Um Barco à Deriva

“Não vou à Bola com o Bento”. Eu também já não vou à bola com o gajo. Mas ontem depois de assistir ao jogo, às declarações do homem e às declarações proferidas pelo JEB no dia anterior, pensei eu com os meus botões:

OS RATOS

O Paulo Bento não está agarrado ao lugar. As pessoas que estão acima dele é que lhe pedem encarecidamente para não abandonar o barco. Porquê? Porque pura e simplesmente não há uma única alma dentro daquele clube capaz de ter uma ideia para o futebol. Não fazem a mínima ideia como levar a bom porto esta empreitada. Estão paralisados. Sem capacidade para decidir e reagir. Porque não sabem. Não sabem vender e colocar jogadores com proveitos económicos significativos. Não sabem comprar e fortalecer competitivamente o plantel. Não têm redes de influência nas estruturas onde também se decidem campeonatos. Não têm capacidade para comunicar com os sócios e adeptos em geral. Não conseguem negociar comissões com empresários. Não conhecem o mercado nem os bastidores e as redes de agentes que colocam e trazem jogadores. Estão a imaginar o fartote que deve ser para os mafiosos que gravitam no nosso futebol negociar um jogador de um qualquer clube de merda com a Rita Figueira? É assim que está o nosso clube desde a saída do Carlos Freitas. Sem uma ideia, sem uma linha orientadora. Sem alguém que marque a pauta. Com um director Desportivo que decidiu ter uma conversa em família com o plantel há poucos dias pela primeira vez. São meros empregados de banco a aprender como tudo isto funciona. Assim se explica a razão das declarações de JEB. Desnorte total e disparos em todas as direcções. Podia ser que acertasse em alguém.

O CAPITÃO

Paulo Bento tem a sua parte de culpa. Por não ter exigido uma pessoa ao seu lado com conhecimentos de mercado e voz no balneário. Um verdadeiro líder e não um compincha de cacifo dos tempos em que depois do treino frequentavam o mesmo barbeiro e almoçavam com as mulheres e os filhos nos dias de folga. É responsável por ser limitado do ponto de vista técnico enquanto treinador. É culpado por não fazer evoluir jogadores e equipa e apresentar um futebol depressivo 4 anos depois. Em qualquer outra circunstância, despedir o terinador seria o ideal. Neste caso é uma incógnita. Estou certo que ninguém está a pensar que a solução passa por um Chico Vital, um Carlos Manuel, um Fernado Mendes. Mas no contexto em que vivemos todas as soluções são possíveis. As más, as boas, as assim assim. E é neste ponto que reside o problema. Ninguém sabe se é melhor virar à direita, à esquerda ou ir contra o muro. Por isso, ELES vão-se agarrando à única coisa autêntica que têm. O homem que dá o corpo às balas, que defende o clube, que já ganhou alguma coisa, que aprova transferências. Que come e cala! Por isso, não me surpreende ouvir os jogadores dizer que estão com o treinador até à morte. Pudera, aqueles que não são calhaus com olhos já viram bem a merda que os rodeia. Por isso, ficam debaixo das asas do Capitão de tantas guerras.

A ESPERANÇA

Só pode ser um golpe de sorte. Alguém lembrar-se de um nome qualquer que aceite herdar este pesado fardo e se torne pela personalidade e conhecimentos maior do que o cargo que ocupa. Alguém que seja treinador (bom de preferência) mas que aglutine e que aponte o caminho àquela gente. Que venha e acenda à luz. Porque ELES, coitadinhos, parecem miúdos a brincar aos clubes de futebol. Como no Football Manager, não é JEB?

Nota: O Cacifo é um espaço de opinião por pessoas que gostam e pensam o Sporting. Aqui não há amarras institucionais nem linhas de pensamento rectangulares. Cada um tem a sua própria versão do que acha ser o melhor para o clube.