O dedo na ferida…

“[…] o Sporting sempre foi uma casa com muitas divisões, há muitas assoalhadas por cada andar e muitas vezes quando se faz a reunião do condomínio o resultado não é muito positivo“, Carlos Freitas, in Record.

… e algumas notas relativas ao nosso clube

Por que é que o Carlos Freitas nunca foi um figura consensual no Sporting?
Porque… (pausa) bem, as razões que eu encontro passam por não ter nascido bacteriologicamente sportinguista e nunca o ter escondido. O que para mim é uma coisa perfeitamente natural, ou seja, como qualquer criança tinha o clube da minha simpatia, quando cheguei ao jornalismo esse sentimento clubista diluiu-se muito e quando cheguei ao Sporting defendi o clube com unhas e dentes e até tenho uma filha sportinguista

Hoje olha-se para trás e 15 milhões parece pouco dinheiro na venda de Cristiano Ronaldo ao Manchester United.
Não concordo. Foi por muito dinheiro porque só tinha mais um ano de contrato. Foi o negócio possível, com um ano de contrato e graças à nobreza de caráter do próprio e do empresário Jorge Mendes que, na altura, tinham uma proposta de um clube italiano no valor de 4 milhões para cada um, se saísse livre no final do época. Na altura o Sporting não tinha a mínima hipótese de acompanhar os salários que já eram propostos ao jogador. Fez-se um acordo com o Manchester United que previa a permanência dele por mais um ano no Sporting, mas a inauguração do novo estádio e o fuso horário trocado dos jogadores do Manchester traziam nesse dia fizeram com que o Phil Neville tivesse passado um mau bocado com o Ronaldo e resultou na contratação dele 24 horas depois. Agora, se pensarmos em jogadores com transferências por 15 milhões com apenas um ano de contrato não há muitos

O que é que falta ao Sporting para voltar a ser campeão?
Se repararmos no último Sporting campeão, num ano em que, por exemplo, pontificavam vários jogadores internacionais, houve a faculdade de lançar Quaresma e Hugo Viana nessa temporada. Mas nunca olhar para o Quaresma e o Viana como fatores de solução imediatos. Mas aquilo que se tem pedido a vários jogadores que vêm da formação é que eles passem a fazer parte da solução imediata.[…] E num clube com a obrigação de ganhar é preciso uma maturidade que vem pelos anos. Nos últimos tempos tem faltado isso ao Sporting. Há uma importância excessiva dada à Academia que não tem sido acompanhada pela inclusão de jogadores mais tarimbados.” 

Izmailov chegou consigo a Alvalade. Como tem visto estes últimos tempos de polémicas constantes com o jogador russo?
A única coisa que posso dizer é que o Izmailov, enquanto trabalhámos juntos, foi exemplar enquanto profissional e pessoa

O Carlos Freitas tinha aceitado vender o João Moutinho para um clube rival?
Nunca o fiz em termos de carreira. Desde 99 que nunca tomei uma decisão desse tipo. […] Se até hoje não o fiz foi por alguma razão, portanto, não venderia o Moutinho a um clube rival. Houve oportunidades de fazer transações entre grandes na minha altura no Sporting e a única que foi feita foi uma troca entre Clayton e Ricardo Fernandes, jogadores que não eram primeiras linhas nos respetivos clubes.

Pensem nisto quando anotarem os objectivos para 2011

“Com 2010 quase a acabar, o Sporting soma o quarto ano consecutivo a perder adeptos no novo Alvalade, situação com impacto menor nas contas de um clube de futebol, mas com peso importante no fulgor social que move paixões…”.
A frase faz parte de um artigo que pode ser lido no jornal O Jogo e, em minha opinião, esta devia ser uma das principais preocupações de quem gere o nosso clube.

Acreditar

Vou directo ao assunto: não gosto de José Couceiro. Não gosto do estilo, não gosto do timbre, não gosto do trabalho que fez até hoje.
Acredito, no entanto, que será melhor termos um Couceiro a olhar pelo futebol do que continuarmos a ter um presidente, que de bola nada percebe, a fazê-lo. E que estrangular a ideia de “quero, posso e mando” com que Costinha tem gerido a sua vidinha no Sporting será, também, positivo.

No fundo, quero acreditar que é boa ideia tentar criar uma estrutura semelhante à que nos fez voltar a ganhar um campeonato, em 99/2000. Mesmo que Couceiro não seja um mafioso como Luís Duque e Costinha nunca venha a ser um senhor, respeitado por tudo e todos, como é Manolo Vidal.