2-1. Podia ser melhor? Podia.
Mas foi com mesmo resultado que fomos duas vezes à Holanda: primeiro contra o Feyenoord, depois contra o AZ. Contra os primeiros «demos um banho na banheira» de Roterdão, contra os segundos perdemos anos de vida e o coração quase parou. Nesse ano acabámos na final.

(já agora, foi com 2-0 em casa que fomos duas vezes enxovalhados na Áustria)

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Este Sporting já não come cerelac

Não merecia o Rui, não mereciam os mais de 40 mil nas bancadas, não merecia o Sporting. Aquele penalti e aquele golo foram um final injusto para uma noite que podia ter sido perfeita, escancarando as portas das meias-finais e de uma invasão a Bilbao. Os golos de Izma (grande, grande momento de futebol) e de Insua (ao fim de seis ou sete anos parece que voltámos a trabalhar os lances de bola parada), haviam sido o materializar de uma segunda parte de alto nível, onde a falta de pernas (e a incompreensível não expulsão de Papa Gueye)  impediu a equipa de procurar o terceiro golo e sentenciar a eliminatória.

E, parece-me, foi precisamente essa falta de pernas que esteve na base da táctica de Sá Pinto (nota elevada na abordagem ao jogo, traída pelas substituições forçadas dos três homens que tinham estado em dúvida). Uma primeira parte morna, de alguma contenção (demasiada, para quem via de fora), entregando a iniciativa ao adversário até por volta dos 35 minutos, altura em que Matías começou a libertar-se, Schaars se chegou mais à frente e Carriço começou a ganhar quase todas as bolas divididas e a encurtar as linhas de passe adversárias. Só faltou Wolfswinkel não fazer aquela triste figura no remate (?) de ressaca ao falhanço da defesa adversária.
No final, o 2-1 é escasso para o que se passou e deixa-nos com a certeza de que nos esperam mais 90 minutos que colocarão à prova os nossos corações. Que, e comprovei-o esta noite, já não batem por um Leão com cerelac seca nos bigodes, mas sim por um Leão que parece ter amadurecido de repente, gerindo tempos de jogo, sabendo o que fazer com a bola e ansioso por mostrar que é ele o rei da selva. Principalmente quando joga em casa.

hoje escreves tu: Mudanças de Fundo

Todas as quartas, a voz dos cacifeiros salta da caixa de comentários para a primeira página, naquela que considero uma forma de enriquecer o blogue, de reforçar o Sportinguismo e de agradecer a todos os que, diariamente, ajudam a fazer do Cacifo aquilo que ele é ( quem quiser saber as regras, clique aqui).
O post desta semana é assinado por Luís Supico, um dos LS que por aqui deixam a sua opinião.

 

Mudanças de fundo
by Luís Supico

Acho que todos nós percebemos que o Sporting tem de mudar. Uns acham que está na altura de uma nova direcção (ou esta nem ter entrado sequer), outros novos jogadores, outros novos treinadores, o que quer que seja para melhorarmos de vez – eu acho que temos de mudar de mentalidade. E isso só começa com as modalidades.

Começo pelo princípio.
O Sporting é um clube eclético. A razão de ser para a sua nascença, a sua existência e expansão foi graças ao clube no seu todo e não ao futebol sozinho. Claro que o futebol ajudou e muito, mas a base não foi essa nem é esse o clube que conhecemos (pelo menos eu). Aguentámos durante anos e anos sem uma única vitória no futebol – todos os da minha geração de trintões – porque tinhamos um clube forte nas modalidades: Voleibol, Basquetebol, Andebol, Hóquei em patins, Ténis de mesa, Atletismo, Bilhar, é dizer uma modalidade que éramos bons em tudo; tudo isso dava-nos muitas alegrias e fazia-nos suportar o resto – que era o futebol, a merda de resultados e as bocas na escola no dia seguinte. Que saudades de ligar a televisão e ver sempre o Sporting na RTP2 a jogar uma modalidade qualquer, de ver e estar na Nave cheia que nem um ovo, acabar o jogo que estivesse lá dentro e passar para o estádio para ver o futebol… Tudo cheio de gente e tudo cheio de esperança sempre. Acreditem: aguentámos aquele tempo todo por causa das modalidades, ponto final. Mas este Sporting é diferente. Sem chama, sem interesse, sem abnegação nem vontade de sofrimento, sem carácter nem hombridade – falo dos Sportinguistas (eu inclusivé) e não do futebol e não vejo o meu Sporting a reerguer-se enquanto não formos de novo em Portugal o maior clube nas modalidades.

Dito isto, não basta só termos as modalidades para elas estarem lá, temos de ganhar nas modalidades. Sempre. Votei a favor da ideia do Roquete de acabar com as modalidades pelas mesmas razões que votaria de novo se fosse proposto, com os mesmos pressupostos: o objectivo era o de congelar as modalidades que estavam a dar prejuízo, manter as mais saudáveis e mais rentáveis, limpar as contas do futebol e, por inerência, do clube para, no prazo de 5 anos sermos campeões 2 a 3 vezes no futebol e voltarmos a ter as modalidades congeladas de volta, desde que não dessem prejuízo ou fosse mínimo. Fomos campeões no futebol 2 vezes dentro desses 5 anos mas com custos muitissimo superiores ao que estava planeado, não só financeiramente (que é sempre importante) mas acima de tudo, porque nos cinjimos aos problemas do futebol e só do futebol. O buraco financeiro que havia antes do Roquete aumentou exponencialmente e, como tal, deixou de haver hipótese de voltarmos a ter as modalidades de volta.

No que toca a mudança de mentalidade, começo por dizer que não gosto de comparações. Acho que dizermos que se os outros clubes têm nós também temos de ter é falta de ambição – devemos sempre ver o que se passa nos outros clubes para estarmos a par do que se passa à nossa volta, mas fazermos as coisas porque os outros fazem, vivermos centrados no que se passa ao lado é meio caminho andado para desaparecermos; devemos ser pro-activos acima de tudo e estar sempre um passo à frente dos outros clubes, pensando acima de tudo nas nossas virtudes e nas nossas forças e isso passa por voltarmos a ter um clube verdadeiramente eclético (bastantes mais modalidades que agora temos) e trabalharmos à séria para que sejam vencedoras. Acreditem: quando há uma dinâmica de vitória num clube, qualquer que seja a modalidade, faz com que o resto do clube se levante. Quanto mais modalidades (e modalidades vencedoras), maior seremos. Quem se lembra (como eu) dos anos 80 sabe do que falo: quando se falava em desporto em Portugal falava-se no Sporting e isso atrai muita gente, atrai mais patrocínios mais dinheiro, cria mais nome, o que faz com que mais pessoas queiram fazer parte deste clube, sejam jogadores, treinadores, sócios ou comuns adeptos. Custa tempo e dinheiro? Claro que sim. É difícil? Óbvio. Mas para sermos vencedores temos de ser ambiciosos (não megalómanos) e isso só funciona se voltarmos a ser o que sempre fomos: o maior e melhor clube de Portugal em modalidades.

Um abraço.

Sportinguismos

Nos dois últimos dias, dei comigo a pensar: que tipo de Sportinguista serei aos olhos de quem lê o que escrevo? Será que o facto de opinar quando considero pertinente, recusando-me a omitir o que penso a bem da tão propalada estabilidade, faz de mim um «terrorista»? Um mau Sportinguista?

Vem este pensamento a propósito das críticas feitas a Bruno de Carvalho, no seguimento das suas críticas ao desempenho da actual direcção durante o primeiro ano à frente do clube. Parece-me que Bruno escolheu o caminho mais complicado para estar na oposição. No sentido inverso ao de Dias Ferreira, Pedro Baltazar ou Abrantes Mendes, recusa-se a fazer o papel do opositor silencioso que não se manifesta para dar ares de um suposto Sportinguismo superior.  Bem pelo contrário: aponta o dedo sempre que considera ter que fazê-lo, numa atitude que o coloca perante o risco de ser rotulado como o gajo que só fala quando é para atacar e falar mal (optando os adeptos que assim pensam em ignorar, por exemplo, o interesse da comunicação social em promover tudo o que cause alarido, minimizando a presença e comentários em momentos de festa).

Ora, eu aplaudo o correr desse risco. E digo mais; a meu ver, perpetua a ideia que me foi passada ao longo da última campanha eleitoral: ele é o único que se sente realmente incomodado com a monarquia em que tornou dirigir o Sporting e o único apostado em fazer abanar a linhagem. Isso faz dele um Sportinguista oportunista ou um mau Sportinguista? Então, eu também sou um mau Sportinguista. Porque foi esta diferente forma de estar e de pensar que me fez optar no momento de votar. E é esta forma de estar e de pensar que considero fundamental continuar a existir enquanto não for sólida a certeza de que o rumo escolhido seja o mais acertado.

Se não se importarem…

… guardo as apreciações ao trabalho do Godinho e companhia para o final da época. Tentei começar a escrever mas, para além do sentimento de que é cedo para fazer um balanço, a minha cabeça desviava-se para quinta-feira. Tanto, que até o verdadeiro Cherba resolveu dar um ar de sua graça.

«O Sporting está muito mal. Quarto lugar? Quinto lugar? O que é isto? O Sporting tem de lutar pelo título, tem de ganhar! […] Há muito tempo que não ganha nada. Antes de mais tem de começar a ganhar. Depois sim, pode pensar em jogar bonito. Jogar bonito e não ganhar não serve para nada. Espero que o Sá Pinto tenha tempo para colocar a equipa a ganhar. […] O Metalist é uma equipa muito distante do Shakhtar ou do Dínamo Kiev. Não tem o mesmo poder. É um clube para andar em terceiro ou quarto lugar na liga ucraniana. Na Europa é mais perigosa, porque pode utilizar mais estrangeiros, mas é acessível. Podia ter saído um At. Madrid ou um At. Bilbao e aí sim ia ser difícil. Acho que o Sporting segue em frente e, entrando nas meias-finais, tudo pode acontecer».

Um ano de Godinho

É verdade, já lá vai um ano sobre a noite mais afinada de sempre. Há muito para dizer, pois que há, mas para já, dentro da minha cabeça, continua a doer uma simples constatação: se tivéssemos ganho em Setúbal e em Barcelos, e tendo em conta que ainda vamos jogar com os três da frente (e que eles também jogam entre si), podíamos estar a pensar em lutar pelo título.