O presidente prometeu-nos uma surpresa, mas não foi surpresa nenhuma. Aparentemente, está toda a gente surpreendida, sem razão nenhuma. A estratégia dos últimos anos mantém-se: o Sporting contrata bons treinadores adjuntos. Só que contrata-os para treinadores principais. Esta é a razão pela qual eu torci o nariz ao Peseiro, ao Paulo Bento e torço o nariz ao Carvalhal.
O treinador que servia para o Sporting era, de facto, um estrangeiro, com experiência e currículo mas, sobretudo, um gajo que pairasse sobre a realidade do futebolinho: que não lesse jornais, que não visse Trios de Ataque, que se estivesse a cagar para as merdinhas que minam o futebol português. Um gajo que trabalhasse as suas ideias e ensinasse futebol, que melhorasse os jogadores da Academia e os outros. Que desse banhos tácticos aos treinadores básicos que existem em Portugal e não o contrário. Que tivesse histórias para contar, aos jogadores, aos adeptos, aos jornalistas. Histórias de títulos. Só precisava de um Paulo Bento, de um Carvalhal ou de um Peseiro ou lado dele. Esses treinadores existem, mas a actual gestão do Sporting não os quer. Não quer gastar dinheiro, então compra barato e evita ter alguém que exija, de facto, bons jogadores para o clube. Perdemos de duas formas, não temos um treinador bom, nem jogadores bons para ele trabalhar.
Dito isto, estou com o Carvalhal. É incrível o peso que a imagem tem na sociedade contemporânea. O André das Boas era o maior, o próximo Mourinho, aprendeu por osmose, era fantástico, trazia jogadores com ele, o plantel da Académica está apaixonado. Tem três jogos no currículo. O Paulo Bento é que era, um grande treinador, o Ferguson do Sporting, bom homem, deu sempre a cara, salvou o clube. Assumiu o cargo com zero (!) jogos no currículo. O Carvalhal já é treinador há mais de dez anos, teve altos e baixos como vão ter treinadores medianos como o Paulo Bento ou o André das Boas, como teve o Jorge Jesus ou o Jesualdo Ferreira. Mas, como não caiu no goto, é uma “vergonha” para a generalidade dos adeptos.
O treinador pode ganhar jogos mas são os jogadores que ganham os campeonatos. O Sporting precisa de mais dois ou três bons jogadores para lutar, ainda este ano, pelo título em Portugal. Um bom central grande, um bom trinco grande e forte e um bom avançado, outro Liedson, mas em maiorzinho. E precisa de dois laterais razoáveis. Com bons jogadores, o Jesus é o maior, o Jesualdo é tricampeão, o Peseiro quase ganha tudo, o Inácio quebra jejuns. O Carvalhal é igual, o único problema é que está a viver “um sonho”, como o Peseiro e o Paulo Bento. Aceita tudo. Não impõe nada. Mas deixem-no trabalhar e tentar salvar a face do clube este ano. Se correr bem, óptimo, dá-se uma segunda oportunidade mas, espero, com mais jogadores bons. Se não correr bem, pode ser desta que se vá buscar um bom treinador principal, que obrigue o presidente a subir a parada da qualidade do plantel para o nível das verdadeiras ambições do Sporting.
Publicado por Douglas 
Publicado por cherbakov
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