Calma com as carvalhadas

Novembro 16, 2009

O presidente prometeu-nos uma surpresa, mas não foi surpresa nenhuma. Aparentemente, está toda a gente surpreendida, sem razão nenhuma. A estratégia dos últimos anos mantém-se: o Sporting contrata bons treinadores adjuntos. Só que contrata-os para treinadores principais. Esta é a razão pela qual eu torci o nariz ao Peseiro, ao Paulo Bento e torço o nariz ao Carvalhal.

O treinador que servia para o Sporting era, de facto, um estrangeiro, com experiência e currículo mas, sobretudo, um gajo que pairasse sobre a realidade do futebolinho: que não lesse jornais, que não visse Trios de Ataque, que se estivesse a cagar para as merdinhas que minam o futebol português. Um gajo que trabalhasse as suas ideias e ensinasse futebol, que melhorasse os jogadores da Academia e os outros. Que desse banhos tácticos aos treinadores básicos que existem em Portugal e não o contrário. Que tivesse histórias para contar, aos jogadores, aos adeptos, aos jornalistas. Histórias de títulos. Só precisava de um Paulo Bento, de um Carvalhal ou de um Peseiro ou lado dele. Esses treinadores existem, mas a actual gestão do Sporting não os quer. Não quer gastar dinheiro, então compra barato e evita ter alguém que exija, de facto, bons jogadores para o clube. Perdemos de duas formas, não temos um treinador bom, nem jogadores bons para ele trabalhar.

Dito isto, estou com o Carvalhal. É incrível o peso que a imagem tem na sociedade contemporânea. O André das Boas era o maior, o próximo Mourinho, aprendeu por osmose, era fantástico, trazia jogadores com ele, o plantel da Académica está apaixonado. Tem três jogos no currículo. O Paulo Bento é que era, um grande treinador, o Ferguson do Sporting, bom homem, deu sempre a cara, salvou o clube. Assumiu o cargo com zero (!) jogos no currículo. O Carvalhal já é treinador há mais de dez anos, teve altos e baixos como vão ter treinadores medianos como o Paulo Bento ou o André das Boas, como teve o Jorge Jesus ou o Jesualdo Ferreira. Mas, como não caiu no goto, é uma “vergonha” para a generalidade dos adeptos.

O treinador pode ganhar jogos mas são os jogadores que ganham os campeonatos. O Sporting precisa de mais dois ou três bons jogadores para lutar, ainda este ano, pelo título em Portugal. Um bom central grande, um bom trinco grande e forte e um bom avançado, outro Liedson, mas em maiorzinho. E precisa de dois laterais razoáveis. Com bons jogadores, o Jesus é o maior, o Jesualdo é tricampeão, o Peseiro quase ganha tudo, o Inácio quebra jejuns. O Carvalhal é igual, o único problema é que está a viver “um sonho”, como o Peseiro e o Paulo Bento. Aceita tudo. Não impõe nada. Mas deixem-no trabalhar e tentar salvar a face do clube este ano. Se correr bem, óptimo, dá-se uma segunda oportunidade mas, espero, com mais jogadores bons. Se não correr bem, pode ser desta que se vá buscar um bom treinador principal, que obrigue o presidente a subir a parada da qualidade do plantel para o nível das verdadeiras ambições do Sporting.


A surpresa de Bettencourt

Novembro 15, 2009

carvalhal

“O novo treinador está quase e vai ser uma surpresa”, dizia, ontem, JEBettencourt, pouco antes da CMVM anunciar que, até ao final da época com outra de opção, este verdadeiro kinder estará à fente da nossa equipa de futebol.


O “Mourinho maricas”, o director desportivo que não fazia contratações mas tratava delas e o presidente palerma

Novembro 14, 2009

Quando, daqui por uns anos, começar a contar histórias do Sporting à minha filha, hei-de prepará-la mentalmente para o pior falando-lhe da inacreditável sexta-feira 13 de 2009.

Para tal, pego nesta notícia:
“Sá Pinto, novo diretor de futebol do Sporting, está revoltado com André Villas-Boas na sequência do fracasso que constituiu a negociação entre o Sporting e aquele treinador, na altura, o preferido para render Paulo Bento no comando da equipa técnica dos leões.
O responsável leonino tinha conseguido, na noite de quinta-feira, um entendimento. Tudo caminhava sobre rodas. Sá Pinto chegou, inclusivamente, a contactar José Mourinho para que sensibilizasse o técnico dos estudantes para um novo projeto no Sporting. O facto de o treinador do Inter ter trabalhado com Villas-Boas a isso aconselhava. A verdade é que ontem mesmo tudo se alterou e a transferência que parecia praticamente consumada gorou-se.
O que na quinta-feira eram conversas amigáveis tornou-se ontem um filme de terror para o diretor de futebol dos leões. André Villas-Boas deixou de atender telefonemas e, no limite, foi já Carlos Gonçalves, representante do técnico, a dizer que a mudança para Alvalade era praticamente impossível de concretizar, uma vez que existiam vários obstáculos no caminho.
Por um lado, o treinador da Académica tinha algum receio em lidar com um balneário complicado, facto a que acrescia a falta de garantias para investir no reforço do plantel durante o mês de janeiro.
Por outro lado, a Académica também nunca facilitou. Os leões ofereciam pouco mais de 500 mil euros, enquanto a Briosa nunca baixou a fasquia que estava acima de 1 milhão de euros.”

E, depois, junto-lhe esta:
“Eram necessárias muitas coisas para que essa possibilidade [André Villas-Boas] fosse possível”, salientou Bettencourt, mais preocupado com os motivos que o haviam feito viajar até Trás-os-Montes, onde foi recebido em ambiente de festa, do que em falar em treinadores. Ainda assim, esclareceu que muito do que se disse ou se escreveu sobre o interesse dos leões no técnico da Briosa “foi só especulação”. “Foi um nome que nunca foi falado e com quem nunca estive. Para que essa possibilidade existisse, teria de ter existido um acordo. Não foi possível, ponto final parágrafo”, sentenciou.
Afastado, assim, o nome de André Villas-Boas como futuro técnico do Sporting, impunha-se tentar perceber como a SAD leonina pretende solucionar a situação que decorre desde o passado dia 6, quando Paulo Bento apresentou demissão. Por enquanto, Bettencourt defende “não ter pressa”. “Não queremos escolher por escolher. Temos de escolher uma alternativa que nos dê garantias”.

Resumidamente:
parece que o novo Mourinho tem medo de deitar mãos a uma equipa em cacos;
que o nosso novo director desportivo garante que não tem nada a ver com contratações e, no dia seguinte, é ele quem está a tratar do novo treinador e a desmentir o nosso presidente que afirma que o dossier Villas-Boas não passou de especulação;
que o nosso presidente, o primeiro na história a encher o cu todos os meses com as quotas que pagamos, acha que, mais de uma semana após ter ficado sem treinador e a 15 dias de um derbi, não há pressa em encontrar substituto.

Obrigado, Leonel Pontes, por aceitares ficar mais uma semana e te juntares a nós nesta humilhação colectiva…


Passar a fronteira do ridículo

Novembro 13, 2009

Não tenho opinião formada sobre o Villas Boas. Tirando a banalidade da “aposta de risco”, não consegui encontrar forma de sustentar meia dúzia de argumentos acerca de um homem de 32 anos que tem no currículo de treinador (era para isso que ele ia ser contratado, é bom recordar) um mês de Académica e menos de uma mão cheia de jogos a comandar uma equipa. Dava-lhe o benefício da dúvida. Pela inteligência, perspicácia e profissionalismo que todos lhe apontavam. E que eu não tinha como confirmar. Mas se viesse era o meu treinador, o treinador do Sporting, provavelmente seria já o melhor do mundo e arredores. Embora confesse que, num plano mais racional, me preocupou a forma como tantos olharam para cima a antecipar um novo Mourinho e tão poucos sequer espreitaram para baixo ignorando a possibilidade de outro Luís Campos.

Isto eram os meus pensamentos há meia-hora. Quando já dava por adquirido que seria ele o contratado. Quando não acreditava que o Sporting pudesse prestar-se ao ridículo de, depois de não estancar os rumores sobre ele, depois de ter elementos dos órgãos sociais a fazer campanha por ele, depois de fugas de informação sobre treinadores-adjuntos já escolhidos por ele, depois de um comunicado à CMVM a assumir que estavam a negociar com ele… depois de tudo isto, dizia, prestar-se ao ridículo de não conseguir chegar a acordo com a Académica para libertar o homem.

Ou seja, não me incomoda que não venha o Villas Boas. Porque não sei se seria a melhor opção. Mas incomoda-me, de forma quase ofensiva, que não venha o Villas Boas por pura incapacidade negocial e tremenda inabilidade na gestão do dossier. Não se sabia da cláusula de dois milhões de euros antes de deixar sair tanta informação? Não se sabia da cláusula de dois milhões para dizer logo que não se queria pagar esse montante? Se Villas Boas era a primeira escolha, é absolutamente patético não conseguir contratá-lo por causa da Académica. Se a estratégia era não pagar pela desvinculação de um treinador, então Villas Boas nunca deveria ter sido ponderado. São muitas coisas, e demasiado óbvias, para que consiga aceitar isto. E agora? Arrasta-se a novela? Entra-se numa discussão na praça pública? Braço-de-ferro? Ou puxa-se do trunfo da famosa “segunda opção”? E qual é a segunda opção? É portuguesa? É estrangeira? Já foi contactado? Estava a ser negociado à mesma altura? E porque é que eu tenho a sensação de que está demasiada gente a assobiar alegremente a caminho do precipício?

E com esta brincadeira há uma semana que estamos sem treinador.


O que é feito de ti?

Novembro 13, 2009

Marco Caneira

Vieste para ser um dos patrões da equipa. No campo, claro, mas também no balneário. Lembro-me, por exemplo, que pouco depois do teu regresso definitivo não hesitaste em dar um murro na mesa durante a rábula Moutinho-Everton. Invocaste o estatuto de capitão sem braçadeira, voz de comando, homem da casa, alma da equipa, prolongamento do treinador em campo. E no balneário. E eu achei que tudo isso fazia sentido.

Sempre te vi como uma referência. Daquelas que fazem falta em qualquer equipa. Pela forma como falavas, pelo profissionalismo que mostravas, por todos os sinais de maturidade e experiência que exibias como cartão de visita, parecias-me o contraponto natural ao excesso de juventude que transitava da Academia para a equipa principal.

Mas entretanto foste desaparecendo. As opções tácticas afastaram-te do centro da defesa. A falta de jeito afastou-te da lateral direita. A paupérrima forma física afastou-te da lateral esquerda. As lesões afastaram-te da equipa titular. Foste desaparecendo progressivamente e a bizarra incursão política mostrou o teu interesse por outros mundos. A coisa chegou ao ponto de ter esquecido a tua existência. Li hoje num jornal que tinhas voltado a treinar “sem vigilância médica”. E eu dei por mim a pensar “ah… pois é… o Caneira ainda está no plantel”.

E depois dessa constatação pensei mais um pouco. “Estranho”. A equipa está uma miséria, jogamos um futebol de merda, estamos em 8.º lugar, os sócios contestam, protestam, insultam, o Paulo Bento sai, o Barbosa sai, o Ribeiro Telles sai, o plantel sofre, os jogadores vão deixando cair frases aos bochechos… e tu, que era suposto seres uma referência do balneário, nada, zero, nem uma palavra. O Pedro Silva (o Pedro Silva, foda-se!!!) é o porta-voz do ambiente triste na despedida do Bento, o Adrien Silva (o Adrien, foda-se!!!) é o porta-voz da ideia de que não é a saída do Bento que vai resolver o problema, o Liedson (pelos vistos mais patrão do que tu…) é que veio quase todas as semanas dizer que não podia ser, que isto não podia ser, que os jogadores tinham de fazer mais e melhor… e tu nada! Passou-se Agosto e a saída da Champions. Passou-se Setembro e a caminhada para o abismo. Passou-se Outubro e as eleições autárquicas. Entrámos em Novembro no fundo do poço… e tu nada! O que é feito de ti, homem?

Será que agora, que voltas a treinar “sem vigilância médica” e prestes a estar “sob vigilância de um novo treinador”, vais voltar a dar sinais de vida? Olha lá… e já agora, aqui entre nós: há alguma coisa que nos queiras contar sobre o que se passou nestes últimos meses?


Na loja do mestre André

Novembro 13, 2009

No dia em que circulam notícias do possível interesse do FCPorto no regresso de Quaresma (pensei que ele e o Jesualdo estavam fartos um do outro), aproveito para reforçar o meu desejo de ver concretizada uma ida ao mercado que, penso, será muito importante para o Sporting: a confirmar-se a contratação de André Villas-Boas para treinador do Sporting, ele que dê uma apitadela ao Mourinho e, os dois juntos, tratem de convencer o “ciganito” a voltar a Alvalade.

Já agora, e se outra das notícias do dia for verdadeira, façam também um telefonema para Manchester e tentem trazer o Nani.


Oh Boas!

Novembro 12, 2009

Gosto de coisas Boas! Gosto de Boas comidas. Gosto de umas Boas farófias, por exemplo. Gosto de todas as Boas formas de fazer bacalhau, de Boas chouriças, de Boas cabidelas ou de umas Boas costeletas de novilho. Gosto de um cacho de Boas uvas ou de Boas pêras.

Boas pessoas, também gosto. Pessoas boas. Boas ideias, Boas formas de argumentação, Boas eloquências, Boas acções, Boas sensibilidades, Boas inteligências, enfim, Boas cabeças.

Gosto de cidades Boas, com estradas Boas, arquitecturas Boas, casas de banho Boas ou Boas árvores, daquelas com histórias Boas. Gosto de histórias Boas, no geral, Boas histórias para contar ou ouvir. Boas piadas, Boas gargalhadas. Boas subtilezas, Boas gritarias, quando valem a pena.  

Também gosto de coisas Boas no futebol. Boas tácticas, Boas jogadas ao primeiro toque, Boas bicicletas, Boas escolhas no momento de decidir lances, Boas pernas para fazer carrinhos ou Boas mãos num guarda-redes.

E, claro, gosto de gajas Boas. Boas mamas, por exemplo. Boas nádegas. Boas pernas ou outras coisas Boas.  

Do Villas-Boas, não sei se gosto. Gosto de pensar que vou gostar. Gosto da perspectiva de vir a conhecer as suas ideias, que espero Boas, para o futebol. É mais um para o clube da dupla consoante, um pormenor se forem Boas as competências do Villas-Boas.

Boas sortes!


Cair em graça

Novembro 12, 2009

Os adeptos são, efectivamente, o “bicho esquisito”. Passo a explicar o porquê desta minha afirmação.
Sensivelmente a meio da época passada, a ideia de que o Sporting devia apostar em Jorge Jesus para treinador começou a fazer parte das conversas entre adeptos verde e brancos. Mesmo sem ter, objectivamente, feito algo de extraordinário, Jesus, pela sua filiação e pelo seu gosto por futebol de ataque, caiu em graça junto da família leonina, deixando muitos Sportinguistas à beira do pranto quando assinou pelo Benfica.

Entretanto, com quatro meses de atraso, Paulo Bento colocou um ponto final no seu ciclo no Sporting. Jesus já estava ocupado com outro rebanho e, à falta de um messias, começaram a ser apontados outros nomes, com maior insistência para Manuel Machado e Manuel Cajuda.

Muitos leões ouriçaram a juba, molharam as unhas em água benta e fizeram o sinal da cruz, renegando estes dois “manelitos” como se de diabos se tratassem e levando-me a fazer uma e a mesma pergunta durante os dias que esta novela do novo treinador tem durado: o que é que o Jesus tem a mais no seu curriculum que estes dois “pobres diabos”?


Não me parece mal

Novembro 11, 2009

Sá Pinto

Pelos vistos… dizem uns senhores na telefonia… o Sá Pinto está garantido na próxima estrutura directiva do Sporting. Aguardemos a confirmação.

Se vier com o empenho com que pisava a relva, não duvido que poderá dar um bom contributo ao clube. Antecipo-o como uma boa rede ao treinador. Pelos menos no que diga respeito a desvincular o sucessor de Paulo Bento do (enorme) caderno de encargos que a função de treinador representou nos últimos quatro anos: treinar a equipa, estudar adversários, pensar o plantel, gerir o balneário e assumir a defesa pública de todo o universo futebolístico do clube.

Veremos. Sá Pinto não foi um génio com a bola nos pés. Mas deixou-me boas memórias. Espero que tenha agora, nos gabinetes ou como “tutor” do plantel, a inteligência e astúcia de que necessitamos.


Estão à espera de quê?

Novembro 11, 2009

Ainda não fui contactado por nenhum responsável do Sporting. Antes de me pronunciar sobre essa possibilidade, teria de haver uma conversa prévia em que o clube manifestasse interesse. Vamos aguardar com calma. Sei o que se passa no Sporting porque a informação circula depressa. Agora não posso acrescentar mais nada“, Juande Ramos, em declarações ao i.


Em nossa casa, rugimos nós!

Novembro 11, 2009

Os bilhetes para o derby de dia 28 (21h15) já estão à venda, sendo que até à próxima sexta, dia 13, apenas os sócios podem comprar os bilhetinhos mágicos. Não faço ideia de quem vai ser o nosso treinador nesse jogo, mas sei que quero ver as bancadas pintadas a verde e branco!


Decidido?

Novembro 11, 2009

De acordo com o jornal O Jogo, André Villas-Boas é o preferido de José Eduardo Bettencourt para ocupar o lugar deixado em aberto por Paulo Bento. O homem que durante sete épocas acompanhou Mourinho, observando os adversários de Leiria, Porto, Chelsea e Inter, pode, assim, estar a um passo do Sporting, deixando para trás os outros dois nomes que estavam na lista: Jorge Costa e Carlos Carvalhal.

Confesso que não tenho opinião formada sobre André Villas-Boas, nem pretendo fazê-lo com base na felicidade que parece ter sido capaz de trazer às gentes da Académica. Seja como for, também não sou pessoa de torcer o nariz ao “desconhecido” e, quando penso em Carvalhal, até me sinto capaz de ir eu a Coimbra buscar este treinador de nome pomposo. 

Entretanto, A Bola escreve o seguinte:  ”Está a chegar ao fim a indefinição em torno da equipa técnica do Sporting e, nesse sentido, de acordo com o que A Bola apurou junto dos leões, o próximo treinador leonino está encontrado e, porventura, contratado. No entanto, por uma questão estratégica, o anúncio do nome do homem que vai substituir Paulo Bento na liderança da equipa técnica deverá ocorrer, em princípio, ainda no decorrer desta semana.
O processo que visou a contratação do novo responsável técnico foi conduzido pelo próprio José Eduardo Bettencourt e, nesta altura, apenas ele, o treinador em causa e uma ou duas pessoas muito chegadas e da total confiança do presidente leonino têm conhecimento de quem se trata. Mais: terá sido mesmo ponto de ordem no acordo que a quebra deste pacto inviabilizaria o acordo imediatamente, e daí se explicam tantas cautelas/silêncio de todas as partes envolvidas no processo.
E pouco mais se sabe em relação a esta matéria, a não ser que o próximo treinador será português, experiente, com conhecimento profundo do futebol português e, sobretudo, do Sporting – aqui, podem riscar-se os nomes de Manuel José, Manuel Machado, José Peseiro ou Augusto Inácio”.

Querem lá ver que O Jogo já desgraçou o negócio ao Bettencourt?


O Sporting e Paulo Bento. Uma perspectiva espanhola

Novembro 10, 2009

Em digressão por terras do Tio Sam, o sempre fiel Jordão remeteu-nos um texto publicado pelo jornalista Axel Torres no blog que tem na edição online do diário “Marca“. Chega com uns dias de atraso – foi escrito no dia da demissão do Paulo Bento -, mas não resisto a partilhá-lo convosco.

“Es curioso: casi todos mis amigos portugueses son sportinguistas. Quizá por ello, pero también por su filosofía de cantera, he seguido con enorme simpatía al SCP en los últimos años. Me he ilusionado con sus nuevas figuras, he sentido frustración cuando el equipo ha jugado peor de lo que podía esperarse por su calidad y, sobre todo, he discutido sobre la figura del hombre que ha centrado gran parte del debate en el entorno del club: Paulo Bento. He apreciado en mis allegados leoninos un amor-odio hacia la figura del que ha sido su técnico durante más de cuatro años. Un amor-odio que puedo comprender y casi compartir. En efecto, hoy, cuando el ex futbolista del Oviedo ha anunciado su dimisión, he sentido simpatía y profundo respeto hacia él, por mucho que ayer por la noche, después del humillante 1-1 en el Alvalade ante el Ventspils, casi pidiera a gritos su cese en un SMS mandado a un hincha del club lisboeta.

El Sporting, es una evidencia, juega mal. A veces, horrorosamente mal. Y podría jugar bien. Debería jugar bien. Con un centro del campo formado por Veloso, Moutinho, Vukcevic y Mati Fernández, se espera algo más que un fútbol brusco, que balonazos hacia arriba, que falta de control. Se espera toque, fútbol combinativo, asociación permanente. Los hombres y el sistema han sido en muchas ocasiones los necesarios. Pero, quizá porque no se han trabajado los automatismos en el juego de ataque, quizá porque no se ha insistido suficientemente en la idea del paso y me muevo, sea por lo que sea, lo que se ha visto en el campo ha sido un desastre. Al fútbol se puede jugar de muchas formas y hay equipos directos que son un espectáculo. Pero los equipos directos utilizan futbolistas adecuados para jugar directo. Y los equipos de toque utilizan jugadores adecuados para jugar al toque. En el Sporting se juntaban varios finos estilistas y luego el balón iba de un lado al otro sin sentido. Por todo ello, hay que pedirle responsabilidades al entrenador, el hombre que ha sido incapaz de convertir la teoría en práctica. Si a ello le sumamos que los resultados estaban siendo aún peores que el juego, con el Braga, el Oporto y el Benfica muy por encima en la tabla -y ninguno de ellos tiene una plantilla muy superior; al menos tan superior como muestra la clasificación-, la situación se había convertido en insostenible. Las críticas eran feroces y jugar en casa había pasado a ser un infierno. No quedaba otra que cambiar de técnico.

No siempre ha sido así. Recuerdo algunos partidos brillantes en la Champions contra el Manchester United o contra la Roma. Partidos en los que sólo faltó pegada, porque, entonces sí, el equipo dominaba, tenía la pelota y creaba ocasiones. Esa magia se ha perdido, pero no debemos olvidar esos tiempos. Tiempos que incluso vieron títulos, como las Copas de 2007 y 2008, dos torneos que acabaron con cinco años de sequía en el club. Eso fue mérito de Paulo Bento, como lo fue, sobre todo, su respeto y su defensa inequívoca de una filosofía, su militancia absoluta a favor de las ideas básicas del proyecto sportinguista. Él, que trabajó con éxito en las categorías inferiores antes de asumir el mando del primer equipo; él, que hizo debutar en la plantilla profesional a Nani, a Miguel Veloso, a Rui Patricio, a Bruno Pereirinha y a Yannick Djaló; él, que consolidó como titular indiscutible e hizo capitán a Joao Moutinho; él, que ganó dos títulos siguiendo las premisas de formar a la base del equipo en Alcochete; él era el más indicado para responder, justo ahora que los resultados eran malos y los hinchas pedían su cabeza, si valía la pena seguir por este camino, si se podía competir con el Benfica y el Oporto sin grandes inversiones de dinero. Y dijo que sí. Que estaba convencido de ello. Y en su respuesta había amor hacia el club. Amor hacia la Idea. Es por ello que todos los que creemos que la política de fútbol base debe ser fundamental para garantizar la continuidad competitiva de aquellas entidades deportivas que no reciben grandes inyecciones económicas externas y que no poseen unos recursos tan elevados como los de sus máximos competidores sentimos hoy tristeza por el adiós de Paulo Bento. Por muy mal que jugara el equipo. Por muy séptimo que estuviera. Por mucho que supiéramos que su ciclo había terminado y que su marcha era necesaria.”


Fico triste, pois claro que fico triste

Novembro 10, 2009

Ronda matinal pela imprensa. Tinha lido que o Bettencourt teria chamado ontem à noite toda a direcção da SAD e do clube (incluindo aqueles vogais mais recônditos) para debater a escolha do novo treinador. Portanto estava curioso. Acordei e tratei de espreitar toda a imprensa desportiva para ver o que de lá teria saído. E fiquei triste, pois claro que fiquei triste.
Bem sei que estes textos dos jornais desportivos são em grande parte um exercício de adivinhação. Mas acreditando que o cruzamento das fontes de todos os diários pode, pelo menos, dar-nos uma indicação sobre as linhas gerais do pensamento de quem nos dirige, dei por mim a engolir em seco e a entristecer.

Pelos vistos, o perfil desejado é “um treinador português com experiência no campeonato nacional”. Percebo a ideia. Admito que faz sentido. Sobretudo atendendo às condicionantes económicas do clube. Faz sentido. Mas o problema está nas limitações da escolha, em função da oferta disponível. E os nomes que pelos vistos foram colocados ontem em cima da mesa chegam a provocar arrepios. Manuel Cajuda?! José Couceiro?! Nelo Vingada?! Augusto Inácio?! Carlos Carvalhal?! Estamos a falar do Sporting ou do Vitória de Setúbal? (com todo o respeito pelo Vitória de Setúbal)
Quero acreditar que estes nomes não são mesmo hipótese. Que não estão mesmo a ser considerados. A simples ponderação destes treinadores (que terão os seus méritos, claro) representa um baixar de fasquia que roça o insustentável. Gostava de perceber a lógica do raciocínio. São treinadores “para aguentar o barco até ao fim da época”? São treinadores “para projectar o(s) próximo(s) ano(s)”? São treinadores “para dar razão ao presidente naquela teoria de que vamos todos morrer de saudades do Paulo Bento”?

Foda-se que eu até pagava para engolir um sapo. Garanto-vos que pagava, e bem!, para beijar a careca do meu conterrâneo Cajuda no relvado de Alvalade, durante os festejos do título. Pagava para ir para o Marquês com umas calças de fato de treino puxadas até ao sovaco, em homenagem ao campeão Nelo Vingada. Pagava para pedir uma estátua ao bi-campeão Inácio, para urrar cânticos ao Couceiro, para colar posters do Carvalhal no meu trabalho. Foda-se… eu pagava para engolir todos esses sapos. Mas, por agora, a ideia de ter qualquer um destes homens no banco de Alvalade como solução para a crise do Sporting, só me faz engolir em seco. E ficar triste. Porque ninguém consegue fazer-me acreditar que um eventual futuro radioso passa por qualquer destes caminhos.
Mas pronto… também posso ser só eu e a minha mania de não conseguir fazer uma crítica construtiva. Às tantas tudo isto faz sentido. Eu é que não estou a ver como.


Saudades?

Novembro 10, 2009

Enquanto não dá uma entrevista mais longa e pormenorizada a um jornal, Paulo Bento esteve na SIC Notícias, naquele programa medonho chamado O Dia Seguinte e, entre muitas outras coisas, disse o seguinte:

“É evidente que, neste início de época, o Polga não teve o rendimento habitual, algo que ficou a dever-se também a questões físicas e a uma certa campanha em que lhe atribuíram erros que não cometeu. Mesmo assim, devido à sua importância, entendemos que deveria continuar a jogar até ao jogo com o FC Porto, onde passou a ser evidente a dificuldade no início do processo da construção de jogo.”

Ora, portanto, foi preciso esperar até ao jogo com o FCP para ter a noção de que o homem precisava de alguns jogos de fora? Pior, passou a ser evidente a dificuldade no início do processo da construção de jogo, mas nada a apontar à incapacidade de antecipar-se a um único adversário em lances de bola parada?

É por esta teimosia, que começou na insistência em Custódio quando todo o Portugal via que Miguel Veloso era a escolha mais lógica para a posição 6, associada a uma incapacidade gritante para preparar uma equipa com outro esquema de jogo que não o estafado losango, que eu respondo “está tudo estúpido?!?”, quando me dizem que o Paulo Bento vai deixar saudades em Alvalade. Sejam capzes de separar o homem do treinador, sff.

p.s. – como não podia deixar de ser, o Paulo aproveitou, ainda, para defender o Pedro, o Barbosa, dizendo que com outros meios teriam chegado ao Sporting outros jogadores e revelando que Cardozo, Saviola, Dátolo e Denis foram nomes que estiveram em cima da mesa. Eu acredito perfeitamente que vários nomes tenham estado em cima da mesa, mas não posso deixar de perguntar: naquele mês que desperdiçaram a trazer um jogador que é incapaz de marcar golos de baliza aberta – Caicedo – não teria sido possível encontrar outra opção. Se me disserem que era uma questão de tamanho, tudo bem, mas será que, pelas bandas de Alvalade, ninguém reparou que o Michael Owen andava a enviar o CV para tudo quanto era clube?