Sporting 0809 – Dia 1

O Moutinho não saíu. O Liedson também não. O Veloso deve ficar (mantenho a minha opinião, mas não deixa de ser uma mais valia tê-lo no plantel, nem que seja para jogar a defesa-esquerdo). Segurámos o Izmailov. Recuperámos o Caneira e o Rochemback. Comprámos o Postiga. Vamos apostar no Daniel Carriço, apontado por muitos como futuro pilar da nossa defesa.

O Rochemback chegou a falar de títulos. O Izmailov a mesma coisa. Até o Soares Franco levantou a voz para dizer que “vamos lutar pelo título”.

Tudos juntos, seriam motivos mais que suficientes para este arranque de época ser um verdadeiro dia de Verão. Acontece que o Verão já não é o que era, e há umas nuvens a quererem estragar um belo dia de praia:
– o Pedro Silva, depois de uma época no estaleiro, chega a Portugal e, ainda no aeroporto, a primeira merda que diz é “tenho o joelho inflamado e não treino enquanto tiver dores”. Acredito que, nestas condições, continue a ser o seguro a pagar-lhe grande parte do ordenado, mas… e que tal despedir o gajo de uma vez, assumir o Pereirinha como defesa-direito e ir ao mercado (ou à Academia) buscar mais um médio?

– o Ronny, essa verdadeira pérola agarrada com unhas e dentes ao interior da ostra e que ameaça escurecer o nosso céu durante toda a época (não, não é piada racista), tem uma brilhante tirada: “é bom ter concorrência, motiva mais”. Ronny, eu compreendo que a tua massa encefálica não te permita chegar mais longe, mas… Tu és mesmo burro, não és?!? Que macumba fizeste tu, para mandarem o Tiago Pinto para o Trofense num empréstimo que tinha claramente a tua cara!?! Merda…

– o Vuk… e aqui isto começa a parecer sol de trovoada. O Vuk chega e logo vai dizendo que esta época quer jogar mais, que merece jogar e ser titular. Porra, Vuk, mas tu foste de férias para a fazenda do Ronny!?! Ou levaste os dias de pausa a magicar planos de guerra civil com o Stojkovic?!? Tens tudo para te tornares num dos ídolos de Alvalade e, daqui a relativamente pouco tempo, seres vendido para um clube de gama média alta, mas pareces deslumbrado com o interesse do Bolton. Tu sabes onde fica Bolton? Fica perto de Preston, de Blackburn e de Burnley. No fundo, dá praticamente para fazer um torneio do Inatel.

Faltam cerca de oito horas para conhecermos o nosso calendário.
Regressamos logo após os compromissos publicitários.

Falta uma semana

A oito dias do arranque oficial da época 2008/09, é este o panorama leonino:

Redes
– Rui Patrício
– Tiago
– Stojkovic (????)

Defesas
– Abel e Pedro Silva
– Polga, Caneira, Tonel, Daniel Carriço
– Ronny

Médios
– Veloso e Adrien
– Moutinho, Rochemback, Izmailov, Romagnoli, Pereirinha, Vukcevic

Avançados
– Liedson, Derlei, Djaló, Postiga, Tiuí

Olhando para o quadro, o plantel está praticamente definido, embora as “pontas soltas” sejam bastante importantes:

Na baliza, há duas dúvidas: afinal o Stojkovic fica ou sai? E o redes que procuramos é para poder assumir-se como titular ou para fazer par com o Tiago nos treinos? Confesso que a questão da baliza preocupa-me. Não podemos dar-nos ao luxo de voltar a perder 12 ou 15 pontos à conta do guarda-redes. Temos é que ter um redes que, nas contas finais, valha 9 ou 12 pontos, ou seja, um campeonato.

Na defesa a rábula em torno da contratação do Grimi já me enoja.
Gosto do jogador, penso que é uma mais valia, mas parece-me que, uma vez mais, a situação arrastou-se em demasia. Chegam entretanto notícias da possível contratação do José Castro, o que indicia que o Caneira pode vir a ser o nosso defesa esquerdo, curiosamente a posição que pior desempenha na estrutura defensiva. E depois… depois o Ronny. Alguém consegue explicar-me o porquê de termos que levar mais um ano com este gajo!!?? Emprestar o Tiago Pinto ao Trofense, para ficar com este idiota!? (enfim, pelo menos que renovem o contrato ao Tiago).
Já agora, e tendo em conta que o que pode acontecer é levarmos um rotundo “não”, custava muito tentar vender o Miguel Veloso ao Arsenal e conseguir o Clichy? Ou ver se o Real Madrid nos empresta um dos três jogadores que tem para a esquerda da defesa (Marcelo, Drenthe e Heinze)?

No meio campo, e acreditando que vamos mesmo conseguir ficar com o Capitão Moutinho, tudo gira em torno do Miguel Veloso.
Correndo o risto de ferir susceptibilidades, assumo já uma posição: o Miguel tem que ser vendido! A atitude por ele adoptada nos últimos meses, para além de roçar a ingratidão, deixa-o com pouco campo de manobra em Alvalade. Imaginemos que ele fica. Aposto que ao primeiro jogo menos bom que faça, vai ser assobiado que nem gente grande.
Ontem foi avançado um possível negócio com a Juventus, envolvendo o Tiago. O jogador em questão é bom (embora não jogue na posição do Veloso), os 15 milhões são efectivamente pouco dinheiro. Se conseguirmos subir a parada para os 20 milhões (é o que o Milan quer dar pelo Ronaldinho) + o Tiago, poderia ser um bom negócio, mas continuo a preferir dinheiro: 25 milhões, com direito de preferência sobre o jogador e cláusula que o impeça de voltar a jogar em Portugal antes de 2015, a não ser que seja no Sporting. E, com esse encaixe financeiro, avança-se para a contratação do Pedro Mendes.

Quanto ao ataque, só posso aplaudir a troca de “Pês” – sai Purovic, entra Postiga – e desejar que não voltemos a ter um ano cheio de lesões.

Clube ou Pastelaria?

 

Onde estão os Sportinguistas? Adormecidos? Envergonhados? Desaparecidos em parte incerta? Qualquer uma das respostas serve.

Somos um clube que ensinou as pessoas a darem valor às vitórias através da derrota sistemática. A essência do Sportinguismo é isso mesmo. Sofrer até ao fim. E ao contrário dos outros, ganhar de vez em quando. Mas acreditar sempre. Durante o período mais negro da nossa história. Os tais 18 anos correspondentes à mais longa angústia leonina, ninguém duvidou. Fomos Sportinguistas dos pés à cabeça. Frustrados mas felizes.

O velhinho Alvalade enchia. O ambiente era de festa ou de terror. Mas era vivo e animado. As pessoas cantavam, pulavam e vibravam. A maior parte das vezes talvez chorassem. Mas emocionavam-se. Os jogadores eram diferentes. Os bons eram especiais. E até os Marretas que deram à costa tinham estilo. Não eram simplesmente jogadores sem personalidade. Apareciam por algum motivo. A sua incapacidade tinha uma razão. Nem que fosse para provar como os outros eram melhores. Não é diferente ter um Valtinho do que um Farnerud?

A Publicidade era Leonina. Não havia os plasmas gigantes com imagens sem sentido nenhum e uns bonecos deficientes a gesticular. Eram os tempos onde a malta ia à Leo Burguer “onde o Hamburguer é mais hamburguer e basta ser do Sporting”. E só porque ouvíamos aquele slogan nos altifalantes.

Era a altura onde o prémio extra não tinha nada a ver com o ordenado. Nem entrava no relatório de contas de uma SAD cotada em bolsa. Havia apenas um jantar no restaurante ” O Madeirense” para o marcador do primeiro golo. Haverá motivação maior para um homem do que lhe falar directamente ao estômago? E como eles se desunhavam pela espetada e o bolo do caco!

Não havia penalty Fidelidade, nem intervalos mortos, nem gajos controlados pela Olivedesportos a gritarem coisas sem sentido, apelando a uma vontade louca de nos pirarmos para os bares do José Eduardo (é mesmo desespero). Não havia nada disso. A “nossa” Maria José Valério entrava num carro com “A Marcha” no coração e o Jorge Fernando (o do “Umbadá” ) cantava ao intervalo!

Fora do Estádio as pessoas acumulavam-se na fila para pagar a última quota no cobrador. E depois do jogo lá íamos todos para a nave ver um outro jogo de outra qualquer modalidade. Pois é, ainda tínhamos Pavilhão! Era o conceito futebol-família sem estratégia, nem plano de Marketing. Sofríamos no estádio com as derrotas dos infantis e as performances estratosféricas no Ténis de Mesa. Na altura ainda se dizia Ténis.

Vivíamos assim. Éramos assumidamente amadores. Mas ainda éramos o segundo clube de Portugal. Sim, porque nós só sabíamos viver na dependência do primeiro. Éramos orgulhosamente do Sporting! Não tínhamos Academia, nem Alvaláxia, nem uma Casa-de-Banho com capacidade para 50000 pessoas. Mas éramos mais felizes. E éramos 3 milhões. Ou coisa que o valha.

Depois vieram as SAD, o futebol moderno e competitivo, os planos de marketing, o business core, os briefings, os relatórios de contas, os Gestores Desportivos. E agora? Quantos somos? Quem somos? Ainda somos um clube? Alguém pode jurar isto a pés juntos?

A mim mais parece uma pastelaria com muitos “Queques”. “Queques” que nunca vibraram com o Mamede, o Lopes, o Agostinho e o Livramento.”Queques” que desconhecem que o Sporting é o segundo clube do mundo com mais títulos em todas as modalidades. E só levam com o Moniz Pereira porque o gajo é rijo que nem um pêro. “Queques” que sonham com o Rugby, e vibram com o Gólfe e o Tenniz!

Meus amigos, com estes “Queques” que já controlam o Sporting há quase 15 anos, arriscamo-nos a não ser mais do que uma empresa. Uma empresa-pastelaria. Daquelas onde os “Queques” são quase tantos como os “Pastéis”. Será que um dia ainda vamos gritar O terceiro grande éramos nós!?

Pereirinha!

Um oásis num deserto… de ideias, instintos, de competência… um deserto de futebol. Mais um…
Mas continuamos na Europa… com Pereirinha! No actual contexto leonino, dificilmente haveria um momento melhor para cortar o cordão umbilical do Cacifo (tão bem esticado pelo video do meu colega Cintra) e lançar o blog que pretende ser uma pedrada no charco de merda em que nadamos nos dias que correm. O problema do Sporting é a resignação. É fazer zapping furioso à procura de coisas que nos distraiam da última exibição medíocre. É o espírito de sacríficio para aguentar, aguentar, aguentar, aguentar… e esperar pela próxima. É não ter forças para falar do Sporting com lampiões ou tripeiros. E querer falar de outras coisas com os colegas de sofrimento leonino, e não conseguir. É não conseguir gritar golo livremente, à espera do sofrimento que nos espera ainda. É pensar no grande Sporting do ano passado, uma das épocas mais fracas de sempre. É lembrar o centro do Quaresma para o Niculae comer o Jorge Costa, no 1-0 de início do campeonato contra o Porto. E parecer que foi há demasiado tempo. O problema do Sporting é não termos razões para nos alegrarmos só pelo facto de sermos do Sporting. Porque ser do Sporting não é viver as alegrias, nem que seja um golaço do pequeno Pereira. É pensar no pior que está para vir. É o PSV, a Fiorentina, o Leverkusen, que estão no horizonte.  
Este blog pretende ser um grito. De revolta. De indignação. De libertação. Viva o Sporting! Não este Sporting, mas o Sporting que está preso nos cantos escuros dos nossos cérebros. E que só precisa de mais abraços do Vukcevic (aos adeptos, ao Paulo Bento, ao Purovic) para regressar à bancada central das nossas mentes.