensar no porquê de entrarmos a dormir em todos  os jogos.

Chantagem?

Filipe Soares Franco diz que não sabe se conseguirá concluir o processo da renovação de Liedson durante o seu mandato. O presidente do Sporting revela de resto que o clube ainda não apresentou proposta ao avançado, cujo contrato termina no final da próxima época.
«Não sei se consigo reunir as condições até lá para poder renovar com o Liedson. O jogador ainda não tem proposta», in MaisFutebol

O duelo

De um lado, o homem do passado. O Tó. O homem que quase faliu uma empresa, que ajudou a quase falir um banco, um homem que lutou, qual D. Quixote, contra o sistema… até perder os berlindes e desistir da missão porque… “os sócios não gostavam do meu treinador” . Um cooptado. Um homem, cuja família de tanto procriar entre si, deixou-o no final da linha, com os genes do fundo do poço… uma característica que afectou para sempre a sua já mítica eloquência. Por simplicidade de linguagem, chamemos-lhe “o velho”.

Do outro, o homem do presente e, provavelmente, do futuro. O Tiger Woods do Estoril. Mas branco. O menino sempre gozado na escola pela sua desproporcionada altura. O antigo director-desportivo do Estoril, que tinha Fernando Santos como treinador, o mesmo que quis despedir pelas costas já no Sporting. O homem do sistema… do futebol, do poder, da banca. O construtor civil que gosta dos prazeres simples da vida… para quem o Sporting é uma “loucura” de um adolescente que nunca cresceu. Por simplicidade de linguagem, chamemos-lhe “o bêbado”.

Unidos pelo Sporting, separados por guerras de poder entre os bancos concorrentes. Nunca deram motivos de orgulho aos sportinguistas, só razões de vergonha. Hoje, enfrentam-se, no que poderá ser o “ground zero” do clube: são ambos responsáveis pelo estado a que chegou o clube. São ambos fantoches que agora querem cortar os cordéis e assumirem a vontade própria. Teme-se o pior…

o Cacifo acompanhará este duelo deprimente… com as actualizações possíveis…

22h02: “o sr. dr. Dias da Cunha”, Soares Franco começa ao ataque.
22h03: “desejo que o debate se comporte com lisura”, Soares Franco também tem o tal problema dos casamentos entre primos… malditos genes! Entretanto, a explicação do costume sobre como o referendo é mais fixe, mais democrático e não temos de aturar o povo, que é chato e obriga-nos a ouvir as parvoíces que eles dizem lá na taberna…
22h07: “dr. Soares Franco”, diz mais calmo o “velho”, que já deu um raspanete ao “bêbado”… e promete contar histórias mais logo (talvez noutro local, imagino). Cita cartas, lembra e relembra AGs do passado, sabe quando saiu da presidência, está em forma o “sr. dr.”… E toma lá uma ganchada de direita, bem na queixada do Franco: recorda a assumida falta de competência e vontade do adversário para ser presidente do Sporting.
22h12: “Temos de falar do buraco”, interrompe Franco. Esperemos que isto não descambe num debate sobre golfe.
22h13: “um dia, pelas nove da manhã, entrou no meu gabinete…”, Soares Franco relembra as coisas bonitas do passado de ambos.
22h14: falam de cartas, pedidos para isto, para aquilo… enfim, duas comadres a discutirem as manchas de líxivia na roupa estendida…
22h15: Soares Franco já ajudou duas vezes o “velho” a citar nomes… se estes homens não são amigos, não sei o que são… “toda a gente pediu para o sr. dr. não se ir embora”… isto ainda vai acabar numa supercandidatura, de duas cabeças, qual delas a melhor…
22h18: o Dias da Cunha já está nos seus habituais patinanços… mas o Soares Franco não ataca, pelo contrário, continuam amigos como até aqui.
22h20: “Vou para Moçambique e quando voltei, tudo tinha mudado”, diz Cunha… lembrando os amores perdidos depois da guerra do Ultramar.
22h20: “É o único presidente da Europa que sai quando sai um treinador, não existe, não existe, não existe”, ataca o “bêbado”… Defende-se o “velho”, com “a campanha que estava montada contra o prof. Peseiro”… Soares Franco diz que se passa o mesmo com ele agora… “são as mesmas pessoas”… Isto já está no campo do octáviomachadismo… Que cumplicidade!
22h22: “vamos ao buraco”, dizem os dois em uníssono! Genial, o momento da noite até agora!
22h23: estão os dois a conduzir o debate… já ignoram olimpicamente o rapaz que está entre eles…
22h25: citando uns papéis, Soares Franco diz: “em Fevereiro, que era Março (apontando para outro papel)”… são estes pormenores de calendário que fazem toda a diferença na gestão deste homem.
22h27: “pode ser até o lease back!”, argumenta, e com a razão que lhe dá um argumento deste género, o ainda presidente.
22h28: “ó dr Rui Meireles”, diz o “velho”, recuperando rapidamente um “sr. Soares Franco… ai os berlindes…
22h30: a minha TV Cabo diz-me que “o cartão expirou”… estes lampiões estão em todo o lado! Mas inconsequentes, como habitual, continuo a ouvir o Dias da Cunha a dar uma seca monumental sobre como os bancos mandaram no seu mandato. Soares Franco espreita uma oportunidade (“ah sim? tem a certeza?”) para devolver a ganchada de há pouco.
22h32: “pau, pau, pau”, sublinha o “bêbado”.
(interrompo o acompanhamento em directo… isto está a ser tão mau, pior do esperado, que preciso de alguma ajuda externa… voltamos dentro de momentos, depois do visionamento integral em diferido).

(regressamos, já devidamente preparados mentalmente… seguimos até ao fim, com um prudente “time lag” de vinte minutos, para evitar, à americana, um indesejável mamilo de fora…)

22h35: “o sr. dr está brincar com o contrato que assinou”, repete quatro vezes Soares Franco, recorrendo à velha táctica do contra-argumento exaustivo…
22h36: “exactamente…”, replica Dias da Cunha, reforçando o argumento do adversário. Em causa o valor das vendas de património… entretanto, confusão total sobre o buraco e a opinião de Rui Meireles, um  escravo para um, um cobardolas para outro.
22h38: “sabe que não cumpriu”, quatro vezes, novamente. “dr. Soares Franco!”, reprimenda do Dias da Cunha, já sem qualquer controlo emocional e de raciocínio completamente enrolado, numa recuperação da falta de discernimento público que pautou sempre a sua presidência.
22h40: “o sr. não sabe de Direito, pois não?”, acusa o “velho”. Soares Franco ri-se, numa demonstração de total paternalismo… de um lado, a loucura, do outro a traquinice… o Sporting esteve em tão boas mãos durante estes anos…
22h42: “eu troco números e o sr. engana-se nas palavras que diz”… resume, de forma supreendentemente clarividente, Soares Franco… está tudo dito.
22h43: “tem”, “não tem”, “tem”, “não tem”, “teve”, “não teve”.
22h44: “não!”, perde a paciência Dias da Cunha, por causa do balanço consolidado, o assunto que mais horas de sono tirou, nos últimos anos, aos adeptos e sócios sportinguistas…
22h46: “Chega?”, mais quatro vezes… esta merda está estudada…
22h46: “Temos apenas 13 minutos para falar do futuro”, diz o rapaz entre os dois gigantes da dialéctica financeira. O balanço do debate está feito…
22h47: “espolhiar?”, pergunta o “bêbado”. “Espoliar”, responde o “velho”.
22h49: “mas o que é que é espoliar?”, insiste o “bêbado”. “Espoliar é tirar de dentro do Sporting, por valores absolutamente despropositados, o que ainda resta do Sporting. É isso”. Momento especial…
22h49: “onde está a garantia que o Sporting não perde a maioria da SAD?”. “Está aqui…” Ah, bom.
22h50: Soares Franco dá uma explicação absolutamente genial sobre como o clube fica com o dobro da participação na SAD que tem agora, na sequência da sua proposta… Inacreditável momento de ilusionismo, em directo para uma audiência nacional…
22h51: “empréstimo intercalar de 20 milhões de euros. Subscrito por quem”, questiona Dias da Cunha, finalmente! “Pelo Sporting”, responde o presidente. “Não está dito”, contra-ataca Dias da Cunha. “Pois, tá bem”, encolhe os ombros o presidente… um pormenor, claro, para este visionário…
22h52: Alternativas da oposição? “renegociação com a banca, ú, ú, ú, ú”, responde o chefe da pandilha de opositores… ora aqui está a revolução! E já há grito de guerra!
22h53: “os jovens que têm insistido no pedido da apresentação das contas”… “são os Leões da Verdade”, diz Dias da Cunha, com algum desdém… mas corrige “revejo-me nisto, sim”.
22h54: “se eu baixar de dois para um, passa para metade”, vomita Soares Franco. O outro diz que “não é necessariamente assim”.
22h55: “há sempre uma viabilidade… e a única que o Sporting tem é vender jogadores e destruir a formação”, ameaça o chantagista Soares Franco.
22h56: “o dr. Soares Franco não quer um clube, quer uma empresa”, acusa o “velho”. Recusa o “bêbado”. É o ponto fulcral disto tudo, mas rapidamente desaparece da discussão, dando lugar à problemática de uma carta pessoal trazida para o debate.
22h57: “o que eu não quero é um clube restringido a metade dos custos do Porto e do Benfica”… a câmara filma os números: Sporting 18,4, Porto, 31,4 e Benfica 27,8… ora 18,4 é metade de 36,8… hummm… o conceito de metade mudou significativamente em apenas três minutos.
22h58: “não diga asneiras”, descredibiliza Soares Franco sobre a intenção de fazer do clube uma empresa… coisa que o próprio já admitiu várias vezes… Tem razão, são asneiras…
22h59: “ó homem…”, pede o “velho”. “o sôtor vê-se que não sabe um número de quando lá esteve”, ataca o presidente… “a este distância…”, desculpa-se o “velho”. “é que nem se lembra de nada!”… continua o “bêbado”. Degradante…
23h01: “do dr. Soares Franco como pessoa, não me separa nada”… pois…
23h03: o Dias da Cunha continua a falar sozinho, “peça, peça, peça”… agora debatem conceitos como resultado, saldo, balanço, “ai, é falso”, é inacreditável…
23h03: “isto é uma tristeza”, concordam os dois. Quando os próprios percebem isto, pouco trabalho resta aos observadores… acaba aqui esta palhaçada.

De um lado, um homem senil, incompetente e totalmente acabado. Do outro, um homem desonesto, prepotente e alimentado a um daqueles combustíveis que fazem suar as estopinhas do buço. Falou-se de merdas contabilísticas, cartas, houve momentos de aritmética e língua portuguesa. Não houve uma palavra sobre visão, estratégia, futebol, modalidades. Ambos tão maus, tão maus, que nem inspiraram os próprios filhos. Nas palavras dos artistas, “uma tristeza”… Ninguém ganhou, obviamente, porque não havia nada para ganhar. Perdeu o Sporting… e ficou com uma imagem pior que a de Munique…

Eu gosto, mas…

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José Eduardo Bettencourt.
Ao que parece, pelo menos de acordo com a nossa imprensa desportiva, um forte candidato a assumir a presidência do Sporting.
Se me perguntarem se gosto desta possibilidade, sim gosto.
É um nome que me faz recordar vitórias no campeonato.
É um homem que, por mais do que uma vez, mostrou que gosta do Sporting e, muito importante, gosta de futebol.
Mas… será que Bettencourt vai ser um candidato da continuidade?
Este é um dilema: gosto da pessoa, mas não sei se me apetece que continue tudo na mesma.

Esquizofrenia total!

Eu sou uma pessoa normal… mas também sou doente por esta merda.

Sou normal porque deixo que o Sporting invada a minha vida até ao exacto centímetro antes de passar a ser a minha vida. Mas sou doente o suficiente para que a minha vida tenha melhor ou pior sabor ao ritmo do tambor verde e branco.

Sou normal porque fecho a porta do meu cérebro, quando começa a contra-raciocionar a argumentos de gente como Lucílio Baptista, Pais António, Sílvio Cervan, João Gabriel, o homem dos frangos que diz que o Benfica não tem culpa, o meu colega que não se cala com as faltas do Derlei e do Rochemback, os transeuntes que vão buscar os penaltys do Jardel, ou o meu amigo que diz que, antes do golo do Pereirinha, o Vuk fez falta sobre o Maxi Pereira. Mas sou doente o suficiente para iniciar o processo de contra-raciocionar.

Sou normal porque, depois de tudo o que aconteceu ao futebol português nos últimos anos (Apitos, salários, sumaríssimos, Ligas, Papas, Valentins, A Bola, o Record, os Oliveira boys, o Estorilgate, os horários dos jogos, os Proenças, os Henriques, os Benquerenças, os Lucílios, os adiamentos, os atrasos, os regulamentos, a Superliga versão Liga dos Últimos), depois de tudo isto, eu quero deixar de viver com tanta intensidade o Sporting. Mas sou doente porque não consigo.

Sou normal por achar que nada deste insurdecedor ruído vai resolver os problemas reais do futebol português, nem os do Sporting. Mas sou doente por só ter vontade de gritar mais alto que o meu interlocutor.

Sou normal por acreditar que o Pedro Silva é um defesa direito fraco, o Soares Franco é um péssimo presidente do Sporting cuja estratégia eu refuto liminarmente, o Paulo Bento não tem competências técnicas à altura da grandeza histórica do Sporting, o João Moutinho desiludiu-me como símbolo e capitão. Mas sou doente por estar incondicionalmente ao lado de todos eles, hoje.

Sou normal por pensar que o Sporting tem uma equipa em sub-rendimento que só em raros momentos atinge o seu total potencial. Mas sou doente porque acredito, agora, depois disto, que ainda vamos ser campeões.

Sou normal porque quero ligar o computador e ver o Gran Torino, do Eastwood, acabadinho de sacar da net. Mas sou doente porque não consigo mudar dos vários canais que estão a dar puro lixo televisivo sobre a merda da Taça da Liga, seja no Prós e Contras do povo ou a ménage a trois de bestas dos canais de informação do cabo.

Sou normal por achar que a blogosfera é uma versão modernamente empobrecida do Espaço Público teorizado por Habermas. Mas sou doente por estar aqui a escrever isto. E por perceber na blogosfera que a doença é saudavelmente normal e o mundo normal está gravemente doente…