Fica bem, Bobby

Não ganhaste nada, é verdade. Até nos deste aquelas derrotas manhosas contra os gafanhotos e os donos do Casino de Salzburg. Mas deste-nos, também, bom futebol. Deste-nos o Valckx, o Juskowiak e o Cherbakov, na época em que te tiraram o Douglas e o Luisinho. E deste-nos aquele teu ar de avô porreiro com quem dá gosto ir à bola.
Fica bem, Sir Bobby Robson.

Nós, as moscas…

… eles, a mesma merda.

merda

Nós, mudámos, estamos mais velhos, alguns mais morenos, uns mais felizes, outros mais tristes, uns mais realizados, outros mais frustrados, uns mais magros, outros mais gordos, uns mais educados, outros mais broncos. Estamos todos diferentes.

Este Sporting?

A mesma merda do costume, a mesma merda de organização na entrada para o estádio, a mesma merda de speaker, a mesma merda de relvado, a mesma merda dos passes sem direcções do Polga, a mesma merda de falta de ritmo do Caneira, a mesma merda do Moutinho perdido nas alas, a mesma merda do Vuk longe da baliza, substituído injustamente, a mesma merda de reacção – justificada – no caminho para o banco. A mesma merda do Postiga sem controlo de bola e de espaço, a mesma merda de substituições, a mesma merda de jogadores fora de posição, a mesma merda do Djaló inofensivo, a mesma merda de Rochemback gordo e patético, a mesma merda de desposicionamento de jogadores, a mesma merda de centros a 20 metros da linha final, com centrais enormes a cortar as bolas de frente, a mesma merda de lances de bola parada inofensivos, a mesma merda de penaltys falhados, a mesma merda de atitude temerosa, sem arrojo, sem rasgo, sem um-para-um, sem espaços, sem rupturas, sem improviso, sem imaginação, sem criatividade, a mesma merda de sempre.

A mesma merda de losango, a mesma merda de discurso no final do jogo, a mesma merda de treinador.

Houve Patrício, Carriço, pouco, muito pouco Moutinho, muito Veloso (até ser desterrado na esquerda), algum Mati (que diferença!), nenhum Liedson.

Praticamente os mesmos a remar contra a mesma merda. Novidades? Remates a 35 metros dos centrais e uma enorme faixa vermelha na Sul, do patrocinador.

Este pesadelo futebolístico e sportinguista só acaba quando o Paulo Bento for despedido. Tive a certeza quando perdemos os dois jogos seguidos contra os rivais há quase um ano. Fiquei revoltado em Munique. Agora? Estou perto da indiferença, o maior atentado que alguém no Sporting pode fazer a um adepto, sócio e doente do clube.

Parabéns, sr. Presidente. O seu treinador vai afundá-lo com ele.

Sensações

Sensações de pré-época. São elas que marcam o verão dos doentes da bola. A longa espera pelo pontapé de saída. O defeso, as contratações, as dispensas, os sonhos impossíveis e a esperança de uma época de sucesso.

No caso do Sporting versão 2009/2010, a sensação é agri-doce. Pegando na ideia defendida há uns dias pelo “nosso” Petinga, o Sporting é uma cantina de nouvelle cuisine com um chef taberneiro. Promete refeições de alto gabarito mas o cozinheiro não é mais do que um aprendiz de tasco. Esta é uma verdade incontornável. O Bettencourt ganhou e houve uma esperança de futuro renovado. O Paulo Bento ficou, e mesmo assim, eu acreditei que as coisas iriam ser diferentes. Sabe-se lá porquê. Mas não. É mais do mesmo. A embalagem é nova, moderna e arejada, como diria Gabriel Alves, mas o conteúdo é o mesmo de sempre. Comida requentada, é que nos servem nesta pré-época.

Sejamos realistas, com outro treinador, acredito que os jogadores voltariam aos seus lugares. As posições corrigidas, o sistema de jogo alterado e os activos devidamente rentabilizados. Mas isso não é tudo. O Sporting parte em clara desvantagem neste início de temporada. Não se reforçou como devia e não corrigiu os males que o apoquentam. A capacidade negocial e aglutinadora de Porto e Benfica nada tem a ver com a nossa. Mais e melhores jogadores para plantéis mais competitivos. Isso não é tudo mas é uma vantagem significativa. No Sporting, continuamos sem saber quem dá a cara pela parte da composição desportiva. Desconheço se são as escolhas do treinador ou se se nos impõem algo de fora. A realidade é só uma. Temos um sistema de jogo que não se enquadra no tipo de jogadores que dispõe o plantel.

Uma defesa fraca, de papel, diria. Embora esta ideia possa ser desmentida pelos números de melhor defesa da Europa, considero a linha defensiva do Sporting uma merda. Laterais péssimos. Na esquerda, Grimi não é ninguém. Caneira parece próximo do fim. André Marques é um jovem em formação. Na direita, Pedro Silva é o melhor de todos. Disfarça no ataque as carêncais defensivas. Abel é um jogador à imagem dos melhores que vi jogarem em pelados nas distritais. No meio, temos um problema político e estrutural. Ou Polga ou Carriço. Sendo que Carriço é mais novo e bandeira da formação, já era altura de assumir a venda do Brasileiro. É preciso músculo, experiência e centímetros. Numa equipa os jogadores complementam-se. Se temos um mais virtuoso, é necessário um jogador de outro recorte. Quando defendo isto, não estou a pensar num Tonel. É esse o tipo mas em bom. Um Phill Babb, um Naybet, um Mozer,  um Bruno Alves. Jogadores líderes que imponham respeito. Os campeonatos ganham-se a defender. À frente, um problema clássico. Para jogar em losango, o médio mais recuado tem que ser um jogador mais posicional. Menos todo o terreno e menos amplo nos movimentos. Um jogador do tipo Paulo Assunção ou Costinha dos melhores tempos seriam ideais. Um varredor que se desmultiplique em tarefas defensivas, cubra a área à frente da defesa e que saiba entregar a bola a quem a sabe jogá-la. Se for o losango, entenda-se. Além disso, tem que ser grande. Por que razão nunca se lembraram do Papa Diop? Um monstro do Senegal que joga no Portsmouth e que esteve a um passo de ir para o Osasuna. Os jogos também se ganham com força. Para mim, este é o problema estrutural do Sporting. E, acho que nem o Paulo Bento nem ninguém se detiveram nele. Na europa, sobretudo, isto sente-se na pele. As equipas são maiores, são mais fortes e, por isso mesmo, têm mais hipóteses de ganhar. Porque não é só força. É um complemento de tudo. Veja-se o eexemplo do Barcelona que todos acreditam ser a antítese do que digo. Um meio-campo técnico onde Xavi e Iniesta dominam a bola mas com as costas bem protegidas pelo gigante Yaya Touré. Isto, para não falar que eles próprios, apesar de pequenos, são secos e resistentes. Nada de gorduras e massas adiposas a atrapalhar como no caso de alguns dos nossos. Na defesa, Abidal é alto e Piqué um monstro pelo ar.

Do meio-campo para a frente, quase tudo mal embora os jogadores até sejam bons. Liedson resolve, Moutinho é a alma da equipa mas pode e deve ser muito melhor. Vukcevic podia ser o nosso Hulk se jogasse perto da baliza e não se desgastasse no interior de um losango em tarefas cretinas. Izmailov não precisa de provar nada. Só necessita um médico que não o transforme num Mantorras. O Caicedo não tem o golo do Liedson mas pode ser o destruidor de defesas que vai permitir os espaços que o Levezinho precisa. E o Matias Fernandez é, naturalmente, melhor que o Romagnoli. Vai trazer à equipa, entre outras coisas, golo. Estes, mais o Pereira, o Roca sem barriga, o Adrien, o Djaló, o renovado Miguel Veloso e o Postiga não envergonham ninguém neste nosso campeonato. Mas precisam de explodir. Para isso, é necessário um treinador que entenda isso e os coloque no devido lugar. `

Paulo Bento, quem não tem cão caça com gato. Se não podemos competir com equipas que têm Saviola, Cardozo e Keirrison a lutar por um lugar no onze, temos o resto. Que tal, trabalhar as bolas paradas e aumentar a altura da equipa?

O que é bonito na pré-época, é que podemos continuar a sonhar. E eu, apesar de tudo, acredito que que este rótulo de outsider que temos que assumir não nos vem nada mal. Deixem o Benfica com as capas dos jornais e o Porto à beira do penta. De facto, partimos no terceiro lugar. Mas isso se for alimentado da melhor maneira para baixar expectativas até pode ser bom. Não sei porquê, mas continuo a acreditar que esta é a época do Moutinho. A época em que ele vai provar que não é somente um bom jogador de equipa. O ano em que ele vai ser o líder e o jogador desequilibrador. É por isto que adoro ser doente. Começo a falar de uma coisa e acabo a desmentir a mesma. Viva o Sporting e as pré-épocas!

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Champions League, pré-eliminatória


É um estádio bonito, novo… arejado
Sporting – Twente
29 Julho 2009, 20h45, Estádio José Alvalade

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Estamos na estação perfeita para ir à bola. A noite convida ao cachecol, como complemento à camisola oficial (apesar do babete…)

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Twente é uma equipa que sai rápida para o ataque, com boas trocas de bola, jogando preferencialmente em 4-3-3 ou, em alternativa, num 4-2-3-1 (curiosamente, as tácticas que aqui no Cacifo já várias vezes defendemos para o Sporting). A força da equipa reside, precisamente, no ataque, a que se junta uma forma de jogar bastante física e por vezes dura. No fundo, o futebol apoiado típico da Holanda misturado com o futebol musculado à moda de Inglaterra.

Este homem é um Mister
Steve McLaren não tem boas recordações do Sporting, depois de já ter sido derrotado quando estava ao comando do Middlesbrough. Com aquele ar de “bife” que preferia mil vezes estar no Algarve a emborcar cerveja do que a comandar uma equipa, o bom do Steve já afirmou que, em Alvalade, vai ser importante a segurança defensiva da sua equipa, ou seja, preparem-se para um jogo rasgadinho e enervante, com muitas faltas à mistura.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Brama é um jogador claramente acima da média. Joga no centro do terreno e é o equilíbrio da equipa. A bola, essa, passa quase sempre pelos pés de Kenneth Perez, armador de jogo e municiador do rápido Stoch, um puto emprestado pelo Chelsea que ocupa a ala direita (o Caneira que se cuide). Na frente, o monstruoso Kufo é um perigo real.

 A vantagem de ter duas pernas!
Douglas e Wisgerhof formam uma dupla de centrais com rins mais pesados que o Tolan, daí jogarem bastante recuados. Kuiper, o lateral esquerdo, gosta de subir e deixa as costas destapadas e, na direita, sente-se bastante a falta de Braafheid, que rumou a Munique. É isso, o ponto fraco do Twente é mesmo a sua defesa, daí que seja quase certo que vão jogar em 4-2-3-1.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Paulo, acabou-se o tempo das experiências. Agora, é a sério. Aposto que ias gostar de ter o Caicedo, mas percebo que não faças alinhar um jogador que chegou há dois dias. No fundo, a culpa não é tua. Só te peço que não inventes, ou seja, que não decidas deixar o Vuk no banco, meter o Rochemback numa das laterais ou colocar o Abel de início. Vá lá, temos que ganhar, porra! E, se possível, quando marcarmos o primeiro não digas à equipa para começar a congelar o jogo.

 Vamos jogar no Totobola
Sporting – Twente  1

Respeito

Vitor%20Damas

Houve uma altura, algures entre os 8 e os 10 anos de idade, em que não conseguia decidir-me sobre se queria ser guarda-redes ou jogar à frente. A culpa era de três keepers, o Toni Schumacher, o Jean Marie Pfaff e, claro, do Damas.

Sendo eu do Sporting, quando jogávamos aos penaltis, jogo simples que consistia em amassar os portões das garagens que serviam de baliza, eu queria ser o Damas sempre que era a minha vez de defender. E naquele inesquecível ano de 86, fiquei eufórico quando soube que o Damas ia ser o guarda-redes da selecção, contra Marrocos, no terceiro jogo do nosso grupo no Campeonato do Mundo.

Perdemos 3-1 e eu mandei uma real sapa num puto lampião que disse que tínhamos perdido por causa do Damas.
Tal como naquele simples jogo dos penaltis, era uma questão de respeito. Pelo Damas.
Não posso, por isso, deixar de assinalar a justa homenagem que lhe fizeram, baptizando com o seu nome a nossa baliza do topo sul.

Está na hora!

Quando vejo isto
casabx

 

isto
sr joaquimbx

 

isto
paulinhobx

 

e isto
azulejobx

 

tomo consciência de que está na hora de esquecer estes jogos de preparação miseráveis, os recadinhos que o Paulo Bento insiste em continuar a enviar aos jogadores através da televisão, a falta de reforços, algumas palermices que o JEB vai dizendo e até, imagine-se, o losango.

Depois de amanhã começa a época 09/10 e, como acontece sempre que o Sporting entra em campo, terá o meu apoio incodicional. Vamos lá espremer esta merda destas laranjas!

Bebé proveta

Diz o Jogo, em mais uma pequena pérola de literatura jornalística do desporto rei:

“Carlos Saleiro mantém trabalho condicionado no ginásio, por força das dores decorrentes da doença de Osgood Schlatter. Por definição, esta doença é uma inflamação dolorosa do tubérculo tibial anterior (protuberância na parte frontal da tíbia). O distúrbio tem como característica um inchaço doloroso logo abaixo do joelho, na face anterior do osso da perna (tíbia). Essa área é sensível à pressão e o inchaço varia de leve a muito intenso. Actividades como correr, saltar e subir escadas, causam desconforto a uma ou ambas as pernas. O distúrbio ocorre entre os adolescentes activos e que praticam desporto e decorre na fase de crescimento: a tíbia não acompanha o desenvolvimento da perna e o tendão que a prende à rótula sofre uma tensão anormal, que provoca dores”.

Ora bem: o primeiro bebé proveta em Portugal chegou ao seu Sporting e logo desenvolveu uma doença de adolescentes, mesmo apesar de ter 23 anos e de ter acabado a época anterior a marcar (três) golos. É preciso ter galo ou tubérculo, precisamente o sintoma desta bizarra condição, digna de uma atracção do circo, com uma protuberância abaixo do joelho “de uma ou ambas as pernas”. Que ele seja activo até posso admitir, que pratique desporto é uma possibilidade, mas que esteja na fase de crescimento já tenho as minhas dúvidas. Agora que causem desconforto “correr, saltar e subir escadas” já me parece grave num jogador de futebol, sobretudo a parte das escadas, que o teenager tem de subir em Alvalade, que é um estádio construído em altura e os lugares Vip ficam muito lá em cima.

Enfim, mais valia ter contratado directamente o Osgood Schlatter, que fez furor no Rapid Viena com a sua tíbia muito à frente da perna, o segredo para antecipar os centrais. E com dores!