Mais a frio, depois da deprimente noite de quinta-feira, a primeira coisa que me apetece dizer é que deu um jeitão a louca ansiedade do Bojinov. Porquê? Porque, parece-me, mais grave do que o gesto do gajo (já lá vou) foi não sermos capazes de ganhar a um Moreirense que jogava sem seis ou sete titulares. Isto é o mais preocupante e é relativamente a isto que eu gostaria de ver explicações. Ou, se preferirem, como é que se expliqua que, num reveillon, passemos de 1 para 11 pontos do primeiro lugar?!? Que a equipa passe da pressão alta, mandona, colhões a encher os calções e a jogar como pedimos, como se viu na Luz, para esta equipa onde até a alma que já nos evitou dissabores maiores (Paços de Ferreira e jogo em casa com o Nacional para a Taça, por exemplo) parece eclipsar-se?!?
Ah, já sei, Rinaudo. Sim, tudo parece ter começado a tremer com a lesão de Fito, mas não passou tempo suficiente para termos alguém que permita aos dois outros médios jogar mais descansados, aos centrais não terem o peso de agarrar na bola, ao laterais terem a oportunidade de subir logo na construção? De cada vez que penso nisto surge-me no pensamento o exemplo do Milan e de Andrea Pirlo. Não podiam Elias, Schaars ou André Martins terem sido, desde logo, a opção para a máquina funcionar no primeiro momento de construção? (e, sim, eu sei que depois ainda ficámos sem Matias).
Ah, já sei, a equipa emperrou em termos atacantes. Mas será que temos que jogar sempre em 4-3-3? Será que não podemos prescindir de um dos médios e actuar com dois avançados?!? Será que não se justifica existir um plano b táctico que vá para lá de colocar o Ogushi a ponta-de-lança, de inverter os alas ou o triângulo de meio-campo?
Ainda assim, a julgar por grande parte dos comentários, importa é apontar o dedo ao Bojinov. Falemos, então, do Bojinov.
O búlgaro tem sido tudo menos um exemplo de mau jogador de balneário. Sempre que fala pensa no grupo, festeja os golos, sofre no banco, manda o Caixinha para o caralho quando reduzimos, frente ao Nacional. Teve, na quinta-feira, um acto desesperado. Um acto de alguém que precisa de mostrar-se e de sentir-se útil. Fez mal e correu mal, o que justifica um castigo e que lhe retira quase toda a margem junto da maioria dos adeptos. Claro que a imprensa aproveita, como fez, ontem, O Jogo, e escreve que o rapaz era olhado de lado no balneário para, no mesmo texto, dizer que ele era dosmais chegados a Ogushi e Wofswinkel. Come e acredita quem quer, não é? Como grita e pede sangue quem quer, e haverá quem aplauda a sua saída, como se aplaudiu a de Deivid e a de Pinilla, para depois meterem as mãos nos bolsos, a cabeça em baixo e dizerem que foi uma vergonha terem deixado sair esses jogadores. E, no meio de tudo isto, volto a bater na mesma tecla. Foi um erro de gestão tê-lo deixado de fora contra o Braga, numa clara machadada na motivação que ele poderia ter perante a oportunidade de agarrar o lugar. Se se for, tenho pena. Sobretudo, tenho pena que pouco se tenha feito no sentido de dar a Alvalade a oportunidade de ver um dos jogador que eu fazia questão de ver, ao domingo à tarde, com a camisola do Lecce, na Rai1.
Mas sabem do que é que eu tenho mesmo pena nestas alturas? De ter crescido como adepto. De ter deixado aquela idade da inocência onde acreditava que qualquer Peter Houtman ou qualquer Eskilsson podiam ser os melhores avançados da Europa, que o Rodolfo Rodriguez ia defender tudo, que centrais como Pedro Barny ou Miguel podiam dar conta do recado, que o Ali Hassan podia fazer a diferença e que o Valtinho tinha o remate mais forte do mundo, ou que o Amaral tinha tudo para ser um craque e que o João Luís II e o Edel podiam ser armas secretas para resolver a partir do banco.
Naquela altura, qualquer homem que vestisse a camisola do Sporting tinha que ser defendido até ao fim como fazendo parte da melhor equipa e do melhor clube do mundo. Com eles, acreditava que ia ganhar sempre e quem dissesse e escrevesse o contrário tinha mais era que ir pró caralho. Mas, hoje, parecemos absorvidos pela constante vontade de duvidar. Até de nós mesmos, enquanto adeptos.
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