Se não se importarem…

… guardo as apreciações ao trabalho do Godinho e companhia para o final da época. Tentei começar a escrever mas, para além do sentimento de que é cedo para fazer um balanço, a minha cabeça desviava-se para quinta-feira. Tanto, que até o verdadeiro Cherba resolveu dar um ar de sua graça.

«O Sporting está muito mal. Quarto lugar? Quinto lugar? O que é isto? O Sporting tem de lutar pelo título, tem de ganhar! […] Há muito tempo que não ganha nada. Antes de mais tem de começar a ganhar. Depois sim, pode pensar em jogar bonito. Jogar bonito e não ganhar não serve para nada. Espero que o Sá Pinto tenha tempo para colocar a equipa a ganhar. […] O Metalist é uma equipa muito distante do Shakhtar ou do Dínamo Kiev. Não tem o mesmo poder. É um clube para andar em terceiro ou quarto lugar na liga ucraniana. Na Europa é mais perigosa, porque pode utilizar mais estrangeiros, mas é acessível. Podia ter saído um At. Madrid ou um At. Bilbao e aí sim ia ser difícil. Acho que o Sporting segue em frente e, entrando nas meias-finais, tudo pode acontecer».

Good vibes

Se na ressaca da grande vitória de há oito dias celebrei com esta música, então hoje lanço um grito que espero que se ouça no nosso balneário!
Rise up and take the power back; It’s time the, fat cats had a heart attack; They know that, their time’s coming to an end; We have to, unify and watch our flag ascend
They will not force us; They will stop degrading us; They will not control us; We will be victorious

SPOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORTING!!!

Sorteio

Quando, ao meio dia, começarem a rodar as bolas no sorteio da Liga Europa, dispenso ter que jogar com o Ajax, o Rubin Kazan ou com a Udinese.
Dos restantes (Hannover 96, Trabzonspor, Vitoria Plzen, RedBull Salzburgo, Steaua Bucareste, Lokomotiv Moscovo, Stoke City, Wisla Cracóvia, Légia Varsóvia, Az Alkmaar), confesso que gostaria de voltar à Áustria. Pelo valor do adversário, pela possibilidade de termos apoio nas bancadas, e por querer “caçar um fantasma do passado” que me deixa cheio de azia sempre que se fala em Salzburgo.

ACTUALIZAÇÃO: venha de lá o Légia Varsóvia

O extremo, o sete e o menino que queria carinho (e outras histórias)

Custou, mas entrou. A bola, aquele objecto que nos pés e na cabeça dos nossos jogadores teima em namorar à janela antes de permitir um simples beijo na bochecha. Entrou bonita, da primeira vez, colocada com mestria pelo André Santos após trabalho de equipa do Bojinov. Entrou marreca, da segunda, ou não tivesse sido um marreco sem ombros a obrigá-la a passar a linha de golo.

Cap I
Entrámos bem, a pressionar, pese aquele bloqueio mental em que toda a gente adormece enquanto o adversário marca um livre e se preparar para surgir isolado (valeu João Pereira, a fazer o seu melhor jogo deste arranque de temporada). Pressionámos, obrigámos o adversário a errar, mas também nós errámos, na finalização. Foram dez ou 15 minutos, findos os quais se entrou naquele ritmo pastelão que até permitiu aos cepos conseguirem aproximar-se da nossa área.
Na segunda parte, podíamos ter goleado. Falhou-se e voltou-se a falhar. E houve outro bloqueio cerebral que, desta vez, ofereceu mesmo o golo ao adversário (e o Rangers ainda perdura na memória dos memomentos deprimentes).

Cap II
O extremo. Que saudades, que saudades meus amigos, de ver um extremo a sério em Alvalade. Capel, a jogar a um ritmo superior ao que os seus pulmões e pernas ainda lhe permitem, transmitiu aquilo que faz falta no nosso e no futebol e geral: ilusão. A ilusão de que com ele em campo estaremos sempre mais perto da vitória. De que há alguém que acelera o jogo, que o abana com esticões, que não tem medo de ter a bola no pé e partir para cima do adversário. Tê-lo no Sporting, seria algo impensável há um par de anos. Hoje é um luxo (e estou ansioso por vê-lo em campo com Jeffren na outra ala).

Cap III
Com ou sem descompensações musculares, Bojinov jogou finalmente. E jogou bem. Mais interessado no colectivo do que nele mesmo (enquanto esteve no banco levantou-se mais vezes do que o Domingos), deixou uma certeza: é jogador. Na movimentação, no posicionamento, na forma como lê as opções dos colegas. Falta “tirar la bomba”. Temos 7, foda-se!

Cap IV
Portanto, o Djanick anda triste porque os adeptos não lhe dão carinho. Sim, é verdade que não faz sentido estar a assobiar o gajo de cada vez que toca na bola, mas também é verdade, penso eu, que o carinho se conquista. E, desculpa lá, oh Djaló, se não fosse aquela brincadeira das Coca Colas com o sr. Boloni, hoje estarias a jogar Playstation com o Lourenço. Ainda assim, aceito seguir a receita que sugeres: vamos todos gritar o teu nome durante 90 minutos, mesmo que não estejas em campo, vamos enviar-te cartas de apoio, vamos aplaudir-te quando tentares, pela 15ª vez, dominar uma bola que teima em resvalar-te pela canela e sair para fora. Com tanto carinho, aposto que, daqui por três semanas, vais estar a fazer dois ou três golos por jogo.

Cap V
O jogo estava quase a terminar e Postiga, esse mistério do futebol que alguns iluminados consideram ter um génio superior ao de Ronaldo para resolver situações complicadas e ser o último herdeiro de uma geração onde a classe abundava, resolveu deixar a sua marca. Ou melhor, ele não marca, mas faz coisas das quais não nos esquecemos. Carrillo que, uma vez mais, me parece ter futebol e cultura táctica para ser mais do que uma promessa futura, arranca, em diagonal. Vê Postiga e, bem, endossa-lhe a bola, aproveitando, em seguinda, o movimento do médio ofensivo-avançado-ponta de lança-ou qualquer outra coisa mais, para entrar nas suas costas e ficar livre no coração da área. “Mete!”, grito eu, mas Postiga, o autista, já não me escuta. Está-se a cagar que Carrilo esteja isolado, pronto a fazer o terceiro. Ele, ele também tem que brilhar. E, bimba, parte para o lance indivual que termina como seria de esperar.

Cap VI
É justo que dedique algumas linhas a Polga. Por aquilo que já o vi jogar no Sporting, por tê-lo defendido até poder, por achar que ele merece despedir-se do clube com uma época digna. Bom jogo, com a confiança em alta.

Cap VII
Domingos surpreendeu, ao entrar com uma equipa que parecia saída do ano passado. Ele lá terá os seus motivos, mas quer-me parecer que entra numa onda de teimosia (o que ele disse após o jogo indicia esse perigoso caminho) não será a melhor opção. Ainda assim, bem ao tirar Schaars e ao deixar André Santos. E bem ao pedir a Capel para ocupar o lado direito e escaqueirar o fraco adversário com diagonais. Aguardo para ver o que vai fazer quando tiver todos os jogadores à disposição.

Cap VIII
Por esta altura, já está a decorrer o sorteio para a fase de grupos. Com a sorte que nos costuma acompanhar neste tipo de sorteios, vamos levar a Lazio ou com a Udinese. Mas pronto, também já está na altura de encavarmos os italianos.
ACTUALIZAÇÃO: Lazio, FC Zurich e Vaslui.

Ovos moles – barrica 3

Não queria acreditar quando, ainda na continuação da noite em que empatámos em Aveiro, comecei a ver ser defendida a ideia de que o Domingos devia ser posto a andar e substituído pelo Sá Pinto, que até tinha ido ganhar 3-0 ao Liverpool. Mais estupefacto (ou estupefato) fiquei ainda, quando cheguei à conclusão de que algumas pessoas que defendiam o despedimento do treinador ao fim de dois meses de trabalho, eram as mesmas que tinham assobiado para o ar quando, por exemplo, fomos enxovalhados pelo Bayern Munique.

Mas como as opiniões são como o cu – cada um tem o seu e quem quiser dá-lo, dá – sinto-me na legitimidade de dar-vos a minha opinião. É uma estupidez, sim, uma estupidez, defender o despedimento do Domingos. Ao fim de anos a jogar de biqueiro para a frente, de losangos ou outras figuras geométricas ainda mais estranhas e menos produtivas, contratámos, finalmente, um treinador que já mostrou que sabe o que está a fazer. Académica e, depois, Braga (e acho piada dizerem que a época passada do Braga foi merdosa quando o gajo ficou sem grande parte dos jogadores titulares e teve que começar quase de novo), parecem-me provas suficientes para acreditar no trabalho de Domingos. E, atenção, eu nem simpatizo propriamente com a figura em questão, mas consigo distinguir as coisas.

Se está a fazer merda? Sim, alguma, nomeadamente insistindo em dois ou três jogadores sem condições para jogarem no Sporting. Mas não foi aquele que ainda hoje goza de créditos em Alvalade, que nos fez perder a primeira parte de uma época insistindo em Custódio a 6, e teimando que Veloso era opção para defesa central?
Ao que me parece, Domingos tentou construir uma equipa acreditando que fazia sentido uma base que conhecesse os cantos à casa. Acontece que dessa base – Patrício, JPereira, Polga, Evaldo, Djaló, Postiga – apenas o primeiro é, em minha opinião, indicutível.
Creio que Domingos começa a perceber o erro mas, infelizmente, isso está a custar-nos pontos em jogos onde era obrigatório ganhar para embalar e fazer subir a confiança da equipa. Agora, despedir um treinador por isso, ainda para mais quando vejo o Sporting voltar a tentar jogar à bola? Vá lá, um pouco de calma. É claro que temos sede de vitórias, mas ele não terá menos vontade de ganhar (a tromba do gajo quando não ganha, as duas substituições a meio da primeira parte, o recado para os meninos que acham que não precisam de correr ou de esforçar-se) e de triunfar num enorme desafio que aceitou: reerguer o Sporting.
p.s. – Domingos também já percebeu que o virus que se instalou em Alvalade nos últimos três anos, continua activo: os jogadores acham que os primeiros 45 minutos fazem parte do aquecimento. Hoje é um óptimo dia para começar a curar esse vício de merda (alguém que lhes mostre imagens da última vez que estivemos na luta pelo título até ao fim, onde começávamos a resolver os jogos nos primeiros dez minutos).

A braçadeira, a nódoa e o petiz

O jogo de ontem, em Gent, fez-me lembrar aquela história das duas criancinhas que, atraídas por uma casa de chocolate, são apanhadas pela bruxa má.
Havia chocolate, belga, e o nosso treinador decidiu meter em campo todas as “criancinhas”, confiante de que elas iam empanturrar-se e deliciar-se com tal iguaria.
Esqueceu-se, no entanto, que existem estranhas misturas com pedaços de nozes, de amêndoas e de tantas outras coisas, que enrijessem a guloseima e a tornam perigosa para os dentes.
Esqueceu-se, igualmente, que as criancinhas, ainda para mais quando algumas delas nem sabem como continuam a vestir aquela camisola verde e branca, devem ter junto a si alguém mais velho capaz de liderá-las, de preferência alguém que não se borre todo por usar a braçadeira de capitão (mil vezes alguém que pareça ter o braço fino para a dita, como tem acontecido com as duas últimas escolhas).
E, por último, esqueceu-se  que esta merda não é um conto de fadas, que a Liga Europa não é a Taça da Liga, que se tivesse ganho ontem podia descansar depois (e logo duas vezes, imagine-se) e, pior, que os adeptos ficam tremendamente lixados quando passam vergonhas destas e quando têm que sair de casa com uma irritante nódoa que teima em manchar uma sexta-feira de sol.

O que é que isto significa?

Muito sinceramente, não sei o que pensar depois do jogo de ontem.
O meu lado mais racional faz-me pensar que, uma vez mais, fomos incapazes de entrar no jogo para decidi-lo o mais rapidamente possível.
Que andámos a dormir durante mais de uma hora.
Que, durante essa mesma hora, fomos incapazes de criar uma jogada de ataque com merecesse essa designação, transformando a maior posse de bola em lances previsíveis, sem mudanças de velocidade, sem idas à linha final, sem diagonais capazes de abanar o sistem adversário.
Que continuamos a insistir em certos jogadores e que as nossas contratações estão a ser aquilo que eu esperava delas (não me apetece individualizar agora, fica para outro post).
Que o Paulo Sérgio capaz, claramente, de ganhar um balneário, pode não ser capaz de dar-nos o futebol que queremos e que precisamos para pintar o país de verde e branco.

O meu lado de Sportinguista doente faz-me pensar que foi uma vitória de leão, em que os jogadores, dez, diga-se, foram capazes de acreditar até ao fim.
Em que vencemos os postes.
Em que vencemos a barra.
Em que vencemos as lesões.
Em que voltámos a ter quase trinta mil nas bancadas, a apoiar de princípio ao fim.
Em que vi uma equipa inteira, de punhos cerrados, a festejar o golo de um como o golo de todos.
Que o Pedro Mendes vai regressar e isto vai melhorar de forma inacreditável. E que, depois, acaba-se o caso Izmailov e o russo dá-nos um 2011 de sonho.
Que somos a equipa que nesta Liga mais domina, mais remata à baliza, mais volume de futebol ofensivo consegue criar. E que só faltam golos para embalarmos para uma série de vitórias que nos façam escalar na tabela.

Mas, actualmente, ser do Sporting é mesmo isto, não é? Andar alegremente angustiado, querendo acreditar em feitos enormes, sem saber o que se seguirá a cada festejo.