O craque e a equipa

montero

 

«”Estou muito feliz e agradecido, porque sei que este é o reconhecimento do meu trabalho. No entanto, este não é um prémio apenas meu, mas que divido com todos os meus companheiros e com toda a equipa técnica, que muito tem trabalhado. Queremos continuar a fazer as coisas bem e a olhar para o campeonato jogo a jogo”, Montero, sobre o facto de ter sido escolhido como o melhor jogador da Liga, nos meses de agosto e setembro.

Palavras que se cruzam bem… com estas!

wilson montero

Isso!

«O Sporting entra em todos os campos para ganhar. Dentro de campo veremos quem é o melhor», Wilson Eduardo

Ilusão?

Já me tinha questionado várias vezes sobre se as nossas opções para as alas seriam suficientes. Pensava em Carrillo, pensava em Capel e ficava com a ideia que esses eram os nossos dois únicos extremos de raiz. Depois, Wilson, que tem dado muito boa conta do recado, mas que não vejo como extremo. Há Magrão, que pode jogar junto à linha, mas que está longe de ter o ritmo ideal. E, num momento de revolução, Jefferson pode ser médio-ala esquerdo.
Olho para a B. Há Esgaio, que já mostrou estar preparado para ser chamado. Há Salomão, a quem foi dada uma derradeira oportunidade. Há Iuri, a transpirar qualidade, mas ainda demasiado leve para lançar às feras. Há Mané, que me parece uma adaptação. Tal como Ponde ou Manafá também podem ser adaptados.

Tudo isto a propósito da lesão de Capel. Depois do que eu escrevi, qualquer um dirá que há opções suficientes. Os próximos tempos dirão se tão extensa lista será, ou não, uma ilusão.

Adeus Rubio?

«O Sporting tem nas equipas A e B cinco excelentes avançados e a possibilidade de dar várias alternativas ao treinador. Era isso que ele pretendia e nós esforçámo-nos para lhe dar», Bruno de Carvalho, na apresentação de Slimani.

Slimani, Montero, Cissé, Wilson Eduardo e Betinho? Ou o presidente estava a pensar em Wilson como extremo e a juntar Diego Rubio à lista?
Eu continuo a achar que o ideal era uma negócio a la Viola.

Pensamentos soltos

Durante alguns segundo, acabou de ocupar-me o cérebro o seguinte pensamento: se o Bojinov aceitava baixar o ordenado em 40% (ou coisa do género) para jogar no Catania ou no Pescara, não seríamos nós capazes de renegociar o contrato que tem connosco e tentar dar-lhe utilidade com a nossa camisola?

Às tantas sou quem está enganado e já não precisamos de pensar em avançados, pois Rubio, Wilson e Viola dão conta do recado na ausência de Wolfswinkel…

p.s. – um aplauso para a prontidão com que Jeffren tratou de contrariar as palavras do seu pai.

Porque é sempre importante haver um patinho feio

E porque já não há os realmente feios, a batata quente sobra para Carriço e para Pereirinha. Começo por este último.

Confessei a minha surpresa pela passagem de Arias para a equipa B (excelentes as palavras de Oceano sobre o colombiano) mas, hoje, sou perfeitamente capaz de perceber a aposta em Pereirinha. Mais do que dar um ano de competição total a Arias, está a dar-se, pela primeira vez, a oportunidade a Pereirinha de tentar justificar o seu lugar no Sporting jogando na posição que melhor parece assentar-lhe. Sim, como médio ala ou como extremo é extremamente irritante. O tal puto que gosta da mesma miúda desde a quarta classe, mas que é incapaz de dizer-lhe e vai vendo os outros passar por ela. Mas, sejamos sinceros: quantas vezes defendemos que Pereirinha devia ser defesa direito? Ou, se preferirem, em que posição fez Bruno Pereirinha os melhores jogos com a camisola do Sporting? Penso que bastará recuar ao jogo em que, fruto de lesões e castigos, Paulo Bento o lançou aí para marcar Quaresma, então no Porto. Pereirinha saiu claramente vencedor do duelo e a maioria de nós esperou que a aposta tivesse continuidade. Parece-me, por isso, justo, que o pequeno Pereira vá a exame final, disputando o lugar com Cedric.

Carriço é outro (talvez o maior) dos alvos. Promovido à equipa principal com a legenda de “este é o futuro capitão de equipa e futuro patrão da defesa do Sporting”, dando continuidade ao que vinha acontecendo nas camadas jovens, foi dando mostras de não ser assim um central tão bom como se esperava. Pouco rápido para a sua altura, com dificuldade em ler e lidar com bolas colocadas nas suas costas, teve ainda contra si o pesadelos das bolas paradas que atirou alguns Sportinguistas para a cama de um hospital.
Entretanto, na época anterior, a lesão de Rinaudo fez com que acabasse por ser testado na posição 6, onde veio dar solidez e estabilidade a um meio-campo que sentia falta de um pilar entre as duas primeiras linhas (partindo do princípio de que uma equipa de forma de trás para a frente). Ficou claramente demonstrado que Carriço é melhor trinco do que defesa central, tanto que sempre pensei que, nesta nova época, fosse ele o reserva natural de Rinaudo. A chegada de Gelson veio baralhar as contas e deixar o pobre Daniel mais fragilizado aos olhos dos adeptos. O futuro patrão da defesa é, agora, o elo mais fraco, tanto da dita defesa como do meio-campo. E, pasme-se, o futuro capitão do Sporting, símbolo da formação e do espírito leonino, passou a “era o que faltava estares no plantel só por seres Sportinguista” (eu gostava de saber quantos destes artistas aplaudiram a continuidade do mediano Tiago que, durante anos, mais não fez do que ser o redes que lá estava para passar a mística).

No fundo, é fodido conviver com a ideia de que uma equipa só se faz de craques. Como o Postiga, estão a ver, que era aplaudido pelas suas estúpidas correrias e um cartão de visita onde se lia «tenho escola de avançado». Tem cuidado, Wilson Eduardo, o teu nome vem já a seguir (sim, aqueles que batiam canholas quando estavas no Olhanense, já estão a afiar as facas).

O avançado

«Se nos falta um avançado? Tínhamos dito que havia dois objetivos, o primeiro foi conquistado, o segundo continua a ser trabalhado como temos feito até aqui, com serenidade. O orçamento global tem de ser garantido e temos de garantir que não ultrapassamos esses valores. As contratações terminam a 31 de agosto. Vamos ter calma», Godinho Lopes.

Começo, precisamente, pelo final das declarações: o ter calma. Eu percebo, perfeitamente, que seja complicado negociar com um punhado de rebuçados. Mas aborrece-me, época após época, esperar que os jogos a sério arranquem para tentar suprimir as lacunas existentes na equipa (bem, a não ser que estejam a tentar trazer um novo Jardel). E, neste caso, estou bastante curioso por perceber quais os objectivos que conduziram a procura do avançado que fechará o plantel.

Porquê? Porque ainda não encontrei um único indício que me esclareça a seguinte dúvida: estamos à procura de um avançado para ser titular no lugar do Wolfs, de um avançado para ser segunda linha e espicaçar o Wolfs, ou  de um avançado para jogar ao lado do Wolfs?
Confesso que Wilson Eduardo e Rubio continuam a parecer-me meio verdes para, caso assim seja preciso, assumirem a titularidade. Mais, não me parece que Wilson seja um goleador (Rubio tem, claramente, faro de golo). E também aqui vos digo que não vejo grande lógica em travar o processo de crescimento de Wolfswinkel de quem, sem rodeio, gosto bastante.
Portanto, para mim, o ideal seria conseguir contratar um avançado que, aceitando a titularidade do holandês (até certo limite, claro), fosse capaz de resolver sempre que chamado. E, chegado a esta conclusão, só tenho que resolver um último dilema: contratar mais um jovem, que, mesmo tendo em conta que temos Betinho, seja capaz de agarrar o lugar quando Wolfs for vendido (a continuar a evoluir e a marcar, não deve ficar cá muito mais tempo), ou contratar um jogador experiente, capaz de empolgar adeptos, fazer-se ouvir no balneário e ainda ajudar o lobo a crescer?