Com três momentinhos apenas, se escreve 2010

É triste mas, a não ser que a minha memória já não seja o que foi, quando penso no 2010 leonino só consigo lembrar-me de três momentos que mereçam ser destacados pela positiva. É pouco. Imensamente pouco.



O dedo na ferida…

“[…] o Sporting sempre foi uma casa com muitas divisões, há muitas assoalhadas por cada andar e muitas vezes quando se faz a reunião do condomínio o resultado não é muito positivo“, Carlos Freitas, in Record.

… e algumas notas relativas ao nosso clube

Por que é que o Carlos Freitas nunca foi um figura consensual no Sporting?
Porque… (pausa) bem, as razões que eu encontro passam por não ter nascido bacteriologicamente sportinguista e nunca o ter escondido. O que para mim é uma coisa perfeitamente natural, ou seja, como qualquer criança tinha o clube da minha simpatia, quando cheguei ao jornalismo esse sentimento clubista diluiu-se muito e quando cheguei ao Sporting defendi o clube com unhas e dentes e até tenho uma filha sportinguista

Hoje olha-se para trás e 15 milhões parece pouco dinheiro na venda de Cristiano Ronaldo ao Manchester United.
Não concordo. Foi por muito dinheiro porque só tinha mais um ano de contrato. Foi o negócio possível, com um ano de contrato e graças à nobreza de caráter do próprio e do empresário Jorge Mendes que, na altura, tinham uma proposta de um clube italiano no valor de 4 milhões para cada um, se saísse livre no final do época. Na altura o Sporting não tinha a mínima hipótese de acompanhar os salários que já eram propostos ao jogador. Fez-se um acordo com o Manchester United que previa a permanência dele por mais um ano no Sporting, mas a inauguração do novo estádio e o fuso horário trocado dos jogadores do Manchester traziam nesse dia fizeram com que o Phil Neville tivesse passado um mau bocado com o Ronaldo e resultou na contratação dele 24 horas depois. Agora, se pensarmos em jogadores com transferências por 15 milhões com apenas um ano de contrato não há muitos

O que é que falta ao Sporting para voltar a ser campeão?
Se repararmos no último Sporting campeão, num ano em que, por exemplo, pontificavam vários jogadores internacionais, houve a faculdade de lançar Quaresma e Hugo Viana nessa temporada. Mas nunca olhar para o Quaresma e o Viana como fatores de solução imediatos. Mas aquilo que se tem pedido a vários jogadores que vêm da formação é que eles passem a fazer parte da solução imediata.[…] E num clube com a obrigação de ganhar é preciso uma maturidade que vem pelos anos. Nos últimos tempos tem faltado isso ao Sporting. Há uma importância excessiva dada à Academia que não tem sido acompanhada pela inclusão de jogadores mais tarimbados.” 

Izmailov chegou consigo a Alvalade. Como tem visto estes últimos tempos de polémicas constantes com o jogador russo?
A única coisa que posso dizer é que o Izmailov, enquanto trabalhámos juntos, foi exemplar enquanto profissional e pessoa

O Carlos Freitas tinha aceitado vender o João Moutinho para um clube rival?
Nunca o fiz em termos de carreira. Desde 99 que nunca tomei uma decisão desse tipo. […] Se até hoje não o fiz foi por alguma razão, portanto, não venderia o Moutinho a um clube rival. Houve oportunidades de fazer transações entre grandes na minha altura no Sporting e a única que foi feita foi uma troca entre Clayton e Ricardo Fernandes, jogadores que não eram primeiras linhas nos respetivos clubes.

Pensem nisto quando anotarem os objectivos para 2011

“Com 2010 quase a acabar, o Sporting soma o quarto ano consecutivo a perder adeptos no novo Alvalade, situação com impacto menor nas contas de um clube de futebol, mas com peso importante no fulgor social que move paixões…”.
A frase faz parte de um artigo que pode ser lido no jornal O Jogo e, em minha opinião, esta devia ser uma das principais preocupações de quem gere o nosso clube.

Acreditar

Vou directo ao assunto: não gosto de José Couceiro. Não gosto do estilo, não gosto do timbre, não gosto do trabalho que fez até hoje.
Acredito, no entanto, que será melhor termos um Couceiro a olhar pelo futebol do que continuarmos a ter um presidente, que de bola nada percebe, a fazê-lo. E que estrangular a ideia de “quero, posso e mando” com que Costinha tem gerido a sua vidinha no Sporting será, também, positivo.

No fundo, quero acreditar que é boa ideia tentar criar uma estrutura semelhante à que nos fez voltar a ganhar um campeonato, em 99/2000. Mesmo que Couceiro não seja um mafioso como Luís Duque e Costinha nunca venha a ser um senhor, respeitado por tudo e todos, como é Manolo Vidal.

O esquema

É possível que este [4-2-3-1] seja o melhor esquema. Mas não é por termos utilizado outros esquemas que não vencemos, até porque já ganhámos nos mais diversos sistemas. Acredito que este seja o que melhor se adequa às características dos nossos jogadores, mas nem sempre temos tido todos os jogadores disponíveis“.

Mais coisa, menos coisa, foi esta a constatação de Paulo Sérgio, no final do jogo de ontem. Não querendo ser pessimista, diria que vale mais tarde do que nunca ou, se preferirem, vale mais levar meia época para perceber em que esquema deve jogar, do que fazer uma época inteira sem conseguir entendê-lo.

Mas, um pouco mais a sério, não posso deixar de constatar o seguinte:
– não podemos jogar com um meio campo com Mendes, Maniche e André Santos, a não ser que o objectivo seja emperrar o adversário, como fizemos contra o Porto;
– jogar com esse meio-campo, obriga, também, a desviar Valdés para uma das alas. Ora, porra, só não vê quem não quer que o chileno rende tanto nas alas como uma mão cheia de nada;
– goste-se ou não, o Liedson é o melhor avançado da equipa e, mesmo não marcando, tem-se revelado fundamental nas movimentações atacantes e no início do processo defensivo em pressão alta (o grande jogo de sentido táctico e colectivo frente ao Porto é bom exemplo disso mesmo);
– Liedson e Postiga não cabem na mesma equipa, a não ser que tenhas tomates para jogar apenas com um médio defensivo e Valdés a 10 (algures entre o 4-4-2 e o 4-1-3-2). E nem vale a pena eu dizer qual deles prefiro ver em campo (e colocar o Postiga a fechar uma ala, como contra o Porto, é assustador);
– Quando pensares em reforços de Inverno, deixa lá essa história do pinheiro, até porque a árvore desmancha-se no dia de Reis. A não ser que consigam descobrir um novo Matin Palermo, ou coisa do género, foca-te nas alas, sff. Extremos, meu caro Paulo, extremos são o que nós precisamos. Não só para não ter que levar com o João Pereira na posição que fez com que ninguém desse nada por ele (sim, sim, ontem fez um bom jogo), mas porque está visto que basta ter dois rapazes rápidos nas alas para o nosso futebol melhorar um bocadinho.

p.s. – o jogo de ontem serviu, também, para constatar que é realmente triste ter perdido tantos pontos (e sido eliminado da Taça) contra equipas tão merdosas. Tão merdosas como aquelas duas que também nos ganharam, na Liga Europa. Pensem nisso…