Só para encerrar este assunto

Vou tentar ser rápido, até porque o objectivo é, apenas, assinalar mais um momento doentio de gestão desportiva: o negócio Izmailov.

A base de todo o problema: o manterem-se as boas relações com o rei bufas e a sua corja. Pior, fazer-lhe uma vénia constantemente.
O problema: Izmailov deixou de querer jogar no Sporting e passou a considerar-se um lesionado crónico. Os indícios levam-nos a acreditar que, querendo o jogador há já bastante tempo, o fcp não será alheio a esta atitude.
Como a nossa direcção resolve o problema: primeiro, baixa as calças ao jogador, não só repetindo o caso Moutinho como voltando a abrir um precedente a todo o jogador que resolva bater o pé. Depois, baixa as calças ao fcp, e aceita oferecer-lhes um dos três melhores jogadores, com quem ainda recentemente tinha renovado contrato até 2015. Em troca, aceita receber um jogador para ocupar uma posição onde não faltam opções (Cédric, Arias, Pereirinha à direita, Insua, Rojo e Pranjic à esquerda), com a agravante de ser um jogador que, dentro de meses, estaria livre. Cereja no topo do bolo? Acordar dar 50% de uma futura transferência de um jogador em relação ao qual o fcp não veria um tostão.
A palermice extra: a possibilidade de ainda recebermos um guarda-redes que nem no Olhanense tem lugar.
A justificação manhosa: precisamos de reduzir custos e não nos podemos dar ao luxo de pagar ao Izmailov só para lhe mostrar quem manda. O Miguel Lopes vem ganhar quanto? Menos dez ou 15 mil euros mensais que o Izmailov, não é? E, por um acaso, o Miguel Lopes jogar à esquerda? Ficamos com o Pranjic a passar férias? Encosta-se o Insua? Ou oferecemo-lo ao Benfica, por troca com o Sidnei?

p.s. – ao Izmailov só desejo que tenha tantas lesões como as que, nos últimos meses, simulou ter ao serviço do Sporting. 

Uma triste despedida

Acabou como começou: de forma triste, sem brilho, com pouco orgulho e ainda menos futebol. Se eu fosse jogador do Sporting, não conseguiria dormir ao pensar que tinha feito tão patética figura num grupo de equipas medianas (ou nem isso), passando a figurar na história do clube como pertencendo à primeira equipa do Sporting a não passar a fase de grupos da LE.

Não tenho muito para dizer-vos, ainda para mais num dia marcado por polémicas e comunicados patéticos, bem ao nível que esta direcção já me (nos) habituou. Valeu a prestação de Esgaio, o profissionalismo de Capel (espero que recupere para segunda), a prestação ofensiva de Insua, os milhares de euros que esta vitória vale e a disputa entre Gelson e Caneira pelo prémio de movimento mais palerma da noite.

p.s. – Fico feliz ao ouvir Vercauteren desmentir a chegada de Stan Valckx para seu adjunto. Era só o que faltava era ver um dos meus jogadores preferidos de sempre ligado a esta página tão negra da nossa história.

É isto que temos! (Sporting C.P. 1, F.C. Porto 1)

O Sporting não é mais do que isto. Uma equipa incapaz de segurar um jogo em inferioridade numérica. E sem ideias para capitalizar a vantagem de jogar em superioridade. Um treinador sempre ao sabor da maré. Sem capacidade para intervir no que o desenrolar do jogo oferece. É triste. Nesta didatura em que ninguém ousa afirmar-se como alternativa, o caminho só pode ser uma revolução. A cultura de exigência neste clube não pode ser isto. Só isto!

E a maçã podre?

Bettencourt: “Moutinho foi sempre um profissional fantástico”

É uma pena sujar as linhas do Cacifo com referências às pessoas com quem temos pesadelos. É trágico encher este espaço com palavras e retirar o foco do essencial. E neste caso, o essencial é mesmo o post do Douglas. Por isso, não se distraiam com mais este delírio do nosso Presidente e leiam o que ficou para trás. E, sobretudo, lembrem-se (alguns) do que é e já foi o Sporting. Como é possível a irresponsabilidade chegar a assumir contornos de insulto à inteligência das pessoas?

Odeio…

O Hélder Postiga e a sua participação inócua no processo de construção de jogo…

O Abel e o seu futebol trolha de lateral das distritais…

O Yannick Djaló e os seus constantes erros técnicos básicos…

Nem o melhor treinador do mundo poderia salvar uma equipa composta por fulanos desta índole.

Sou incapaz de chorar…

Desculpem lá. Não me levem a mal. Mas já chorei tudo o que tinha a chorar quando em criança o Futre apareceu no Estádio das Antas a fazer aquilo que deveria ter continuado a fazer em Alvalade. Partir a loiça toda. Era um jogador que me enchia as medidas e que eu, de uma forma canhestra, tentava imitar todos os dias na escola ao ponto de me obrigar a jogar com o pé esquerdo sendo naturalmente destro. Nesse dia, lembro-me de não perceber o motivo daquela mudança. Adorava o Futre.

O Moutinho (ainda bem para mim) não me provoca esse tipo de reacção. Acho que é um óptimo jogador, adorei a forma fulminante como apareceu na equipa, depositei durante algum tempo legítimas esperanças que se transformasse em algo mais. Mas não é mais do que isso. Depois disso, começou a fazer o caminho inverso. Vítima da prisão táctica de um treinador limitado, não conseguiu fixar-se nunca num lugar. Ainda hoje é comum entre Sportinguistas uma célebre discussão. Onde joga melhor o Moutinho? Há quem diga que é um 10 embora não tenha chegada nenhuma e valha muito poucos golos por época. Há quem lhe veja capacidade para ser um 6 mas depois lhe aponte a falta de poder físico. Há quem afirme que ele é um 8 e precise de alguém ao lado a destruir para que ele possa construir jogo a partir de trás. No fundo, é um pouco de tudo e nada disto ao mesmo tempo. Vítima da polivalência e dos problemas do clube com os treinadores, chega aos 23 anos numa completa crise de identidade. Não sabe quem é.

Faz falta à equipa. Acho que sim. Se acreditarmos que o Paulo Sérgio fizesse dele aquilo que todos acreditamos. Se jogar o mesmo que nas duas últimas épocas, talvez não. Se acho que deveria ser um jogador inegociável? Acho que não.

Se concordo com a sua venda para o F.C.Porto? Não. Absolutamente. Não se fazem negócios deste tipo a troco deste dinheiro. Querem levar o Moutinho e o Moutinho também acha que é um jogador à Porto? Paguem a cláusula de rescisão. Como disse o Cintra, não se vendem sentimentos.  Nao se fortalecem clubes rivais. Não se alimenta o que se crítica. Não se fazem alianças com o que se combate. Não se delapida património. Mais uma vez JEB provou ser um imbecil e o PC o maior abutre do futebol português. O clube presta um péssimo serviço aos sócios. Vende pelo valor errado, ao clube errado.

E o jogador? E o nosso capitão? É a vítima pela qual se deve chorar baba e ranho? Não. O Moutinho também era o líder e o símbolo do clube. Líder promovido a capitão da equipa principal. Símbolo do maior tesouro do clube: A Academia. De repente, parece que toda a gente se esqueceu disso. Ele era líder, capitão e símbolo do clube. Jogava no clube há 11 anos como já houve aqui não se cansou de o repetir. E o que é que isso interessou no momento de aceitar ir para o Porto? Esse sentimento é apenas válido para a SAD? Não haverá responsabilidade repartida neste status? Se fosse um verdadeiro capitão ele concordaria em jogar no Porto? Foi forçado pelo Costinha e pelo JEB porque se incompatibilizou com o Ministro?

Recuso-me a olha para isto só com um olho. O olho do Sportinguismo doentio que se acha maior do que tudo e clama ofensa e ser mais Sporting do que os outros. Desculpem lá mas não vou chorar por um jogador que demonstrou ser pequeno na directa proporção do seu corpo. Os jogadores passam. O clube fica. Fico triste por constatar que somos geridos por uma cambada de patetas e por não coseguirmos incutir nos jogadores o amor ao clube. Pelo João Moutinho, não vou chorar. Já fui estúpido o suficiente quando chorei pelo Futre. Era miúdo.

A Alanização do Sporting

Confesso. É um problema meu. Mas custa-me aceitar esta Alanização do Sporting. Não entendo esta obsessão doentia com os jogadores do Braga. É verdade que ficaram à nossa frente mas será que alguém pode, por favor, ajudar estes senhores a tirar as palas que têm nos olhos?

Alan por 2 milhões de euros é uma notícia que me deixa triste. 400 mil contos por um jogador de 30 anos que já demonstrou a sua valia num clube grande e que nunca convenceu ninguém. É uma evidência que será rei em terra de cegos. Não é tarefa difícil sobressair numa equipa sem extremos. E não coloco em causa o valor do Alan. É o que nós sabemos que ele é e nada mais do que isso. Mas pergunto: Não haveria outra possibilidade no mercado por este valor?

Será que depois de ler isto devo acreditar que o Sporting pensou de facto em recuperar o Nuno Assis? Um anãozinho que nunca se destacou no tempo que teve algumas oportunidades na equipa principal do Sporting? Um jogador que nunca passou da mediania enquanto jogou no Benfica? Um criativo que só a espaços e numa equipa como o Vitória de Guimarães se fez notar mais ou menos com alguns golinhos e umas tantas outras assistências. É mesmo com este o tipo de jogador que queremos iniciar uma revolução? Ou estes são apenas os homens experimentados que farão uma segunda linha competitiva?

Esta é apenas mais uma contratação na linha das que têm sido feitas. Falta de imaginação, deficiente capacidade de prospecção e  dinheiro desaproveitado em jogadores velhos e banalíssimos. Evaldo? Alan? Maniche (embora neste caso um bom jogador mas acabado há 3 anos).

Deste lote, aceito o André Santos que corresponde mais a uma recuperação flagrante do que propriamente a uma verdadeira descoberta. E o Marco Torsiglieri, um jogador sobre o qual não me atrevo a fazer qualquer tipo de apreciação porque, francamente, não o conheço. Em teoria é o que se pedia a gritos há muito tempo. Alto, corpulento, novo e com ganas de triunfar na Europa.

Espero bem ter a oportunidade de voltar a escrever e dizer que me enganei redondamente. De momento, ainda não me vejo no Marquês…

Adeus, foi um gosto

Dizes que não acreditas no que te está a acontecer no Sporting. Eu também não. Tinhas tudo para ser feliz, um ídolo da torcida, mas foste lentamente consumido pela autoflagelação do clube. E, para sermos justos, também ajudaste à festa, com alguma falta de professionalismo e nenhum sentido colectivo.

Eu gosto de acreditar que um líder a sério consegue arrebanhar todas as ovelhas e conduzi-las, juntas, no mesmo sentido. E que os melhores treinadores são-no precisamente porque não queimam jogadores, melhoram-nos. O teu problema é que tu nunca foste uma ovelha, quando muito, nos teus melhores dias, foste uma ovelha negra. Nos teus piores dias, foste um bode. Expiatório. Para o Paulo Bento foste um exemplo, para mandar lições para dentro do grupo. Só jogaste porque eras popular na bancada e porque não havia mais ninguém. Para o Carvalhal, foste o dote que ele precisava dar ao grupo, alguém sacrificado para apaziguar a contestação interna dos senadores ao seu trabalho. É claro que te puseste a jeito, egoísta, individualista. Uma qualidade quando se desequilibra, integrado num colectivo, mas um terrível defeito quando se perdem bolas, sozinho, abandonado pelos outros.

Enfim, pouco importa de quem foi a culpa. Vais-te embora. Curiosamente, no mesmo barco em que vai o teu exacto oposto, o jogador trabalhador, cumpridor, pouco individualista, mas igualmente bom (Izmailov). Não deixa de ser irónico que os dois melhores criativos que passaram por Alvalade nos últimos anos saiam em desgraça do clube, apesar de serem personagens totalmente diferentes. Talvez só assim se perceba que a responsabilidade dos jogadores é inversamente proporcional à competência de quem os lidera.

Um bem haja Vuk, gostei muito de te ver de verde-e-branco. Acompanharei sempre o teu percurso, és daqueles que nunca se esquece, para o bem ou para o mal. Desejo-te sorte e espero que vás para bem longe deste rectângulo.