Obrigado por me fazeres sonhar, Matías

Não gosto de despedidas. Muito menos quando são despedidas que envolvem uma separação prolongada. E pessoas que me dizem algo, obviamente.
É verdade que não te conheço, mas entusiasmei-me assim que foi levantada a possibilidade de vires jogar para o meu Sporting. Pela simples razão de que, para mim, o futebol continua a ter muito de balizas erguidas com postes de pedras da calçada, fintas parvas por colocarem a equipa em risco, fintas parvas que resultam e dão para gozar e recordar durante anos, passes que já levam o grito de golo, rostos transpirados e sorridentes que espelham um dos mais simples prazeres da vida: jogar à bola.

Foi isso que eu vi em ti, Matías. Mesmo quando aquele bigode te tornava parecido com o Cantiflas.  Tinha ali um gajo que gostava de jogar à bola como se o mundo fosse perfeito e o futebol fosse arte. Como se fosses um boneco do PES. Um bocadinho (sim, só um bocadinho) de Balakov, que tantas saudades me deixou. Esperei pelas rabonas. E pelos livres. Esperei pelo craque que dá alma à selecção chilena. Até passei a gostar do número 14. No fundo, deixaste-me sonhar. Que, quando as coisas estavam a correr bem, ias tirar um coelho da cartola para embelezar o momento. Que, quando estavam a correr mal, ias mostrar que a genialidade pode valer mais do que as capacidades atléticas. O Matías era nosso.

E foste, infelizmente muito menos vezes do que eu desejava. Mas foste. Num estranho sentimento que me fazia depositar em ti grande parte das minhas esperanças. Mesmo quando estavas lesionado (tantas vezes, porra), ou quando vi que as tuas pilhas não davam para mais de meio jogo. Tudo isso eu colocava para segundo plano, defendendo aquele «algo mais» que me parecia só tu (e o Izma, vá lá) conseguia oferecer à equipa. Talvez fosse o meu lado sonhador a falar mas, ainda assim, valeu-me alguns momentos que vou guardar bem guardados.

Hoje confirma-se o rumor dos últimos dias: vais embora. E, tal como ao longo destes três anos, pouco me importa se não quiseste renovar, se não quiseram renovar, se vais por quatro ou por 40, se tínhamos o teu passe todo ou já o tínhamos cortado em postas. Importa.me, isso sim, que fico com menos um jogador capaz de alimentar-me os sonhos. Talvez até seja melhor assim, não fosse eu passar uma época imaginando-te a fazer maravilhas e vendo-te perder o lugar por culpa de mais uma lesão ou da qualidade dos que chegaram. Estou confuso, acho. Porque tens esse raio de capacidade de fazer-me acreditar em futebol bonito. E isso, caro Matías, é algo que te agradeço com toda a sinceridade.

p.s. – prometo que o PES vais continuara a marcar livres de verde e branco.

Uma pequena mudança

Na noite de sábado, houve um pormenor táctico que me pareceu bastante interessante. Em algumas situações, Capel e Carrillo fletiam para o meio, de forma a apoiar mais diretamente Matias. Nesses momentos, Elias procurava ocupar o lugar que permitisse compensar a extrema deixada em suspenso. Em três ou quatro ocasiões, Capel e Carrillo chegaram a tabelar junto à linha, dificultando bastante o trabalho defensivo do lateral e a própria organização do adversário.
Resta saber se este ensaio de qualquer coisa terá continuidade e se poderá ser uma das chaves para surpreender os adversários.

p.s. – a propósito de chave, de cada vez que vejo Carrillo a jogar tenho cada vez mais a certeza que, se fosse treinador, lhe dava liberdade nas costas do avançado. Ele que fosse à esquerda e à direita criar superioridade. Ele que rematasse à entrada da área. Ele que surgisse como segundo ponta, em vários dos cruzamentos.

Verde e branco

Do andebol, esmagando o Benfica de uma forma que o resultado não espelha, passando pelo banho de bola dado pelos nossos meninos, ao Liverpool, na Next Gen (há ali uma mão cheia de putos que, bem aproveitados, ainda nos podem dar muitas alegrias. E quem quiser ver o resumo e dois golos fenomenais, pode clicar aqui ), terminando no futsal, com uma vitória, por 5-3, a abrir a UEFA Futsal Cup (e hoje há mais).

Creio que não haveria melhor forma de contagiar-nos a todos para dois meses em que muito estará em jogo. Começamos domingo, em Alvalade, recebendo o Braga para a Taça de Portugal. A vitória, em que todos acreditamos (e já há uma t-shirt à venda, no site oficial, para deixar o estádio mais verde), será um enorme tónico para a visita à Luz, no sábado seguinte.
Seguem-se dois jogos em casa, de vitória obrigatória (Zurique e Nacional da Madeira), e uma ida ao Olímpico de Roma, onde acredito que o Domingos tenha um dilema entre colocar a melhor equipa ou poupar jogadores para a deslocação a Coimbra, três dias depois. O campeonato é interrompido, para celebrar-se o Natal, e recomeça com um Sporting-Porto e uma ida a Braga.

Ora, escusado será dizer que, para além de afastar os arsenalistas da Taça e confirmar o primeiro lugar na Liga Europa, será fundamental conquistarmos, no mínimo, 10 a 12 pontos dos 15 que vão estar em disputa. E eu acredito.

p.s – não percebo o que o Onyewu foi fazer à selecção, quando podia ter ficado a recuperar em Alvalade. E já cheira mal ver o Matías regressar do Chile directo à enfermaria.

Unhas encravadas

Elias e Matías são compatíveis?
Domingos tem gerido com mestria os vários estados de alma do balneário. Basta recuar ao último jogo e recordar a entrega da braçadeira a Daniel Carriço, numa forma de motivar ainda mais um jogador que vinha de marcar no regresso à titularidade. E, a bem dessa gestão, Matías, motivado pelo bom jogo na Liga Europa, manteve a titularidade nos jogos da Liga, ocupando o lado direito do meio-campo a meias com Elias e com João Pereira. Ganhámos, é verdade, mas parece-me que ficamos sempre a perder. Matías será compatível com Elias num meio-campo onde ambos joguem no centro, mas a equipa e o próprio jogador ficam a perder quando o chileno é encostado à linha direita. O que Capel faz à esquerda, alguém terá que fazer à direita. Carrillo ou Jeffrén, com Pereirinha à espreita, são donos do lugar e ponto final.

Jeffrén
O cabrão do 7 voltou a afzer das suas pelas bandas de Alvalade. Agora que parecíamos estar a renovar o brilho dessa camisola através da recuperação de Bojinov, somos surpreendidos pelo calvário do número 17. E surpreendidos será um tanto ou quanto subjectivo, pois ao que parece os problemas musculares não são de agora. Estou-me a cagar se o rapaz precisa de acompanhamento psicológico, se tem uma formação muscular de atleta de velocidade, se isto se aquilo. Sei que o departamento médico não ficou lá muito bem na fotografia e que a equipa está a ser prejudicada pela ausência de um talento inegável. Há que resolver esta questão o mais depressa possível e, tanto por nós como por um jogador muito acima da média com apenas 23 anos, quando Jeffren voltar a jogar é para fazê-lo várias semanas seguidas.

Rodriguez
Mais um jogador com um historial de lesões que explica o porquê de passar mais tempo de fora do que a jogar. Domingos confia nele, por isso o trouxe de Braga, e é um jogador que, para além da experiência e de ser dos quatro centrais o mais talhado para jogar à esquerda, nos torna mais fortes no jogo aéreo. A novela das idas à selecção, onde as lesões parecem desaparecer por obra e graça dos espíritos de Machu Picchu, só servem para que os adeptos o olhem de lado e, cada vez mais, se questione a necessidade de, em Janeiro, trazer outro central (para mim isto nem se questionava. Era trazer um que pegasse de estaca ao lado do Onyewu).

Rinaudo
É vergonhosa a perseguição de que está a ser alvo. Os dois últimos amarelos só são aceitáveis à luz de uma campanha que visa deixá-lo de fora do derby, e deixam Domingos com uma dúvida por resolver: colocá-lo, ou não , frente ao Leiria? Eu confesso que o deixava de fora e até era capaz de experimentar colocar Elias ou Schaars a trinco, recuperando Matías para o meio. É que a teoria de que, vendo um amarelo, pode forçar o segundo e ser expulso (cumprindo o castigo contra o Braga, para a Taça) é muito bonita se pensarmos que vamos ter um jogo que permita ficarmos com menos um de propósito. Para além de que, à partida, será mais complicado receber o Braga do que o Leiria.

Eu é que jogo no lugar do Elias!

A frase poderá passar pela cabeça de André Santos, de Pereirinha e de Matías Fernandez. E passaria, seguramente, pela cabeça de Luis Aguiar, estivesse ele a, pelo menos, 70%. Mas o mais importante é saber o que passará pela cabeça de Domingos.

Para mim, Pereirinha não tem intensidade para o lugar, ainda por cima tendo que substituir um dos mais rotativos da equipa. O jogo de Zurique foi claro exemplo disso. Sobram André Santos e Matías e, caso fosse eu a optar, começava o jogo com o chileno. Está com pouco ritmo, é verdade. Não dos gajos que mais pressiona, pois que também é verdade. É fraco no choque, é sim senhor. Mas está aqui a oportunidade de entregar-lhe um papel semelhante ao que desempenha (e tão bem que o faz), na selecção, tendo oportunidade de partir mais atrasado, e com mais tempo para pensar, para encarar os médios defensivos e defesas contrários de frente.
Schaars e Rinaudo vão ter que pedalar ainda mais, até porque o meio-campo da Lázio tem valor inquestionável, mas Matías poderá dar aquele toque de magia que faz a diferença.

p.s. – quanto à situação de Rodriguez, cheira-me que a resolução do problema passa por ir buscar outro central, na reabertura de mercado. Até porque, parece-me, dos quatro que temos é o único talhado para jogar à esquerda.

Ponto de situação

Ainda não tinha tido oportunidade de despedir-me, condignamente, de Hélder Postiga e de Yannick Djaló. Nem de, fechado o mercado, comentar a forma como a dupla Freitas/Duque abordou o mesmo. Vamos por partes.

Não pude deixar de achar cómica, a reação de alguns Sportinguistas à saída de Postiga e de Djaló, lamentando a sua venda e considerando que perdemos dois bons jogadores.
De Postiga, só tenho a dizer o seguinte: marcou 12 golos em quatro épocas, uma média miserável. Aliás, contabilizando o número de minutos jogados, consegue ter uma média pior do que Purovic, do que Rodrigo Bonifácio Tiuí e do que… Koke. Estou-me completamente a cagar para o facto do gajo se julgar a “Paula Rego das quatro linhas”. Quero golos. Ele é avançado e não os marca (e ainda impede os colegas de fazê-lo). Põe-te nas putas que já vais tarde!
Quanto a Yannick, teve mais do que oportunidades para provar que era jogador para o Sporting. Como avançado, consegue disfarçar as suas deficiências técnicas com alguns golos, mas podemos ter num plantel um jogador que, em dez bolas, domina duas à primeira? Que como extremo não sabe ir à linha e cruzar? Ou partir para cima do adversário e fazer a diferença num 1×1? Não, não é jogador para o Sporting e não vamos tratá-lo como coitadinho só porque é oriundo da nossa formação. Nem vamos fazer dele um menino bem comportado, quando várias vezes o vimos não festejar golos porque estava amuado por terem gozado com o seu novo penteado. Ah, e muito menos vamos manter um jogador que nos dá motivos para aplaudir duas ou três vezes por época, só porque o gajo ainda vai parar ao Porto e ai ai ai (por favor, não me falem no Varela. Se os tripas não tivessem sido campeões o gajo já tinha sido apelidado de merdoso que, por época, passa dois ou três meses lesionado).

Quanto ao mercado, e depois de ter-se conseguido um treinador com competência, existiam várias lacunas no plantel a resolver:
– um concorrente para João Pereira
– defesas centrais que permitissem colocar um ponto final no calvário dos lances pelo ar
– um lateral esquerdo
– médios centro de qualidade
– extremos
– avançados que substituíssem Liedson (porra que ainda ontem vi o homem marcar dois ao Flamengo)

Para concorrer com João Pereira avançou-se para João Gonçalves, entretanto emprestado ao Olhanense. Ficou Pereirinha, que para mim apenas tem hipótese de jogar neste posição, e chegou Arias, que muito boas indicações deixou no mundial de sub-20. Creio que temos o problema resolvido.
No centro da defesa, um dos maiores problemas, optou-se por manter Anderson Polga e Carriço (que, por muito que me custe dizê-lo, já me pareceu bem melhor). Foi-se buscar Rodriguez, ao Braga, e chegou o gigante Onyewu, que de muito bom, contra a Juventus, passou a grande merda, contra o Valência. Bipolaridades à parte, para mim não tem muito que saber: é Rodriguez, à esquerda, e Onyewu, à direita. Não será uma dupla de sonho, pois não, mas ganhamos, força, ganhamos altura e, aposto, deixamos de sofrer golos patéticos. E, porra, duvido que não seja dupla para nos fazer lutar por títulos. Agora, é preciso é que consigam jogar juntos três ou quatro vezes para ganharem entrosamento.
Ainda na defesa, agora do lado esquerdo, penso que está mais do que visto que Evaldo é mediano. Pouco ataca e defende assim assim. Tem dias, no fundo. Mas como o Sporting precisa de alguém que tenha meses em vez de dias, foi-se buscar Insua. E era preciso o Grimi pegar-lhe a gripe para o homem não vir a transformar-se no nosso titular.

A meio-campo, onde sobravam André Santos, Matias e Izmailov da época passada, chegaram Rinaudo, Schaars, Luis Aguiar e Elias. Prefiro nem me alongar muito em comentários, deixando apenas a seguinte pergunta: olhando para estes sete gajos, e mesmo acreditando que possamos sentir a falta de um gajo que limpe tudo o que sejam bolas pelo ar, há quantos anos não tínhamos um meio-campo com esta qualidade e estas opções?  Inácio, por exemplo, foi campeão com uma rodela central onde cabiam Duscher, Vidigal, Bino, Toñito e Delfim. Temos piores opções? E o Sr. Boloni, pese o poder de fogo ao seu dispôr, tinha como médios centro Paulo Bento, Vidigal, Custódio, Bruno Caires, Diogo, Hugo Viana e o Afonso “nem pensem que me vou embora até terminar o meu contrato” Martins. Temos piores opções?

Já cheirava mal não termos extremos, não cheirava? O odor mudou radicalmente com a chegada de Capel, Jeffren e Carrillo. Há extremos, pois há, e de qualidade. Até o puto peruano, que parece ter vindo numa de estagiar durante a primeira época, mostra a cada pormenor ter imenso futebol naqueles pés.

Por último, havia que resolver um problema que se deixou arrastar: a dependência de Liedson. É inacreditável como se foi deixando passar os anos sem se antecipar a saída ou diminuição de rendimento do Levezinho. Pensar que Postiga podia ser o seu substituto não foi um acto de fé, antes de acefalia, que nos deixou entregues a um ataque sem golos. Chegaram, entretanto, Wolfswinkel, Rubio e Bojinov. Já nem discutindo qualidades e características, patético será algum deles fazer pior do que o dito artista. E dizer que qualquer um deles não presta, parece-me desonesto.

Posto isto, e muito resumidamente, há matéria prima para o Sporting estar, efectivamente, de volta. Que assim nos ajude a ausência de lesões e que, depois de ter andando a colocar jogadores a titulares para poder vendê-los, que seja capaz Domingos de se deixar de invenções parvas e de confirmar que o que de bom fez até hoje, enquanto treinador, não foi obra do acaso. A prova de fogo está marcada para amanhã, naquele que tem tudo para poder ser o primeiro jogo do resto da nossa época.

 

 

 

O pormenor

Já muito aqui se escreveu relativamente ao jogo da madrugada de domingo, frente à Juve.
Foi entusiasmante a pressão alta, que durou quase 40 minutos na primeira parte e aniquilou a possibilidade de os italianos tentarem chegar ao empate na segunda. Há, claramente, mão de Domingos neste Sporting onde os jogadores sabem o que fazer com e sem bola. 
Foi impressionante a exibição de Rinaudo, omnipresente em todos os movimentos a meio campo, e entusiasmante a qualidade técnica de Schaars, tanto com a bola corrida como com ela parada.
Foi com um sorriso que assisti ao “comigo isto pia mais fino” transmitido pela exibição de Oguchi, um verdadeiro monstro no centro da defesa com todas a condições para assumir-se como patrão do último reduto.
Sonhei que íamos vender o Yannick por 20 milhões.
Desesperei com a incapacidade de Evaldo de, uma só vez que fosse, impedir Krasic de ir à linha e centrar.
E encolhi os ombros ao constatar que Pereirinha continua com aquela postura de gajo incapaz de declarar-se à miúda de quem gosta desde a 4ª classe.

E, no meio de tudo isto, enquanto pensava que aquela dupla de meio campo é brutal, que “se Deus quiser” o Izma aguenta os jogos mais complicados e que Capel vai agitar o último terço do campo, dei com a minha atenção presa a uma posição, nesta pré-época ocupada por Postiga.
Postiga tem sido o chamado nove e meio, jogando atrás do avançado, e vendo passar por si demasiado jogo para a sua capacidade de dar-lhe seguimento. E, quanto a mim, este é um pormenor incontornável para o futebol que venhamos a jogar: aquela posição não pode ser de Postiga. Ok, pronto, há joguinhos em que pode. Mas aquela posição pede algo mais. Pede magia, e não magia daquela parva em que o rei dos postes se sente capaz de marcar golos à meia volta, a trinta metros da baliza, sem sequer olhar para ela. Pede Matigol. Um Matigol solto, a la Balakov. Será possível?